Programa

1. Objetivo e justificativa
Este curso online tem por objetivo analisar e interpretar obras específicas da filmografia de Kleber Mendonça Filho, de maneira a investigar a hipótese de que as películas do diretor pernambucano apresentam como um eixo temático comum a apropriação de um passado histórico que irrompe no tempo presente das narrativas. Assim, eventos do passado impactam a vida dos personagens, direta ou indiretamente, sobretudo no que diz respeito à constituição das relações sociais, as quais aparecem marcadas por conflitos e pela violência. Para a realização da análise e da interpretação das obras, leva-se em consideração quais são os procedimentos formais que sustentariam esse eixo temático. Ou seja, investiga-se de que de maneira o som, a montagem cinematográfica e outras instâncias narrativas se articulam de forma a corroborar a temática discutida. O corpus a ser investigado é composto pelos longas-metragens O som ao redor (2013) e Aquarius (2016), dirigidos por Kleber Mendonça Filho, bem como por Bacurau, filme do diretor pernambucano e de Juliano Dornelles, lançado em 2019.

2. Ministrantes
Prof. Jaime Ginzburg – Professor Titular de Literatura Brasileira – DLCV
Profa. Ariadne Tadeu Pinheiro Arruda – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Literatura Brasileira da FFLCH-USP
Prof. Vinícius da Cunha Bisterço - – Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Literatura Brasileira da FFLCH-USP

3. Cronograma

O curso terá duração de duas semanas, e as aulas serão realizadas duas vezes por semanas nos dias 13, 15, 20 e 22 de Outubro. As aulas terão duração de duas horas cada, e ocorrerão das 19h às 21h. Serão selecionadas sequências do filme para serem debatidas em sala, mas os filmes não serão exibidos integralmente. O acesso aos filmes será discutido na abertura do curso e as aulas serão relizadas via Google Meet. Segue abaixo uma projeção do funcionamento das atividades do curso:
• Aula 1 (terça-feira, dia 13 de Outubro): Apresentação de elementos introdutórios
• Aula 2 (quinta-feira, dia 15 de Outubro): Aula sobre o filme O som ao redor (Kleber Mendonça Filho, 2013)
• Aula 3 (terça-feira, dia 20 de Outubro): Aula sobre o filme Aquarius (Kleber Mendonça Filho, 2016)
• Aula 4 (quinta-feira, dia 22 de Outubro): Aula sobre o filme Bacurau (Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, 2019)

4. Objetivos

a) Apresentação de elementos introdutórios
Introduzir a posição de Kleber Mendonça Filho no cinema brasileiro contemporâneo e as linhas gerais de sua produção. Apresentar, com base em Anatol Rosenfeld e Ismail Xavier, entre outros autores, elementos teóricos sobre a narrativa cinematográfica.
b) O som ao redor
Analisar quais procedimentos formais são utilizados para indicar a incidência, no presente narrativo, de modos reelaborados de organização social herdados do sistema colonialista. Investigar a representação de núcleos urbanos enquanto localidades nas quais prevalecem conflitos e relações marcadas pela violência, bem como evidenciar as diferenças existentes entre espaço público e ambientes privados.
c) Aquarius
Identificar as relações entre o espaço e a memória, particularmente na maneira com que o reconhecimento do espaço pode suscitar a rememoração do passado. Investigar como existem marcas de segregação social sedimentadas no espaço. Analisar a relação da protagonista com a experiência contracultural brasileira dos anos 60.
d) Bacurau
Estabelecer um diálogo com Bacurau, - longa-metragem dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, de modo a evidenciar como o filme propõe uma representação da contemporaneidade brasileira em termos políticos e sociais. Discutir como a obra aborda a temática da violência a partir da presença do passado histórico no presente narrativo. Compreender como o passado é tomado também como fonte mobilizada para apontar caminhos de resistência política.

5. Material de referência

• OLIVEIRA, Graziele Rodrigues de. “Como contar uma história? – Alegoria e memória em O som ao redor”. Revista de Literatura, História e Memória. Cascavel, v.14, n.24, p.259-273, 2018.
• QUEIRÓZ, Carlos Eduardo Japiassú de; NÓBREGA, Maria de Lourdes Carneiro da Cunha. “Registros híbridos: uma análise da estrutura dos filmes O som ao redor e Recife frio, do diretor Kleber Mendonça Filho”. Revista Tempos e Espaços em Educação, São Cristóvão, Sergipe, Brasil, v. 10, n. 21, p. 77-98, jan./abr. 2017.
• RABELLO, Ivone Daré. “O Som ao redor: sem futuro, só revanche?”. Novos estudos – CEBRAP. São Paulo, n.101, p.157-173, Mar.2015.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-3300201500….
• ROSENFELD, Anatol. Cinema: arte & indústria. São Paulo: Perspectiva, 2002.
• SAMPAIO, Leon. “Casa grande e senzala na obra de Kleber Mendonça Filho: ressonâncias da tradição escravocrata e cenas do dissenso”. ENICECULT (2017): n. pág. Web. 7 Out. 2019
• SOUTO, Mariana. Infiltrados e invasores: uma perspectiva comparada sobre as relações de classe no cinema brasileiro contemporâneo. Tese (Doutorado em Comunicação Social) – Universidade Federal de Minas Gerais, 2016.
• SOUZA, Aline Aparecida de Souza. “A Recife como Mise en Scène na obra de Kleber Mendonça Filho”. Vozes e diálogos. Itajaí, v. 17, n. 01, jan./jun. 2018.
• XAVIER, Ismail, org. A experiência do cinema. Rio de Janeiro: Graal, 1983.
• XAVIER, Ismail. O discurso cinematográfico. A opacidade e a transparência. São Paulo, Paz e Terra, 2008.

Programa

O cenário caótico da condução das relações exteriores no Brasil tem suscitado intenso debate público sobre a política externa no país. Moldado como o ponta-de-lança de uma “cruzada antiglobalista”, o uso do Itamaraty por políticos e a competição entre o MRE e demais ministérios chocou muitos analistas. Ancorados em uma imagem de excelência da burocracia diplomática brasileira, muitos clamam por uma política externa “técnica” e “livre de ideologia”, a ser formulada pelo Itamaraty. Para além da conjuntura atual: será isso um cenário desejável ou mesmo possível? Como chegamos a essa situação?
O curso pretende discutir criticamente o “declínio” do MRE e os atores e processos envolvidos na produção da política externa brasileira, tendo como questões de fundo a ideia da política externa como política pública e a possibilidade de sua democratização. Para isso, será retomada a trajetória da política externa brasileira pela chave da transformação dos processos decisórios no tempo. Colocando o cenário contemporâneo em uma perspectiva mais ampla, deixando de lado particularidades do governo e da conjuntura atual, vislumbram-se processos mais profundos de transformação: a multiplicação de atores envolvidos com temas internacionais, o aumento do interesse social e político em questões de política externa e uma crescente insatisfação com a diplomacia tradicional.

