Programa

Aula 1:
Atravanco na contramão: o lugar de Ana Cristina na cena poética dos anos 70 + O prazer é anterior: o livro enquanto objeto a integrar o mundo.
 
Aula 2:
Não quero mais a fúria da verdade (leitura de Cenas de abril) + My dear (leitura de Correspondência completa) + Não consigo contar a história completa (leitura de Luvas de pelica).
 
Aula 3:
É para você (leitura de A teus pés) + Sob o signo da paixão: o projeto poético de Ana Cristina.
 
Referência bibliográfica:
 
CESAR, Ana Cristina. A teus pés. São Paulo: Brasiliense, 1982.
_______. “Cenas de abril” In: Poética. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
_______. “Correspondência completa” In: Poética. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
_______. “Luvas de pelica” In: Poética. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
_______. Crítica e tradução. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
COHN, Sergio (org.). Nuvem cigana: poesia e delírio no Rio dos anos 70. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2007.
 
FALEIROS, Álvares, ZULAR, Roberto, BOSI, Viviana. Sereia de papel: visões de Ana Cristina Cesar. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2015.
 
FARIA, Alexandre (org.) Poesia e vida: anos 70. Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2007.
 
FERRAZ, Eucanaã (org.). Inconfissões: fotobiografia de Ana Cristina Cesar. São Paulo: IMS, 2016.
______. Poesia marginal: palavra e livro. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2013.
 
FILHO, Armando Freitas; Hollanda, Heloisa Buarque de (orgs.). Correspondência incompleta. Rio de Janeiro: Aeroplano, 1999.
 
HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). 26 poetas hoje. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2007.
______. Impressões de viagem: CPC, vanguarda e desbunde. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2004.
______; PEREIRA, Carlos Alberto Messeder. Poesia jovem anos 70. São Paulo: Abril Educação, 1982.
 
JARDIM, Eduardo. Tudo em volta está deserto: encontros com a literatura e a música no tempo da ditadura. Rio de Janeiro: Bazar do tempo, 2018.
 
LEONE, Luciana di. Ana C.: as tramas da consagração. Rio de Janeiro: 7Letras, 2008.
______. “Não ter posição marcada: Ana C. nos anos 70”. Remate de Males, Campinas, 2016, v. 36, n. 2, p. 559-579.
 
MALUFE, Annita Costa. Poéticas da imanência: Ana Cristina Cesar e Marcos Siscar. Rio de Janeiro: 7Letras; Fapesp, 2011.
______. Territórios dispersos: a poética de Ana Cristina Cesar. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2006.
 
MATTOSO, Glauco. O que é poesia marginal? São Paulo: Brasiliense, 1982.
 
MORICONI, Italo. Ana Cristina Cesar: o sangue de uma poeta. Rio de Janeiro: Relume Dumará: Prefeitura, 1996.
 
PEREIRA, Carlos Alberto Messeder. Retrato de época: poesia marginal anos 70. Rio de Janeiro: Funarte, 1981.

 

Programa

Duração/ carga horária:  6 encontros com 4 aulas de 45’ cada, totalizando 24 horas de aula, mais seis horas de atividades complementares dadas ao longo do curso. Total: 30 horas.

Cronograma: aulas aos sábados, das 9:30 às 12:30, nos dias: 14, 21, 28 de novembro e 05, 12 e 19 de dezembro.

Objetivos gerais:

  1. O corpus deste curso – para além do cânone literário nacional – pretende discutir características e impasses da literatura de autoria feminina. O aluno terá contato com memórias, diários, romances, contos e poemas, escritos por mulheres a partir do final do século XIX, que ainda não foram assimilados pelo currículo tradicional literário, de modo a ampliar seu repertório. 

  1. Ao final do curso os alunos terão sido levados a investigar:

a) aspectos da expressão literária e do caráter social da escrita da mulher no Brasil, para além da discussão restrita dos discursos de gênero;

b) Características estruturais e contextuais das obras abordadas;

c) o caráter de visibilidade/invisibilidade da escrita de autoria feminina.

Objetivos específicos:  Ao final do curso os alunos terão sido levados a:

  1. Identificar ou ponderar o caráter literário das obras abordadas; analisar e problematizar questões de forma; avaliar as circunstâncias sociais das produções escolhidas.
  2. Acompanhar e pensar a problemática da inserção dessas e outras obras similares no sistema literário hegemônico e a sistemática de apagamento de obras de autoria feminina nas historiografias e outros mecanismos de consagração de textos e livros.
  3. Colocar em questão algumas práticas que atravessam a  sua participação na composição desse sistema. Exemplos de indagações relevantes: Os professores costumam inserir tais obras nos seus cursos? Essas obras costumam fazer parte dos vestibulares e outras provas para admissão em instituições públicas ou privadas? É possível articular o estudo de tais obras àquelas escolhidas pelo sistema tradicional? Qual a relevância do ‘lugar de fala’ no campo literário para os alunos da rede pública ou privada? E, sobretudo, quais os impasses do “lugar de fala” em face da exigência da literariedade das obras?

Atividades complementares:

  1. Antes de cada encontro os alunos serão solicitados a ler obras ou trechos de obras de autoria feminina disponibilizados anteriormente.
  2. A cada encontro, durante a aula, os alunos serão solicitados a compartilhar suas opiniões, impressões e engajarem-se em atividades guiadas ou livres (oralmente e/ou por escrito). Quatro atividades serão solicitadas pelas professoras para serem entregues, por escrito, após cada segmento do conteúdo (aulas 2, 3, 5 e 6), e os alunos serão convidados a escolher uma dessas quatro propostas para fazer fora do horário da aula. A equipe de professoras dará um retorno com comentários e/ou sugestões. 

