Programa

Objetivos:
Apresentar e discutir a obra de dois importantes escritores da literatura, o irlandês Samuel Beckett (1906-1989) e o sul-africano J. M. Coetzee (1940- ), a partir do estudo de mecanismos de duplicação e espelhamento.

O curso pretende assim fornecer alguns referenciais para a compreensão desses recursos formais e, principalmente, uma introdução à leitura desses dois autores que, em suas obras, formalizaram questões metalinguísticas e críticas centrais no debate sobre a produção literária na contemporaneidade.

Justificativa:

Dispositivos duplicativos são vastamente empregados na literatura. O Doppelgänger, ou duplicação de um personagem, talvez seja o mais conhecido. A Comédia dos Erros, de Shakespeare, O Médico e o Mostro, de Stevenson, O Duplo, de Dostoiévski, são exemplos conhecidos.

Ocorre, contudo, que a duplicação pode dar-se em outros estratos de uma obra. Assim, o próprio autor pode estar espelhado em algum personagem; ou a própria obra pode estar miniaturizada nela mesma, geralmente de modo cifrado e significativo; ou ainda, o leitor ou espectador (no caso da literatura dramática) pode ver-se transportado para dentro do texto ou do palco, de onde se estranha e incomodamente pode se observar.

Mecanismos de duplicação, de espelhamento e abismais (myse en abyme) são poderosos recursos reflexivos. Ao provocar estranhamento, provocam pensamento e comparecem geralmente associados a obras e autores com preocupações metalinguísticas e críticas.

Samuel Beckett se vale de duplicações de todo tipo; sua obra tem forte apelo metalinguístico. Se por um lado alcança criar uma forma nova de estranhamento e dar a sua versão do Verfremdugseffekt - pensado pelo estruturalismo russo, teorizado e praticado por Brecht -, também as emprega como armadilhas de abdução do leitor, por meio de algo que se pode chamar de efeito de imersão. Neste caso, pratica uma literatura menos alicerçada na expressão do que na performance, transformando a fruição da obra em experiência para o leitor ou espectador.

J.M. Coetzee, um leitor e estudioso da obra beckettiana, também lança mão do dispositivo do duplo e do recurso do espelhamento, especialmente em sua obra mais madura. Na ficção australiana coetzeeana, o recurso do duplo desestabiliza as noções de autor, personagem e narrador, enquanto o espelhamento possibilita a dramatização do processo criativo. Já na trilogia de ficção autobiográfica, Coetzee se duplica em um “ele” impessoal, buscando problematizar a escrita de si e borrar os limites entre ficção e não ficção. Nessas obras, o escritor cria um pacto ambíguo com o leitor, levando à reflexão acerca da validade da ficção no mundo contemporâneo.

Conhecer a literatura em sua construção por espelhamento, duplicação ou abismo é entender não apenas uma estrutura afeita à reflexão como conhecimento, mas é também adquirir instrumento crítico para fruir obras literárias de modo mais abrangente e novo.

Conteúdos por aula:

Aula 1

Introdução à obra de Beckett e Coetzee

Introdução a Beckett e sua obra: quem foi e qual a importância.
I. A prosa de Samuel Beckett: novelas, romances e textos curtos.
II. A dramaturgia de Samuel Beckett: peças teatrais, radiofônicas e televisivas.
III.Entre a metalinguagem e a fenomenologia da imaginação.

Introdução a J.M. Coetzee e sua obra: quem foi e qual sua importância.
I.Os romances de Coetzee: fases sul-africana, australiana e autobiográfica.
II. Os ensaios de Coetzee: leitor de Beckett e do cânone ocidental.

Aula 2

Duplas e duplicação em Beckett

Comentário do romance Molloy: duplicação de personagem e enredo
Comentário da peça teatral Esperando Godot: duplicação da platéia
Comentário da peça teatral A Última Gravação de Krapp: implicações filosóficas dos mecanismos duplicativos

Aula 3

Mise en Abyme em Beckett

Comentário da obra Improviso de Ohio: recurso abismal e efeito de imersão
Comentário da obra Companhia: multiplicação de vozes narrativas
Comentário da obra televisiva Nacht und Träume: a duplicação como ética autoral e seu efeito sobre o público

Aula 4

Duplos e espelhamento em Coetzee
Comentário do romance Elizabeth Costello: duplo do autor e dramatização da voz autoral.
Comentário do romance Homem Lento: duplicação do narrador e problematização da construção da personagem
Comentário do romance Diário de um ano ruim: contaminações, espelhamentos e dialogismo.

Aula 5

A duplicação do eu em Coetzee
Comentário do romance Infância: implicações do ele como duplo do eu.
Comentário do romance Verão: multiplicação dos Coetzees e o coro de vozes.

Considerações finais sobre o curso

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bibliografia primária:

I. Obras de BECKETT, Samuel

Companhia e outros textos. São Paulo: Globo, 2012.
Esperando Godot. São Paulo: Cosac&Naify, 2005.
Molloy, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.
Nacht und Träume: Disponível em: . Acesso em: 2 jun. 2020.
The Complete Dramatica Work. London: Farber and Farber, 1990.

