Programa

A falta de interesse por parte dos escritores modernistas brasileiros no intercâmbio luso-brasileiro foi motivo de queixa de José Osório de Oliveira, autor do artigo “Adeus à literatura brasileira”, 1 em carta enviada a Mário de Andrade, em 18 de setembro de 1940:

Já uma vez me queixei a você da ingratidão dos brasileiros. [...] Nem editor arranjei, como tanto queria, para a minha História Breve da Literatura Brasileira, que desejei que fosse editada no Brasil. [...] Nem sequer me ajudaram a manter o convívio, mandando-me livros, revistas, jornais, segregando-me assim da vida brasileira,
impelindo-me ao divórcio pelo afastamento, pela separação, pela indiferença da parte de lá. Estranha você a minha irritação, ou por outra, admira-se de que eu me tenha deixado levar por ela. Mas quanta paciência tenho eu tido! Tirando você e a Cecília Meirelles, que é quase portuguesa, nem sequer me escrevem cartas.

Na mesma missiva, da série Correspondência passiva lacrada de Mário de Andrade, sob a guarda do Arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, ficamos sabendo que Mário de Andrade escreveu o artigo “Portugal” 2 a propósito do “Adeus à literatura brasileira”, de José Osório, publicados
anteriormente no Diário de Notícias e na Revista Acadêmica, respectivamente. Seguindo sugestão do Prof. Dr. Ricardo Souza de Carvalho, em “Um espelho do Brasil e de Portugal: Mário de Andrade e José Osório de Oliveira”, 3 pretendo organizar uma edição anotada das 40 cartas enviadas por José Osório de Oliveira a
Mário de Andrade, ainda inéditas, guardadas no Fundo Mário de Andrade no Arquivo do IEB-USP. Em seu estudo, Ricardo Carvalho afirma:

As cartas de Mário a José Osório, 22 no total, estão publicadas na seção “Documentos inéditos” de O modernismo brasileiro e o modernismo português: subsídios para o seu estudo e para a história das suas relações, de Arnaldo Saraiva (2004). Quanto às cartas do português ao brasileiro, 40 no total, permanecem inéditas e fazem parte da correspondência passiva de Mário de Andrade, arquivada no IEB-USP. Acrescentem-se ainda as cartas-dedicatórias que acompanham os livros remetidos ao outro lado do Atlântico. A realização de uma edição anotada, que reuniria a correspondência entre Mário de Andrade e José Osório de Oliveira, é um projeto importante não apenas para o estudo da história das relações intelectuais entre
Brasil e Portugal como também dos dois escritores.

Buscando ampliar a proposta de Carvalho, pretendo incluir também na edição mais dois escritores portugueses, Adolfo Casais Monteiro e Alberto de Serpa, com os quais Mário de Andrade mantinha diálogo e cujas cartas também permanecem inéditas no Arquivo do IEB-USP. No presente curso, analisaremos as cartas trocadas entre Mário de Andrade e José Osório de Oliveira.

Bibliografia

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ANDRADE, Mário de. Balança, Trombeta e Battleship ou o descobrimento da alma. (Org.) Telê Ancona Lopez. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Sales, 1994.
__________________. Vida literária. (Org.) Sonia Sachs. São Paulo: HUCITEC/EDUSP, 1993.
CARVALHO, Ricardo Souza de. SCRIPTA, Belo Horizonte, v.11, n.20, 1º sem. 2007.
MONTEIRO, Adolfo Casais. Presença. a.11, v.3, nº 53-54, Coimbra, novembro, 1938.
OLIVEIRA, José Osório. Aspectos do romance brasileiro. Lisboa: s.n., 1943.
SARAIVA, Arnaldo. Modernismo brasileiro e Modernismo português: subsídios para o seu estudo e para a história das suas relações. Campinas: Editora da Unicamp, 2004.

Programa

Unidade 4: Vocabulario “atividades & tempo”, p86-91
Unidade 4: Vocaburario Gramatica “verbos & plural”, p92-97
Unidade 4: Vocabulario “horas”, p98-102
Unidade 4: Gramatica “acusativo e verbos” 103-107
Unidade 5: Vocabulario “viagem” p110-114
Unidade 5: Gramatica “subjontivo” p115-118
Unidade 5: Vocabulario “viagem” p119- 125
Unidade 5: Gramatica “comparative” p126-129
Unidade 5: Revisao – Conversa p130-131
Unidade 6: Vocabulario “casa” p132-135
Unidade 6: Gramatica “adjetivos” p136-139
Unidade 6: Vocabulario “espaco” p140-143
Unidade 6: Gramatica “Imperativo” p144-147

Programa

Encontro 1. O discurso amoroso na literatura do século XIX: Um recorte de gênero, raça e classe

Claudiana Gois dos Santos – Doutoranda em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela FFLCH/USP. Contato: claudiana_gois@usp.br

No primeiro encontro, o objetivo é analisar como as personagens e vozes poéticas femininas e negras têm protagonizado o discurso amoroso na literatura brasileira contemporânea. O amor é visto, de modo geral, como um dos sentimentos que mais elevam o ser humano. Na história da literatura brasileira o amor tem sido o mote de inúmeras narrativas, porém, quando analisamos quem enuncia esse discurso amoroso e para quem esse discurso é enunciado, vemos que os traços de raça, classe e gênero demarcam quais personagens e como esse afeto pode, ou não, ser vivido.
Estudos como os de Regina DalCastagné (2005) evidenciam a escassez de personagens negras, sobretudo femininas, em romances nacionais. Essa escassez se intensifica quando pensamos em personagens que enunciam o amor ou que recebem tal enunciação. Se cruzarmos as informações dos perfis dessas personagens, se mostra certa tendência de repetir o estereótipo de que as mulheres negras em nossa literatura ou são intensamente sexualizadas ou têm como maior preocupação a sobrevivência, deixando em um segundo plano sua vivência afetiva amorosa.
Não obstante, se o discurso amoroso for enunciado por e para mulheres, a hierarquia de gênero que define quem enuncia e quem recebe esse discurso, pode ser, eventualmente, desconstruída. Se antes a relação era de sujeito enunciador e objeto que recebe a enunciação, quando se trata de obras com personagens femininas que declaram seu amor, perpassadas pelas teorias do feminismo decolonias, vemos um discurso amoroso proferido em tons de igualdade.
O que muda, o que se repete, quais os estereótipos caem por terra e quais se mantêm quando temos mulheres negras e não negras enunciando e recebendo esse discurso amoroso é o que veremos a partir dos livros Lundu, de Tatiana Nascimento (2017) e Amora, de Natalia Borges Polesso (2016).