Calendário e conteúdo das aulas

12/04 - Aula 1. O Itamaraty: decisor técnico e insulado?
Apresentação do curso e de conceitos básicos: o que é política externa, diplomacia como instrumento de política externa. O Itamaraty como ator excepcional e seu papel na formulação da política externa. Estrutura do serviço diplomático, insulamento burocrático e a trajetória histórica do MRE. As ideias clássicas de política externa no Itamaraty. O perfil dos diplomatas e a cultura “aristocrática” no Itamaraty.

14/04 - Aula 2. A Redemocratização e os novos atores: o insulamento questionado
Transformações no Estado brasileiro e nas relações internacionais nos anos 1990 e suas implicações para os processos decisórios em política externa. A multiplicação dos atores e a internacionalização das políticas públicas domésticas. Política burocrática e ministérios como atores internacionais. Discussão de estudos de casos selecionados.

16/04 - Aula 3. Os políticos e a política externa: tensões entre burocracia, sistema político e sociedade
O aumento do debate sobre política externa no Brasil e sua relevância na política doméstica. O presidente e o Congresso como atores de política externa. Movimentações da sociedade civil: o lobby de empresas, ONGs e outros grupos organizados. Embates entre lógica de decisão e concepções de política externa do MRE e da sociedade. Discussão de estudos de caso selecionados.

19/04 - Aula 4. Analisando a cena contemporânea: uma política externa “pós-diplomática”?
Retomada das transformações em curso na diplomacia e na forma da política externa, no Brasil e no mundo. Declínio dos ministérios de relações exteriores no mundo. A linguagem diplomática frente às mudanças tecnológicas e às pressões do público global. Limitações e benefícios da política externa “pós-diplomática”. Especificidades do Brasil atual. Discussões normativas: nesse contexto, qual a melhor forma de construir a política externa brasileira? Qual o papel de um ministério de Relações Exteriores hoje?

Referências Bibliográficas

ALLISON, G.T. Conceptual Models and Cuban Missile Crisis. The American Political Science Review, Volume 63, Issue 3, 1969.
CHEIBUB, Z. Diplomacia e construção institucional: o Itamaraty em perspectiva histórica. Dados, v.I, 28, n°1, 1985.
FARIA, C. A. P. de. O Itamaraty e a Política Externa Brasileira: do insulamento à busca por coordenação dos atores governamentais e de cooperação com os agentes societários. Contexto Internacional. Vol. 34, no 1, Rio de Janeiro, p. 311-355, janeiro/junho 2012.
FARIA, C. A. P. Opinião pública e política externa: insulamento, politização e reforma na produção da política
exterior do Brasil. Revista Brasileira de Política Internacional, v.51, n° 2, 2008.
LOPES, D. B. De-westernization, democratization, disconnection: the emergence of Brazil’s post-diplomatic foreign policy. Global Affairs, v.6, p.1-18, 2020.
LOPES, D.B. A política externa pós-diplomática. O Estado de São Paulo(Blog Gestão, Política e Sociedade), São Paulo, 2 de Março de 2017.
MILANI, C.R.S.; PINHEIRO, L. Política Externa Brasileira: os desafios de sua caracterização como política pública. Contexto Internacional. Vol. 35, no 1, Rio de Janeiro, janeiro/junho 2013, p. 11-41.

Programa

Cronograma
Aula 1.
Apresentação.
Introdução a Grande Sertão: Veredas. Contexto, surgimento e recepção.
Linhas de abordagem do romance: história, poética e filosofia.

Aula 2.
1ª parte do romance: discussão e sínteses parciais.

Aula 3.
2ª parte do romance: discussão e sínteses parciais.

Aula 4.
3ª parte do romance: discussão e síntese parcial.

Debate final.
Carga horária 10h
2as e 5as – 14h às 16h30
De 06 a 16/02/2023
80 vagas
Avaliação:
Frequência mínima: 75%
Entrega de atividade escrita.

Bibliografia
Obra literária:
ROSA, J. G. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956.
Obras críticas (apoio):
ANDRADE, V. L. “Conceituação de jagunço e jagunçagem em Grande Sertão: Veredas.” In COUTINHO, E. F. Guimarães Rosa. Coleção Fortuna crítica. V. 6. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983. 491-499.
ATRAVESSAR o Grande Sertão. Curso com José Miguel Wisnik. São Paulo: Atelier Paulista, 2022. Color. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=dV3ZDLYSnvY. Acesso em: 18 nov. 2022. (vídeo)
BOLLE, W. grandesertão.br: o romance de formação. São Paulo: Duas cidades; Ed. 34, 2004.
_. O sertão como forma de pensamento. Scripta, 2(3), 259-271. Belo Horizonte, PUCMinas, 1998.
CAMPOS, A. de. “Um lance de ‘Dês’ do Grande Sertão”. In COUTINHO, E. F. Guimarães Rosa. Coleção Fortuna crítica. V. 6. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983. P. 321-349.
CANDIDO, A. “O homem dos avessos”. In IDEM. Tese e antítese. São Paulo: Ouro sobre Azul, 2017.
GALVÃO, W. N. “O certo no incerto: o pactário”. In COUTINHO, E. F. Guimarães Rosa. Coleção Fortuna crítica. V. 6. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983. 408-421.
GARBUGLIO, J. C. O mundo movente de Guimarães Rosa. São Paulo, Ática, 1972.
HANSEN, João Adolfo. A imaginação do paradoxo. In: Floema. Ano II, n. 3, p. 103-108, jan./jun. 2006, pp. 103-8.
_. O O: a ficção da literatura em Grande sertão: veredas. São Paulo: Hedra, 2000.
LARA, C. de. Grande Sertão: Veredas – Processo de criação. Scripta, 2(3), 41-49. Belo Horizonte, PUCMinas, 1998.
LIMA, L. C. “O sertão e o mundo”. In IDEM. Por que literatura? Petrópolis: Vozes, 1966. 73-99.
LORENZ, Günter. “Diálogo com Guimarães Rosa”. In COUTINHO, E. F. Guimarães Rosa. Coleção Fortuna crítica. V. 6. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983. P. 62-97.
MARTINS, N. S. O Léxico de Guimarães Rosa. São Paulo: Edusp, 2021.
NUNES, B. A Rosa o que é de Rosa: literatura e filosofia em Guimarães Rosa. São Paulo: Bertrand Brasil, 2013.
_. O mito em Grande Sertão: Veredas. Scripta, 2(3), 33-40. Belo Horizonte, PUCMinas, 1998.
PRADO JÚNIOR, Bento. O destino cifrado: linguagem e existência em Guimarães Rosa: alguns ensaios, São Paulo: Max Limonade, 1985.
RÓNAI, P. Rosa & Rónai: O universo de Guimarães por Paulo Rónai, seu maior decifrador. Org. Martins, Ana C. et alii. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020.
RONCARI, L. Lutas e auroras: os avessos do Grande Sertão: Veredas. São Paulo: Editora UNESP, 2018.
ROSENBAUM, Y.. A Batalha Final: Riobaldo na encruzilhada dos Fantasmas. Literatura e Sociedade (USP), v. 1, p. 137-147, 2008.
SCHWARZ, R. “Grande sertão: a fala”. In IDEM. A sereia e o desconfiado. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965.
STARLING, H. M. M. (1998). O sentido do moderno no Brasil de João Guimarães Rosa - veredas de politica e ficção. Scripta, 2(3), 138-146. Belo Horizonte, PUCMinas, 1998.
UTÉZA, F. JGR: metafísica do Grande Sertão. São Paulo: EdUSP, 2016.
_. Realismo e transcendência: o mapa das minas do grande sertão. Scripta, 2(3), 127-137. Belo Horizonte, PUCMinas, 1998.

