Programa
Ementa: Esse curso se propõe uma tarefa introdutória. O juízo teleológico em Kant não é apenas a solução do problema da finalidade em vista da limitação imposta a essa questão pelas nossas faculdades de conhecer. Através dessa solução e para entendê-la, devemos recapitular o problema do conhecimento a priori e entender, antes de mais nada, porque os juízos teleológicos não podem ser determinantes e sim reflexionantes. Nesse sentido o juízo reflexionante objetivo exige uma extensão em relação ao fenômeno, mas essa extensão não pode mais ser confundida com a pretensão a uma metafísica dogmática. Pretendemos assim com o problema da finalidade na terceira Crítica oferecer um ponto de vista para pensar a passagem entre duas noções de “metafísica”.
1º Dia 26/10/2020 (Segunda-feira):
• Faculdade de Julgar Determinante (teórica e prática)
• Faculdade de Julgar Reflexionante (Teleologia subjetiva e objetiva)
• Problema da Finalidade da natureza
2º Dia 28/10/2020 (Quarta-feira):
• Fim natural e o Sistema de fins na natureza.
• Princípio do juízo Teleológico reflexionante.
• O que o juízo teleológico não significa.
3º Dia 30/10/2020 (Sexta-feira)
• Dialética da Faculdade de julgar teleológica.
• Teleologia não pode dar origem a uma Teologia.
• Teologia física e Teologia moral.
4º Dia 04/11/2020 (Quarta-feira)
• Fim natural liga interesse imediato a Fim último.
• Analogia Homem/animal.
• Analogia Homem/Deus.
5º Dia 06/11/2020 (Sexta-feira)
• Fim Natural.
• Fim terminal.
• Fim último.
Bibliografia:
• ADORNO, T. Três Estudos sobre Hegel. Trad. Ulisses Razzante Vaccari. São Paulo: Ed. UNESP, 2013
• ALLISON, H. Kant’s theory of freedom. Cambridge: Cambridge University Press, 2009.
• ______. Kant’s Groundwork for the Metaphysics of Morals. A Commentary. New York: Oxford University Press, 2011.
• CASSIRER, E. A Filosofia do Iluminismo. Trad. Álvaro Cabral. Campinas: Ed. UNICAMP, 1992.
• DELBOS, V. La philosophie pratique de Kant. Paris: PUF, 1969.
• HUME, D. Investigações sobre o entendimento humano e sobre os princípios da Moral. Trad. José Oscar de Almeida Marques. São Paulo: Ed. UNESP, 2004.
• KANT, I. Crítica da razão pura. Trad. Fernando Costa Matos. Petrópolis: Editora vozes Bragança Paulista : Editora Universitária, 2012.
• _______. Crítica da razão prática. Trad. Monique Hulshof. Petrópolis: Editora vozes Bragança Paulista : Editora Universitária, 2016.
• _______. Crítica da Faculdade de Julgar. Trad. Trad. Fernando Costa Matos. Petrópolis: Editora vozes Bragança Paulista : Editora Universitária, 2016.
• LEBRUN, G. Kant e o fim da metafísica. Trad. de Carlos Alberto R. de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
• ______. Uma escatologia para a moral. In: Kant, I. Ideia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita. (org. Ricardo Terra). São Paulo: Brasiliense, 1986.
• ______. A Terceira crítica ou a teologia reencontrada. In: Sobre Kant. São Paulo: Iluminuras, 2001.
• ______. A Razão Prática na Crítica do Juízo. In: Sobre Kant. São Paulo: Iluminuras, 2001.
• LONGUENESSE, B. Moral Judgment as a Judgment of Reason. In: Kant on the human standpoint. Cambridge: Cambridge University Press, 2005. p. 236- 264.
• LÖWITH, K. De Hegel a Nietzsche. Trad. Flamarion Caldeira e Luiz Fernando Barrére Martin. São Paulo: Ed. UNESP, 2014
• TERRA, R.R. A política tensa. Ideia e realidade na filosofia da história de Kant. São Paulo: Iluminuras, 1995.
