O curso tratará da crise do liberalismo no século XIX e emergência do neoliberalismo a partir dos esforços de dar resposta à instabilidade deste período. A abordagem se divide entre o caráter teórico e político-institucional desta crise, para apresentar o nascimento do neoliberalismo não como uma doutrina, nem como uma ideologia, mas como uma racionalidade política em sua concretude.
A primeira aula apresentará um quadro amplo de caracterização do liberalismo no século XIX. Serão abordadas tanto as práticas de um “governo frugal” quanto seu instrumento maior de intelecção, a saber, a Economia Política. Esta aula termina com a primeira apresentação da crise do liberalismo como a instabilidade ampla de um certo modo de vida.
A segunda aula do curso faz um recorte no interior da crise do liberalismo, para apresentar a desagregação da Economia Política tanto como decorrente, como também instigadora da instabilidade. Partindo da emergência da teoria econômica dos anos de 1870, esta aula ambiciona apresentar o processo que, paulatinamente, fez desaparecer a Economia Política permitindo a irrupção de uma nova Ciência Econômica.
No terceiro encontro, retorna-se ao caráter mais instável da crise do liberalismo para apresentar alguns discursos emergentes das décadas finais do século XIX, que buscavam se colocar como solução para a crise, mas que não foram capazes de ensejar um corpo institucional perene. Esta aula visa desenhar este cenário amplo de uma instabilidade política, institucional, ética e intelectual que se projetou para o início do século XX.
A aula final do curso será consagrada ao momento em que a instabilidade da crise do liberalismo começa a apresentar os contornos de sua resolução. O ponto central será o batismo da nascente racionalidade política do século XX como neoliberalismo por ocasião do Colóquio Lippmann realizado em 1938 em Paris.
Com este percurso será possível apresentar o contexto turbulento, de práticas erráticas e contingentes que permitiram a emergência da razão de governo que conduziu o século XX e chega nos nossos dias ensejando sua própria crise.
Bibliografia de apoio:
ASHTON, Rosemary. One hot summer: Dickens, Darwin, Disraeli, and the Great Stink of 1858. New Haven; London: Yale University Press, 2017.
AUDIER, Serge. Le colloque Lippmann : aux origines du « néo-libéralisme ». Lormont : Le Bord de l’eau, 2012.
DARDOT, Pierre ; LAVAL, Christian. La nouvelle raison du monde : essai sur la société néolibérale. Paris: La Découverte, 2010.
FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Tradução: Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica: Curso dado no Collège de France (1978-1979). Tradução: Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes. 2008.
GAUCHET, Marcel. La crise du libéralisme : 1880-1914 L’avènement de la démocratie II. Paris: Gallimard, 2007.
LAVAL, Christian. L'homme économique : essai sur les racines du néolibéralisme. Paris : Gallimard, 2007.
LEMKE, Thomas. Foucault, governamentalidade e crítica. Tradução: Mário Marino e Eduardo Altheman Camargo Santos. São Paulo: Politeia. 2017
L’HEUILLET, Hélène. Basse politique, haute police : une approche historique et philosophique de la police. Paris : Fayard, 2001.
SAMPAIO, Pedro Ivan Moreira de. O momento marginalista: uma arqueologia do pensamento econômico do século XIX. [Dissertação de Mestrado]. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-09092019-170900/p….
SENELLART, Michel. As Artes de Governar. Tradução: Paulo Neves. Editora 34, São Paulo, 2006.
SLOBODIAN, Quinn. Globalists: the end of empire and the birth of neoliberalism. Cambridge, Massachusetts. Harvard University Press. 2018.

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