O curso aborda os processos históricos, políticos e cosmológicos que atravessam a formação e a circulação dos acervos afro-brasileiros. A partir de uma perspectiva antropológica, discute-se como o colecionamento de objetos afro-brasileiros se inscreveu em regimes de violência e dominação, e como, no presente, comunidades de terreiro, artistas e curadoras(es) têm reconfigurado essas coleções a fim de produzir outras narrativas sobre esses objetos. O minicurso, assim, propõe pensar a memória como arena cosmopolítica, em que múltiplas ontologias e temporalidades se encontram em disputa.
Aula 01 – Cosmopolíticas da memória e a recalcitrância dos objetos afro-brasileiros (Lucas Marques)
Leitura sugerida:
Roger Sansi. 2013. “A vida oculta das pedras: historicidade e materialidade dos objetos no candomblé”. In: Gonçalves, José R. S.; GUIMARÃES, Roberta S.; BITTAR, Nina P. (Orgs.) A alma das coisas: patrimônio, materialidade e ressonância. Rio de Janeiro: Mauad X.
Mbembe, Achille. 2018. “Sobre a restituição de artefatos africanos conservados nos museus do Ocidente”. Analyse Opinion Critique (AOC).
Munanga, Kabengele. 2019. “Arte afro-brasileira: o que é afinal?”. Paralaxe, 6(1), 5–23.
https://revistas.pucsp.br/index.php/paralaxe/article/view/46601
Hartman, Saidiya. 2020. “Vênus em dois atos”. Revista Eco-Pós, 23(3), 12–33.
Sugestão fílmica:
Dahomey, de Mati Diop (2024)
Aula 02 – Memórias, visagens e vestígios (Gabriela Lajes Gonçalves)
Leitura sugerida:
Walcyr Monteiro. 2003. Visagens e assombrações de Belém. 4. ed. Belém: Paka-Tatu, 2003
Gabriela Lages Gonçalves. 2023. “Sobre as formas de sentir o vento ou ficções criativas: notas sobre relações entre vigilantes, casarões e seres intangíveis em São Luís”. Ponto Urbe [Online], 31. http://journals.openedition.org/pontourbe/14778
Sharpe, Christina. 2023. “O vestígio”. In: No vestígio: negridade e existência. São Paulo: Editora Ubu.
Aula 03 – Das religiões reprimidas à memória retomada: o caso do Acervo Nosso Sagrado (Ana Cecília Freitas)
Leitura sugerida:
Côrrea, Alexandre Fernandes. “A coleção museu de magia negra do Rio de Janeiro: o primeiro patrimônio etnográfico do Brasil”. Revista Humanidades, vol. 7. n. 18, 2005, pp. 404-438.
Entrevista com Mãe Meninazinha de Oxum. Revista Fim do Mundo. 2 de fev. de 2021. Disponível em:
http://portal.amelica.org/ameli/jatsRepo/448/4481964004/4481964004.pdf.
Monteiro, Francisco César Manhães; VERSIANI, Maria Helena; CHAGAS, Mário de Souza. “A chegada e chegadas dos nossos sagrados à república”. Museologia & Interdisciplinaridade, v. 11, no 22, p. 14–32, 2022.
Disponível em: A chegada e chegadas do nosso sagrado à república | Museologia & Interdisciplinaridade Smith, Laurajane. “Desafiando o discurso autorizado do patrimônio”. Caderno Virtual de Turismo, vol. 21, no 2, 2021. pp. 140-154.
Sugestão fílmica:
Nosso Sagrado, de Fernando Souza, Gabriel Barbosa e Jorge Santana (2017)
Aula 04 – Ancestralidades, fotografias e o tempo espiralar no entrono do Omô Ilê Agboulá (Andréa Silva D’Amato)
Leitura sugerida:
Azoulay, Ariella Aïsha. 2024. História potencial: desaprender o imperialismo. São Paulo: Ubu, 2024
Martins, Leda Maria. 2021. Performances do tempo espiralar: poéticas do corpo-tela. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021.
Campt, Tina M. 2017. Listening to Images. Duke University Press.
Aula 05 – Experiências da rede de acervos afro-brasileiros (José Batista Franco Junior)
Leitura sugerida:
Gomes, Flavio dos Santos; Lauriano, Jaime; Schwarcz, Lilia Moritz. 2021. “Introdução”. In: Enciclopédia Negra: biografias afro-brasileiras. São Paulo: Companhia das Letras
Instituto Brasileiro de Museus. 2018. “Museu, memória e cultura afro-brasileira”. Brasília, DF: IBRAM. Internacional Council of Museums Brasil. Nova Definição de Museu. 2025. Disponível em: <https://icom.org.br/nova- definicao-de-museu-2/> Acessado em 04 nov de 2025.
Martinho, Casso. 2003. “Redes: uma introdução à dinâmica da conectividade e da auto-organização”. 1 ed. WWF Brasil: Brasília.
Museu Afro Brasil Emanoel Araujo. 2025. “Sobre”. Disponível em: <https://museuafrobrasil.org.br/sobre/> Acessado em 04 nov de 2025.
Rede de Acervos Afro-brasileiros. 2024. Guia rede de acervos afro-brasileiros. Museu Afro Brasil Emanoel Araujo (Org.). São Paulo: Museu Afro Brasil Emanuel Araujo. 64 p.
Sistema Estadual de Museus SP (SISEM/SP). 2023. “Quem somos”. Disponível em: <https://sisemap.org.br/quem- somos/> Acessado em 04 nov de 2025.

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