• ______. Passagens. Estudos sobre a filosofia de Kant. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2003.
• TORRES FILHO, R.R. Ensaios de filosofia ilustrada. São Paulo: Iluminuras, 2004.
Ementa: O curso oferecerá uma introdução à história do continente africano, às fontes com as quais reconstrui-la, e a alguns temas específicos. Uma aula de abertura mostrará como a ideia de África se constitui de fora para dentro do continente. Serão abordados aspectos metodológicos relativos à pesquisa como o lugar da linguística, das narrativas de viagem e da literatura, as interfaces índica e atlântica de algumas sociedades, facetas da presença colonial e da resistência, e a constituição de estados nacionais, considerando-se especificamente a região da atual Angola.
Programa completo e bibliografia:
7/6: 1ª aula - O olhar imperial e a invenção da África
Profª Drª Leila M. Gonçalves Leite Hernandez - Depto de História - FFLCH - USP
Texto de apoio: HERNANDEZ, Leila M. G. Leite. “O olhar imperial e a invenção da África”. In: A África na sala de aula - Visita à História Contemporânea. São Paulo: Selo Negro Ed., 2008, p.17-44.
14/6: 2ª aula - Línguas africanas: características gerais, diversidade e famílias linguísticas
Profª Drª Margarida Petter - Deptº de Linguística da FFLCH - USP
Textos de apoio: PETTER, Margarida. As línguas no contexto social africano. In: PETTER, M. Introdução à linguística africana. São Paulo: CONTEXTO, 2015, p. 193-219
BONVINI, Emilio. Línguas africanas e o português falado no Brasil. In: FIORIN, J. L. e PETTER, M. (orgs.) África no Brasil: a formação da língua portuguesa. São Paulo: Contexto, 2008.
21/6: 3ª aula - As relações entre História, Literatura e Antropologia e sua relevância para a História da África
Profª Drª- Raquel Gryszczenko Alves Gomes - Depto de História -IFCH - UNICAMP
Texto de apoio: THOMAZ, Omar Ribeiro “Duas Meninas Brancas”. In: BRUGIONI, Elena (e outros). Itinerâncias: Percursos e Representações da Pós-Colonialidade - Centro de Estudos Humanísticos: Universidade do Minho, 2012. (Cap. II, p. 405-428).
28/6: 4ª aula - A importância histórica do Islã na África
Prof. Dr. Paulo Daniel Elias Farah - Deptº. de Letras Orientais, FFLCH - USP
Texto de apoio: FARAH, Paulo Daniel. O Islã. São Paulo: Publifolha, 2001, p. 8-45.
5/7: 5ª aula - As sociedades subsaarianas e suas interfaces índicas, mediterrânicas e atlânticas (séc. XVII ao XIX)
Profª Drª Maria Cristina Wissenbach - Deptº de História, FFLCH - USP
Textos de apoio: FARIAS, Paulo Fernando de Moraes. Sahel: a outra costa da África. Palestra Casa das Áfricas / Departamento de História da Universidade de São Paulo,
29/09/2004, 9 p. Transcrição Daniela Baudouin.
LAW, Robin e MAN, Kristin. A África ocidental na comunidade atlântica: o caso da Costa dos Escravos. Tradução de West Africa in the Atlantic Community: the case of the Slave Coast. William and Mary Quarterly, LVI, 1999, p. 304-334.
12/7: 6ª aula - As sociedades centro-africanas , suas interações atlânticas e transformações internas (séculos XVI-XIX)
Profa. Dra Marina de Mello e Souza - Deptº de História, FFLCH/USP
Textos de apoio: SOUZA, Marina de Mello e - Angola: uma conquista dos portugueses, capítulo 2, Além do Visível. Poder, Catolicismo e Comércio no Congo e em Angola (Séculos XVI e XVII), pg. 85-141. São Paulo: EDUSP, 2018.