Referências bibliográficas:

BARTHES, Roland. Fragmentos de um discurso amoroso. São Paulo: Editora Unesp, 2018.

COELHO, Nelly Novaes et al. Feminino Singular: a participação da mulher na literatura brasileira contemporânea. Rio Claro: Arquivo Municipal, 1989.

DALCASTAGNÈ, Regina. A personagem do romance brasileiro contemporâneo: 1990-2004. Revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, n. 26, p. 13-71, Jul./Dez. 2005, v. 1, n. 26, p. 13-71, 2005. Disponível em: http://seer.bce.unb.br/index.php/estudos/article/viewFile/2123/1687 . Acesso em: 07 maio 2022.

GONZALEZ, Lélia. Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira. IN: RIOS, Flávia, LIMA, Márcia (orgs). Por um feminismo afro-latino-americano: Ensaios, intervenções e diálogos. p. 75-93. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

hooks, bell. Olhares negros: raça e representação. São Paulo: Elefante, 2019.
________.Tudo sobre amor: novas perspectivas. São Paulo: Elefante, 2020.

LEITE, Dante Moreira. O amor romântico e outros temas. 2. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1979.

LORDE, Audre. Irmã Outsider. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019.

NASCIMENTO, Tatiana. Cuírlombismo literário. São Paulo: N-1, 2019.
____________. Lundu. Brasília: Padê, 2016.

POLESSO, Natalia Borges. Amora. Porto Alegre: Não Editora, 2016.

ROUGEMONT, Dennis de. O Amor e o Ocidente. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988.

SANTANA, Affonso Romano de. O Canibalismo Amoroso. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1985.


Encontro 2. Ancestralidade e valores civilizatórios negro-africanos como componente estético na literatura - um diálogo entre Miriam Alves e Conceição Lima

Cíntia Ribeiro da Rocha: Mestranda em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela FFLCH/USP. Contato: cintia.ribeiro@usp.br

No segundo encontro, o objetivo é evidenciar e fazer uma reflexão crítica sobre as contestações do cânone feitas pela Literatura Brasileira de autoria negra bem como a estética oriunda da descendência advinda da cosmovisão africana. Para tanto, será realizada uma apresentação dos valores civilizatórios africanos e a maneira que delineiam a construção de uma enunciação negra na obra da escritora Miriam Alves em diálogo com a poesia da escritora são-tomense Conceição Lima.
A ancestralidade permeia todas as esferas da vida em sociedade no pensamento das comunidades tradicionais africanas, e quem se alimenta desta fonte, por legado, senso de pertencimento ou apreciação também reverbera elementos no campo da linguagem – seja no plano da expressão ou do conteúdo – desse conjunto de elementos materiais ou imateriais negros. Isto não seria diferente, em alguma medida, nas escritas negras comprometidas com o rompimento com modelos colonizadores.
Os dilaceramentos das estruturas psíquicas e sociais ocasionados pelo sistema colonial e posterior diáspora dos povos africanos semearam desdobramentos diferentes nas vivências dos descendentes ao, forçosamente, estabelecerem-se em outras terras e multiplicarem a raiz do modo de ser e estar no mundo desta origem em lugares longínquos, ou seja, distante dos contextos que, a princípio, fariam mais sentido. Dessa forma, a tentativa de restabelecer laços de afetividade com os preceitos da vida em comunidade foi feita, em grande parte, por meio da sociabilidade que envolvia a religiosidade e consequente criação identitária pela ancestralidade. Nesse sentido, a produção literária brasileira de autoria negra e feminina em algumas de suas vertentes temáticas, utiliza recursos que ficcionalizam e incorporam como elementos estéticos características intrínsecas a uma visão afro-negra-centrada nas interações humanas. O curso pretende fazer uma breve análise de possibilidades de diálogo entre a obra de uma escritora brasileira e uma são-tomense a partir das particularidades que as unem, mesmo distantes por conta de diferentes contextos sociais e geográficos os quais pertencem.

Referências bibliográficas:

ALVES, Miriam. Maréia. São Paulo: Malê, 2019.

ASANTE, Molefi Kete. Afrocentricidade como Crítica do Paradigma Hegemônico Ocidental: Introdução a uma Ideia. Ensaios Filosóficos, Volume XIV - Dezembro/2016.

COUTO, Mia. O outro pé da sereia. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

DOMINGUES, P. J. (2009). Movimento da negritude: uma breve reconstrução histórica. África, (24-26), 193-210. https://doi.org/10.11606/issn.2526-303X.v0i24-26p193-210.

HALL, Stuart. Identidade cultural na pós-modernidade. D&P Editora: Rio de Janeiro, 2006.

INÁCIO, E. da C. (2019). Novas perspectivas para o Comparatismo Literário de Língua Portuguesa: as séries afrodescendentes. Revista Crioula, 1(23), 12-34. https://doi.org/10.11606/issn.1981-7169.crioula.2019.160606

_____________. Escrituras em Negro: cânone, tradição e sistema. Cadernos de literatura comparada. N 43, 2020.

LEITE, Fabio. África: Revista do Centro de Estudos Africanos. USP, S. Paulo, 18-19 (1): 103-118, 1995/1996.

LIMA, Conceição. A Dolorosa Raiz do Micondó. São Paulo: Geração Editorial, 2012.

SARR, Felwine. Afrotopia. São Paulo: N -1, 2019.