Textos/base:

  1. Diário de Cecília de Assis Brasil, de Cecília Assis Brasil
  2. Minha vida de menina, de Helena Morley
  3. O diário de Bernardina: Da monarquia à República pela filha de Benjamin Constant, de Bernardina Botelho de Magalhães
  4. Álbum, de Maria Firmina dos Reis
  5. Isabel quis Valdomiro, de Maria Isabel Silveira
  6. Dias ensolarados no Paraízo, de Brazília O. de Lacerda
  7. Páginas de recordações, de Floriza B. Ferraz
  8. Meu Glorioso Pecado, de Gilka Machado
  9. Parque Industrial, de Patrícia Galvão
  10. Água Funda, de Ruth Guimarães
  11. Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, de Stela do Patrocínio
  12. Antologia Pessoal de Carolina Maria de Jesus
  13. Clíris: Poemas Recolhidos de Carolina Maria de Jesus
  14. Dia bonito pra chover, de Lívia Natália
  15. Prosa Poesia, de Noêmia Duque
  16. Eu não Quero Flores de Plástico, de Ana Cruz
  17. Eu, Mulher Negra, Escrevo, de Selma Maria da Silva
  18. Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus
  19. Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves

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Programa:

Aula 1 – 14 de novembro

Parte 1) Contextualização da literatura de autoria feminina e dos estudos de gênero no Brasil

Parte 2) Diários e Memórias: escrita que rompe com a lacuna historiográfica engendrada no cenário de assimetria na relação entre os sexos

Aula 2 – 21 de novembro

Parte 1) Diários e Memórias: escrita de mulheres presas a imagens e condutas

Parte 2) Gilka Machado e o pioneirismo na poesia erótica: reações e desdobramentos

 

Aula 3 – 28 de novembro

Parte 1) Patrícia Galvão e o pioneirismo no romance proletário: o impacto da escrita com afirmação política envolvendo a situação da mulher

Parte 2) Água Funda e o regionalismo: embates entre razão e loucura na cultura no Sul de Minas dentro do contexto da colonização e seus efeitos, pelo olhar de uma caipira

Aula 4 – 05 de dezembro
Parte 1) 2) Stela do Patrocínio e os falatórios: a forma desconcertante e lúcida do poema em desrazão

Parte 2) Investigação sobre auto-apresentação da mulher negra na poesia brasileira a partir do século XX / Panorama da poesia de autoria feminina negra brasileira na contemporaneidade

Aula 5 – 12 de dezembro

Parte 1 e 2) Investigação sobre auto-apresentação da mulher negra na poesia brasileira a partir do século XX / Panorama da poesia de autoria feminina negra brasileira na contemporaneidade

Aula 6 – 19 de dezembro

Parte 1) Romance: Um defeito de cor

Parte 2) Romance: Um defeito de cor

 

Bibliografia de Referência:

ADORNO, Theodor W. “Palestra sobre lírica e sociedade”. In: Notas de literatura I. Tradução Jorge de Almeida. São Paulo: Editora 34, 2003. 

BERND, Zilá. “Em busca dos rastros perdidos da memória ancestral: um estudo de Um defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves”. In: Estudos de literatura brasileira contemporânea, n.40, jul./dez.2012, p.29-42.

DALCASTAGNÈ, Regina. “Renovação e permanência: o conto brasileiro da última década”. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, nº 11. Brasília, 2001, pp. 3-17.

___________. “Uma voz ao sol: representação e legitimidade na narrativa brasileira contemporânea”. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, nº 20. Brasília, 2002, pp. 33-77.

___________. “A personagem do romance brasileiro contemporâneo: 1990-2004”, Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, n. 26, Brasília, jul./dez. 2005, p. 13-7.

DAL FARRA, Maria Lucia. “Gilka – A mulher proibida” in Poesia Completa Gilka Machado. São Paulo: V. de Moura Mendonça – Livros, 2017.

DE LUCA, Leonora. “O ‘feminismo possível’ de Júlia Lopes de Almeida (1862-1934)” In: Cadernos Pagu (12) 1999: pp. 275-299.

EVARISTO, CONCEIÇÃO. “Da grafia-desenho de minha mãe, um dos lugares de nascimento de minha escrita”. In: Alexandre, Marcos Antonio (org.). Representações performáticas Brasileiras: Teorias, Práticas e suas interfaces. Belo Horizonte: Mazza, 2007.

 _____________________“Gênero e Etnia: uma escre(vivência) de dupla face”. In: MOREIRA, Nadilza Martins de Barros; SCHNEIDER, Liane (Orgs.). Mulheres no Mundo: Etnia, Marginalidade e Diáspora. João Pessoa: UFPB, Idéia/Editora Universitária, 2005.

EVARISTO, Conceição. “Da representação à auto-apresentação da Mulher Negra na Literatura Brasileira”. Revista Palmares: cultura afro-brasileira, Brasília, ano 1, n. 1, p. 52-57, ago. 2005. Disponível em: http://www.palmares.gov.br/sites/000/2/download/52%20a%2057.pdf (Acesso em: 07 out. 2020).

FOUCAULT, Michel. “A escrita de si”. In: O que é um autor? Lisboa: Passagens. 1992. pp. 129-160.

GONZALEZ, Lélia. “Por um feminismo Afro-latino-Americano”. Caderno de Formação Política do Círculo Palmarino n.1. p. 12-20. Brasil: Batalha de Ideias, 2011.

HOOKS, Bell. Não sou eu uma mulher? 1ª edição 1981. Tradução livre para a Plataforma Gueto. Janeiro 2014.

HOLLANDA, Heloísa Buarque de (organização). Tendências e Impasses – O feminismo como uma crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

____________________________. Explosão Feminista: arte, cultura, política e diversidade. 1a ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

LORDE, Audre… (et al). Pensamento Feminista: conceitos fundamentais (organização Heloisa Buarque de Hollanda). Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019.

NASCIMENTO, Abdias. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Perspectivas, 2016.

REIS, João José. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? Belo Horizonte (MG): Letramento, 2017.

SANTOS, Lívia Maria Natália de Souza. “Poéticas da Diferença: A representação de si na lírica afro-feminina”. Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/artigos/artigos-teorico-conceituais… (Acesso em 07 out. 2020).

SANTOS, Mirian Cristina. Intelectuais negras: prosa negro-brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: Editora Malê, 2018.

WERNECK, Maria Helena. “Mulheres e literatura no século XIX: O poder feminino sobre a pena dos escritores” In: Forum educ. abr./jun. 86.

Programa

A partir da análise de fontes testemunhais diversas – documentos, fotografias, diários, testemunhos orais, documentários, livros, desenhos, poemas -, o curso pretende discutir temas contemporâneos e de relevância, bem como propor reflexões sobre a necessidade de construirmos diferentes caminhos para a educação, pautados na ética,
na estética, na sensibilidade e no respeito às diferentes formas de ser e estar no mundo, para que a Shoá nunca mais se repita.