ALEXANDRE e DIAS, Valetim e Jill, Angola nas vésperas da abolição do tráfico de escravos (1820-1845), pg. 321-378. O Imperio Africano 1825-1890. Lisboa: Editorial Estampa, 1998.
19/7: 7ª aula - Colonialismo e produção cultural: o caso de Angola (Séculos XIX-XX)
Profª Ms. Helena Wakim Moreno - Doutoranda, PPGHS-FFLCH/USP
Textos de apoio: MORENO, Helena Wakim. Voz d'Angola clamando no deserto: protesto e contestação em Luanda (1881-1901).376 p. Dissertação de Mestrado. Departamento de História - FFLCH - USP, 2014, p. 36-113 (cap. 1 e 2).
SANTOS, Catarina Madeira. "Escrever o poder. Os autos de vassalagem e a vulgarização da escrita entre as elites africanas ndembu". Revista de História, no. 155, 2 - 2016, p. 81-95.
SOYINKA, Wole. "As artes na África durante a dominação colonial". BOAHEN, Albert Adu (edit.). História Geral da África - África sob a dominação colonial 1885-1930. Brasília: UNESCO, 2010, vol. VII, p. 625-656
26/7: 8ª aula - A sociedade angolana no século XX: povos locais, ocupação colonial e lutas cotidianas.
Prof. Dr. Washington Santos Nascimento - Depto de História - IFCH - UERJ
Texto de apoio: NASCIMENTO, Washington Santos. Jogo nas sombras: realidades misturadas, estratégias de subjetivação e luta anticolonial em Angola (1901 - 1961). Vitória da Conquista: Edições UESB, 2020, 323 p. (cap. 1 ao 5)
FREUDENTHAL, Aida. A Baixa de Cassanje: Algodão e Revolta. Revista Internacional de Estudos Africanos. 18 (12), 1999, p. 245-283.
1. Caminhos da pesquisa: os estudos de gênero e sexualidade e os
estudos de Literatura;
2. Gays e lésbicas na ficção de Alfredo Gallis (1859-1910);
3. Pornografia anticlerical brasileira: Saturnino, porteiro dos frades
bentos (1842) e Os Serões do convento (1862);
4. Lésbia, de Maria Benedita Bormann;
5. A liberdade é uma vertigem: sexo, prostituição e lesbianidade na
literatura;
6. Escrita de autoria feminina: amor e amizade em Maria Firmina dos
Reis e Francisca Júlia
7. Narrativas dissidentes inesperadas: o caso Coelho Neto;
8. Fatos e ficções de sexo/gênero em Joaquim Manoel De Macedo;
9. Colonialidades em Bom Crioulo (1895), de Adolfo Caminha;
10. Desejos, corpos e cidade em João do Rio;
11. Amizade, masculinidades, desejos: de Raul Pompeia a Mário de
Andrade.
Bibliografia
ALMEIDA, Aline Cristina Moreira de. O imortal Rabelais: Alfredo Gallis e a
literatura pornográfica no Brasil no final do século XIX. 2018. 152f.
Dissertação (Mestrado em Estudos Literários) – Universidade do Estado do
Rio de Janeiro, Faculdade de Formação de Professores, São Gonçalo, 2018.
ANDRADE, Mário de. Contos Novos. Rio de Janeiro: Villa Rica, 1996.
BARRETO, Paulo [João do Rio]. Impotência. Uberlândia: O sexo da palavra,
2018
BORGES, Jaqueline Ferreira. A Literatura De Francisca Júlia: Questões De
Autoria Feminina. Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13th
Women’s Worlds Congress (Anais Eletrônicos), Florianópolis, 2017.
BORMANN, Maria Beneditta Câmara. Lésbia. Introdução de Norma Telles.
Florianópolis: Editora Mulheres, 1998.
BRAGA-PINTO, César. A violência das letras: amizade e inimizade na
literatura brasileira (1888-1940). Rio de Janeiro: EdUERJ, 2018.
BRAGA-PINTO, César. Sexualidades extra-vagantes: João do Rio, emulador
de Oscar Wilde. Revista Abralic, n. 35, 2018, p. 88-100.