Programa

Aula 1 (20/02/2024) – Introdução ao Tratado da Emenda do Intelecto:
1. Apresentação da filosofia de Espinosa e de suas obras;
2. Apresentação do Tratado da Emenda do Intelecto;
3. Publicação e estabelecimento do texto;
4. Datação;
5. Inacabamento;
5. Objetivo da obra;
6. Estrutura.

Aula 2 (22/02/2024) – Explicação da resolução de buscar um bem verdadeiro e exposição da primeira etapa dessa resolução:
1. O recurso à experiência;
2. Os requisitos de um bem verdadeiro;
3. O estatuto de resolução;
4. A primeira etapa: a renúncia de um bem certo por um bem incerto.

Aula 3 (27/02/2024) – Explicação das reviravoltas do processo de resolução
1. A segunda etapa: a renúncia de um bem incerto por sua natureza por um bem certo por sua natureza, mas incerto por sua obtenção;
2. A terceira etapa: a renúncia de um mal certo por um bem certo.

Aula 4 (29/02/2024) – Conclusão da processo de resolução e discussão de duas interpretações
1. A conciliação de bens incertos com a busca por um bem verdadeiro;
2. O relato de conversão;
3. A medicina da mente.

BIBLIOGRAFIA

I. Bibliografia primária – traduções da obra de Espinosa para a língua portuguesa
______. (1973). Tratado da Correção do Intelecto. Tradução e notas de Carlos Lopes de Matos. Coleção Os Pensadores, contendo também Pensamentos Metafísicos, Ética, Tratado Político e Correspondência. São Paulo: Abril Cultural.
______. (1987). Tratado da Reforma do Entendimento. Introdução e notas de A. Koyré. Tradução da edição francesa por Abílio Queirós. Lisboa: Edições 70.
______. (2004). Tratado da Reforma da Inteligência. Tradução, introdução e notas de Lívio Teixeira. São Paulo: Martins Fontes.
______. (2014). Tratado da Correção do Intelecto. Obra Completa I. Tradução de J. Guinsburg e Newton da Cunha. Organização de Roberto Romano. São Paulo: Editora Perspectiva.
______. (2015). Tratado da Emenda do Intelecto. Edição em latim e em português. Tradução de Cristiano Novaes de Rezende. Campinas: Editora UNICAMP
______. (2023). Tratado da Emenda do Intelecto. Contendo também a Correspondência completa entre Espinosa, Tschirnhaus e Schuller e outras cartas conexas; A medicina da mente por E. W. von Tschirnhaus. Tradução de Samuel Thimounier. Prefácio, tradução, introdução e posfácio de Cristiano Novaes de Rezende. Revisão técnica de Luís César Oliva. Belo Horizonte: Autêntica Editora.

II. Bibliografia secundária – obras de introdução à filosofia de Espinosa
BARTUSCHAT, Wolfgang. (2010) Espinosa. Introdução. Porto Alegre: Editora Artmed.
CHAUI, Marilena. (1995). Espinosa, uma filosofia da liberdade. São Paulo: Editora Moderna
DELBOS, Victor. (2002). O espinosismo. São Paulo: Discurso Editorial.
DELEUZE, Gilles. (2002). Espinosa, filosofia prática. São Paulo: Editora Escuta.
RAMOND, Charles. (2010) Vocabulário de Espinosa. São Paulo, WMF Martins Fontes.
SCALA, André. (2003). Espinosa. São Paulo, Estação Liberdade.
TEIXEIRA, Lívio (2001). A doutrina dos modos de percepção e o conceito de abstração na filosofia de Espinosa. São Paulo: Editora Unesp.

Programa

Aula 1. 07/02/2025 – Boas-vindas: Ser ou Estar professor de espanhol

Aula 2. 10/02/2025 – Cartazes da Guerra Civil Espanhola - Leitura de Imagens e Cultura Visual

Aula 3. 12/02/2025 – Multiletramentos e Leitura de Imagens

Aula 4. 14/02/2025 – Aprendizagem com base em projetos e tecnologias

Aula 5. 17/02/2025 – Ensino de Espanhol para a Proficiência de Surdos

Aula 6. 19/02/2025 – Encerramento: Integração de Práticas e Reflexões no Ensino de Espanhol