Referências bibliográficas
ADORNO, Theodor W. Educação após Auschwitz. In. Educação e emancipação. Rio de
Janeiro: Paz e Terra, 1995.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade e Holocausto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. BERG,
Mary. El ghetto de Varsovia: diário de Mary Berg. Buenos Aires: Hemisfero, 1945.
BRENNER, Hannelore. As meninas do quarto 28: amizade, esperança e sobrevivência em
Theresienstadt. São Paulo: LeYa, 2014.
CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. Holocausto: Crime contra a Humanidade. São Paulo: Ática,
2000.
FERNANDES, Luciane Bonace Lopes. Onde as borboletas não habitam: a história de
crianças e adolescentes que enfrentaram o nazismo com arte. Belo Horizonte: Aletria, 2022
FERNANDES, Luciane Bonace Lopes. Escrever poesia [durante] Auschwitz: concepções do
universo concentracionário nos poemas das crianças de Terezín. 36 f. Relatório Final
(Pós-Doutorado em Letras Orientais) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da
Universidade de São Paulo. São Paulo, 2019.
FERNANDES, Luciane Bonace Lopes. Concepções do universo concentracionário: diálogos
entre os poemas e desenhos das crianças de Terezín. 127 f. + anexos. Relatório Final
(Pós-Doutorado em Metodologia do Ensino e Educação Comparada) Faculdade de
Educação da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2018.
FERNANDES, Luciane Bonace Lopes. Pelos olhos da criança: concepções do universo
concentracionário nos desenhos de Terezín. 2015, 468 f. Tese (Doutorado em Educação) –
Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo.
FERNANDES, Luciane Bonace Lopes. O real, o fantástico e o insólito: narrar o Holocausto
para crianças. In. CUNHA, Maria Zilda, et ali. (orgs.). Literaturas de recepção infantil e

juvenil e linguagens do imaginário. Paraíba: Editora Universitária da UFPB, 2020.
FRANK, Anne. O diário de Anne Frank. São Paulo: Record, 1995. FRANKL, Viktor Emil. Em
busca de sentido. Porto Alegre: Sulina, 1984.
GRYNBERG, Michael. Voces del gueto de Varsovia. Trad. Katarzyna Olszewska
Sonnenberg y Sergio Trigán. Barcelona: Alba Editorial, 2004.
GRUENBAUM, Thelma. Nesarim: child survivor of Terezín. Estados Unidos: Vallentine
Mitchell, 2004. HEYDECKER, Joe J. Where is Thy Brother Abel? Documentary Photographs
of the Warsaw Ghetto. São Paulo: Atlantis Livros, 1981.
KASSOW, Samuel D. Quem escreverá a nossa História: Os arquivos secretos do Gueto de
Varsóvia. São Paulo: Cia. das Letras, 2009.
KORCZAK, Janusz. Diário do Gueto. Trad. Jorge Rochtlitz. São Paulo: Perspectiva, 1986.
KRAUS. Otto B. O bloco das crianças: um romance baseado na verdadeira história de um
sobrevivente de Auschwitz. 2° ed. Lisboa: Editorial Presença, 2019.
KRIZKOVÁ, Marie Rut; KOTOUC, Kurt Jirí; ORNEST, Zdenek. We are children just the
same: VEDEM, the secret magazine by the boys of Terezín. Estados Unidos: Paul R.
Wilson, 1994.
KULKA, Otto Dov. Paisagens da metrópole da morte: reflexões sobre a memória e a
imaginação. 1° ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
LEVI, Primo. É isto um homem? Rio de Janeiro: Rocco, 1988. MAKAROVA, Elena. Friedl
Dicker-Brandeis: Vienna 1898 – Auschwitz 1944. Estados Unidos: Tallfelow Press, 1999.
RINGELBLUM, Emanuel. Crónica del Gueto de Varsovia. Tradução, Seleção, introdução e
notas de Katarzyna Olszewska Sonnenberg y Sergio Trigán. Barcelona: Alba Editorial, 2003.
RUBIN, Susan Goldman. Fireflies in the dark. The story of Friedl Dicker-Brandeis and the
children of Terezín. New York: Scholastic, 2000.
SAKOWSKA, Ruta. Archives Clandestines du Ghetto de Varsovie. (Archives Emanuel
Ringelblum). Les Enfants et L’enseignement Clandestin dans le Ghetto de Varsovie. Paris:
Fayard / BDIC, 2007. Tome II
SARUE, Sarita Mucinic. Janusz Korczak : uma vida em defesa da infância. São Paulo.
Summus Editorial, 2022.
SARUE, Sarita Mucinic. Vozes de Paz em tempos de Guerra: Janusz Korczak dinate da
criança, do antissemitismo, do Sionismo e do Holocausto. São Paulo: Editora Humanitas ,
2015
SCHILLING, Flávia. I. Estudos sobre Resistência. São Paulo, 1991. 146 f. Dissertação
(Mestrado em Educação) – Faculdade de educação, Universidade Estadual de Campinas.
SELIGMANN-SILVA, Márcio. Imagens de Terezín: a arte entre o testemunho e a resistência.
Revista 18: Centro de Cultura Judaica, São Paulo, Ano III, (09), p. 32-33, set/out/nov. 2004.
SOUZA, Nanci Nascimento de. Gueto de Varsóvia : educação clandestina e resistência /
Nanci Nascimento de Souza. -- São Paulo : Humanitas : FAPESP, 2017. 264 p. -- (Histórias
da Repressão e da Resistência).
SOUZA, Solange Jobim e. Infância e linguagem: Bakhtin, Vygostsky e Benjamin. Campinas:
Papirus, 2012. SMITH, Lyn. Forgotten Voices of The Holocaust: Trues stories of Survival –
From Men, Women and Children Who Were there. Great Britain: Ebury Press, 2006.
THOMSON, Ruth. Terezín: voices from Holocaust. Estados Unidos: Candlewick Press, 2011.
VOLAVKOVÁ, Hana. … I never saw another butterfly… Children’s drawings and poems from
Terezín concentration camp, 1942-1944. Praga: Schocken Books, 1978.
WACQUANT, Loïc. As Duas Faces do Gueto. Trad. Paulo Cezar Castanheira. São Paulo:
Boitempo, 2008.
WEISS, Helga. O diário de Helga Weiss: O relato de uma menina sobre a vida em um
campo de concentração. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013.
WIESEL, Elie. A noite. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001. VISHINIAC, Roman. Children Of a
Vanished World. Mara Vishiniac Kohn and Miriam Hartman Flacks (Ed.). Los Angeles;
London: University of California Press; Ltd. London, 1999. WIX, Linney. Through a narrow
window: Friedl Dicker-Brandeis and her Terezín students. Estados Unidos: University of New
Mexican Press, 2010.
Artigos
ARTIÉRES, Phillippe. Arquivar a própria vida. Revista Estudos Históricos, v. 11, n. 21, p.