BUTLER, Judith. Relatar a si mesmo: crítica da violência ética. São Paulo:
Autêntica, 2015.
CAMINHA, Adolfo. Bom Crioulo. São Paulo: Todavia, 2019.
CASTILHO, José Feliciano. Os serões do convento. Lisboa: Index, 2018.
FREITAS, Naiana Pereira de. Anotações sobre a trajetória da escrita de
autoria feminina. Revista Inventário. n. 27, Salvador, fev. 2021.
HOWES, Robert. Raça e sexualidade transgressiva em Bom-Crioulo de
AdolfoCaminha. Graphos, João Pessoa, v. 7, n. 2, 2005, p. 171-190.
JÚLIA, Francisca. Dança de Centauras. In: Esfinges: versos. Ed. Bentley
Junior & Comp. s.d.
LUGARINHO, Mário. A crítica literária e os estudos gays e lésbicos: uma
introdução a um problema. In: Rick Santos; Wilton Garcia. (Org.). A escrita
de adé: perspectivas teóricas dos estudos gays e lésbic@s no Brasil.
1ed.São Paulo: Xamã, 2002, p. 51-58.
LUGARINHO, Mário. Como traduzir a teoria Queer para a Língua Portuguesa.
REVISTA GÊNERO, Niterói, v. 1, n.2, p. 36-46, 2013.
LUGARINHO, Mário. Antropofagia crítica: para uma teoria queer em
português. Olhar (UFSCar), v. 22, p. 105-111, 2010.
MACEDO, Joaquim Manuel. As mulheres de Mantilha. São Paulo: Edições
Melhoramentos,1955.
MAIA, Helder Thiago; LUGARINHO, Mário. Litera(mão): Os Serões do
Convento de José Feliciano de Castilho. Lisboa: Index, 2018.
MAIA, Helder Thiago; LUGARINHO, Mário; MÁXIMO, João; CUROPOS,
Fernando. Saturnino, porteiro dos frades bentos (1842): entre tradução e
transposição. Lisboa: Index, 2021.
MENDES, Leonardo. Gays e lésbicas na ficção de Alfredo Gallis. In: MAIA,
Helder Thiago; SILVA, Samuel Lima da (Org.). Dissidências de gênero e
sexualidade: percepções da crítica literária brasileira. Salvador: Queer
Livros, 2021, p. 155-176.
MENDES. L. Conto naturalista sobre nada. In: BARRETO, Paulo [João do
Rio]. Uberlândia: O sexo da palavra, 2018, p.7-17.
MIRANDA, Fernanda Rodrigues de. Maria Firmina dos Reis: a fundadora
negra de outra tradição literária brasileira. Cadernos de Literatura
Comparada. N. 43. 12/2020. Pp. 61-74.
MOIRA, Amara. Sobre aquele 'monstruoso corpo de delito': Um amplo
panorama de personagens transexuais na literatura brasileira.
Em: Suplemento Pernambuco, dez/2018.
MUZART, Zahidé Lupinacci (org.). Escritoras brasileiras do século XIX:
antologia. Florianópolis; Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2000.
NASCIMENTO, Tatiana. Cuírlombismo Literário: poesia negra LGBTQI
desorbitando o paradigma da dor. Série Pandemia. N-1 Edições. Outubro de
2019.
NETO, Coelho. Album de Caliban. Rio de Janeiro: Laemmert, 1898.
NETO, Coelho. Inverno em flor. Porto: Livraria Chardron, 1912.
NETO, Coelho. Fogo fátuo. Porto: Chardron e Mello, 1929.
POMPÉIA, Raul. O Ateneu. São Paulo: Ática, 1996.
RAGO, Margareth. Os prazeres da noite: prostituição e códigos da
sexualidade feminina em são paulo. 1990. 523 f. Tese (Doutorado em
História), Unicamp, Campinas, 1990.
REIS, Maria Firmina dos. A uma amiga. In: Cantos à beira-mar e Guapeva.