Encontro 3. Entre encruzilhadas, elos e articulações: A interseccionalidade na representação ficcional das quitandeiras em canções brasileiras e angolana

Estefânia de Francis Lopes – Doutoranda em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela FFLCH/USP. Contato: estefaniaestephan@gmail.com

Ao considerarmos as letras das canções próximas tanto da forma poética quanto do caráter de crônica do cotidiano, no terceiro encontro, realizaremos uma análise comparativa entre composições brasileiras e angolanas, que, de diferentes épocas, têm em comum as quitandeiras como personagens em suas narrativas poéticas. Sendo assim, selecionamos: “No tabuleiro da baiana” (1936), de Ary Barroso, e “O que é que a baiana tem?” (1939), de Dorival Caymmi, como também, “Makezu” (1974), de Rui Mingas, e “Velha Chica” (1980), de Waldemar Bastos. Durante a análise destacamos outros elementos característicos da ficção, como o tempo, o espaço e o foco narrativo. Lembrando que os estudos comparatistas não apenas aproximam textos, mas problematizam “as questões de fundo estético, artístico e ideológico que deles podem nascer, a partir de possíveis vínculos criados entre os textos” (INÁCIO, 2018), uma vez que “abrangem uma rede complexa de relações culturais”, segundo Eduardo Coutinho (1996). Assim, procuraremos acentuar a “vocação da canção para narrar histórias” (CAVALCANTE, STARLING, e EINSENBERG, 2004), com atenção à “força enunciativa” da canção popular, conforme Luiz Tatit (2008).
Elemento importante para a representação dessas personagens, e que procuraremos destacar, é a indumentária por elas utilizada: desde as roupas e os panos coloridos, até os balangandãs, como também os objetos de trabalho, como cestarias e tabuleiros, elementos relevantes quanto à singularidade e à identidade das quitandeiras, “grupo bastante heterogêneo que no dia a dia circulava e se apropriava dos espaços urbanos, quase sempre criando rimas e equilibrando magistralmente seus tabuleiros, gamelas e cestos sobre a cabeça” (SCHUMAHER; BRAZIL, 2006, p. 62).
A partir dessa leitura comparativa, buscamos compreender o papel social que as vendedoras de tabuleiros ocuparam no imaginário artístico-literário. Por conseguinte, visamos uma elaboração de cenários que possibilite o despertar do pensamento crítico ao questionar verdades vigentes quanto à formação de identidades e quanto à valorização ou marginalização de determinados segmentos sociais, em uma leitura contrária à inferiorização e à sub-representação de mulheres negras trabalhadoras no que tange ao imaginário destas personagens enquanto criação artístico-literária.
Ao refletirmos sobre as múltiplas formas de opressão e de dominação que são articuladas desde a colonização, tanto no Brasil como em Angola, e que naturalizaram hierarquias sociais, nos norteamos pelo conceito de interseccionalidade, teoria-metodológica encontrada em reflexões de feministas como, Angela Davis (1981), Lélia Gonzalez (1988) e Patrícia Hill Collins (1990), sendo o termo cunhado por Kimberlé Crenshaw, em 1989.

Referências bibliográficas

CAVALCANTE, B.; STARLING, H. M. M.; EISENBERG, J. Apresentação. In: Decantando a República, vol. 1: Inventário histórico e político da canção popular moderna brasileira. Rio de Janeiro/São Paulo: Nova Fronteira/Fundação Perseu Abramo, 2004.
COLLINS, Patricia Hill. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. Tradução: Jamille Pinheiro Dias. São Paulo: Boitempo, 2019.
COUTINHO, Eduardo. “Literatura comparada, literaturas nacionais e questionamento do cânone”, Revista brasileira de literatura comparada nº3. Rio de Janeiro: Abralic, 1996, p. 67-73.
CRENSHAW, Kimberle. “Mapeando as margens : interseccionalidade, políticas de identidade e violência contra mulheres não-brancas” -  Parte 1/4. Disponível em: https://www.geledes.org.br/mapeando-as-margens-interseccionalidade-poli…. Acesso em: 30 jul. 2021.
DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. Tradução: Heci Regina Candiani. 1ª edição. São Paulo: Boitempo, 2016.
GONZALES, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Org. Flavia Rios, Márcia Lima. 1ª edição. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

INÁCIO, Emerson. Ritmo, poesia e identidade negra. In. Práticas de ensino de Literatura: do cânone ao contemporâneo. São Paulo: Editora Horizonte, 2018.

SCHUMAHER, Schuma; VITAL BRAZIL, Érico. Mulheres negras do Brasil. São Paulo: Ed. SENAC, 2006.

TATIT, Luiz. O século da canção. 2ª edição. Cotia: Ateliê Editorial, 2008.
Discografia
BARROSO, Ary. “No tabuleiro da baiana”. Site. Disponível em: http://arybarroso.com.br/.
BASTOS, Waldemar. “Velha Xica”. CD. ENJA Records, 2012.
CAYMMI, Dorival. “O que é que a baiana tem?” e “A preta do acarajé”. Single. 78 RPM. Odeon, 1939.
MINGAS, Rui. “Makezu”. CD Memória, 2011.

Encontro 4. Iansã em verso, prosa e ritmo: a ressonância da deusa afro-brasileira em produções artísticas brasileiras

Oluwa Seyi Salles Bento – Doutoranda em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela FFLCH/USP. Contato: oluwaseyi@usp.br

Ao longo da pesquisa de Mestrado da ministrante, compreender e analisar a presença do Orixá Oxum e de suas "descendentes" ficcionais em diferentes narrativas do corpus literário brasileiro foi importante para ter em conta alguns parâmetros de representação do corpo feminino negro quando em relação ao universo sagrado afro-brasileiro. A partir dos resultados deste trabalho, que apoiou-se em comparar métodos de construção de personagem de escritores de grupos étnicos, de gênero e períodos históricos diferentes, foi possível apontar que a conduta criativa e o comprometimento com uma representação/presentificação mais livre de conotações ofensivas às mulheres negras afrorreligiosas se deu nas obras de Conceição Evaristo, uma das mais proeminentes escritoras negras-brasileiras da atualidade.
Sem poder ignorar os referidos resultados, a pesquisa de Doutorado da ministrante nasce das reflexões e lacunas deixadas pela dissertação. Outras escritoras negras partiriam de métodos e percepções similares quando elegessem orixás e seus fiéis como personagens de suas obras? Se sim, haveria a projeção de um uníssono literário afro-brasileiro dedicado à criação de uma mitopoética negra em suas produções? Ampliando o corpus de obras, gêneros literários, escritoras e divindades afro-brasileiras em foco, a tese em processo tem buscado encontrar denominadores comuns em um conjunto grande e bastante heterogêneo de produções.
Este quarto encontro não pretende responder definitivamente as questões apontadas anteriormente, porém, é um recorte das incursões teóricas e analíticas que têm sido possíveis até então. Escolhemos, para compartilhar com grupo de inscritos no curso, poemas, narrativas, sambas enredo e relatos míticos acerca do Orixá Iansã.
Nos importará, ao longo das análises desenvolvidas no encontro, compreender de que maneira as imagens, as relações e os símbolos dos quais se lança mão na tentativa de aprender Iansã artisticamente estão engajados em nos fazer vislumbrar, conhecer ou entender a divindade em questão. Simultaneamente, será importante não perder de vista como as diferentes produções dialogam, sobretudo com os mitos, ajudando a criar algumas convicções sobre a natureza e os predicados de Iansã.
Um dos principais objetivos deste encontro (que se replica, aliás, como objetivo dos trabalhos de pesquisa acima referidos) é enfatizar a função veiculadora e por vezes didática da Literatura, a qual nos apresenta modos de vida e concepções sobre o mundo que, antes da leitura, não conhecíamos. Tendo em vista esse poder, eis a relevância de eleger produções artísticas que nos forneçam boas ferramentas para interpretar a realidade que nos cerca.
Obras que serão lidas/ouvidas durante o quarto encontro: Poemas "Oya", de Elisa Lucinda e "Dona dos Ventos", de Cristiane Sobral; trechos do romance "Bará", de Miriam Alves e da crônica e "Duas mulheres numa rua íngreme", de Cidinha da Silva e sambas enredo "Maria Bethânia, a menina dos olhos de Oyá", da escola de samba Estação Primeira de Mangueira e "O bailar dos ventos, relampejou, mas não choveu, da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.