Referências

CALVO, Alfredo Hernando. Viagem à escola do século XXI: assim trabalham os colégios mais inovadores do mundo. São Paulo: Fundação Telefônica Vivo, 2016. Disponível em: http://fundacaotelefonica.org.br/wp-content/uploads/pdfs/04-11-16-viage… Acessado em setembro de 2024.
DONDIS, D. A. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
GOLDSTEIN, Ben. El uso de imágenes como recurso didáctico. 1. ed. Madrid: Cambridge University Press, 2013.
GESSER, Audrei. Libras? Que língua é essa? Crenças e preconceitos em torno da língua de sinais e da realidade surda. São Paulo: Parábola, 2009. Disponível em: https://pdfcoffee.com/livro-libras-que-lingua-e-essa-pdf-free.html
HERNÁNDEZ, Fernando. ¿De qué hablamos cuando hablamos de Cultura Visual?. Educação & Realidade, [S. l.], v. 30, n. 2, 2010. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/12413. Acesso em: 6 maio. 2024
HERNÁNDEZ, Fernando. Catadores da Cultura Visual. Proposta para uma nova narrativa educacional. Porto Alegre: Mediação, 2007.
HERNÁNDEZ, Fernando. La cultura visual en los procesos de documentación sobre cómo los jóvenes aprenden dentro y fuera de la escuela secundaria - DOI 10.5216/vis.v11i2.30686. Visualidades, Goiânia, v. 11, n. 2, 2014. DOI: 10.5216/vis.v11i2.30686. Disponível em: https://revistas.ufg.br/VISUAL/article/view/30686. Acesso em: 6 maio. 2024.
JOLY, M. Introdução à análise da imagem. São Paulo: Papirus, 1996.
KALANTZIS, M.; COPE, B.; PINHEIRO, P. Letramentos. Campinas: Editora da Unicamp, 2020.
MASSONE, M. I. Gramática y Léxico de la Lengua de Señas Argentina. Tesis doctoral. Universidad de Buenos Aires. 1996. Disponível em: http://repositorio.filo.uba.ar/handle/filodigital/1544
MAYRINK, Mônica, F., O; ALBUQUERQUE-COSTA, H. Ressignificando como tecnologia para a aprendizagem e o conhecimento (TAC) e para o empoderamento e participação (TEP). In: ROCHA, N.; RODRIGUES, A.; CAVALARI, S. (Org.). Novas práticas em pesquisa sobre a linguagem: rompendo fronteiras. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2018.
MIRZOEFF, Nicholas. Una introducción a la cultura visual. Londres: Paidós, 2003.
MOLES, Abraham Antoine. O cartaz. São Paulo: Editora Perspectiva, 1974.
ROCHA, R. Estratégias de escrita por alunos surdos no contexto de ensino: aprendizagem de espanhol como L3. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Programa de Pós-graduação em Linguística, Florianópolis, 2014. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/132437
SAMAIN, Etienne (org). Como pensam as imagens. Campinas, SP: Ed. da Unicamp, 2012. 239 p.
SANTAELLA, Lucia. Leitura de imagens. 1. ed. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2012.
SANTAELLA, Lucia. Semiótica aplicada. 1. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2016.
SBARAI, Tiago Rodrigues. Turismo Sp: competências e recursos tecnológicos no desenvolvimento de um projeto de língua espanhola no Ensino Fundamental. Dissertação de mestrado. Programa de Pós-graduação em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americanas da USP. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8145/tde-21092020-202844/p… Acessado em abril de 2024.
ROJO, R.; MOURA, E. (Orgs.) Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola, 2012.
ROJO, R.; MOURA, E. Letramentos Mídias Linguagens. 1º ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2019.

Programa

PROGRAMA

1. O estudo da variação linguística
2. A variação espacial: dialectología e geografia linguística.
3. A variação dialetal em galego
3.1. História da dialectologia galega
3.2. Fontes para o estudo da variação dialetal en galego
3.3. As variações dialectais do galego
3.3.1. A variação dialetal do galego no panorama românico e ibérico
3.3.2. Caracterização das variedades dialectais galegas: níveis linguísticos e variação
3.3.3. Propostas de clasificación das variedades dialectais
4. Variação e mudança linguística


Bibliografia galega

2003. Normas ortográficas e morfolóxicas do idioma galego. Real Academia Galega.
Álvarez, Rosario & Xulio Sousa. 2017. A investigación sobre a variación lingüística do galego: desde o ALGa ata a actualidade. Labor Histórico 3(1), 63-75. PDF.
Fernández Rei, Francisco. 1990. Dialectoloxía da lingua galega. Vigo: Xerais.
Freixeiro Mato, Xosé Ramón. 2013. Estilística da lingua galega. Xerais.
López Viñas, Xoán; Lourenço Módia, Cilha; Moreda Leirado, Marisa. 2011. Gramática práctica da lingua galega. Baía Edicións.
Santamarina, Anton. 1982. Dialectoloxía galega: historia e resultados. En R. Lorenzo & D. Kremer (eds.): Tradición, actualidade e futuro do galego. Actas do coloquio de Tréveris, 153-187. Santiago: Xunta de Galicia.
Sousa, Xulio. 2016. A xeolingüística e o estudo da historia da linguas. En A. Rodríguez Guerra (ed.), Lingüística histórica e dialectoloxía: coordenadas do cambio lingüístico. 35-52. Vigo: Servizo de Publicacións da Universidade de Vigo. PDF.
Sousa, Xulio. En prensa. Dialectal variation. En Xulio Sousa & Ernesto González Seoane (eds.), Manual of Galician Linguistics. Berlin: de Gruyter.
Valcárcel Riveiro, Carlos. 2011. Lingua e territorio en Galicia. En María J. Piñeira Mantiñán/José M. Santos Solla (eds.), Xeografía de Galicia. Vigo, Xerais, 33–64.
Zamora Vicente, Alonso. 1986. Dialectología española. Madrid: Gredos.

Em linha
Atlas Lingüístico Galego, Instituto da Lingua Galega https://ilg.usc.gal/es/proxectos/atlas-linguistico-gallego-alga Universidade de Santiago de Compostela

Programa



Parte I

Aula I: “Quando a beleza se torna ofensiva”: Arte política segundo Arthur Danto.
1. Ativismo estético: Rodney King e a ferida aberta da América em curadorias de vanguarda; Paul MacCarthy, Barbara Krueger, Adrian Piper; Sue Willians, Cindy Shermann. Contrapontos possíveis na arte brasileira.
2. Dada, neovanguarda, arte abjeta e implicação moral; O estigma da ‘estética’ e a inversão radical do gosto (do belo ao repulsivo).
3. Reação crítica ao formalismo modernista de Greenberg e arte antiestética em Danto e Hal Foster.
4. Abrangência do Conceito e “transfiguração do lugar-comum”.