São Luis: Academia Ludovicense de Letras, 2017.
RIBEIRO, C.G. João do rio e as ruas do rio. [Dissertação de mestrado]. UFF:
Niterói, 2013.
RICH, Adrienne. Heterossexualidade Compulsória e outros ensaios. Rio de
Janeiro: A Bolha Editora. 2019.
RIO, João do. Dentro da noite. São Paulo: Antiqua, 2002.
RIO, João do. A alma encantadora das ruas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira
[Saraiva de bolso], 2012.
SANTANA, Maria Helena. Pornografia no fim do século: os romances de
Alfredo Gallis. Portuguese Literary and Cultural Studies, n. 12, 2007, p.
235-248.
SANTOS, Salete Rosa Pezzi dos. Duas mulheres de letras: representações
da condição feminina. Caxias do Sul, RS: Educs, 2010.
SATURNINO, porteiro dos frades bentos. Lisboa: Index, 2021.
SCHPUN, Mônica Raisa. O amor na literatura: um exercício de
compreensão histórica. Cadernos Pagu (8/9).1997: pp.177-209.
VILLARES, Laura. Vertigem. São Paulo: Ed. Antonio Tisi, 1926.
PLANO DE ATIVIDADES
ATIVIDADE TEXTO
AULA 1 CAMINHOS DA
PESQUISA: CRÍTICA
LITERÁRIA E
ESTUDOS GAYS E
LÉSBIC@S
LUGARINHO, Mário. A crítica literária e os estudos gays
e lésbicos: uma introdução a um problema. In: Rick
Santos; Wilton Garcia. (Org.). A escrita de adé:
perspectivas teóricas dos estudos gays e lésbic@s no
Brasil. 1ed.São Paulo: Xamã, 2002, p. 51-58.
LUGARINHO, Mário. Como traduzir a teoria Queer para a
Língua Portuguesa.
1 day
Introduction
SA history timeline
History of SA Jewish diaspora, migration stories
Jews during apartheid, race groups
2 day
Going through major SA historical events as they are represented in Jewish art.
Introducing artists and their works - Leon Levson, Eli Weinberg, Irma Stern, David Goldblatt, William Kentridge, Zapiro and others.
Conclusion, questions
1ª aula: Das origens da música ocidental a Monteverdi
O pensamento boeciano, a escrita musical da perspectiva do Quadrivium, a questão da técnica de escrita musical e seu desenvolvimento até sua relação com o texto narrativo/poético
Orlando di Lasso (1532-1594) Chi chi li chi
Guillaume Dufay (1397-1474) Nuper rosarum flores em oposição a seconda pratica, o projeto operístico de Monteverdi e sua leitura de Petrarca. Os livros de madrigais e a ópera Orfeu.
2ª aula: O Barroco, a mimesis aristotélica e a retórica musical
Fundamentação da retórica musical como estrutura de apoio formal para a composição e seu lastro ao longo do tempo. Vivaldi, a música e a poesia. O programa para os concertos das Quatro Estações, a presença retórica na obra religiosa (Nisi Dominus), operística e instrumental (o concerto para flauta Il Pintassilgo, de Vivaldi, e o poema sinfônico O Uirapuru de Villa Lobos).
3ª aula: A ópera e o mundo moderno
Permanência da figuração em música no Romantismo; os grandes teatros; a música para a experiência do homem burguês (um conceito iluminista: ‘a melhor música para o maior número de homens”). O poema sinfônico, os grandes virtuoses e a questão da genialidade musical. A complexidade dos personagens nas óperas; a dissolução de fundamentos musicais a meio caminho do Modernismo. Il Rigoletto de Verdi (Cortiggiani vil razza dannata), Don Giovanni de Mozart; a relação entre Verdi/Manzoni.