II. Obras de COETZEE, J.M.

Diário de um ano ruim. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
Elizabeth Costello. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
Homem lento. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
Infância: Cenas da vida na província. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
Verão: Cenas da vida na província. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

III. Bibliografia Crítica

ANDRADE, Fábio de Souza. Samuel Beckett: o silêncio possível. São Paulo: Ateliê, 2001.
CRUZ, Talita Mochiute. A ficção australiana de J. M. Coetzee: o romance autorreflexivo contemporâneo. 2015. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária e Literatura Comparada) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. doi:10.11606/D.8.2015.tde-10092015-160114. Acesso em: 2 jun. 2020.
CRUZ, Talita Mochiute. Coetzee lendo Beckett. EUTOMIA, v. 1, p. 92, 2018. doi:
https://doi.org/10.19134/eutomia-v1i20p92-99. Acesso em: 2 jun. 2020.
GONÇALVES, Lívia Bueloni. Em busca de Companhia. São Paulo: Humanitas, 2018.
ROSENFIELD, K.H.; PEREIRA, L. F. (Orgs.) Lendo Coetzee. Santa Maria: Editora UFSM, 2015. [E-book]
VASCONCELLOS, Cláudia Maria de; Samuel Beckett e seus duplos - espelhos, abismos e outras vertigens literárias. São Paulo: Iluminura, 2017.
________________. Teatro Inferno: Samuel Beckett. São Paulo: Terracota, 2012.

Programa

LEMBRETE IMPORTANTE:
O curso é gratuito, mas pedimos atenção aos requisitos que devem ser considerados no momento da efetivação da inscrição. Não a faça se não puder participar de 75% dos encontros (sábados, das 10h30 às 12h30). Embora o curso seja remoto, a presença é obrigatória. Não abriremos nenhuma exceção a essa regra.

Encontro 1 – 17 de setembro
Experiência e subjetividade negra em “Contos Crespos”, de Cuti
A leitura das narrativas elencadas do livro Contos crespos, de Cuti, pretende apontar para tensões cotidianas das nossas relações raciais, e, a partir de uma perspectiva negra, apontar para o autoengano
da democracia racial.
Ministrante: Emily Cristina dos Ouros
 
Encontro 2 – 1 de outubro
Poesia como “abrigo e matilha”: Um buraco com meu nome, de Jarid Arraes
Propomos a leitura de poemas selecionados do livro Um buraco com meu nome, de Jarid Arraes. Enfocaremos a construção das temáticas do livro, os recursos estilísticos mobilizados e a enunciação
de um eu-lírico negro. 
Ministrante: Nara Lasevicius Carreira

Encontro 3 – 22 de outubro
Fronteira: espaço para efabulação em Cronicando, de Mia Couto. 
Orientadas pela leitura de crônicas escolhidas do livro Cronicando, de Mia Couto,  convidamos para uma conversa acerca da realidade social, política e cultural moçambicana e suas relações com o Brasil.  
Ministrante: Maria Paula de Jesus Correia
 
Encontro 4 – 05  de novembro
Contexto angolano na costura de vozes das poesias de Ana Paula Tavares. 
A partir da leitura de poemas selecionados, serão ressaltados elementos que convidam a refletir sobre o contexto complexo que atravessa a experiência das mulheres reveladas na particular composição
literária da autora angolana. 
Ministrante: Rosana Bau Rabello
 
Encontro 5 – 26 de novembro 
Memórias em conflito no romance Essa dama bate bué!
Tendo como ponto de partida a leitura do romance da escritora afro-lusitana, Yara Monteiro, vamos analisar a constituição das memórias no período pós-independência dos países africanos de língua
portuguesa, especialmente Angola e também seus reflexos no espaço europeu.
 
Encontro 6 – 10 de dezembro
A poesia combativa de Noémia de Sousa
A partir da leitura de poemas do livro Sangue negro, de Noémia de Sousa, propomos uma reflexão sobre as relações entre a poesia moçambicana e a situação histórico-social de Moçambique no período
de colonialismo português.
Ministrante: Juliana Kohari da Silva

Bibliografia

Literários:
ARRAES, Jarid. Um burraco com o meu nome. São Paulo: Ferina, 2018.
COUTO, Mia. Cronicando. Lisboa: Caminho, 1991.
CUTI. Contos crespos. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2008.
MONTEIRO, Yara. Essa dama bate bué!. São Paulo: Todavia, 2021.
SOUSA, Noémia de. Sangue negro. São Paulo: Editora Kapulana, 2016
TAVARES, Ana Paula. Amargos como os frutos: Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Pallas, 2010