Referências bibliográficas

ALVES, Miriam. Bará: Na trilha do vento. Salvador: Editora Ogum’s Toques Negros, 2015.

ELBEIN DOS SANTOS, Juana. Os Nàgô e a morte: Pàde, Àsèsè e o culto Égun na Bahia. Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 2012.

LUCINDA, Elisa. Oyá. In:_. Vozes guardadas. Rio de Janeiro: Editora Record, 2016.

NOGUERA, Renato. Mulheres e deusas: como as divindades e os mitos femininos formaram a mulher atual. Rio e Janeiro: Harper Collins, 2018.

PINTO, Mãe Flávia. Salve o matriarcado: manual da mulher búfala. Rio de Janeiro: Fundamentos de Axé, 2021.

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

SALLES BENTO. Orixá e Literatura brasileira: a esteticização da deusa afro-brasileira Oxum em narrativas de Conceição Evaristo. 2021. 205f. Dissertação (Mestrado em Letras). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2021. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8156/tde-29072021-183820/p….

SILVA, Cidinha da. Duas mulheres numa rua íngreme. In._. Baú de miudezas, sol e chuva. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2014.

SOBRAL. Cristiane. Dona dos Ventos. In:_. Dona dos Ventos. São Paulo: Editora Patuá, 2019.

THEODORO, Helena. Iansã. Rio de Janeiro:Pallas, 2010.


Links para as canções

Letra de "Maria Bethânia, a menina dos olhos de Oyá", da escola de samba Estação Primeira de Mangueira - https://www.letras.mus.br/mangueira-rj/samba-enredo-2016-maria-bethania…
Samba "Maria Bethânia, a menina dos olhos de Oyá", da escola de samba Estação Primeira de Mangueira - https://www.youtube.com/watch?v=MIukjaA3b38

Letra de "O bailar dos ventos, relampejou, mas não choveu, da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro - https://www.letras.mus.br/salgueiro-rj/474300/

Samba "O bailar dos ventos, relampejou, mas não choveu, da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro - https://www.youtube.com/watch?v=HEt_XjKCAWw

Encontro 5. Fechamento do curso com o retorno dos participantes

Neste quinto encontro, fecharemos o curso a partir de exposições de dúvidas, comentários e atividades dos participantes, solicitadas previamente em cada uma das aulas. Cada participante será convidado a contribuir com dúvidas, sugestões e com a partilha de suas impressões do curso em formatos variados (prosa, poesia, canção, imagem, depoimento, áudio ou vídeo) de autoria própria ou que evoque diálogos com as aulas anteriores.

Programa

Aula 1 (18/02): O tema do duelo na Literatura Russa do Século XIX
Aula 2 (20/02): A poética tchekhoviana em O duelo: o sistema dos personagens
Aula 3 (25/02): Leitura comparativa das traduções I: capítulos I ao X
Aula 4 (27/02): Leitura comparativa das traduções II: capítulos XI a XXI

Bibliografia:
Obra discutida:
ЧЕХОВ, A.П. Полн. собр. соч. и писем: в 30 т. Т. 7 (1888—1891). Москва: Наука, 1985.
_______________ . O duelo. Trad.: Klara Gourianova. São Paulo: Ed. Manole, 2011.
_______________ . O duelo. Trad.: Marina Tenório. São Paulo: Ed. 34, 2014.
_______________ . O duelo. Trad.: Cecília Rosas. São Paulo: Ed. Grua, 2024.


Referências Complementares:

ANGELIDES, Sophia. A. P. Tchékhov: cartas para uma poética. São Paulo: Edusp, 1995.
BERNARDINI, Aurora Fornoni. “Tchékhov, o intérprete do grande tédio russo”. In: Aulas de literatura russa: de Púchkin a Gorenstein. São Paulo: Kalinka, 2018.
MANN, N, Thomas. “Ensaio sobre Tchékhov”. In: Ensaios. Org. Anatol Rosenfeld. Trad. Natan Robert Zins. São Paulo: Perspectiva, 1988.
NABOKOV, Vladimir. “Anton Tchékhov”. In: Lições de literatura russa. São Paulo: Três Estrelas, 2014.
PÚCHKIN. Aleksandr. “O tiro”. In: A dama de espadas: prosa e poemas. Trad. Boris Schnaiderman e Nelson Ascher. 2.ed. Ed. 34, 2006.
TCHÉKHOV, Anton. Cartas a Suvórin: 1886 - 1891. Introdução, tradução e notas: Aurora Bernardini e Homero Freitas de Andrade. São Paulo: Edusp, 2002.