4ª aula: Música estranha para uma terra arrasada: um panorama contemporâneo
A promessa de quebra do pacto figurativo e a música absoluta, fotografia/fonográfo. Contexto das grandes guerras e o papel do artista. Luigi Russolo, L’Arte dei Rumori (1885-1947) e o futurismo de Marinetti. A Seguenza III de Berio; música para voz versus canto. Permanência do programa para a escuta contemporânea.
Referências Bibliográficas
BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. Obras escolhidas: Magia e técnica, arte e política. 6 ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.
CASTANHEIRA, Carolina Parizzi. De instituitione musica de Boécio, livro I tradução e comentários. Dissertação, Programa de Pós-Graduação em Letras da UFMG, 2009.
FERREIRA, Manuel Pedro. La emergencia de la escritura musical. MEDIA ÆTAS, n.º 5 (2002), pp. 11- 32.
ELIAS, Norbert. Mozart. Sociologia de um Gênio. Tradução: Sérgio Góes de Paula. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1994.
GROUT Donald J., PALISCA Claude V. História da Música Ocidental. Gradiva, 2007.
HARNONCOURT, Nikolaus. O Discurso dos Sons. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 1990.
IAZZETTA, Fernando. Reflexões sobre a Música e o Meio. In: XIII Encontro Nacional da ANPPOM, Belo Horizonte, 2001. http://www2.eca.usp.br/prof/iazzetta/papers/anp2001.pdf
LEMOS, Maya Sueli. Madrigali Guerrieri et Amorosi: o livro oxímoro de Claudio Monteverdi. In: Terceira Margem, v. 15, n. 25, 2011. https://revistas.ufrj.br/index.php/tm/article/view/10800
MULLER, Heloísa. Música que matiza, pintura que encena: a expressão mimética em Caravaggio e Monteverdi. In: ArteFilosofia, vol. 9, n. 16, 2014. https://periodicos.ufop.br/raf/issue/view/51
MASSIN, Jean & Brigitte. História da música ocidental. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
NIETZSCHE, F. A Origem da tragédia proveniente do espírito da música. Tradução, prefácio e notas de Erwin Theodor Rosenthal. Ed. Cupolo, 1948.
QUANTZ, Johann Joachim. On Playing the Flute. trad. ing. de Edward R. Reilly, Nova Iorque, 1966, XVIII, 89.
ROSEN, Charles. A Geração Romântica. São Paulo: Edusp, 2000.
ROSS, Alex. O resto é ruído. Companhia das Letras: São Paulo, 2009.
Aula 1 – A morte como categoria histórica: sensibilidades, ritos e práticas sociais
Apresentação do campo da História da Morte e suas principais abordagens teóricas. Análise das transformações nas atitudes diante do morrer, do período medieval à modernidade.
Leitura básica:
ARIÈS, Philippe. História da morte no Ocidente: da Idade Média aos nossos dias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017.
DELUMEAU, Jean. O pecado e o medo: a culpabilização no Ocidente (séculos 13–18). Bauru: EDUSC, 2003.
MORIN, Edgar. O homem e a morte. Lisboa: Europa-América, 1970.
Aula 2 – O nascimento do cemitério e o lugar dos mortos na sociedade medieval
Discussão sobre o surgimento dos cemitérios enquanto espaços sociais e religiosos. A sacralização da terra dos mortos e a constituição da comunidade entre vivos e defuntos.
Leitura básica:
LAUWERS, Michel. O nascimento do cemitério: lugares sagrados e terra dos mortos no Ocidente medieval. Campinas: Editora da Unicamp, 2015.
CHIFFOLEAU, Jacques. La comptabilité de l’au-delà: les hommes, la mort et la religion dans la région d’Avignon à la fin du Moyen Âge (vers 1320 - vers 1480). Roma: École Française de Rome, 1980.
Aula 3 – Modernidade, solidão e estratégias de imortalidade
Análise das mudanças contemporâneas nas representações da morte. A individualização das experiências do morrer, a medicalização e as tentativas de negar a finitude.
Leitura básica:
ELIAS, Norbert. A solidão dos moribundos; seguido de Envelhecer e morrer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
BAUMAN, Zygmunt. Mortality, Immortality and Other Life Strategies. Cambridge: Polity Press, 1992.