Teóricos:
ADORNO, Theodor W. “Posição do narrador no romance contemporâneo” In: Notas de Literatura I. São Paulo: Duas Cidades/Ed. 34, 2003.
ADORNO, Theodor W. “Lírica e Sociedade” In: Benjamin, Walter et alii. Textos escolhidos. São Paulo: Abril Cultural, 1983, (Os pensadores)
ARRIGUCCI, Davi. Fragmento sobre a crônica. In: Enigma e comentário. São Paulo: Companhia das letras, 1987, p. 51-66.
BOSI, Alfredo. O ser e o tempo da poesia. São Paulo: Cultrix, 1977.
BROOKSHAW, David. Raça e cor na literatura brasileira. Porto Alegre: Editora Mercado Aberto, 1983.
CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro sobre o Azul, 2008.
CANDIDO, Antonio. “A literatura e a formação do homem” In: Textos de Intervenção. São Paulo: Duas Cidades/Editora 34. Coleção Espírito Crítico (seleção, apresentações e notas de Vinícius Dantas), 2002, p. 77-92.
CAVACAS, Fernanda; CHAVES, Rita; MACÊDO, Tânia. Mia Couto: um convite à diferença. São Paulo: Humanitas, 2013.
CORTÁZAR, Júlio, Valise de cronópio. São Paulo: Perspectiva, 1993.
CUTI. Literatura negro-brasileira. São Paulo: Selo Negro, 2010. Coleção Consciência em Debate (coordenada por Vera Lúcia Benedito). Edição para e-book.
D’ADESKY, Jacques. Racismos e anti-racismos no Brasil; pluralismo étnico e multiculturalismo. Rio de Janeiro: Pallas, 2001.
DUARTE, Eduardo de Assis. “Por um conceito de Literatura Afro-brasileira”. In: DUARTE, Eduardo de Assis & FONSECA, Maria Nazareth Soares (org) Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2011, vol. 4.
FANON, Frantz. Os condenados da terra. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2005.
FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Tradução de Renato da Silveira. Salvador: EDUFBA, 2008.
FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes: (O legado da “raça branca”), vol. 1. 5 ed. São Paulo: Globo, 2008.
FONSECA, Maria Nazareth Soares e CURY. Maria Zilda Ferreira. Mia Couto: espaços ficcionais. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.
GOMES, Nilma Lino. “Alguns termos e conceitos presentes no debate sobre relações raciais no Brasil: uma breve discussão” In: BRASIL. Educação anti-racista: caminhos abertos pela Lei Federal no. 10639/03. Brasília: MEC/SECAD, 2005
(Coleção Educação para todos n. 2).
HASENBALG, Carlos A., SILVA, Nelson do Valle. Relações raciais no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Rio Fundo Ed./Iuperj, 1992
HEDGES, David (coord.). A História de Moçambique, 1885-1930. In: História de Moçambique, v. II: Moçambique no auge do colonialismo, 1930-1961. 2 ed. Maputo: Livraria Universitária – Universidade Eduardo Mondlane, 1999, p. 1-34.
HOOKS, bell. Ensinando pensamento crítico: sabedoria prática. Tradução de Bhuvi Libanio. São Paulo: Elefante, 2020.
JERÓNIMO, Miguel Bandeira. As gramáticas da diferença que o racismo nomeuu (posfácio). In: HENRIQUES, Joana Gorjão. Racismo em portugues: o lado esquecido do colonialismo. Lisboa: Tinta da China, 2016.
KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação – Episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
LEITE, Ana Mafalda. Voz, origem, corpo, narração – poesia de Noémia de Sousa. In: Oralidades & escritas nas literaturas africanas. Lisboa: Edições Colibri, 1998, p. 101-110.
MORRISON, Toni. A fonte da autoestima: ensaios, discursos e reflexões. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
NOA, Francisco. Arte, estética e ética: a possibilidade de existir. In: Perto do fragmento, a totalidade: Olhares sobre a literatura e o mundo. São Paulo: Kapulana, 2015, p. 65-75.
NOA, Francisco. “Literatura colonial em Moçambique: o paradigma submerso”. In: Revista Via Atlântica, São Paulo: DLCV/USP, (3): 58-68, dez. 1999.
RIBEIRO, Margarida Calafate. Uma História de Regressos – Império, Guerra Colonial e Pós-colonialismo. Porto: edições Afrontamento, 2004.
SARLO, Beatriz. Tempo passado – cultura da memória e guinada subjetiva. São Paulo/Belo Horizonte: Companhia das Letras e Editora UfMG, 2007
SILVA, Mário Augusto Medeiros da. A descoberta do insólito: literatura negra e literatura periférica no Brasil (1960-2000). Rio de Janeiro: Aeroplano, 2013.

Programa

Aula 1. 01/02/204 - Leitura 1: SCEGO, Igiaba. Capítulo 1. In.: Minha casa é onde estou. São Paulo: Editora Nós, 2018.

Aula 2. 08/02/2024 - Leitura 2: NOAH, Trevor. A longa, embaraçosa, ocasionalmente trágica e frequentemente humilhante
educação amorosa de um jovem, parte 3: O baile. In.: Nascido do Crime. Histórias da minha infância na África
do Sul. Campinas [SP]: Verus, 2020.

Aula 3. 22/02/2024 - Leitura 3: CHIZIANE, Paulina. Capítulo 20. In.: Niketche: uma história de poligamia. São Paulo:
Companhia de Bolso, 2021.

Aula 4. 29/02/2024 - Leitura 4: ADICHIE, Chimamanda. Capítulo 14. In.: Americanah. São Paulo: Companhia das Letras,
2014.

Bibliografia complementar:

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas. São Paulo: Brasiliense, 1989.
BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
CABAÇO, J. L. A questão da diferença na literatura moçambicana. Via Atlântica, [S. l.], v. 5, n. 1, p. 61-69, 2004.
DOI: 10.11606/va.v0i7.49786. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/49786. Acesso
em: 16 nov. 2023.
CHARTIER, Roger. A história ou a leitura do tempo. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.
DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Hermenêutica do quotidiano na historiografia contemporânea. Projeto História, n.
17, nov. 1998. p. 223-258.
EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Rio de Janeiro: Pallas, 2017.
FLIP. “Minha casa", com Igiaba Scego e Fabio Pusterla. YouTube, 2018. Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=S_mWFr7xjNs.
FRANCO, Stella Maris Scatena. Viagem e gênero: tendências e contrapontos nos relatos de viagem de autoria
feminina. Cadernos Pagu. v.50, 2017. p. 1-39.
GINZBURG, Carlo. Relações de força: História, retórica, prova. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
GILROY, Paul. O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência. São Paulo: Ed. 34; Rio de Janeiro:
Universidade Cândido Mendes, Centro de Estudos Afro-asiáticos, 2012.
HAMPATÉ BÂ. A. A tradição viva. In: J. Ki-Zerbo. História Geral da África, volume 1 Metodologia e Pré-História da
África. Brasília: UNESCO, 2a. ed. 2010.
hooks, bell. Olhares negros: raça e representação. Tradução. São Paulo: Elefante, 2019.
_________. Ensinando a transgredir. A educação como prática da liberdade. Tradução. São Paulo: Martins
Fontes, 2017.
HOUNTONDJI, Paulin J. Conhecimento de África, conhecimento de africanos: duas perspectivas sobre os Estudos
Africanos. Revista Crítica de Ciências Sociais, 80, Março 2008, p. 149-160.
MCCLINTOCK, Anne. Couro imperial: raça, gênero e sexualidade no embate colonial. Campinas, Editora da
Unicamp, 2010.
MORRISON, Toni. A origem dos outros. Seis ensaios sobre racismo e literatura. Tradução. São Paulo:
Companhia das Letras, 2019.
OYĚWÙMÍ, Oyèrónkẹ́. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos
ocidentais de gênero. Tradução. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. O imaginário da cidade: visões literárias do urbano: Paris, Rio de Janeiro e
Porto Alegre. Porto Alegre [RS]: UFRGS, 1999.
RATTS, Alex. Eu sou atlântica: sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento. São Paulo: Instituto Kuanza;
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007.
TROUILLOT, Michel-Rolph. Silenciando o passado: Poder e a produção da História. Curitiba: Huy, 2016.
VIEIRA JUNIOR, Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019.
WISSENBACH, M. Cristina Cortez. Interface entre os historiadores africanos e brasileiros sobre questões
relativas à historiografia africana e aos contextos pós-coloniais de globalização. Comunicação feita ao
Seminário Internacional A Pesquisa na Universidade Africana no Contexto da Globalização e Interface com o
Brasil, CEA/USP, 2012.

 

Programa

Aula 1: A Igreja Católica em uma Europa anticlerical
Aula 2: Leão XIII e a questão da escravidão
Aula 3: Igreja e emancipação no Império do Brasil

Bibliografia:
ALONSO, Angela. Flores, votos e balas: o movimento abolicionista brasileiro (1868- 88). São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
BLACKBURN, Robin. A queda do Escravismo Colonial: 1776-1848. Rio de Janeiro: Record, 2002.
BLACKBURN, Robin. The American Crucible: Slavery, Emancipation and Human Rights. Londres: Verso, 2013.
BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. 3. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
BRUNSCHWING, Henri. A partilha da África Negra. São Paulo: Perspectiva, 2015.
CASANOVA, José. Public Religions in the Modern World. Chicago and London: The University Press of Chicago Press, 1994.
CHADWICK, Owen. A history of the Popes, 1830-1914. New York: Oxford University Press, 1998.
CONRAD, Robert. Os últimos anos da escravatura no Brasil: 1850-1888. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.
COSTA, Emília Viotti da. Da Senzala à Colônia. 5. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2010.
COSTA, Emília Viotti da. A dialética invertida e outros ensaios. São Paulo: Editora Unesp, 2014.
DAVIS, David Brion. O problema da escravidão na cultura ocidental. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.
DRESCHER, Seymour. Abolição: uma história da escravidão e do antiescravismo. São Paulo: Editora Unesp, 2011.
DUFFY, Eamon. Saints and Sinners: A History of the Popes. 4. ed. London: Yale University Press, 2014.
FANTAPPIÈ, Carlo. A Santa Sé o e mundo em perspectiva histórico-jurídica. Almanack [online], Guarulhos. 2020, n. 26, pp. 1-21.
FRANCO, Maria Sylvia de Carvalho. Homens livres na ordem escravocrata. 4. ed. São Paulo: Editora Unesp, 1997.
GORENDER, Jacob. A escravidão reabilitada. 1. ed. São Paulo: Expressão Popular, Fundação Perseu Abramo, 2016.
GRAMSCI, Antonio. O Ressurgimento e a unificação da Itália. São Paulo: Martins Fontes, 2014. Introdução de Carmine Donzelli; tradução de Letícia Martins de Andrade.
KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto, PUC-Rio, 2006.
MANOEL, Ivan. A. O pêndulo da história: tempo e eternidade no pensamento católico (1800-1960). Maringá: Eduem, 2004.
MARQUESE, Rafael de Bivar. Os tempos plurais da escravidão: Ensaio de História e Historiografia. São Paulo: Intermeios, 2020.
MARTINA, Giacomo. História da Igreja - de Lutero a nossos dias: III - a era do liberalismo. 3. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2005.
MAXWELL, John Francis. Slavery and the Catholic Church: The story of catholic teaching concerning the moral legitimacy of the institution of slavery. London: Barry Rose Publishers, 1975.
OSTERHAMMEL, Jürgen. The Transformation of the World: A Global History of the Nineteenth Century. Princeton and Oxford: Princeton University Press, 2014.
PARRON, Tâmis. A política da escravidão no Império do Brasil: 1826-1865. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.
SALLES, Ricardo (org.). Ensaios gramscianos: política, escravidão e hegemonia no Brasil Imperial. Curitiba: Prismas, 2018.
SANTIROCCHI, Ítalo Domingos. Questão de Consciência: os ultramontanos no Brasil e o regalismo do Segundo Reinado (1840-1889). Belo Horizonte: MG: Fino Traço, 2015.
SILVA, Ana Rosa Cloclet da; CARVALHO, Thais da Rocha. A Cruzada ultramontana contra os erros da modernidade.  Revista Brasileira de História das Religiões. ANPUH, Ano XII, n. 35, Setembro/Dezembro de 2019 - ISSN 1983-2850; pp. 9-42.
SILVA, Ivo Pereira da. O papado de Pio IX e a dinamização transcontinental do anticlericalismo oitocentista: ecos no parlamento imperial brasileiro. Almanack [online], Guarulhos. 2020, n. 26, pp. 3-46.
TOPLIN, Robert Brent. The abolition of slavery in Brazil. New York: Atheneum, 1972.
WILLIAMS, Eric. Capitalismo & Escravidão. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
ZERON, Carlos Alberto de Moura Ribeiro; DIAS, Camila Loureiro. A Igreja e a escravidão no mundo atlântico: notas historiográficas sobre a doutrina católica no mundo moderno e contemporâneo. Portuguese Studies Review, v. 25, n. 2, 2017, pp. 85-106.