9-34, 1998.
FOUCAULT, Michael. Dois ensaios sobre o sujeito e o poder. In: FREYFUS, Hubert;
RABINOW, Paul. Michel Foucault. Un parcours philosophique. Paris: Gallimard, 1984, p.
297-321. Disponível em: . Acesso em: 26 Out. 2011.
KARDOS, Suzan M. Not Bread alone: clandestine Schooling and resistance in the Warsaw
ghetto during the holocaust. Havard Educational Review. Cambridge, v. 72, n. 1, p. 33-66,
2002. Disponível em: www.harvardeducationreview.org. Acesso em: 10 jul. 2012.
SOUZA,, Nanci Nascimento de. “Educação Clandestina no Gueto de Varsóvia:
Cantinas-Escola Como Espaço de Resistência” foi publicado na revista Cadernos de Língua
e Literatura Hebraica, da Universidade de São Paulo, n. 11, 2013. Ver http://www.revistas.
usp.br/cllh/article/view/83523.
YITZHAK, Arad; GUTMAN, Israel; MARGALIOT, Abraham (Ed). Documents on the
Holocaust (Documentos sobre el Holocausto). Jerusalém: Yad Vashem, 1981, p. 173-178.
SOUZA, Regina Maria; GALLO, Silvio. Por que matamos o barbeiro? Reflexões preliminares
sobre a paradoxal exclusão do outro. Educação e Sociedade – Dossiê “Diferenças”. Revista
Quadrimestral de Ciência da Educação, (S.l.), n. 79, ano XXIII, p. 1-25, ago. 2002.

Programa

4/3/2024: El siglo XIX y el problema del tiempo histórico en literatura
El tiempo histórico (Koselleck). El esquema temporal moderno (Hunt). El tiempo del siglo XIX
(Osterhammel). El futuro decimonónico (Hölscher). Corrientes de la literatura del siglo XIX. Figuras
literarias del tiempo: proposiciones generales y herramientas metodológicas.

5/3/2024: Novela gótica y revolución: Frankenstein, or the modern Prometheus (1818)
Novela gótica clásica: de Walpole a Mary Shelley. La Revolución Francesa y el concepto de revolución.
Europa en la década de 1790 y el auge de la novela gótica. El contexto histórico de Mary Shelley en
1816-1818. El tiempo en Frankenstein: alegoresis, crítica de la epistemología del progreso, cronología
ficcional y cronología histórica, apertura al futuro.

7/3/2024: Utopía temporal y capital: Paris en el Siglo XX (1863)
La tradición de la utopía temporal. La época victoriana y el Segundo Imperio como archivo de la era del
capital. La transformación urbana, la burguesía financiera y el tiempo del capital. La carrera profesional
de Jules Verne. La utopía temporal en Paris au XXe siècle: el futuro como realización totalitaria del
capitalismo; la literatura como tecnología. Benjamin y Verne.

8/3/2024: Fantasía científica y evolución: The Time Machine (1895)
El concepto de evolución y la ampliación de la escala del tiempo (deep time, slow time). La teoría de
Darwin y su impacto cultural. Ciencia y literatura en la segunda mitad del siglo XIX. La literatura post-
darwinista y los experimentos literarios de H. G. Wells. The time machine (1895): antiutopía y
experimento evolutivo.

Bibliografia


Hölscher, Lucian. 2014. El descubrimiento del futuro. Siglo XXI Editores: Madrid (selección).
Hunt, Lynn. 2008. «The Modern Time Schema». En Measuring time, making history, 24-45. Budapest;
New York: Central European University Press.
Koselleck, Reinhart. 1979. «Futuro pasado en el comienzo de la modernidad» y «“Espacio de
experiencia” y “horizonte de expectativa”: dos categorías históricas». En Futuro pasado: para una
semántica de los tiempos históricos, 21-40 y 333-57. Barcelona: Paidós.
Miller, J. Hillis. 2003. «Time in Literature». Dedalus 132 (2): 86-97.
Osterhammel, Jürgen. 2015. «Tiempo». En La transformación del mundo. Una historia global del siglo
XIX. Barcelona: Planeta.

Davison, Carol Margaret. 2009. Gothic Literature, 1764-1824. Cardiff: University of Wales Press.
Koselleck, Reinhart. 1979. «Criterios históricos del concepto moderno de revolución». En Futuro
pasado. Para una semántica de los tiempos históricos, 67-86. Barcelona, Buenos Aires, México: Paidós.
Ledesma, Jerónimo. 2006. «Introducción». En Frankenstein o el Prometeo moderno, de Mary Shelley,
editado y traducido por Jerónimo Ledesma, 1a., ix-cxv. Buenos Aires: Colihue.
Mellor, Anne. 1988. Mary Shelley, Her Life, Her Fiction, Her Monsters. New York: Methuen.
Rouhette, Anne. 2021. « “a disciple of Albertus Magnus [...] in the eighteenth century”: Anachronism and
Anachrony in Frankenstein». En Romanticism and Time: Literary Temporalities, editado por Sophie
Laniel-Musitelli y Céline Sabiron, 163-80. Cambridge, UK: Open Books Publishers.
Shelley, Mary. 1993. Frankenstein, or the modern Prometheus. Editado por Marilyn Butler. Oxford:
Oxford University Press.

Benjamin, Walter. 2012. «París, capital del siglo XIX (1935)». En El París de Baudelaire, 43-63. Buenos
Aires: Eterna Cadencia Editora.
Darnton, Robert. 2008. «Fantasía Utópica». En Los Best Sellers Prohibidos En Francia Antes de La
Revolución, 181-210. México: FCE.
Harvey, David. 2008. Paris, capital de la modernidad. Traducido por José María Amoroto Salido. Madrid:
Akal.
Koselleck, Reinhart. 2012. «Sobre la historia conceptual de la utopía temporal». En Historias de
conceptos estudios sobre semántica y pragmática del lenguaje político y social, 171-88. Madrid: Trotta.
Ledesma, Jerónimo, y Carolina Ramallo. 2022. «La ficción del futuro en Paris au XX e siècle de Jules
Verne». Inter Litteras, n. o 4: 242-67. https://doi.org/10.34096/interlitteras.n4.11724 .
Laurel, Maria Hermínia, y José Carlos Mota. 2019. «Cronótopos da Modernidade em Paris au XXe
siècle, de Júlio Verne». Carnets. Revue électronique d’études françaises de l’APEF, n. o Deuxième série-
15 (enero). https://doi.org/10.4000/carnets.9111 .
Verne, Jules. 1994. Paris au XXe siècle. Editado por Piero Gondolo della Riva. 1 ed. Paris: Hachette.