Aula 4 – A morte no Brasil: escravidão, apagamentos e disputas de memória
Reflexão sobre as experiências históricas da morte no contexto da escravidão e da diáspora africana. Análise dos espaços cemiteriais destinados a populações escravizadas, como o Cemitério dos Pretos Novos, e das políticas de apagamento e recuperação da memória desses lugares. Discussão sobre a relação entre morte, festa e sociedade no Brasil oitocentista.
Bibliografia
Leitura básica:
PEREIRA, Júlio César Medeiros da Silva. À flor da terra: o Cemitério dos Pretos Novos no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Garamond; IPHAN, 2007.
REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.
ARAUJO, Ana Lucia. Public Memory of Slavery: Victims and Perpetrators in the South Atlantic World. Amherst: Cambria Press, 2010.
Bibliografia Geral:
ARAUJO, Ana Lucia. Public Memory of Slavery: Victims and Perpetrators in the South Atlantic World. Amherst: Cambria Press, 2010.
ARIÈS, Philippe. História da morte no Ocidente: da Idade Média aos nossos dias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017.
BAUMAN, Zygmunt. Mortality, Immortality and Other Life Strategies. Cambridge: Polity Press, 1992.
CHIFFOLEAU, Jacques. La comptabilité de l’au-delà: les hommes, la mort et la religion dans la région d’Avignon à la fin du Moyen Âge (vers 1320 - vers 1480). Roma: École Française de Rome, 1980.
DELUMEAU, Jean. O pecado e o medo: a culpabilização no Ocidente (séculos 13–18). Bauru: EDUSC, 2003.
ELIAS, Norbert. A solidão dos moribundos; seguido de Envelhecer e morrer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
LAUWERS, Michel. O nascimento do cemitério: lugares sagrados e terra dos mortos no Ocidente medieval. Campinas: Editora da Unicamp, 2015.
MORIN, Edgar. O homem e a morte. Lisboa: Europa-América, 1970.
PEREIRA, Júlio César Medeiros da Silva. À flor da terra: o Cemitério dos Pretos Novos no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Garamond; IPHAN, 2007.
REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.
1ª aula: a perversão de Freud a Lacan
Falaremos sobre a definição do conceito dentro da psicanálise e comentaremos alguns dos principais textos de Sigmund Freud sobre o tema: “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade”
(1915), “A pulsão e seus destinos”, “Bate-se numa criança” (1919), “O problema econômico do masoquismo” (1924) e “Fetichismo” (1927). No caso de Lacan, as principais referências serão o
ensaio “Kant com Sade” e o “Seminário 7 - a ética da psicanálise”.
2ª aula: leituras contemporâneas da perversão
Nesta aula abordaremos algumas leituras contemporâneas sobre a noção de perversão, conceito que ganhou notoriedade e se faz presente não apenas entre psicanalistas como entre nomes
fundamentais da análise política como Pierre Dardot e Christian Laval (em Nova Razão do Mundo) e Anselm Jappe (em Sociedade Autofágica), entre outros.
3ª aula: a perversão na literatura e no cinema
Finalmente, comentaremos algumas produções literárias e cinematográficas sobre o tema, ensejando assim retomar o que foi discutido nas aulas anteriores.
Bibliografia básica geral
DARDOT, P.; LAVAL, C. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Editora Boitempo, 2016.
FINK, Bruce. Introdução clínica à psicanálise lacaniana. Trad.: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.
FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Trad.: Paulo Dias Corrêa. Rio de Janeiro: Imago editora ltda, 1973.
FREUD, Sigmund. Neurose, psicose, perversão. (Obras incompletas de Sigmund Freud, vol. 5). Trad.: Maria Rita Salzano Moraes. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.
JAPPE, Anselm. A sociedade autofágica. Lisboa: Antígona, 2019.
LACAN, Jacques. Escritos. Trad.: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
LACAN, Jacques. Seminário 10: A angústia. Trad.: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
LACAN, Jacques. Seminário 17: O avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1993.