Programa

Aula 1 - (02/02/2026) – Introdução geral ao problema da servidão voluntária.
Aula 2 - (04/02/2026) – Breve nota biográfica sobre La Boétie e sobre a história do Discurso da Servidão Voluntária. Apresentação do problema tal qual formulado por La Boétie: o oxímoro ‘servidão voluntária’.
Aula 3 - (06/02/2026) – As determinações naturais dos homens. As hipóteses sobre a origem e manutenção da servidão. A estrutura social da tirania. A condição do tirano, dos tiranetes e o tema da amizade.
Aula 4 - (09/02/2026) – O problema da vontade em Espinosa: a crítica do livre arbítrio e a determinação do desejo.
Aula 5 - (11/02/2026) – Como compreender a servidão em Espinosa? (Ética IV)
Aula 6 - (13/02/2026) – Convergências e divergências: há uma conciliação possível entre La Boétie e Espinosa ao redor do tema da servidão voluntária?

Bibliografia:

La Boétie:
- Discurso da Servidão Voluntária. Tradução: Laymert Garcia dos Santos. São Paulo: Brasiliense, 1999.
- De la servitude volontaire ou contr’un. Édition et présentation : Nadia Gontarbert. Paris : Éditions Gallimard, 1993
- Discours de la servitude volontaire. Présentation : Simonee Goyard-Fabre. Paris : Flammarion, 1983.
- Le Discours de la Servitude Volontaire. Édition : Miguel Abensour. Paris : Éditions Payot & Rivages, 2002.

Espinosa 
- Ética. Tradução: Grupo de Estudos Espinosanos. 1ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2015 
- Tratado Político. Tradução: Diogo Pires Aurélio. 1ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2009. 
- Tratado Teológico-Político. Tradução: Diogo Pires Aurélio. 1ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003 
- Opera. Ed. Carl Gebhardt. Heidelberg: Carl Winters Universitætbuchhandlung, 1972, 4vol.

Outros autores 
- ABENSOUR, Miguel. Spinoza et l’épineuse question de la servitude volontaire. In: Astérion: Philosophies, histoire des idées, pensée politique, nº 13 (2015). Disponível em: <https://journals.openedition.org/asterion/2594&gt;.
- BOVE, Laurent. La stratégie du conatus : affirmation et résistance chez Spinoza. Paris: Librairie philosophique J. Vrin, 1996.
- CHAUI, Marilena. Contra a Servidão Voluntária. 2ª edição. Belo Horizonte: Autêntica Editora. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2014.
- COCULA-VAILLIÈRES, Anne-Marie. Étienne de La Boétie et le destin du Discours de la servitude volontaire. Paris : Classiques Garnier, 2018.
- CLASTRES, Pierre. Liberdade, mau encontro, inominável. In: Discurso da Servidão Voluntária. Tradução: Laymert Garcia dos Santos. São Paulo: Brasiliense, 1999.
- LEFORT, Claude. O Nome de Um. In: Discurso da Servidão Voluntária. Tradução: Laymert Garcia dos Santos. São Paulo: Brasiliense, 1999.
- MONTAIGNE, Michel. Ensaios. Tradução: Sérgio Milliet. 1ª ed. São Paulo: Editora 34, 2016.
- _________________. Sobre algumas particularidades da doença e da morte de Étienne de La Boétie. Tradução: André Telles. Revista Serrote nº16, 2014.
- OLESTI, Josep. ¿Presencia de la boétie en el spinozismo? Sobre un ítem de la biblioteca de Spinoza. Astrolabio: revista internacional de filosofía, 2015, n. 16, pp. 89-105. Disponível em: https://raco.cat/index.php/Astrolabio/article/view/288808.
- SANTIAGO, H. S. Entre Servidão e Liberdade. São Paulo: Editora Filosófica Politeia, 2019.
- VISENTIN, Stefano. Oltre l’enigma della servitù volontaria. Desiderio, assoggettamento e libertà nel pensiero politico della prima modernità. Revista Filosofia Politica, Fascicolo 1, Abril de 2022.
- _____________. Volonté d’être esclave et désir d’être libre: Ambivalence de la multitude chez Spinoza. In: Spinoza transalpin: Les interprétations actuelles en Italie. Paris: Éditions de la Sorbonne, 2012. Disponível em: http://books.openedition.org/psorbonne/271. ISBN: 9782859448080. DOI: https://doi.org/10.4000/books.psorbonne.271.

Obs: ao longo do curso, outros livros e artigos podem ser sugeridos.

Programa

Encontro 1: Ser professor em contexto pandêmico

AGAMBEN, G. “Réquiem para os estudantes”. Instituto Humanitas UNISINOS. Disponível em:
<http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/599292-requiem-para-os-estudante…;. Acesso em: 14 jun. 2021.
BONDÍA, J. L. “Notas sobre a experiência e o saber da experiência”. Trad. João Wanderley Geraldi. Revista
Brasileira de Educação, n. 19, p. 20-28, 2002.
HOOKS, B. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Trad. Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Martins Fontes, 2013.
ROSA, A. A. [et al]. “A escola é sociabilidade. Não se substitui com um monitor e um tablet”. Instituto Humanitas UNISINOS. Disponível em: <http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/599090-a-escola-e-sociabilidade-…;. Acesso em: 14 jun. 2021.