Programa

Aula 1: Introdução às Categorias e sua posição no corpus aristotélico
1.1 Introdução à obra e sua estrutura
1.2 A distinção entre linguagem e realidade
1.3 As dez categorias
1.4 A centralidade da ousia entre os modos do ser

Aula 2: Quais coisas recebem o título de ousia e o papel do substrato
2.1 Substâncias primeiras e segundas
2.2 Hypokeimenon e ousia
2.3 A matéria como elemento do idion
2.4 Idion da substância e sua relação com a matéria

Aula 3: Ousia e matéria na Metafísica: desdobramentos e dificuldades
3.1 Retomar a discussão do idion e sua relação com a matéria
3.2 Ressonância da matéria na Metafísica de Aristóteles
3.3 Diferenças entre a ousia das Categorias e a ousia em Metafísica Z1-3
3.4 Leituras secundárias: Patzig, Loux e Lewis

Bibliografia:
Primária:
ARISTÓTELES. Categorias. Tradução de Ricardo Santos. São Paulo: Loyola.
ARISTOTLE. Categories and De Interpretatione. Translated by J.L. Ackrill. Oxford: Clarendon Press, 1963.
ANGIONI, L. Aristóteles, Metafísica, livros VII e VIII: Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas: Unicamp, 2005.
NATALI, C. Aristóteles. São Paulo: Paulus, 2016.
ROSS, W. D. Aristotle’s Metaphysics (2 vols.), Oxford: Clarendon Press, 1928.
Secundária:
Aula 1:
PORFÍRIO. Isagoge: introdução às Categorias de Aristóteles. Introdução, tradução e comentário de Bento Silva Santos. São Paulo: Attar Editorial, 2001.
ZINGANO, M. As Categorias de Aristóteles e a doutrina dos traços do ser. Em: Doispontos, Curitiba, São Carlos, vol. 10, nº 2, Outubro, 2013.

Aulas 2 e 3:
ANGIONI, Lucas. As noções aristotélicas de substância e essência: o livro VII da Metafísica de Aristóteles. Discurso, Campinas, v. 37, n. 1, p. 9–38, 2007.
Barnes, J. Metafísica. In: BARNES, J. Aristóteles. Aparecida: Ideias & Letras, 2009. p. 103-153.
GALLUZZO, Gabriele. “The Historical Origins of the Concept of Primary Substance”. Phronesis, 2015.
LEWIS, Frank A. Substance and Predication in Aristotle. Cambridge: Cambridge University Press, 1991, v. Part I, Aristotle’ earlier metaphysical theory, pp. 1-82.
LOUX, M. J. Primary Ousia: An Essay on Aristotle’s Metaphysics Z and H. Cornell University Press, 1991.
ZINGANO, M. Metafísica de Aristóteles. São Paulo: Filósofos na sala de aula, vol.3, 2009”. E ZINGANO, M. Sobre a Metafísica de Aristóteles: textos selecionados. São Paulo: Odysseus, 2005.

Programa

1 - De São Paulo - Mário de Andrade (13/04)

2 - Espírito de São Paulo e outros textos - Ribeiro Couto (14/04)

3 - Ronda da meia-noite: vícios, misérias e esplendores da cidade de São Paulo - Sylvio Floreal (15/04)

4 - Pela cidade e Cosmópolis - Guilherme de Almeida (16/04)

Bibliografia

ALMEIDA, Guilherme de. Cosmópolis: oito reportagens de Guilherme de Almeida. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1962.
__________. Pela cidade/Meu roteiro sentimental da cidade de S. Paulo. São Paulo Martins Fontes, 2004.
ANDRADE, Mário de. De São Paulo: cinco crônicas de Mário de Andrade, 1920-1921. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004.
ARRIGUCCI JR, Davi. Enigma e comentário. Ensaios sobre literatura e experiência. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
BIGNOTTO, Cilza Carla “O Caso Sylvio Floreal”. In: Figuras de autor, figuras de editor: as práticas editoriais de Monteiro Lobato. São Paulo: Editoras Unesp, 2018.
BROCA, Brito. A vida literária no Brasil – 1900. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005.
BULHÕES, Marcelo Magalhães. “Um jornalista do submundo: a reportagem narrativa em Sylvio Floreal”. In: Revista Comunicação Midiática: Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista, Bauru, ano 2, n.º 3, ago 2005, p. 105-116.
CANDIDO, Antonio et al. A Crônica: o gênero, sua fixação e suas transformações no Brasil. São Paulo: Editora da UNICAMP; Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1992.
CARVALHO, José Murilo de. Sobre o pré-modernismo. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1988.
COUTO, Ribeiro. Espírito de São Paulo. Rio de Janeiro: Schmidt Editor, 1932.
FLOREAL, Sylvio. Ronda da Meia-Noite: Vícios, Misérias e Esplendores da Cidade de São Paulo. São Paulo: Boitempo, 2002.
HARDMAN, Francisco Foot. "Antigos Modernistas". In: NOVAES, Adauto (org). Tempo e História. São Paulo: Cia das Letras, 1992.
KALIFA, Dominique. Os Bas-fonds: História de um Imaginário. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2017.
LINS, Vera. Ribeiro Couto, uma questão de olhar. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1997.
LOPEZ, Therezinha Ancona. Mário de Andrade cronista de São Paulo nos primórdios do modernismo. Remate de Males, v. 33, n. 1-2, p. 51-89, 17 jun. 2015.
MEDINA, Cremilda. Notícia, um produto à venda: jornalismo na sociedade urbana e industrial. São Paulo: Summus, 1988.
MEYER, Marlise. Folhetim: uma história. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
MICELI, Sergio. Intelectuais à Brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
OLIVEIRA, Milena Fernandes de. O mercado de prestígio: consumo, capitalismo e modernidade na São Paulo da “Belle Époque” (1890-1914). São Paulo: Alameda, 2014.
RAGO, Margareth. “Apresentação: Nas margens da Paulicéia”. In: FLOREAL, Sylvio. Ronda da Meia-Noite: Vícios, Misérias e Esplendores da Cidade de São Paulo. São Paulo: Paz e Terra, 2003, p. 3-7.
RIO, João do. O momento Literário. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Dep. Nacional do Livro, [1905] 1994.
SALIBA, Elias Thomé. Histórias, memórias, tramas e dramas da identidade paulistana. In: PORTA, P. (org). História da Cidade de São Paulo, v. 3: a cidade na primeira metade do século XX. São Paulo: Paz e Terra, 2004, p. 555-588.
SCHAPOCHNIK, Nelson. “Apresentação: Prelúdio à Sinfonia Cosmopolita”. In: FLOREAL, Sylvio. Ronda da Meia-Noite: Vícios, Misérias e Esplendores da Cidade de São Paulo. São Paulo: Boitempo, 2002, p. 13-17.
SODRÉ, Nelson Werneck. História da Imprensa no Brasil. São Paulo: Martins Fontes, 1983.
SUSSEKIND, Flora. Cinematógrafo de letras: literatura, técnica e modernização no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

Programa

Aula 1: Introdução ao curso.