Aula II: “De um interlúdio estético a uma aventura moral”
5. Philip Guston como metonímia da reconfiguração política da estética. (livros:“O Abuso da Beleza”,
“Unnatural Wonders: Essays from the Gap Between Art and Life”).
6. Pluralismo ontológico: as incontáveis figurações do embodiment.
7. A maior das insurreições: a aura do ‘Comum’: Fluxus, Warhol, Rauchemberg e Sarah Sze
8. Nas franjas da representação: Arte disturbacional e alteridade radical.

Sinopse parte I: Danto reporta a ‘arte abjeta’ ao Dada fazendo do desprezo à beleza o sintoma de uma recusa moral. Na brecha de uma bienal que expõe o racismo estrutural com um vídeo amador (“Rodney King”, Whitney Biennial,1991), artistas denunciam a desfiguração étnica, a tirania do gênero, a ideologia midiática, designando à arte uma função incompatível com o ‘deleite estético’. Nesse recorte, analisa políticas da arte, ativismo estético, neovanguarda e arte ‘intratável’ como efeitos da rejeição do gosto. Uma radicalidade que conferiu visibilidade ao drama ‘ordinário’, à sujeição dos ‘corpos’ sem rosto. Mas em que medida o ‘estigma’ do gosto evidente nessa arte, torna qualquer estética irrelevante? Ou, pelo contrário, a heterogeneidade do sensível é condição sob a qual “identidades” e semioses da arte se diversificam? Se toda arte é ‘artefato semântico’, produto de uma ‘transfiguração’ interpretativa, também modos de apresentação do sentido são constitutivos. Pela mesma razão, essas
‘insurreições’ ativam dimensões afectivas e fenológicas do sentido. Danto vai produzir uma torção interna e ampliar repertório da estética como pragmática, de modo a abranger produções recentes como as instalações in situ de Sarah Sze, performances de Marina Abramovic (além de R. Motherwell e Maya Linn).

Parte II

Aula III: A estética ‘igualitária’ das “cenas” e o teatro da ‘vida comum’ em Rancière
9. A ‘cena estética’ como “máquina ótica” e constelação dissensual.
A estética como categoria do dissenso; Ruptura com senso comum em outra relação entre o sentido e os sentidos, entre o modo de apresentação sensível e o modo de interpretação em funções diversas da imagem.
10. Nota sobre a noção de “constelação” em Walter Benjamin.
11. Cena 1: O torso Belvedere: a ‘revolução silenciosa’ de Wilkelmann; a ‘obra mutilada’ desprovida de designação, referente, figura ou narrativa permite que se torne “propriedade de um povo, expressão de sua ‘forma de vida’”.
12. Cena 2: Os Mendigos de Sevilha de Bartolomé Esteban Murillo na crítica de Hegel, o sentido político do gozo sensível como qualidade estética igualitária; Experiencia do ócio e a invenção ‘moderna’; ética e fetiche do trabalho no capitalismo; ócio como espaço de criação. A arte como o “novo ambiente igualitário”; Os mendigos de Murillo transfigurados em “pequenos deuses da rua”.
13. Para além da “montagem cinemática”: a ‘cena’ como trama interpretativa do “tecido sensível” e a ‘potência nua’ do grão da imagem pictórica.
14. Cena 3: A poesia do novo mundo e a mística do prosaico em Ralph Aldo Emerson; Nova poesia como programa do novo mundo; A ‘materialidade’ ordinária do mundo do trabalho e do cotidiano numa nova subjetividade; Idealismo e materialismo numa poesia antinômica.
15. Cena 4: “O poeta do novo mundo”: Walt Whitman, as Folhas da Relva; “A lógica vulgar das misturas”, “A prosa do mundo” e o fascínio da jovem américa; Cumplicidade de simbolismo e unanimismo.
16. Contra história das “cenas estéticas” e rasuramento do “espetáculo” (Guy Debord): o poder de negatividade e alteridade da imagem

Aula IV: A suspensão de hierarquias representativas e sociais:
17. Cena 5: Stendhal, O vermelho e o negro, o devaneio como colapso da lógica representativa e suspensão das hierarquias poéticas e sociais
18. O senso comum e as relações entre as faculdades em Kant e Schiller. Uma outra divisão do sensível: O ‘espaço da estética’ na Critica do Juizo de Kant Outra relação entre sensibilidade-entendimento que não a do conhecimento; Prazer estético contemplativo e jogo livre das faculdades; Relação conjuntiva e disjuntiva. Sensus Comunnis e ‘reconciliação entre princípios e classes’.
19. “Sem medida comum”: A frase-imagem, a grande parataxe (o desmoronamento de todos os sistemas de razão) e a nova potência sensorial da imagem

Conclusão: Reconfiguração estética em Rancière e Danto: a imagem espessa da arte
20. Duas estratégias que promovem o prosaico, o ‘lugar-comum’ da experiencia e coisas ordinárias para redefinir a arte face a “prosa do mundo”.
21. Desafio à forma: a ambiguidade da “frase-imagem” e as inflexões do “embodied meaning”continuamente borrando limites.
22. Ampliação e polifonia da crítica: Os incontáveis modos de relação entre dizer e mostrar como diversas funções da imagem.

Sinopse Parte II: Em contraponto, Rancière relê sua ‘partilha do sensível’ no dispositivo da “cena estética” (Aisthesis, 2012) como “máquina ótica” que verte redes de significados em outras texturas imagéticas. Articula na trama interpretativa das ‘cenas’ uma contra-História encadeada em episódios catalisadores. O Torso Belvedere na leitura de Winckelmann; Os Mendigos de Sevilha de Murillo, em Hegel; O vermelho e o negro, de Stendhal; O poeta, de Emerson; As Folhas da Relva de Walt Whitman;
Loïe Fuller e a Serpentine dance, preconizando a forma abstrata. O exame desses ensaios críticos vai demonstrar que o resgate da estética supõe reconfigurar seus termos no cenário polifônico da modernidade. Esses deslocamentos substantivos da imagética, em ambos os autores, torna-se possível pela revisão profunda dos termos da estética, reconfigurando o inteiro regime da arte.