Encontro 2: Por que, para que, para quem e como ensinar literatura?

BELLEI, S. L. P. A literatura, hoje: crônica de uma morte anunciada. Gragoatá, Niterói, n. 23, p. 111-134, 2007.
BENTO, C. A. Paradoxos do ensino da literatura. Gragoatá, Niterói, n. 37, p. 268-276, 2014.
BOSI, A. Narrativa e resistência. Itinerários, Araraquara, n. 10, p. 11-27, 1996.
CANDIDO, A. Literatura e subdesenvolvimento. IN: A educação pela noite & outros ensaios. São Paulo: Ática,
1989, p. 140-162.
COMPAGNON, A. Literatura para quê? Trad. Laura Taddei Brandini. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2009.
DALVI, M. A. [et al.] (orgs.). Literatura e educação: história, formação e experiência. Campos dos Goytacazes, RJ: Brasil Multicultural, 2018.
PERRONE-MOISÉS, L. “PARTE I – Mutações literárias e culturais”. IN: Mutações da literatura no século XXI.
São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 15-82.
SARTRE, J.-P. Que é a literatura? Trad. Carlos Felipe Moisés. 3. ed. São Paulo: Ática, 2004.

Programa

 

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PROGRAMA

-Caio Prado Júnior e a Revolução da Independência

-Cartografia histórica e populações indígenas

-Semana, arquitetura, identidade e modernidade, um século depois.

-O Brasil nação e sua relação com as crianças e os adolescentes

-História territorial do Brasil: do meio natural ao meio técnico-científico informacional

-Aflições da Universidade

-A política migratória brasileira: a construção jurídica do racismo e da xenofobia contra não-brancos

-A questão nacional no Brasil: um problema de 200 anos

-Dependência e subdesenvolvimento na história econômica brasileira

-A classe trabalhadora e a re-construção da nação brasileira

-A inovação ausente: uma síntese de nove décadas de industrialização no Brasil

-História da ciência, tecnologia e Sociedade: panorama brasileiro

-Da pompa à bomba: entre o "grito" do Ipiranga e a bravata institucionalizada



Bibliografia de referência (indicações de leituras específicas serão enviadas ao longo do curso):

AREND, Sílvia; MOURA, Esmeralda; SOSENSKI, Suzana. Infâncias e juventudes no século XX: histórias latino-americanos. Ponta Grossa: Todapalavra, 2018.
COSTA, Emília Viotti, Da monarquia à república, SP: Brasiliense, 5a.ed., 1987.
FERNANDES, Florestan. A revolução burguesa no Brasil, RJ, Guanabara, 1987.
FRANCO, Maria Sylvia de Carvalho. Homens livres na ordem escravocrata, SP, Kairós, 1983, 3a. ed.
HOLANDA, Sérgio Buarque. Capítulos de história do império, SP, Cia. das Letras, 2010.
KAREPOVS, DAINIS. A classe operária vai ao parlamento, SP, alameda, 2006.
LEONÍDIO, A., ANDRADE, Everaldo O., ALMEIDA, Antonio., PUNTONI, Pedro., 2016- golpe e democracia no Brasil, São Paulo: Hucitec, 2020.
MOTA, Carlos Guilherme (org.). Brasil em perspectiva, SP, Difel, 1980.11a. ed.
MOURA, Clóvis. Rebeliões na senzala, SP, LECH, 1981.
PEDROSA, MÁRIO. Opção brasileira, Civ. brasileira, 1966.
PRADO JR,, Caio, Formação do Brasil contemporâneo, SP, Brasiliense, 1987, 20 ed.
ROMANO, Roberto. Brasil: igreja contra estado, SP: Kairós, 1979.

Programa

Aula 1. A construção da categoria de selvagem no período moderno
- A História Natural da Humanidade: os “estágios civilizacionais”
- Os debates iluministas sobre o “homem americano”: Lineu e Buffon
- William Robertson e a escrita de uma história filosófica

Aula 2. Do Império de Portugal ao Império do Brasil
- Inventariando o Império português: Domingos Vandelli e a redação de uma história filosófica
- O “homem americano” na Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira (1783-1792)
- Um olhar inglês: o selvagem em The History of Brazil (1810-1819), de Robert Southey
- O projeto de nação de José Bonifácio de Andrada e Silva: “civilizar” os povos indígenas (1812-1823)

Aula 3. Românticos ilustrados
- O projeto político da primeira geração romântica portuguesa e dos românticos brasileiros do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB)
- Concebendo o lugar do “índio” na História do Brasil: Von Martius e Varnhagen
- Etnografia e literatura: o indianismo de Gonçalves Dias e José de Alencar