Apresentaremos alguns aspectos do percurso intelectual de Marx que marcam suas
obras, em especial aquelas que serão objeto do curso, como o contato com a filosofia hegeliana, a incursão no
movimento jovem-hegeliano (Bruno Bauer, Ludwig Feuerbach, Max Stirner, entre outros), o estudo aprofundado da
economia política clássica (Adam Smith, David Ricardo) e o contato com o socialismo francês, em meados dos
anos 1840. Apresentação também dos objetivos do curso, trabalhando a questão: diante de tantas leituras que
mostram a ruptura do pensamento marxiano com o pensamento chamado de idealista, por que ler Marx como um
herdeiro de Hegel? Além disso, haverá indicação da leitura necessária para as aulas seguintes.

Aula 2: Alienação.

Projeção de trechos que embasam a aula dos Manuscritos econômico-filosóficos. Trad. Jesus
Ranieri. São Paulo: Boitempo Editorial, 2004. Seção “Trabalho alienado e propriedade privada” (p. 79-90); Caderno
III: propriedade privada e trabalho (p. 99-100).
Bibliografia complementar:
FAUSTO, R. “Sobre o jovem Marx”. In: Revista Discurso, nº 13, 1980. São Paulo: Editora Pólis, 1983.
FEUERBACH, L. A essência do cristianismo. Trad. José da Silva Brandão. Campinas: Papirus, 1988.
GIANNOTTI, José Arthur. Origens da dialética do trabalho. São Paulo: Difusão europeia do livro, 1966.
MÉSZÁROS, I. A teoria da alienação em Marx. Trad. Nélio Schneider. São Paulo: Boitempo Editorial, 2016.

Aula 3: Ideologia.

A ideologia alemã. Trad. de Rubens Enderle, Nélio Schneider e Luciano Cavini Martorano. São
Paulo: Boitempo Editorial, 2007: “I. Feuerbach, fragmento 2.” (p. 93-95); seção “A) O liberalismo político” (p. 192-
202).
Bibliografia complementar:
ARANTES, Paulo E. Ressentimento da dialética: dialética e experiência intelectual em Hegel: antigos estudos sobre
o ABC da miséria alemã. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
CARVER, Terrell; BLANK, Daniel. A political history of the editions of Marx and Engels’s “German ideology
manuscripts”. New York: Palgrave MacMillan, 2014.
FAUSTO, Ruy. Marx: lógica e política – Tomo II – investigações para uma reconstituição do sentido da dialética.
São Paulo: Brasiliense, 1987.
LARRAIN, Jorge. Marxism and Ideology. Londres: The MacMillan Press, 1983.

Aula 4: Fetichismo.

O Capital: crítica da economia política. Livro I. Trad. Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo
Editorial, 2013. Capítulo 1, seção “O caráter fetichista da mercadoria e seu segredo” (p. 146-158).
O Capital: crítica da economia política. Livro III. Trad. Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo Editorial, 2017.
Capítulo 48 “A fórmula trinitária” (p. 877-894).
Bibliografia complementar:
FAUSTO, R. “Dialética marxista, humanismo, anti-humanismo”. In: Marx: lógica e política – Tomo I – investigações
para uma reconstituição do sentido da dialética. São Paulo: Brasiliense, 1983.
HEINRICH, M. An Introduction to the Three Volumes of Karl Marx's Capital. Trad. Alexander Loscasio. Nova Iorque:
Monthly Review Press, 2012.
___________. “A edição de Engels do Livro 3 de O capital e o manuscrito original de Marx.” In: Crítica Marxista, vol.
43, 2016.
MÜLLER, M. “Exposição e método dialético em O Capital”. In: Boletim Seaf, nº 2, Belo Horizonte, 1982.

 

Programa

a) Levantamento, sistematização e manipulação de dados observacionais de precipitação pluvial;
b) Emprego de técnicas e metodologias de análise estatística aplicada à Climatologia Geográfica;
c) Extração e manipulação de dados de precipitação pluvial via produtos satelitais;
d) Identificação do grau de acurácia e validação dos dados pluviométricos estimados por produtos orbitais;
e) Análise de indicadores climáticos extremos associados à precipitação pluvial;
f) Representação gráfica e cartográfica de dados de precipitação estimados via produtos orbitais.

- Referências bibliográficas:

AGHAKOUCHAK, A.; MEHRAN, A. Extended contingency table: performance metrics for satellite observations and climate model simulations. Water Resources Research, v.49, n.10, p.7144-7149, 2013. DOI: 10.1002/wrcr.20498
ALLAN R.P.; SODEN, B.J. Atmospheric warming and the amplification of precipitation extremes. Science, v.321, n.5895, p.1481-1484, 2008. DOI: 10.1126/science.1160787
CAVALCANTE, R.B.L.; FERREIRA, D.B.S.; PONTES, P.R.M.; TEDESCHI, R.G.; COSTA, C.P.W; SOUZA, E.V. Evaluation of extreme rainfall indices from CHIRPS precipitation estimates over the Brazilian Amazonia. Atmospheric Research, v.238, p.104879, 2020. DOI: 10.1016/j.atmosres.2020.104879
Climate Hazards Center. InfraRed Precipitation with station data (CHIRPS). Disponível em: https://www.chc.ucsb.edu/data. Acesso em 17 de janeiro de 2022.
COSTA, J.; PEREIRA, G.; SILVA, M.E.S.; CARDOZO, F.; SILVA, V.V. Validação dos dados de precipitação estimados pelo CHIRPS. Revista Brasileira de Climatologia, v.24, n.15, p.228-243, 2019. DOI: 10.5380/abclima.v24i0.60237
INMET (Instituto Nacional de Meteorologia). BDMEP (Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa). 2021. Available in: http://www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=bdmep/bdmep. Acesso em 18 de janeiro de 2022.
ISLAM, A. Statistical comparison of satellite-retrieved precipitation products with rain gauge observations over Bangladesh. International Journal of Remote Sensing, v.39, n.9, p.2906-2936, 2018. DOI: 10.1080/01431161.2018.1433890
KENDALL, M.G. Rank correlation methods. 5th Ed. London: Charles Griffin. 1990. 292p.
SILVA-LUIZ, W.; OSCAR-JÚNIOR, A.C.S. Climate extremes related with rainfall in the State of Rio de Janeiro, Brazil: a review of climatological characteristics and recorded trends. Natural Hazards, v.114, p.713-732, 2022. DOI: 10.1007/s11069-022-05409-5
MU, Y.; JONES, C. An observational analysis of precipitation and deforestation age in the Brazilian Legal Amazon. Atmospheric Research, v.271, n.4, p.106122, 2022. DOI: 10.1016/j.atmosres.2022.106122
PENEREIRO, J.C; MESCHIATTI, M.C. Tendências em séries anuais de precipitação e temperaturas no Brasil. Engenharia Sanitária Ambiental, v.23, p.319-331, 2018. DOI: 10.1590/S1413-41522018168763
REGOTO, P.; DERECZYNSKI, C.; CHOU, S.C.; BAZZANELA, A.C. Observed changes in air temperature and precipitation extremes over Brazil. International Journal of Climatology, v.41, p.5125-5142, 2021. DOI: 10.1002/joc.7119
SILVA BATISTA, C.; SILVA, M.E.S.; AMBRIZZI, T.; TOMMASELLI, J.T.G.; PATUCCI, N.N.; MATAVELI, G.A.V.; CORREA, W.C. Precipitação na América do Sul -Dados obtidos por estações meteorológicas automáticas e por sistemas orbitais. Revista Brasileira de Climatologia, v.25, p.54-79, 2019.
SOROOSH; H., KUOLIN; BRAITHWAITE, D.; ASHOURI, H; NOAA Climate Data Record (CDR) of Precipitation Estimation from Remotely Sensed Information using Artificial Neural Networks (PERSIANN-CDR), Version 1 Revision 1. National Centers for Environmental information, 2023. DOI: 10.7289/V51V5BWQ
UCI (Universidade da Califórnia, Irvine). Data Portal - PERSIANN-CRD. Disponível em: https://chrsdata.eng.uci.edu/. Acesso em 9 de janeiro de 2022.
WILLMOTT, C.; MATSUURA, K. Advantages of the mean absolute error (MAE) over the root mean square error (RMSE) in assessing average model performance. Climate Research, v.30, p.79-82, 2005. DOI: 10.3354/cr030079
XAVIER, A.C.F.; RUDKE, A.P.; SERRÃO, E.A.O.; TERASSI, P.M.B.; PONTES, P.R.M. Evaluation of satellite-derived products for the daily average and extreme rainfall in the Mearim river drainage basin (Maranhão, Brazil). Remote Sensing, v.13, n.21, p.4393, 2021. DOI: 10.3390/rs13214393
ZHANG, X.; FENG, Y.; CHAN, R. Introduction to RClimDex v1.9. Climate Research Division, Canadá. 2018. 26p.

Programa

O curso prevê oito encontros semanais de duas horas cada, para os quais os professor ministrante preparará um material didático específico e coordenará as atividades. Além disso, a cada aula os estudantes receberão exercícios a serem desenvolvidos individualmente em casa para fixação dos assuntos abordados em sala.

As aulas serão divididas da seguinte forma:

No primeiro momento, será feita a devolutiva do exercício atribuído na aula anterior com as correções necessárias. Caso seja verificado algum problema comum entre os alunos, a questão será abordada novamente para solucionar alguma possível falta de clareza na explicação ou auxiliar na compreensão de alguma dificuldade que não foi contemplada no planejamento inicial. Essa parte terá duração de meia hora.

Em seguida passaremos para a seção de fonética. Primeiro um tópico específico será introduzido pelo professor, como a redução vocálica ou encontros consonantais de difícil articulação para o aparelho fônico dos falantes brasileiro, e depois serão apresentados exercícios de repetição e automatização. Para finalizar essa seção, será proposto um trava-línguas baseado na articulação abordada em sala. Essa parte terá a duração de cerca de meia hora.

Então chegaremos ao cerne dos encontros, a prática ativa da leitura. Nesse momento da aula, os alunos serão apresentados a um texto, preparado de antemão pelo ministrante para se adequar ao contexto da turma e para servir de base para uma discussão gramatical ou estética. Primeiro haverá uma breve explicação do professor, então será feita a leitura conjunta do texto. Depois os participantes resolverão alguns exercícios gramaticais ou de compreensão textual, que serão corrigidos em sala. Por fim, haverá uma proposta de trabalho relacionado ao tema para ser desenvolvido individualmente em casa.


Bibliografia:

ABELIUK, E. S. Prática de leitura: manual de metodologia de ensino [Praktika tchteniia: utchebno-metoditcheskoie possobie]. Moscou: Izdatielstvo Dom Vyschei Chkoly Ekonomiki, 2016.
BITEKHTINA, N. B.; KLIMOVA, V. N. Língua russa como estrangeiro: fonética [Russkii iazyk kak inostranny: fonética]. Moscou: Russki Iazyk kursy, 2025.
CASTRO, Tanira. Fale russo: leitura. Porto Alegre: Ediplat, 2007.
CHAVRINA, L. M. Start. Moskva: Russkii iazyk, 1988.
DOSTOIEVSKI, F. M. Noites brancas [Bielyie notchi]. Adaptação de A. L. Maksimova. Sankt-Peterburg: Zlatoust, 2000.
KHAVRÓNINA, S. A e CHIROTCHÉNSKAIA, A. I. Russian in exercises. Moscou: Progress Publishers, 1981.
MAKSIMOVA, A. L. Vamos ler um clássico russo. Crestomatia para participantes estrangeiros e amantes da cultura russa [Tchitaiem russkuiu klassiku. Khrestomatiia dlia inostrannykh utchaschikhsia i liubiteliei russkoi kultury]. Sankt-Peterburg: Zlatoust, 2021.
MOSKOVSKI GOSSUDARSTVENNY UNIVERSITET. Catálogo do instituto de língua e cultura russa [katalog Instituta Russkogo Iazyka i Kultury]. Disponível em: https://www.catalogue.irlc.msu.ru.
NOVIKOVA, N. S; SCHERBAKOVA, O. M. Estrela azul: contos e histórias de autores russos e estrangeiros com perguntas e exercícios [Siniaia zvezda: rasskazy i skazki russkikh i zarubejnykh pissatelei s zadaniiami i uprajneniami]. Moskva: FLINTA, 2021.
ODINTSOVA, I. V. Sons. Rítmica. Entonação: manual de ensino [Zvuki. Ritmika. Intonatsiia: utchebnoie possobiie]. Moskva: FLINTA, 2017.