Clarke, I. F. 1979. «From Jules Verne to H. G. Wells». En The Pattern of Expectation, 1644-2001, 90-
114. London: Cape.
Holmes, John, y Sharon Ruston, eds. 2017. The Routledge Research Companion to Nineteenth-Century
British Literature and Science. London, New York: Routledge, Taylor & Francis Group.
Hölscher, Lucian. 2014. «El auge de la novela futurista». En El descubrimiento del futuro, 126-33. Siglo
XXI Editores: Madrid.
James, Simon J. 2012. «The History of the Future: The Scientific Romances». En Maps of utopia: H.G.
Wells, modernity, and the end of culture, 37-76. Oxford; New York: Oxford University Press.
Suvin, Darko. 1979. «Wells as the Turning Point of the SF Tradition». En Metamorphoses of Science
Fiction: Studies in the Poetics and History of a Literary Genre, 208-21. New Haven, London: Yale
University Press.
Wells, H. G. (Herbert George). 1996. The Time Machine and The Island of Doctor Moreau. Editado por
Patrick Parrinder. New York: Oxford University Press.

Programa

Aula 1: A substância e seu ponto de vista.

Descrição: Introdução dos conceitos básicos da filosofia de Leibniz. Exploraremos a noção de substância e de alma a partir da ideia da “noção completa” e de seu “fundamento na realidade das coisa", no Discurso de Metafísica. Também buscaremos elucidar a relação expressiva entre substâncias através da metáfora dos pontos de vista sobre a cidade e, a partir disso, explorar a ideia de percepção e da gradação entre percepções claras e obscuras.

Bibliografia: Discurso de Metafísica, artigos 8 a 14


Aula 2: A substancialidade dos corpos e a força.

Descrição: Investigaremos o problema da substancialidade dos corpos e as sucessivas tentativas de Leibniz em fornecer uma fundamentação metafísica da física através das noções de forma substancial e enteléquia. Buscaremos introduzir a crítica leibniziana à ao mecanicismo cartesiano a partir da leitura do Discurso de Metafísica, em especial à necessidade de considerar que os corpos devem consistir em algo mais do que a pura
extensão, e que deve haver neles uma força. Num segundo momento, abordaremos a partir do Sistema Novo a adoção do termo “enteléquia” e as implicações metafísicas dessa escolha.

Bibliografia: Discurso de Metafísica, artigos 18 a 21; Sistema Novo da Natureza e da Comunicação das Substâncias.
 

Aula 3: “Os aguilhões do desejo”, as pequenas percepções e as apetições.

Descrição: Introduziremos a famosa distinção entre percepção, apercepção e as “pequenas percepções”. Trataremos da profunda aliança entre percepção e apetição (também nomeada “tendência", “impulso" ou “desejo”) na teoria do conhecimento de Leibniz. Exploraremos a analogia leibniziana entre a força enquanto motor dos corpos e inquietude das pequenas percepções-apetições como “aguilhões do desejo” que movem a alma.

Bibliografia: Novos Ensaios, II, XX, “Dos modos do prazer e da dor”; Novos Ensaios, II, XXII, “Da potência e da liberdade”, parágrafo 36.
 

Aula 4: a mônada e o problema do corpo nos anos finais de Leibniz.

Voltando-nos para os anos finais de Leibniz e para o que se conhece como sua “última metafísica", buscaremos explorar seus avanços com relação ao Discurso de Metafísica (1686). Em especial, trataremos de como as suas descobertas enquanto físico influenciaram uma reforma da metafísica. Abordaremos a definição da mônada como “ser capaz de ação”, para então explicar como a dinamização da noção de substância lança nova luz sobre o problema do corpo em Leibniz.

Bibliografia: Monadologia (1714), artigos 1 a 14; Princípio da Natureza e da Graça (1714), artigos 1 a 4.

Programa

Aula 1: Identidade Judaica e Literatura (MLG)

Aula 2: Memória judaica brasileira (AAB)

Aula 3: Expressões artístico-culturais e linguísticas do judaísmo no Brasil (EMH)

Aula 4: Sinagogas como patrimônio (MRS)

Bibliografia:

AVIGDOR, R. Judeus Sinagogas e Rabinos: O Judaísmo em São Paulo em mudança, 2010, Tese (Doutorado em sociologia) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2010.
BENCHIMOL, S. Eretz Amazônia: os judeus na Amazônia. Manaus: Comitê Israelita do Amazonas, 1998.
BLAY, E. A. O Brasil como destino: raízes da imigração judaica contemporânea para São Paulo. São Paulo: Editora Unesp, 2013.
BUCHALSKI, S. Memórias da Minha Juventude e do Teatro Ídiche no Brasil. São Paulo: Editora Perspectiva, 1995.
CARNEIRO, M. L. T. (Org.). Recordações dos Primórdios da Imigração Judaica em S. Paulo. São Paulo: Maayanot, 2013.
CYTRYNOWICZ, R., HONIGSBERG, E. M. et al. TAIB: Uma história do teatro. São Paulo: NarrativaUm. 2023.
DECOL, R. Imigrações urbanas para o Brasil: o caso dos judeus. 1999. Tese (Doutorado em Sociologia) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1999.
ENCICLOPÉDIA Judaica, Rio de Janeiro: Editora Tradição, 1967.
FALBEL, A. Como cantaríamos o canto do Senhor numa terra estrangeira, parte I. Boletim Informativo Arquivo Histórico Judaico Brasileiro, São Paulo, n. 35, 2006.
__________. Como cantaríamos o canto do Senhor numa terra estrangeira, parte II. Boletim Informativo Arquivo Histórico Judaico Brasileiro, São Paulo, n. 37, 2007.
FALBEL, N. Judeus no Brasil: estudos e notas. São Paulo: Humanitas; Edusp, 2008.
FAUSTO, B. (Org.). Fazer a América. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1999.
FREIDENSON, M. L.; BECKER, G. (Org.). Passagem para a América: relatos da imigração judaica em São Paulo. São Paulo: Arquivo do Estado, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2003.
FREIDENSON, M. L. (Org.). Carta de chamada: relatos da imigração judaica em São Paulo de 1930 a 1942. São Paulo: Annablume, 2014.
FROCHTENGARTEN, F. Isaac Alperowitch – A vida de um filho de Israel. [s.l: s.n]
GEDANKIEN, A. Coragem, trabalho e fé - a história da comunidade judaica na região do ABC paulista. 1. ed. Santo André: [s.n.].
GOUSSINSKY, S. Era uma vez uma voz: o cantar ídiche, suas memórias e registros no Brasil. São Paulo: Humanitas, 2015.
GRINBERG, K. (Org.). Os judeus no Brasil: inquisição, imigração e identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
GUINSBURG, J. Aventuras de uma língua errante: ensaios de literatura e teatro idiche. São Paulo: Perspectiva, 1996. 507 p.
LEWIN, H. (Coord.). Identidade e cidadania: como se expressa o judaísmo brasileiro. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2009. Disponível em:
https://www.precog.com.br/bc-texto/obras/lewin-9788579820182.pdf
Acesso em 1 nov. 2024.
LEWIN, H. Da Colônia à República: judeus construindo sua identidade brasileira. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2019.
MILGRAM, A.; KOIFMAN, F.; FALBEL, A. (Org.). Judeus no Brasil: história e historiografia. São Paulo: Garamond, 2021.
MINKOVICIUS, I. Você sabe onde fica o Bom Retiro?. São Paulo: Dagui Design, 2021.
MIZRAHI, R. Imigrantes judeus do Oriente Médio: São Paulo e Rio de Janeiro. Cotia: Ateliê Editorial, 2003.
PÓVOA, C. A. A territorialização dos judeus na cidade de São Paulo. São Paulo: Humanitas, 2010.
SALGADO, E (Org.). União Israelita Shel Guemilut Hassadim: 150 anos de atos de bondade. 1. ed. Rio de Janeiro, RJ: Talu Cultural, 2023. 162 p.
SCHEINDLIN, R.P. História Ilustrada do Povo Judeu. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
SZWARCBART, M. R. As Sinagogas em São Paulo - Arte e Arquitetura Judaica. Disponível em https:// https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/. Acesso em 23 out.2024
VALADARES, P.; FAIGUENBOIM, G.; ANDREAS, N. Os primeiros judeus de São Paulo: uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana. Rio de Janeiro: Fraiha, 2009.
VELTMAN, H. B. A História dos Judeus em São Paulo. Rio de Janeiro: Instituto Arnaldo Niskier, 1994.
WOLFF, E.; WOLFF, F. Guia histórico da comunidade judaica de São Paulo. São Paulo: Editora B’nei B’rith, 1988.

Programa

21/07/2020 – O feminino nos anos 60
24/07/2020 – A dor de viver e o tamponamento da angústia
28/07/2020 – A trajetória da “heroína” e a (des)aprendizagem do feminino
31/07/2020 – Uma Aprendizagem: “romance de romances”?


BIBLIOGRAFIA
LISPECTOR, Clarice ([1969] 1998). Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres. Rio de Janeiro: Rocco.

FRANCO JR., Arnaldo (2008). “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, de Clarice Lispector, romance moderno e romance de mocinha”. In: Signótica, vol. 18, no 1, pp. 1-16. Disponível em https://www.revistas.ufg.br/index.php/sig/article/view/3716 Acesso em 14 dez. 2017.
GIACÓIA Jr., Oswaldo (2004). “Sobre tornar-se o que se é”. In: SALLES, João Carlos (org.). Schopenhauer & o idealismo alemão.
Salvador: Quarteto, vol. 1, pp. 201-218.
MAIA, Ana Martha W. (1999). As Máscaras d’A Mulher: A Feminilidade em Freud e Lacan. Rio de Janeiro : Rios Ambiciosos.
MARTINS, Heitor (1970). “Fracasso e Triunfo de Clarice Lispector”. In: Suplemento Literário d’O Estado de São Paulo, p. 52. Disponível em https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19700815-29250-nac-0052-lit-6-n…. Acesso em 14 jan. 2019.
MOCHIUTI, Romilda (2006). Penelopeias Silentes. Tese de Doutorado em Letras Modernas, FFLCH-USP. São Paulo.
NUNES, Benedito (1973). Leitura de Clarice Lispector. São Paulo: Quiron.
SILVA, Terezinha Zimbrão da (2008). “Mito em Clarice Lispector”. In: Interdisciplinar, ano 3, v. 7, ed. especial. Disponível em https://seer.ufs.br/index.php/interdisciplinar/article/viewFile/1071/909. Acesso em 16 de jan. 2019.

Programa

OBJETIVOS
O mito de Sísifo é um mito decisivo, diríamos evocando Albert Camus, que joga com a homofonia entre Le Mythe de Sisyphe (título de seu ensaio sobre o absurdo) e le mythe décisif. Um “mito decisivo”, por isso tomado como ponto de partida de nosso curso, para refletir sobre os anseios e fardos do ser humano, sobretudo numa época de reencontro traumático com o absurdo nas formas visíveis e invisíveis da tragédia, acentuadas pela pandemia da COVID-19. Condenado pelos deuses ao repetidamente fracassado esforço de empurrar montanha acima um enorme rochedo para vê-lo voltar a cair ao sopé, Sísifo, à luz da releitura de Camus, se revela uma metáfora de forte expressividade e atualidade para uma reflexão crítica sobre o “tempo cíclico” da repetição de desencontros, errâncias, torpezas, dores, desamparos que, segundo Camus, fazem da existência humana um drama em que o amor como que “natural” do homem pela vida é desafiado incessantemente por eventos e tendências hostis ao nosso anseio por bem-estar, liberdade, justiça. Essa tensão, por sua vez, se não for acobertada pelos velhos esquemas mistificatórios, favorece uma tomada de consciência que, ao invés do suicídio (concreto ou “filosófico”), leva a uma reafirmação da vida, do valor (que não se confunde com o suposto sentido) de viver, numa dinâmica ético-existencial à qual Camus dá o nome de revolta. Apesar das conotações bélicas e iracundas que se poderiam associar a uma palavra como revolta, sua específica configuração conceitual em Camus embute uma forte carga “erótica”, no sentido que o Eros tem em Freud como potência de religação, anseio de unidade, não às tendências destrutivas e separativas de Tânatos (a pulsão de morte). A revolta impulsiona os seres humanos à solidariedade diante de seu destino absurdo em comum. É um afeto positivo pela vida, uma espécie de élan vital que quer a vida e a vida em abundância, neste mundo, aqui e agora, sem os adiamentos do gozo impostos pela repressão social e pelas promessas metafísicas. O absurdo e a revolta só compactuam com o “ódio” (ou com a melancolia destrutiva) quando mal compreendidos em sua real natureza; daí virarem pretexto para condutas niilistas que a filosofia de Camus tenta refutar, como o suicídio e o assassinato. Amor (e o ódio) à vida, absurdo e revolta, tais como Camus os pensa filosoficamente na trilogia de ensaios Núpcias, O mito de Sísifo e O homem revoltado, e em suas possíveis ressonâncias ou releituras dentro do escopo da psicanálise de Freud, são o ponto de partida e fio condutor do presente curso. Além da reconstrução cuidadosa desses conceitos, procuraremos ver como entram “em ação” na obra literária do próprio Camus (em particular no romance A peste, de 1947) e em outros dois textos de grande afinidade temática com a tensão entre a condição humana absurda e o afeto do ódio em suas derivas totalitárias: “A infância de um chefe”, um dos cinco contos de Sartre reunidos em O muro (1939) e a peça O rinoceronte, de Ionesco. A psicanálise ajuda a compreender o ódio enquanto paixão política. Movidas pelo ódio, as pessoas têm suas possibilidades de diálogos reduzidas, bem como se achatam os espaços para as diferenças, trazendo apenas soluções rasas para problemas complexos. Agressividade, devemos lembrar, não é o mesmo que ódio na psicanálise. A agressividade é importante para nos diferenciarmos do outro, para nos constituirmos. O ódio é ruptura, uma potência tirânica avassaladora que pode romper a experiência de continuidade de subjetivação. As chamadas redes sociais amplificam o alcance e os danos, inclusive políticos, da propensão humana ao ódio como um modo de autodissolução da responsabilidade e da lucidez da consciência nas correntezas grotescas da mentalidade gregária e do simplismo binário. Alguns aspectos do corpus teórico freudiano, como as noções de inconsciente, repetição/elaboração de sintomas, das Unheimliche, mal-estar na civilização e narcisismo das pequenas diferenças serão convocados a ampliar e concretizar as reflexões sobre o absurdo e a revolta propostas por Camus.

