Aula 1: A invenção da “sociedade” na China moderna (1895-1919). A primeira aula discute como intelectuais chineses passaram a pensar a China como uma “sociedade” moderna e crise diante do avanço imperialista ocidental e japonês. A partir de autores como Kang Youwei e Liang Qichao, analisaremos a entrada de conceitos como evolução, progresso, nação e civilização no vocabulário político e intelectual chinês. A aula mostrará como a sociologia surgiu inicialmente não como uma disciplina acadêmica, mas como instrumento para compreender a fraqueza chinesa e imaginar caminhos para a sobrevivência nacional após a Guerra Sino-Japonesa de 1894-1895 e a crise do Império Qing.
Aula 2: Ciência, democracia e revolução cultural: o nascimento das ciências sociais chinesas (1919-1930). A segunda aula aborda o impacto do Movimento de 4 de Maio e da Nova Cultura na formação das ciências sociais modernas na China. Veremos como universidades, intelectuais reformistas e instituições acadêmicas passaram a defender a ciência como ferramenta de reconstrução nacional e transformação cultural. Serão discutidos o papel das universidades missionárias, da influência norte-americana e japonesa, bem como figuras como Cai Yuanpei, Hu Shi e Li Dazhao. A aula também examina como sociologia e antropologia se institucionalizaram em meio aos debates sobre tradição, modernidade e identidade nacional.
Aula 3: Aldeias, comunidades e fronteiras: antropologia e a descoberta da “China profunda” (1930-1945). Esta aula analisa o momento em que sociólogos e antropólogos chineses passaram a investigar o mundo rural, as minorias étnicas e as regiões periféricas como chave para compreender a sociedade chinesa. A partir de autores como Fei Xiaotong, Wu Wenzao e Li Anzhai, discutiremos a influência do funcionalismo e da antropologia aplicada, bem como os projetos de reconstrução rural e os estudos sobre Tibete e fronteiras. A aula mostrará como a pesquisa de campo se tornou central para a construção de uma ciência social chinesa e como antropologia e nacionalismo frequentemente caminharam juntos durante a guerra sino-japonesa.
Aula 4: Marxismo, revolução e investigação social na China maoísta (1949-1976). A quarta aula trata da relação entre marxismo, revolução e pensamento social na China. Serão analisadas as apropriações chinesas do marxismo, especialmente a ideia de “sinicização” desenvolvida por Mao Zedong e outros intelectuais revolucionários. Discutiremos como a investigação social foi utilizada para compreender o campesinato, organizar a revolução e transformar a sociedade. Ao mesmo tempo, veremos como após 1949, a sociologia e a antropologia foram progressivamente subordinadas ao marxismo oficial e, em muitos casos, suprimidas enquanto disciplinas autônomas durante o período maoísta e a Revolução Cultural.
Aula 5: Universalismo, indigenização e o futuro das ciências sociais chinesas (1978-presente): a última aula examina a reconstrução das ciências sociais chinesas após as reformas iniciadas em 1978 e os debates contemporâneos sobre “indigenização” e “sinização” do conhecimento. Nessa aula discutiremos as tensões entre teorias ocidentais universalizantes e tentativas de construir abordagens baseadas nas experiências históricas chinesas.
Bibliografia:
FUNG, Edmund S. K. The Intellectual Fundations of Chinese Modernity: Cultural and Political Though in the Republican Era. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.
GULDIN, Gregory Eliyu. The Saga of Anthropology in China: From Malinowski to Moscow to Mao. New York: Routledge, 1994.
KARL, Rebecca E. Mao Zedong and China in the Twentieth-Century World: a concise history. Durham: Duke University Press, 2010.
SCHWARCZ, Vera. The Chinese Enlightenment: Intellectuals and the Legacy of the May Fourth Movement of 1919. Berkeley: University of California Press, 1986.
SPENCE, Jonathan. Em busca da China moderna: quatro séculos de história. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

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