Bibliografia

AGNOLIN, Adone. Jesuítas e selvagens: a negociação da fé no encontro catequético-ritual americano-tupi (séculos XVI-XVII). São Paulo: Humanitas Editorial, 2007.
ANDRADA E SILVA, José Bonifácio de. “Apontamentos para a civilização dos índios bravos do Império do Brasil”. In: Jorge Caldeira (org.). José Bonifácio de Andrada e Silva. São Paulo. Ed. 34, 2002.
BERLIN, Isaiah. As raízes do Romantismo. São Paulo: Três Estrelas, 2015.
CÂNDIDO, Antônio. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. Belo Horizonte: Itatiaia, 1981.
CAÑIZARES-ESGUERRA, Jorge. Como escrever a história do Novo Mundo. São Paulo: EDUSP, 2011.
DIAS, Maria Odila Leite da Silva. O fardo do homem branco: Southey, historiador do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1974.
FERREIRA, Alberto. Perspectiva do Romantismo português (1833-65). Lisboa: Moraes Editores, 1979.
FERREIRA, Alexandre Rodrigues. Viagem Filosófica pelas capitanias do Grão Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá (1783-1792). S/l: Conselho Federal de Cultura, 1971-1974. 3 volumes.
FERREIRA, Breno Ferraz Leal. “A compreensão dos povos indígenas da América portuguesa por Alexandre Rodrigues Ferreira durante a Viagem Filosófica (1783-1792): A apropriação de uma tradução francesa de The History of America (1777), de William Robertson”. Revista de Indias, 2020, vol. LXXX, núm. 280, p.719-750.
FRANÇA, José-Augusto. História do Romantismo em Portugal. Lisboa: Livros Horizonte, 6 volumes, 1974.
GARRETT, Almeida. “Bosquejo da História da Poesia e Língua Portuguesa” – 1826. In: GARRETT, Almeida. Obras de Almeida Garrett (vol.1). Porto: Lello & Irmãos Editores, 1963.
GARRETT, Almeida. “Portugal na Balança da Europa” - 1827. In: GARRETT, Almeida. Obras de Almeida Garrett (vol.1). Porto: Lello & Irmãos Editores, 1963.
GUIMARÃES, Manoel Luiz Salgado. “Nação e Civilização nos Trópicos: o Instituto Histórico Geográfico Brasileiro e o projeto de uma história nacional”. Estudos históricos, Rio de Janeiro, n.1, 1988, p.5-27.
HARTOG, François. Antigos, modernos e selvagens. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2005.
HERCULANO, Alexandre. “Cartas sobre a História de Portugal” - 1842. In. HERCULANO, Alexandre. Opúsculos (Tomo V) – Controvérsias e Estudos Históricos. Portugal: Livraria Bertrand, s/d.
RAMINELLI, Ronald. Viagens ultramarinas: monarcas, vassalos e governo a distância. São Paulo: Alameda, 2008.
RICUPERO, Bernardo. O Romantismo e a Ideia de Nação no Brasil (1830-1870). São Paulo: Martins Fontes, 2004.
SARAIVA, António José. Herculano e o Liberalismo em Portugal. Lisboa: Livraria Bertrand, 1977.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
SERRÃO, Joel. Do Sebastianismo ao Socialismo em Portugal. Lisboa: Livros Horizonte, 1973.
SILVA, Ana Rosa Cloclet da. Inventando a Nação – Intelectuais Ilustrados e Estadistas Luso-Brasileiros na Crise do Antigo Regime Português (1750-1822). São Paulo: Hucitec, 2006.
SOUTHEY, Robert. Historia do Brazil. Rio de Janeiro: Livraria Garnier, 1862.
STAROBINSKI, Jean. Jean-Jacques Rousseau: A transparência e o obstáculo. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.
VARELLA, Flávia Florentino. “Robert Southey, William Robertson e a teoria dos quatro estágios na construção da macronarrativa dos autóctones americanos”. Rev. Hist. (São Paulo), n.175, p.349-384, jul.dez 2016.
VOLOBUEF, Karin. Frestas e Arestas – A prosa de ficção do Romantismo na Alemanha e no Brasil. São Paulo: Editora da UNESP, 1999.

Programa

Aula 1 – 1843: A nova edição completa das obras de Karl Marx: MEGA²; a crítica inicial a Hegel em 1843
Bibliografia primária:
- Roberto Fineschi: “Karl Marx após a edição histórico-crítica (mega²): um novo objeto de investigação”, In: Roio, M. D. (org.) Marx e a dialética da sociedade civil. Marília: Oficina Universitária; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2014, pp. 15-45.
- “Crítica da Filosofia do direito de Hegel – Introdução”, In: Crítica da Filosofia do direito de Hegel. São Paulo: Boitempo, 2013, pp. 151-163.
Bibliografia secundária:
- Ruy Fausto: “O galo e a coruja – A propósito de Para a crítica da Filosofia do direito de Hegel (Introdução), de Marx, e de algumas dificuldades originárias do projeto marxiano”, In: Revista Dois pontos, vol. 13, n. 1, 2016, pp. 3-28.
- Michael Heinrich: Karl Marx e o nascimento da sociedade moderna: biografia e desenvolvimento de sua obra. Volume 1: 1818-1841. São Paulo: Boitempo, 2018.

Aula 2 – 1844-1846: O trabalho, dos Manuscritos de 1844 até A ideologia alemã
Bibliografia primária:
- “Trabalho estranhado e propriedade privada”, In: Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2010, pp. 79-90.
- “Teses sobre Feuerbach”, In: A ideologia alemã. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2007, pp. 27-29.
Bibliografia secundária:
- José Arthur Giannotti: “O trabalho alienado”, In: Origens da dialética do trabalho. Porto Alegre: L&PM editores, 1985.
- Sarah Johnson: “Os primórdios de ‘modo de produção’ de Karl Marx”, In: Revista Dissonância, vol. 2, n.2, 2018, pp. 361-434.
- Gerald Hubmann & Ulrich Pagel: “Introdução (editorial) da Ideologia alemã – Para a crítica da filosofia”, In: Revista Dissonância, vol. 2, n.2, 2018, pp. 334-360.