METODOLOGIA
Buscando uma aproximação de filosofia e psicanálise entre si e com a imaginação literária, partimos da preocupação de salvaguardar diferenças, salientar a singularidade dos pontos de vista disciplinares, das visões de mundo e das obras evocadas, o que não reduz, bem pelo contrário, amplifica, a riqueza do diálogo. A genialidade de Camus, como escritor e filósofo, parece ter entre seus segredos a maestria do manejo de um dispositivo fluido como o ensaio, gênero que até no seu nome, para não dizer de sua longa tradição especificamente francesa, traz em si a marca da ousadia experimental, de “tentativa” (essai) por sucessivas e diferentes aproximações, do rigor das perguntas desprovido de dogmatismo nas respostas. Tais virtudes epistemológicas vão nos inspirar seja no momento da reconstrução da lógica interna da reflexão de Camus, seja no seu uso em diálogos para além dela mesma.
Assim também, no que tange ao papel da psicanálise, há aqui a preocupação ética em não violentar a especulação filosófica e a criação literária com o vício do reducionismo. Apostamos na passagem da tradicional psicanálise aplicada para uma psicanálise implicada, nos moldes desenvolvidos especialmente por João Frayze-Pereira.
As aulas serão compostas por exposições teóricas, slides e discussão coletiva dos textos.

PROGRAMA
Aula 1
Apresentação geral do curso e dos conceitos-chave, como absurdo, revolta e o ódio, em sua imbricação entre as teorias de Camus e de Freud.

Aula 2
Discussões sobre o ensaio O Mito de Sísifo para aprofundamento da problemática do absurdo. O “tempo cíclico” de Sísifo e seus paralelos na filosofia de Nietzsche e no fenômeno psicanalítico da compulsão da repetição.

Aula 3
A peste, de Camus –do absurdo à revolta, do indiferentismo individualista à resistência antitotalitária. “A peste”, que Freud disse a Jung que eles estavam levando para os Estados Unidos na célebre viagem de 1909 para o país dos “self-made men”: uma metáfora do (não-) sentido subversivo da psicanálise.

Aula 4
A Infância de um chefe, de Sartre e O Rinoceronte, de Ionesco: vinhetas da captura afetiva de um indivíduo e de toda uma coletividade pelo apelo do ódio.

JUSTIFICATIVA
A obra de Albert Camus vem sendo cada vez mais reconhecida como um referencial fundamental para a reflexão sobre nossos “tempos de peste” –não só da pandemia do novo coronavírus, mas também da ressurgência de velhos fantasmas político-ideológicos que vêm nos ameaçar com retrocessos até pouco tempo atrás inimagináveis. Absurdo e revolta, amor à natureza (inclusive à nossa própria natureza) e solidariedade são temas camusianos de impressionante atualidade. Revisitá-los, ainda mais à luz de um diálogo, raramente encontrado na bibliografia especializada, com a psicanálise de Freud, nos parece uma aventura de grande interesse, e isso não apenas para o público acadêmico mais restrito, com também para toda pessoa instigada a pensar e a se pensar a fundo em um dos períodos mais críticos de nossa história.

ATIVIDADES DISCENTES
Leitura dos textos, participação nas discussões.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
Participação nas aulas, presença em 75% das aulas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARONSON, Ronald, Camus e Sartre – O polêmico fim de uma amizade no pós-guerra. Trad. Caio Liudvik. Rio de Janeiro: ed. Nova Fronteira, 2007.
CAMUS, Albert, Núpcias, O verão. Trad. Vera Queiroz da Costa e Silva. Rio de Janeiro: ed. Nova Fronteira, 1979.
CAMUS, Albert, Essais. Paris. Gallimard, 2000.
CAMUS, Albert, O mito de Sísifo. Trad. Ari Roitman e Paulina Watch. Rio de Janeiro: ed. Record, 2007.
CAMUS, Albert, O homem revoltado. Trad. Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: ed. Record, 2008.
CAMUS, Albert, A peste. Trad. Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: ed. Record, 2017.
FRAYZE-PEREIRA, J. A., Arte, dor: inquietudes entre estética e psicanálise. Cotia: Ateliê editorial; 2010.
FREUD, Sigmund., O infamiliar e outros escritos. In: Obras Incompletas de Sigmund Freud. Vol 8. Belo Horizonte: Autêntica Editora; 2019.
FREUD, Sigmund, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Além do Princípio de Prazer, psicologia de grupos e outros trabalhos (1920-1922). Vol. XVIII. Rio de Janeiro: Imago; 1996.
FREUD, Sigmund, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. A história do movimento psicanalítico, artigos sobre metapsicologia e outros trabalhos (1914-1916). Vol. XIV. Rio de Janeiro: Imago; 1996:192.
FREUD, Sigmund, O mal-estar na civilização, novas conferências introdutórias à psicanálise e outros textos. São Paulo: Companhia das Letras; 2010.
IONESCO, Eugène, O rinoceronte. Trad. Luís de Lima. Rio de Janeiro: ed. Nova Fronteira, 2015.
KAST, V., Sísifo- A mesma pedra, um novo caminho. Trad. Erlon José Paschoal. S. Paulo: Cultrix, 1997.
MENDES, Mauro, O discurso da estupidez. São Paulo: Iluminuras, 2020.
SARTRE, J.-P., O muro. Trad. H. Alcântara Silveira. Rio de Janeiro: ed. Nova Fronteira, 2015.
STAAL, Ana de & LEVINE, Howard, Psicanálise e vida covidiana. S. Paulo, ed. Blücher, 2021.
WILSON, Colin, O outsider. Trad. Margarida Maria C. Oliva. S. Paulo: ed. Martins Fontes, 1985.
WORMS, Fréderic, La Philosophie em France au XXe Siècle- Moments. Paris: Gallimard, 2009.