Bibliografia:
AGAMBEM, Giorgio. Gosto. Editora Autêntica, 2017.
BENJAMIN, W. o Conceito de História: Edição crítica. Alameda Editorial, 2020.
DANTO, A. C. Andy Warhol. New Haven: Yale UP, 2009.
DANTO, A. C. DANTO, A. C. After the End of Art: Contemporary Art and the Pale of History, 1997 (trad. Edusp-Odysseus,2006).
DANTO, A. C. The Abuse of Beauty: Aesthetics and the Concept of Art Chicago: Open Court, 2004. (trad. O Abuso da Beleza. São Paulo: Martins Fontes, 2015)
DANTO, A. C. The Transfiguration of the Commonplace. Harvard UP,1981. (Trad. A Transfiguração do Lugar Comum. São Paulo: CosacNaif, 2005)
DANTO, A. C. Unnatural Wonders. New york: Farrar, Strauss and Giroux, 2005
DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Ed. Contraponto, 1997.
FOSTER, Hal. O que vem depois da Farsa?
GREENBERG, Clement. Homemade Esthetics, Oxford: Oxford University Press, 1999. (Trad. Vera Pereira, Estética Doméstica, São Paulo: Cosac Naify, 2002).
HEGEL, G.W.F. Aesthetics. Lectures on Fine Arts, trans. T.M. Knox, 2 v. Oxford/Claredon Presss, 1975; Cursos de Estética, vol. 1,2. Trad Marco Aurélio Werle. São Paulo: Edusp, 2001.
RANCIÈRE, J. A partilha do sensível. 2ª ed. São Paulo: Editora 34, 2009.
RANCIÈRE, J. “A comunidade estética”. In: Revista Poiesis, Niterói, n. 17, 2011, pp. 169-187.
RANCIERE, J. Aisthesis: Scenes from the Aesthetic Regime of Art. New York: Verso, 2013 (trad. Dilson Ferreira da Cruz) Aisthesis: cenas do regime estético da arte. São Paulo: Editora 34, 2021. 
RANCIÉRE, J. The Future of the Images, London: Verso, 2007. (trad.) O Destino das Imagens. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.
SCHILLER, F. A educação estética do homem. São Paulo: Iluminuras, 1995.

Programa

Bibliografia - Curso de Grgo Moderno
ΚΛΙΚ στα ελληνικά – Klik sta ellinika
Publicado pelo Centro para a Língua Grega – do Ministério de Educação, o KLIK é o livro de curso grego
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a Certificação em grego moderno.

Data Conteudo da aula
02/08/23 Unidade 1 Vocabulário "caráter" p 22-29
09/08/23 Unidade 1 Gramática “substantivos” p 30-37
16/08/23 Unidade 1 Vocabulário "família” p 38-40
23/08/23 Unidade 1 Vocabulário "família" p 41-45
30/08/23 Unidade 1 Gramática “substantivos” p 46-51
06/09/23 Sem aula
13/09/23 Unidade 1 Conversação e escrita p 52-53
20/09/23 Unidade 1 Escrita p 54-55
27/09/23 Unidade 2 Vocabulário “casa” p 58-62
04/10/23 Unidade 2 Vocabulário "expressões e números" p 63-68
11/10/23 Unidade 2 Gramática “artigo definido e indefinido" p 69-75
18/10/23 Unidade 2 Vocabulário "expressões e casa” p 76-83
25/10/23 Unidade 2 Gramática “pronomes” p 84-88
01/11/23 Unidade 2 Conversação e escrita p 89-91
08/11/23 Unidade 2 Escrita p 92-94
15/11/23 Feriado Proclamação da República
22/11/23 Sem aula
29/11/23 Avaliação

Programa

O conceito de financeirização visa explicar a crescente influência e domínio das finanças sobre a economia, a sociedade e o espaço geográfico, e como as finanças determinam cada vez mais a ação de organizações públicas e privadas, assim como a vida cotidiana dos cidadãos. Embora seja definido de várias formas, o conceito é com frequencia utilizado para identificar as características centrais da atual fase do capitalismo. A literatura acadêmica aponta que o processo de financeirização tem suas raízes nas décadas de 1960 e 1970, com o aumento do poder de agentes financeiros como bancos comerciais, bancos de investimento e bolsas de valores. Concomitantemente, novos produtos e serviços financeiros foram sendo criados, fazendo emergir outros atores-chave no cenário financeiro global, como fundos financeiros (hedge, pensão, mútuo, soberanos), empresas de seguros, cartões de crédito, e mais recentemente as "fintechs". O capital financeiro foi elevado à posição de agente hegemônico no capitalismo contemporâneo, resultando em uma crescente exigência por maiores rentabilidades das empresas. Esse processo de financeirização tem portanto repercussões significativas, especialmente nas firmas imobiliárias e na produção do espaço urbano e agrícola.

A crise financeira global de 2008, originada pela securitização do crédito imobiliário nos Estados Unidos, evidenciou as consequências negativas da financeirização, e suas conexões com o setor imobiliário. A partir desse evento, houve um aumento significativo das pesquisas sobre o tema, inicialmente focadas em economias do centro do sistema-mundo, especialmente os Estados Unidos e Reino Unido. Em meados da década de 2010, começaram a se difundir estudos sobre a financeirização em países periféricos – como Brasil, China e Índia – e embora estes casos apresentem semelhanças com economias centrais, eles refletem as particularidades das realidades nacionais e dos contextos locais no processo de financeirização.

Pesquisas sobre o desenvolvimento desigual do sistema capitalista argumentam que economias periféricas tendem a assumir uma postura subordinada às centrais, para se adaptarem às dinâmicas do sistema financeiro global e buscar uma acumulação de capital mais eficaz. Esse fenômeno é definido como "financeirização subordinada", e estudos sobre o tema destacam a relação desses processos com a produção imobiliária, tanto em economias periféricas quanto centrais, mostrando também sua influência nas escalas nacional e local.

Neste nível local, a cidade de São Paulo representa uma síntese significativa dos problemas que surgem no contexto da financeirização da economia e do território. Após anos de baixa produção imobiliária até a primeira metade dos anos 2000, o centro da cidade passou a experimentar um novo dinamismo na produção habitacional. Diversos atores lançaram empreendimentos imobiliários de tipologia compacta, derivados de diferentes processos de capitalização, desde o crédito bancário até a participação de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) – inclundo aportes de fundos públicos. Essa diversidade revela a complexa organização de arranjos financeiros, que influenciam a produção habitacional, transformando a moradia em um ativo financeiro, no centro da maior cidade da América do Sul. Assim, compreender a densidade e a capilaridade dos instrumentos de financeirização nos permite refletir sobre seus impactos na requalificação urbana.