Programa

Programa:


Os três pilares de uma identidade cultural armênia;
Uma “pré-história teológica” dos armênios;
A conversão do Reino da Armênia ao cristianismo;
A Igreja da Armênia em face do Concílio de Niceia;
A Armênia entre romanos e persas;
A criação de uma cultura literária nacional;
O Concílio de Éfeso e o miafisismo ortodoxo;
A reconstrução nacional e o sentimento antipersa;
A Igreja da Armênia e a ortodoxia anticalcedônia;
A “História dos Armênios”, de Agat‘angełos;
A “História dos Armênios”, de Moisés de Khoren;
A versão armênia da legenda do Rei Abgar;
A tradição litúrgica de rito armênio;
A abolição da festa do Natal na Igreja armênia;
A criação do Patriarcado de Edjmiatsin e os cisma armênio-calcedônio.

AGATHANGE, Histoire du Règne de Tiridate et la prédication de Saint Gregoire l’Illuminateur, traduite pour la premiére fois en français sur le texte arménien accompagné de la version grecque, par Victor Langlois. Paris : Librairie de Firmin Didot Frères, fils et cie, imprimeurs de L’Institut, 1867.
AGATHANGELOS. History of the Armenians (bilíngue). Translation and Commentaryby R. W. Thomson. Albany: State University of New York Press, 1976.
ARAUJO, D. A. São Gregório, o Iluminador (apresentação de B. L. Zekiyan). São Paulo: Ed. Paulinas, 2023.
ARTZROUNI, A. História do Povo Armênio (apresentação do Prof. Dr. Eurípides Simões de Paula – USP). São Paulo: Comunidade da Igreja Católica Apostólica Armênia do Brasil, 1976.
AAVV, La leyenda del Rey Abgar e Jesús. Orígenes del cristianismo em Edessa. Madrid: Ed. Ciudad Nueva, 1995.
CAÑELLAS, N. Las Iglesias Apostólicas de Oriente: historia y características. Madrid: Ciudad Nueva, 2000.
DI BERARDINO (org.), Nuovo Dizionario Patristico e di Antichità Cristiane, 3 vols.. Roma, Institutum Patristicum Augustinianum, 2008.
EUSÉBIO DE CESAREA, Historia Eclesiástica. Madrid: B.A.C, 2010.
GARITTE, G., Documents pour l‘étude du livre d‘Agathange. Cité du Vatican, 1946.
GARSOÏAN, N. “L’Arménie”. In: AAVV, Histoire du Christianisme des origines à nos jours, t. III: Les Églises d’Orient et d’Occident, septième partie: Les Églesies extérieurs dans l’Orient non grec (Vª-VIª siècles). Paris: Desclée, 1998.
GROUSSET, R. Histoire de l’Arménie, des origines a 1071. Paris: Payot, 1947.
HACYKIAN, A. J. (coord.), The Hereditage of Armenian Literature, vol. I: From the Oral Tradition to the Golden Age. Detroit: Wayne State University Press, 2000.
___ The Heritage of Armenian Literature, v. II: From the Sixth to the Eighteen Century, Wayne State University Press, Detroit, 2005.
KHORENATS‘I, Moses. History of the Armenians. London: Harvard University Press, 1978.
MARAVAL, P., “Le nueve fronteire, II. L’Armenia”, in: AAVV, Storia del Cristianesimo, vol. 2: La Nascita de uma cristianità. Roma: Borla/Città Nuova, 2000.
NERSESSIAN, V. Treasures from the ark. 1700 years of Armenian Christian art. Los Angeles: The J. Paul Getty Museum, 2001.
ORMANIAN, M. A Igreja dos armênios. Sua história, doutrina, hierarquia, reforma, liturgia, literatura e situação atual. Tradução de Charles Apovian. São Paulo: Ed. O.L.M., 2003 (original de 1910).
SOTOMAYOR, M. Historia del Cristianismo (I): El mundo antiguo, Editorial Trotta, Madrid, 2006.
TOURNEBIZE, F. Histoire politique et religieuse d´Armenie:1. Depuis les origines des Arméniens jusqu’à la mort de leur dernier roi (l’an 1393). Paris: Alphonse Picard et fils, 1910.
WEBER, S. Die Katholische Kirche in Armenien, Ihre Begrundung und Entwicklung vor Der Trennung. Whitefish: Kessinger Publishing, 1903 (2010).
ZEKIYAN, B. L. “L’Armenia tra Bisanzio e l’Iran dei Sasanidi e momenti della fondazione dell’ideologia dell’Armenia cristiana (secc. V-VII). Preliminari per una sintesi”, in: Crossroad of Cultures. Studies in Liturgy and Patristics in Honor of Gabriele Winkler, H.-J. Feulner, E. Velkovska, and R. F. Taft, S.J., eds. OCA, 260. Roma: Pontificio Istituto Orientale, 2000, pp. 717-744.
___ I Sacramenti dell’iniziazione nell’Oriente cristiano, con particolare riguardo all’antica tradizione catechetica antiocheno- armena, Marcianum, III, 1, 2007, p. 127- 153.
___ “Catechesi e inculturazione nel periodo formativo della Chiesa Armena”, in: Nāmeye Irān-e Bāstān. The International Journal of Ancient Iran Studies, Serial Nos. 23-24, Papers of the International Conference Ad ulteriores gentes: The Christians in the East, 1 st to 7th Century, Rome, March 2009, pp. 283-300.
___ “I Processi formativi della coscienza d’identità della’Armenia cristiana e l’emergere di una Chiesa etnica”, in: Convegno Internazionale La Persia e Bisanzio, (Roma, 14-18 ottobre 2002), (Atti dei Convegni Lincei, 201), Accademia dei Lincei, Roma 2004, pp. 391-410.
___ “I processi di cristianizzazione e di alfabetizzazione dell’armenia in funzione di “modelli” verso una teologia dell’etnia e della “Chiesa etnica””, in: The Formation of the Millennial Tradition. 1700 Years of Armenian Christian Witness (301-2001),
Scholary Symposium in Honor of the Visit to the Pontifical Oriental Institute, Rome, of His Holiness Karekin II, Supreme Patriarch and Catholicos of all Armenians, November 11, 2000, ed. by Robert F. Taft, S.J., (OCA, 271), Pontif. Ist. Orientale, Roma 2004, pp. 161- 181.