Programa

Aula 1 (03/02): Como desenhar uma pesquisa em ciências sociais?
Ministrante: Guilherme Olímpio Fagundes
Resumo: Como definir uma boa pergunta de pesquisa? Como propor uma boa solução para sua pergunta? Como definir os métodos e técnicas mais adequados para verificarmos a sua hipótese? Como trabalhar com métodos mistos? Dados digitais e não digitais? São com algumas dessas perguntas que abrimos este curso de verão. O objetivo é apresentar a construção de um desenho de pesquisa em ciências sociais, especificamente do olhar da sociologia. Neste sentido, elas dão subsídios para que o inscrito possa ser apresentado para pesquisas de cunho documental e etnográfico, inclusive em ambientes digitais, mas com a possibilidade de enriquecer suas evidências com dados de natureza quantitativa.

Referência:
MOTTA, Luana; ZANON, Breilla (org.). Metodologia de Pesquisa em Sociologia: elaborando um projeto e realizando uma pesquisa. São Carlos: EDUFSCar, 2023.
SEAWRIGHT, Jaye. Multi-Method Social Science: Combining Qualitative and Quantitative Tools. Cambridge: Cambridge University Press, 2016.
FAIRFIELD, Tasha; CHARMAN, Andrew. Social Inquiry and Bayesian Inference: Rethinking Qualitative Research. Cambridge: Cambridge University Press, 2015.
GERRING, John; SEAWRIGHT, Jaye. Finding Your Social Science Project: The Research Sandbox. Cambridge: Cambridge University Press, 2022.

Aula 2 (10/02): O novelo da entrelinha: O paradigma indiciário para análises documentais
Ministrante: Bruno Vieira Borges
Resumo: Atentar-se ao detalhe, ao fragmento, ao marginal e ao desvio é porta de entrada e, ao mesmo tempo, condição operacional para inteligibilidades documentais profundas. A partir da ideia de que o social não se apresenta de forma homogênea, discutiremos os caminhos interpretativos abertos pela micro-história, em especial por sua vertente italiana surgida nos anos 1970. Queremos, com isso, sublinhar a importância de se saber reconstruir as relações discretas e as lógicas subterrâneas que estruturam os documentos, trazendo para o primeiro
plano a noção de “paradigma indiciário”. Trata-se de pensar o documento não como registro direto, mas como superfície atravessada por silêncios, ausências, involuntariedades, erros, redundâncias e ambivalências. Assim, vamos explorar o trabalho documental como um trabalho de aposta - uma hermenêutica fundada em índices, pistas e sinais mínimos -, aprendendo a seguir o fio e os rastros, como metaforizou Carlo Ginzburg.

Referência:
ESPADA LIMA, Henrique. A micro-história italiana: Escalas, indícios e singularidades. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.
GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas e sinais: Morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
GINZBURG, Carlo. O fio e os rastros: Verdadeiro, falso, fictício. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
LEVI, Giovanni. “Sobre a micro-história” In: BURKE, Peter (org). A escrita da história: Novas perspectivas. São Paulo: Editora da UNESP, 1992.
REVEL, Jacques. Jogos de escalas: A experiência da microanálise. Rio de Janeiro: FGV, 1998.

Aula 3 (24/02): A etnografia de observação-participante: da entrada no campo à elaboração de questionários.
Ministrante: Victoria Henrique Ribeiro
Resumo: A aula pretende recobrar os processos de construção de pesquisa da ministrante, dando especial atenção ao uso da etnografia de observação-participante no desenvolvimento de uma pesquisa frutífera. Dentro da discussão sobre etnografia serão abordadas as possibilidades trazidas pelo uso deste método: os processos de acesso ao objeto ou campo de estudo; o reconhecimento dos códigos e condutas compartilhados pelos grupos estudados e o ganho descritivo-analítico no uso deste tipo de método. Para além desta dimensão, a aula pretende demonstrar como recolher dados primários de um espaço social para a elaboração de um questionário que pode ser traduzido em dados quantitativos. A aula também vai evidenciar maneiras e técnicas de pesquisa que transformam dados essencialmente qualitativos, recolhidos a partir de uma pesquisa etnográfica, em dados quantitativamente mensuráveis.

Referência:
ARAÚJO, Ana Paula Moreira. Você trabalha só com eventos: notas etnográficas sobre promotoras de eventos em São Paulo. Seminário Internacional Fazendo Gênero: Women’s Worlds Congress (Anais eletrônicos). Florianópolis, 2017.
BOURDIEU, Pierre. O baile dos celibatários: crise da sociedade camponesa no Béarn. Editora
Unifesp, 2021.
DENORD, François; PALME, Mikael; RÉAU, Bertrand. Researching elites and power: Theory, methods, analyses. Springer Nature, 2020.
WACQUANT, Loïc. Seguindo Pierre Bourdieu no campo. Revista de Sociologia e Política, p. 13-29, 2006.

Aula 4 (03/03): Etnografia digital - e outros métodos para pesquisas online
Ministrante: Julia Rodrigues Barros Alves
Resumo: O curso será encerrado com a sessão temática sobre métodos para a ordem digital. A exposição irá versar, principalmente, sobre etnografia digital - como essa técnica se difere da etnografia stricto sensu, mas ainda se relaciona com os seus princípios teórico-epistêmicos; os debates em torno das diferentes nomenclaturas possíveis; os diferentes usos no campo acadêmico vs. mercadológico; sugestão de boas práticas; e alguma discussão de como tem sido operacionalizado na pesquisa de mestrado da ministrante sobre as plataformas de
trabalho sexual OnlyFans e Privacy. Outros métodos serão abordados a fim de defender a proficuidade da observabilidade - isto é, de que é possível conhecer infraestruturas digitais através da observação de seu funcionamento (sem necessariamente ter acesso às “caixas-pretas”). De maneira geral, arguindo pela importância da inventividade e criatividade do pesquisador quando se trata de campos digitais.

Referências:
MERCADO, Luis Paulo. Pesquisa Qualitativa Online Utilizando a Etnografia Virtual. 2012. Revista Teias, Rio de Janeiro, v. 13, n. 30, p. 15 pgs.
POLINANOV, Beatriz Brandão. Etnografia virtual, netnografia ou apenas etnografia? Implicações dos conceitos. 2014. Esferas, 1(3).
PARREIRAS, Carolina. Etnografia e uso de plataformas digitais: Aprendendo com o WhatsApp. 2024. Novos Debates, 10(1).