As relações entre os processos de financeirização e a produção imobiliária, portanto, são complexas. Um exemplo claro desta complexidade é a expansão de títulos de securitização de dívidas imobiliárias e a emissão pública de ações de empresas do setor imobiliário na bolsa de valores. Em escala nacional, destaca-se também a ascensão dos FIIs, que conectam investidores do mercado de capitais ao mercado de terras e imóveis. Esses fundos instrumentalizam a reprodução do espaço, capturando fluxos de renda em empreendimentos como edifícios corporativos, shoppings, indústrias e galpões logísticos. Os FIIs reforçam processos de homogeneização, fragmentação e hierarquização do território, operando por meio de formas jurídicas e institucionais que canalizam e alocam o capital conforme os critérios dos gestores dos Fundos. Os FIIs são uma adaptação brasileira dos Real Estate Investment Trusts (ou REITs), usados globalmente, refletindo a adoção das lógicas e métricas financeiras do sistema financeiro global e demonstrando as profundas transformações nas formas, estruturas e dinâmicas urbanas contemporâneas.

Esses elementos ilustram aspectos centrais do processo de financeirização, que convidam a uma releitura crítica deste fenômeno global, materializado de forma desigual e combinada nos territórios de países periféricos, como o Brasil, especialmente em suas áreas metropolitanas. O presente curso visa problematizar essas questões e apresentar ao público as principais abordagens teóricas e casos concretos que ajudam a entender a financeirização.


Bibliografia

Aalbers, M. B. Financial Geographies of Real Estate and the City. Financial Geography Working Paper Series 21; Working Paper Series; v.21, n. 1, 2019. https://www.fingeo.net/pt/financial-geographies-of-real-estate-and-the-…
Abreu, M. A.; Barcella, B. L. S.; Melazzo, E. S. Entre o financiamento e a financeirização do imobiliário. A articulação Estado-mercado na condução da política habitacional. Novos Estudos Cebrap Vol. 43, no. 1, 2024, p. 91-116.
ABECIP. História - Origem do SFH e SFI, São Paulo, ABECIP, disponível em https://www.abecip.org.br/credito-imobiliario/historia
Arrighi, G. . O Longo Século XX. Dinheiro, poder e as origens do nosso tempo. Rio de Janeiro: Contraponto;UNESP, 1994..
Bardet, F., Coulondre, A., Shimbo, L.. Financial natives: Real estate developers at work. Competition & Change v. 24, n. 3–4, p. 203–224, 2020, doi: 10.1177/1024529420920234
Braga, J. C. (1993). A financeirização da riqueza: a macroestrutura financeira e a nova dinâmica dos capitalismos centrais. Economia e Sociedade, v. 2, n. 1, p. 25–57, 2016.
Bonizzi, B., Kaltenbrunner, A., Powell, J. Subordinate financialization in emerging capitalist economies. The Routledge International Handbook of Financialization, p. 177–187, 2020.. https://doi.org/10.4324/9781315142876-15
Chesnais, F.. A finança mundializada, São Paulo: Boitempo, 2005.
Contel, F.B. Território e finanças. Técnicas, Normas e Topologias Bancárias no Brasil. São Paulo: Annablume, 2011.
Contel, F.B. The financialization of the Brazilian Territory. Cham (SUI): Springer, 2020.
Christophers, B. The limits to financialization. Dialogues in Human Geography, v. 5, n. 2, p. 183–200, 2015. doi:10.1177/2043820615588153
Cordeiro, H. K. A “Cidade Mundial” de São Paulo e a recente expansão do seu centro metropolitano. Revista Brasileira de Geografia, Vol. .54, n.3, 1992, p. 5-26.
Fernandez, R., Aalbers, M. B.. Housing Financialization in the Global South: In Search of a Comparative Framework. Housing Policy Debate, v. 30, n. 4, p. 680–701, 2020. https://doi.org/10.1080/10511482.2019.1681491
Harvey, D. Os Limites do Capital. São Paulo: Boitempo. 2015 [1982].
Kaltenbrunner, A., Painceira, J. P. Subordinated Financial Integration and Financialisation in Emerging Capitalist Economies: The Brazilian Experience. New Political Economy, v. 23, n. 3, p. 290–313, 2018. https://doi.org/10.1080/13563467.2017.1349089
José, B. K. A popularização do centro de São Paulo: um estudo de transformações ocorridas nos últimos 20 anos. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.
Kalinoski, R.; Procopiuck, M. Financeirização imobiliária em dois momentos: da produção à ocupação via proptechs. Cadernos Metrópole, v. 24, n. 53, p. 119-146, 2022, . http://dx.doi.org/10.1590/2236-9996.2022-5305
Klink, J.; Souza, M. B. Financeirização: conceitos, experiências e a relevância para o campo do planejamento urbano brasileiro. Cadernos Metrópole v. 19, n. 39, 2017, p. 379-406. http://dx.doi.org/10.1590/2236-9996.2017-3902
Krippner, G. The financialization of the American economy. Socio-economic Review, v. 3, p. 173-208, 2005.
Lapavitsas, C. Theorizing financialization. Work Employment Society, v. 25, n. 4, p. 611–626, 2011.
Lavinas, L.; Martins, N.M.; Gonçalves, G.L. e Waeyenberge, E. V. (orgs). Financeirização. Crise, estagnação e desigualdade. São Paulo: Ed. Contracorrente. 2024.
Lai, K.; Pan, F.; Sokol, M.; Wójcik, D. New financial geographies of Asia. Regional Studies, v. 54, n. 2, p. 143–148, 2020. https://doi.org/10.1080/00343404.2019.1689549
Montenegro, M. Da financeirização ao lugar: dos nexos hegemônicos às contra-racionalidades do cotidiano. GEOgraphia, Vol. 19, No 40, 2017, p. 92-106.
Pereira, P. C. X.; Shimbo, L.. Os instrumentos de capitalização na produção do espaço. In Rufino, B.; Borges, I.; Nakama, V. (orgs) Financeirização e metropolização do espaço: imobiliário e infraestruturas sob domínio de grandes grupos econômicos.. Rio de Janeiro: Letra capital, 2023, p. 262-276.
Sanfelici, D.; Halbert, L. Financial market actors as urban policy-makers: the case of real estate investment trusts in Brazil. Urban Geography, v. 40, n. 1, p. 83-103, 2019. https://doi.org/10.1080/02723638.2018.1500246
Sanfelici, D., Magnani, M. Pension fund investment in commercial real estate: a qualitative analysis of decision-making and investment practices in Brazil. Area Development and Policy, v. 7, n. 1, p. 62–81, 2022. https://doi.org/10.1080/23792949.2021.1943472
Santoro, P. F.; Ungaretti, D.. “Os fundos de investimento imobiliário públicos: submissão da terra pública às lógicas imobiliário-financeiras?”. Ungaretti, D. et al. (org.). Propriedades em transformação 2: expandindo a agenda de pesquisa São Paulo: Blucher, 2021, p. 255-280, Seções 1 e 2 (p. 255-264).
Santos, M.; Silveira, M. L. Brasil. Sociedade e território no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.
Santos, M. A Natureza do Espaço. Técnica e Tempo, Razão e Emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.
Santos, M. Por uma outra globalização. Do Pensamento Único à Consciência Universal. Rio de Janeiro: Record, 2000.
Swyngedouw, E.; Ward, C. “Land as an asset”. In Hyötyläinen, M.; Beauregard, R. . The Political Economy of Land. Oxon; Nova York: Routledge, 2022. p. 40-55.
Van Loon, J.; Aalbers, M. B. How Real Estate became ‘Just Another Asset Class’: The Financialization of the Investment Strategies of Dutch Institutional Investors. European Planning Studies v. 25, n. 2, p.221-240.
Wójcik. D. O Fim do capitalismo dos bancos de investimento? Uma geografia econômica do emprego e do poder financeiro. Geousp – Espaço e Tempo (Online), v. 21, n. 2, 2017, p. 341-369.