Aula 3 – 1847-1848: Economia política e proletariado, da Miséria da filosofia até o Manifesto comunista
Bibliografia primária:
- “2. A metafísica da economia política: §1. O método”, I: Miséria da filosofia. São Paulo: Boitempo, 2017, pp. 97-114.
- “Burgueses e proletários”, In: Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 2010, pp. 40-51.
Bibliografia secundária:
- Michael Löwy: “A revolução proletária”, In: Ler Marx. Löwy, M.; Duménil, G.; Renault, E. São Paulo: Editora Unesp, 2011, pp. 35-55.
- Emmanuel Renault: “Crítica da ideologia e abandono da filosofia”, In: Ler Marx. Löwy, M.; Duménil, G.; Renault, E. São Paulo: Editora Unesp, 2011, pp. 177-204.

Aula 4 – 1848-1859: O projeto da crítica da economia política
Bibliografia primária:
- “Prefácio”, In: Para a crítica da economia política. São Paulo: Boitempo, 2024, pp. 23-28.
- “Introdução”, In: Grundrisse: Manuscritos econômicos de 1857-1858. São Paulo: Boitempo; Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2011, pp. 37-64.
Bibliografia secundária:
- Ruy Fausto: “II. Sobre o destino da antropologia na obra de maturidade de Marx (1968)”, In: Sentido da dialética. (Marx: Lógica e política. Tomo I). Petrópolis, RJ: Vozes, 2015, pp. 365-376.
- Michael Heinrich: “Os invasores de Marx: sobre os usos da teoria marxistas e as dificuldades de uma leitura contemporânea”, In: Crítica Marxista, v. 21, n. 38, 2014, pp. 29-39.

Aula 5 – 1857-1872: O projeto de O capital, I: A mercadoria
Bibliografia primária:
- “Capítulo I – A mercadoria”, In: Para a crítica da economia política. São Paulo: Boitempo, 2024, pp. 31-62.
- “Capítulo I – A mercadoria: 4. O caráter fetichista da mercadoria e seu segredo”, In: O capital: Crítica da economia política. Livro I: O processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo, 2017, pp. 146-158.
Bibliografia secundária:
- Ruy Fausto: “Abstração real e contradição: sobre o trabalho abstrato e o valor”, In: Sentido da dialética. (Marx: Lógica e política. Tomo I). Petrópolis, RJ: Vozes, 2015, pp. 123-188.
- José Arthur Giannotti: “Contra Althusser”, In: Teoria e prática, n. 3, 1968, pp. 66-81.

Aula 6 – 1857-1872: O projeto de O capital, II: A acumulação primitiva
Bibliografia primária:
- “Formas que precedem a produção capitalista”, In: Grundrisse: Manuscritos econômicos de 1857-1858. São Paulo: Boitempo; Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2011, pp. 388-423.
- “A assim chamada acumulação primitiva”, In: O capital: Crítica da economia política. Livro I: O processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo, 2017, pp. 785-833.
Bibliografia secundária:
- Ruy Fausto: “Para uma crítica da apresentação marxista da História: sobre a sucessão dos modos de produção”, In: Marx: Lógica e política, Tomo II. São Paulo: Brasiliense, 1987, pp. 11-133.
- Helmut Reichelt: “1. Sobre a relação entre método lógico e método histórico”, In: Sobre a estrutura lógica do conceito de capital em Karl Marx. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2013, pp. 133-143.

Programa

Há cinco livros de Adolfo Casais Monteiro na biblioteca de Mário de Andrade no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. São eles: Poemas do tempo incerto (1934), A poesia de Ribeiro Couto (1935); Sempre e Sem fim (1936); Inquérito sobre o romance contemporâneo (1940) e Manuel Bandeira (1943). Os quatro primeiros trazem dedicatórias autógrafas do autor, dentre as quais duas merecem destaque ao assumirem, também, o papel de carta. Papel este que revela que o diálogo entre os poetas iniciou antes do que demonstra o conjunto de 8 cartas esparsas e inéditas, escritas entre 12 de fevereiro de 1937 e 22 de março de 1939, guardadas no IEB e na Biblioteca Nacional de Portugal. O conhecimento mútuo, anterior a 1937, evidencia-se pela dedicatória a Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Tasso da Silveira, impressa em Sempre e Sem fim. Andrade e Monteiro mantiveram uma curta correspondência, mas de grande importância para entendermos a ligação entre o modernismo brasileiro e o modernismo português, tema largamente estudado por Arnaldo Saraiva, em livro homônimo. O apanhado revela conversas sobre a poesia de ambos, música brasileira e portuguesa, Macunaíma, Café, Balança, Trombeta e Battleship, projetos em andamento, colaborações para Presença, censura, José Régio, Manuel Bandeira, exílio no Rio, Departamento de Cultura, Estado Novo, Getúlio Vargas, até questões íntimas como saúde e dificuldades financeiras. Para entendermos melhor esse diálogo, analisaremos duas cartas a cada um dos quatro encontros sugeridos nesse curso de inverno.

Bibliografia

ANDRADE, Mário de. Balança, Trombeta e Battleship ou o descobrimento da alma. Ensaio Telê Ancona Lopez; apresentação Antonio Fernando De Franceschi. São Paulo: IMS/IEB, 1994.
_______________. O empalhador de passarinho. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1946.
MONTEIRO, Adolfo Casais. Poemas do tempo incerto. Coimbra: Edições Presença, 1934.
________________. A poesia de Ribeiro Couto. Porto: Edições Presença, 1935.

________________. Sempre e sem fim. Porto: Edições Presença, 1936.
________________. Inquérito sobre o romance contemporâneo. Lisboa: Editorial Inquérito, 1940.
________________. Manuel Bandeira. Lisboa: Editorial Inquérito, 1943.
SARAIVA, Arnaldo. Modernismo brasileiro e Modernismo português. Campinas: Editora da UNICAMP, 2004.