Programa

Aula 01 (01/08) - Tradição e ruptura: um panorama sócio-histórico, cultural e teatral da Grã-Bretanha nas décadas de 1950 e 1960. / Leitura e análise de The Deep Blue Sea (1952), de Terence Rattigan e Olhe para trás com raiva (1956), de John Osborne.

Aula 02 (05/08) - Momento de transição: Angry Young Men, ou Jovens Coléricos, e Teatro do Absurdo / Leitura e análise de The Room (1957).

Aula 03 (08/08) - Pinter dramaturgo: do fracasso à fama / Leitura e análise de A Festa de Aniversário (1967) e O Monta-Cargas (1960)

Aula 04 (10/08) - Uma nova fase (?): Leitura e análise de A Volta ao Lar (1965). / O "pinteresque": características temático-formais da obra de Harold Pinter / Pensamentos finais.

Bibliografia:

BAKER, William. Harold Pinter. Londres/ Nova York: Continuum, 2008.
BILLINGTON, Michael. Harold Pinter. Londres: Faber and Faber, 2007.
BURNS, William E. A Brief History of Great Britain. Nova York: Facts On File, 2010.
ESSLIN, Martin. Pinter: The Playwright. Londres: Methuen Drama, 2000.
______________. O Teatro do Absurdo. São Paulo: Zahar, 2018.
MORGAN, Kenneth O. Twentieth- Century Britain: A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2000.
OSBORNE, John. Look Back in Anger. Londres: Faber and Faber, 1978.
PINTER, Harold. A Volta ao Lar. São Paulo: Abril Cultural, 1976.
Plays One. Londres: Faber and Faber, 1996.
_____________. Plays Two. Londres: Faber and Faber, 1996.
_____________. A festa de Aniversário e o Monta-cargas. Rio de Janeiro: José Olympio, 2016
RATTIGAN, Terence. The Deep Blue Sea. Londres: Nick Hern Books, 1999.

Programa

In front of the current international situation, characterized by the growth of instability in social, political
and economic terms, this 4 days-long seminar intends to reflect on the vital connection between social
justice and freedom, by investigating a series of European socialist thinkers of the past century, through
a historical-political approach. For every thinker selected, the seminar will illustrate his peculiar way of
interpreting the issue of social justice and freedom, considering his socialist and democratic vision, while
paying attention to the way in which each of these thinkers sought to give an effective response to the
most relevant challenges of their time: from the rise of Fascisms to the threat of a nuclear war, from the
integration of the working class to how to build a truly just and free society. The objective is to develop a
critical reflection on the never-ending issue of social justice starting from the intellectual works of the
following relevant thinkers, who deserve our attention still nowadays.


1st day: introduction to the seminars. A seminar-lesson devoted to the figure and work of the anti-fascist
GAETANO SALVEMINI, while outlining the rise and aftermath of Fascismo Italiano. The objective is to
discuss his anti-Fascist commitment and his democratic socialism.

2nd day: A seminar-lesson on CARLO ROSSELLI, another key figure of Italian anti-Fascism and theorist
of Liberal Socialism, an original attempt to rethink the centrality of the principle of freedom within socialist
tradition.

3rd day: A seminar-lesson on GEORGE ORWELL, journalist and Socialist militant who opposed
Fascism, Stalinism, while believing – similarly to Rosselli and Salvemini – in the interconnection between
social justice and freedom. Most importantly he offers us a sharp and original analysis and interpretation
of 20th century totalitarianisms.

4th day: A seminar-lesson on BERTRAND RUSSEL, a philosopher, mathematician, and intellectual who
theorized and professed a humanitarian and cosmopolitan socialism by relating the latter to the value of
peace.


For the last day of the seminar-series students will be asked to critically reflect on the thinkers discussed
in class, by working in groups. Each group will be asked to identify the major points of strength and
weaknesses concerning the four authors’ work, while discussing what they think is the most significant
political message that we can learn from them in relation to our present.
The students will be provided with written materials on the thinkers discussed to work in class and make
the seminars interactive.
At the end of the seminars, students will be also provided with the slides used by the teacher in class.

Bibliografia
S. Audier, The Liberal Socialism of Carlo Rosselli and Reformism, “Mil Neuf Cent. Revue d’Historire
intellectuelle, vol. 30, 1, 2012, pp. 115-132.
A. Catanzaro-S. Lagi (ed. by), Monisms and Pluralisms in the History of Political Thought, Novi Ligure,
Epoké, 2016.
N. Fraser, Capitalism: A Conversation in Critical Theory, Cambridge, Polity Press, 2018.
G. Killinger, Gaetano Salvemini: a Biography, Westport. Conn., Praeger, 2002.
G. Orwell, Politics and the English Language, London, Penguin Books, 1946
G. Orwell, 1984, London, Penguin Books, 2018
C. Rosselli, Liberal Socialism (1930), ed. by N. Urbinati, Princeton, Princeton University Press, 2017
B. Russell, Philosophy and Politics, Cambridge, Cambridge University Press, 1946
G. Salvemini, The Fascist Dictatorship in Italy, New York, Henry Holt, 1927
A. Woloch, Or Orwell. Writing and Democratic Socialism, Harvard, Harvard University Press, 2016