Metodologia do Curso e Avaliação
O curso será realizado de forma online, utilizando a plataforma Google Meet para a condução das aulas. A metodologia adotada visa proporcionar uma experiência de aprendizado interativa e prática, com as seguintes atividades programadas:
Aulas expositivas e dialogadas: Serão ministradas 4 aulas, cada uma com cerca de 2h30 horas aula expositiva do docente, abordando os principais temas relacionados à financeirização e produção do espaço urbano no Brasil;
Debates sobre textos de leitura obrigatória: Em cada aula, serão discutidos dois textos de leitura obrigatória, fornecidos previamente aos alunos. Os debates têm como objetivo aprofundar a compreensão dos tópicos abordados e promover a interação entre os participantes;
Exercícios de avaliação: Ao final de cada aula expositiva, será realizado um exercício de avaliação composto por 10 testes. Os testes serão realizados pelos alunos e corrigidos ao final da aula, permitindo um debate sobre o desempenho da classe e esclarecimento de dúvidas. Esta atividade de avaliação deve durar em torno de 1 hora.

A avaliação dos participantes será composta por dois critérios:
Participação nos debates em aula: a participação ativa nos debates propostos ao longo das aulas será considerada na avaliação dos alunos. Considera-se fundamental a participação dos inscritos a partir dos argumentos e materiais trabalhados nas aulas;
Desempenho nos testes aplicados: ao final de cada aula expositiva, será realizado um exercício de avaliação composto por um questionário com 10 testes. O desempenho dos alunos nesses testes será avaliado e contribuirá para a nota final do curso.

A nota final será calculada a partir da ponderação desses dois critérios, refletindo tanto o engajamento dos alunos nas atividades propostas quanto seu domínio na apropriação dos conteúdos apresentados.
 

Programa

Aula 1 (06/08/2025): Fundamentos teóricos da circulação e da logística no espaço geográfico
1) Sistemas de transporte como elementos estruturantes da organização espacial e da integração territorial;
2) Conceitos de logística e sua articulação com cadeias produtivas, redes urbanas e fluxos econômicos;
3) Conceito de fluidez territorial, relacionando-o à eficiência da circulação de mercadorias, pessoas, capitais e informações.

Aula 2 (07/08/2025): Sistemas de transporte e diferenciação espacial
1) Fatores que compõem a competitividade territorial, considerando as infraestruturas de transportes e os diferenciais espaciais;
2) As inter-relações entre transportes, logística e desenvolvimento econômico, com ênfase nos impactos territoriais da modernização e da seletividade espacial;
3) Estudos de caso empíricos, analisando territórios específicos e seus desafios logísticos e circulatórios, no Brasil

Metodologia:
O curso será desenvolvido em dois encontros, totalizando 8 horas-aula, organizados em torno de eixos temáticos que articulam fundamentos teóricos, análise crítica e estudos de caso. A metodologia adotada combina exposições dialogadas, discussão de textos selecionados e análise de experiências empíricas no contexto brasileiro. Abaixo, a estrutura didática proposta:
Aulas expositivas com apoio de slides e mapas temáticos;
Leitura e discussão orientada de textos acadêmicos;
Análise de dados espaciais e indicadores logísticos;
Debate com os participantes a partir de experiências profissionais e/ou regionais.


Bibliografia Sugerida:
SILVEIRA, Márcio R. Fluidez, transporte e logística como elementos fundamentais da competitividade territorial. Dossiê Transportes, Circulação e Logística: escalas e temas. Textos para Discussão do GEDRI/LABCIT, v. 6, n. 1, 2025, p. 16-39. Disponível em: https://labcit.ufsc.br/td-v6-n1/.
SILVEIRA, Márcio R. A competitividade territorial: alguns elementos para discussão. Revista Entre-Lugar, v. 11, n. 21, p. 45-74. Disponível em: https://ojs.ufgd.edu.br/entre-lugar/article/view/12048/5728.
GOULART FILHO, Alcides; GÓMEZ, Teresita; MATEO, José A. (Orgs.). Transportes e serviços: Argentina, Brasil e México. Criciúma: Ediunesc/Entre Ríos: EDUNER, 2024. Disponível em: http://repositorio.unesc.net/handle/1/11333.
SPOSITO, Eliseu S. (Org.). O novo mapa da indústria no início do século XXI: diferentes paradigmas para leitura das dinâmicas territoriais do Estado de São Paulo. São Paulo: Editora UNESP, 2015. Disponível em: https://editoraunesp.com.br/catalogo/9788568334669%2Co-novo-mapa-da-ind….

Links para leituras auxiliares:
1) Site do Laboratório de Estudos em Circulação, Transportes e Logística (LABCIT/GEDRI/UFSC). Nele há uma série de textos, livros, informações e indicações de leituras. Disponível em: https://labcit.ufsc.br/.
2) Site do Grupo de Estudo em Desenvolvimento Regional e Infraestruturas (GEDRI). Nele há livros, capítulos de livros, teses, dissertações e artigos produzidos com os temas de “circulação, transportes e logística”. Disponível em: https://ufsc.academia.edu/GEDRIiGrupodeEstudosemDesenvolvimentoRegional.