ROUDINESCO, Elisabeth. A parte obscura de nós mesmos: Uma história dos perversos. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 2008. Edição Kindle.
TOMSIC, Samo. The Capitalist Unconscious: Marx and Lacan. New York: Verso, 2013.
STOLLER, Robert J. Perversão: a forma erótica do ódio. Trad.: Maria Lúcia L. Da Silva. São Paulo: Hedra, 2014.
(language English and Portuguese)
The course intends to discuss the meaning of some of the most popular
classic fairy tales, going beyond their edulcorated versions popularised
by children’s adaptations or animated films. It is articulated in four
units:
1. Introduction: historical fairy tales and their disturbing contents
from Giovanni Straparola to Charles Perrault. This lesson will explore
the meanings and topics of the tales from the XVIth and XVIIth seen as
the mirror of the epoch and its society.
2. Sleeping Beauty and the domestication of rape. In this lesson
we will be looking into the disturbing concept of the female body made
available for male’s aggression, starting with folk tales, and then move
to the gentilised Charles Perrault’s version and its later transformations.
3. Bluebeard and the questioning of the patriarchal system. This
lesson will analyse contrasting interpretations of the tale and its moral
(a lesson in obedience or a warning against marital practices sanctioned
by patriarchal society). We will then look into the career of the tale as a
horror story in later times.
4. Puss in Boots as the tale of trickery, falsehood and social
ambition. The final lesson will look into the grim social dynamics hidden
behind an apparently charming figure of the cat with the boots. We will
investigate the role of animal figures in the fairy tales and try to
understand while this Charles Perrault’s tale became so popular in spite
of promoting blatantly immoral behaviour. We will then look into some
attempts to rectify the ethic message of the story in later literary and
cinematographic adaptations.
Explorando o lado sombrio dos contos de fadas:
Bela Adormecida, Barba Azul e Gato de Botas
(em Inglês e Português)
O curso pretende discutir o significado de alguns dos contos de fadas
clássicos mais populares, indo além de suas versões edulcorated
popularizadas por adaptações infantis ou filmes de animação. É
articulado em quatro unidades:
1. Introdução: contos de fadas históricos e seus conteúdos
perturbadores de Giovanni Straparola a Charles Perrault. Esta palestra
explorará os significados e tópicos dos contos dos séculos XVI e XVII
vistos como o espelho da época e de sua sociedade.
2. A Bela Adormecida e a domesticação do estupro. Nesta fala,
examinaremos o conceito perturbador do corpo feminino
disponibilizado para a agressão masculina, começando com contos
populares e, em seguida, passando para a versão gentilizada de Charles
Perrault e suas transformações posteriores.
3. Barba Azul e o questionamento do sistema patriarcal. Esta fala
analisará interpretações contrastantes do conto e sua moral (uma lição
de obediência ou uma advertência contra as práticas conjugais
sancionadas pela sociedade patriarcal). Em seguida, analisaremos a
carreira do conto como uma história de terror em tempos posteriores.
4. Gato de Botas como o conto de malandragem, falsidade e
ambição social. A lição final examinará a sombria dinâmica social
escondida atrás de uma figura aparentemente encantadora do gato
com as botas. Vamos olhar para o papel das figuras animais nos contos
de fadas e tentar entender enquanto este conto de Perrault se tornou
tão popular, apesar de promover um comportamento flagrantemente
imoral. Examinaremos algumas tentativas de retificar a mensagem ética
da história em adaptações literárias e cinematográficas posteriores.
Leituras:
Charles Perrault, Contos da Mãe Gansa
Angela Carter, The Bloody Chamber and Other Stories
Leitura crítica recomendada:
C. Bacchilega, Postomdern Fairy Tales: Gender and Narrative Strategies,
1997
R. Bottigheimer, Fairy Tales. A New History, 2009
S. Cashdan, The Witch Must Die: The Hidden Meanings of Fairy Tales,
2000