Programa

Aula 1: “A tradução em manifesto”: eixos da tradutologia bermaniana
Aula 2: “A prova do estrangeiro”: história da tradução na Alemanha (séculos XVIII/XIX)
Aula 3: “A tradução e a letra ou o albergue do longínquo”: da analítica à ética da tradução
Aula 4: “A retradução como espaço da tradução”: crítica, translação e retradução

Bibliografia básica:
BERMAN, Antoine. A prova do estrangeiro: cultura e tradução na Alemanha romântica. Trad. Maria Emília Pereira Chanut. Bauru: EDUSC, 2002.
–––––––––––––––– A tradução e a letra ou o albergue do longínquo. Trad. Marie-Hélène Catherine Torres, Mauri Furlan e Andreia Guerrini. Tubarão: Copiart; Florianópolis: PGET/UFSC, 2013.
–––––––––––––––– A retradução como espaço da tradução. Trad. Clarissa Marini e Marie-Hélène Torres. Cadernos de Tradução, Florianópolis, vol. 37, n. 2, 2017, pp. 261-269.

Bibliografia complementar
ABES, Gilles. Sobre o conceito de “tradução platônica” em Antoine Berman. Tradução em Revista, n. 30, 2021/1, pp. 214-239.
BENJAMIN, Walter. A tarefa do tradutor. Trad. Susana Kampff Lages. In. Escritos sobre mito e linguagem. São Paulo: Duas Cidades; Editora 34, 2013, pp. 101-119.
BERMAN, Antoine. Critique, commentaire et traduction – Quelques réflexions à partir de Benjamin et de Blanchot. Po&sie, Paris, n. 37, 1986, pp. 88-106.
–––––––––––––––– Pour une critique des traductions : John Donne. Paris: Gallimard, 1995.
–––––––––––––––– L’âge de la traduction : « La tâche du traducteur » de Walter Benjamin, un commentaire. Texte établi par Isabelle Berman avec la collaboration de Valentina Sommella. Saint-Denis: Presses Universitaires de Vincennes, 2008.
–––––––––––––––– A tradução e seus discursos. Trad. Marlova Assef. Alea, n. 2, vol. 11, jul-dez, 2009, pp. 341-353.
–––––––––––––––– A essência platônica da tradução. Trad. Gilles Jean Abes. Tradução em Revista, n. 30, 2021/1, pp. 346-368.
–––––––––––––––– Jacques Amyot, traducteur français : essai sur les origines de la traduction en France. Texte établi par Isabelle Berman et Valentina Sommella. Paris: Belin, 2012.
CARDOZO, Mauricio. A lição bermaniana: implicações para a crítica e para uma história da tradução literária. In: SOUSA, Germana Henriques de (org.). História da tradução: ensaios de teoria, crítica e tradução literária. Campinas: Pontes Editores, 2015, pp. 143-156.
FALEIROS, Álvaro. Espaços translacionais, a tradução em devir: reflexões desde Antoine Berman. Tradução em Revista, n. 30, 2021/1, pp. 90-119.
GODARD, Barbara. L’éthique du traduire : Antoine Berman et le « virage éthique » en traduction. TTR – Études sur le texte et ses transformations, Montréal, vol. 14, n. 2, 2001/2, pp. 49-82.
NOUSS, Alexis. La réception de l’essai sur la traduction dans le domaine français. TTR – Études sur le texte et ses transformations, Montréal, vol. 10, n. 2, 1997, pp. 71-85.
PETRY, Simone. A tradução como obra: relações entre a leitura bermaniana do conceito romântico de obra de arte e sua reflexão sobre a tradução. Tese (Doutorado em Teoria e História Literária) – Universidade Estadual de Campinas, 2016.
––––––––––––– Por uma (po)ética da convivência. Antoine Berman, a América Latina e a tradução em manifesto. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, v. 57, n. 1., 2018, pp. 169-188.
SOMMELLA, Valentina. Il volto della lettera : Antoine Berman lettore del Compito del tradutorre di Walter Benjamin. Tese (Doutorado em Ciências Filosóficas/Ciências da Linguagem) – Università degli Studi di Napoli « Federico II »/École des hautes études en sciences sociales, 2010.
TORRES, Marie-Hélène. Método de análise e crítica de tradução de Antoine Berman: Autorresenha do seu livro Por uma crítica da tradução: John Donne. Tradução em Revista, n. 30, 2021/1, pp. 191-213.
ZAVAGLIA, Adriana. Pensando a relação entre tradução e cultura na pesquisa a partir de relatos de sala de aula. In: PEREIRA, Germana.; COSTA, Patrícia; D’ÁVILA, Rodrigo. (orgs.). Formação de tradutores: desafios da sala de aula, vol. 9. Campinas: Pontes Editores, 2020, pp. 75-94.

Programa

EMENTA
Carga horária: O curso está composto por três aulas de 2hs cada, que serão ministradas na quarta (22), quinta (23) e sexta (24) de julho. Em relação à dinâmica, a primeira hora será expositiva e a outra será reservada para a discussão do tema abordado. Totalizando assim, em 6hs.
Objetivo: O curso tem como objetivo contribuir na fundamentação teórica sobre o campo político latino-americano e seus desdobramentos para compreender como as relações de poder e dominação, a violência simbólica e os discursos conservadores implicam diretamente na atuação política das mulheres. Ao mobilizar um mosaico de leituras sociológicas desde os mais variados prismas como o quantitativo, bourdieusiano e da teoria crítica sobre um mesmo objeto em comum, buscamos fomentar debates respaldados por uma visão ampla sobre como se pode interpretar o acesso, a participação e representação política no âmbito das disputas eleitorais.

CONTEÚDO

I. Um panorama sobre a representação política
II. Afetos, Neoliberalismo e Antifeminismo
III. As dinâmicas do campo do poder e o capital erótico

O curso está dividido em três momentos distintos, sendo o primeiro, destinado a esboçar um panorama histórico e social através da apresentação de dados obtidos na pesquisa “Cotas de gênero, representação feminina e políticas de defesa dos direitos das mulheres na América Latina”. Nesse momento, será apresentado uma reflexão sobre como os dezenove países latino-americanos entre os anos de 1990 a 2017 lidaram com a lei de cotas de paridade de participação política feminina observando quais as garantias institucionais de defesa dos direitos das mulheres e a eficácia desse tipo de legislação.

Já no segundo tópico, após a explanação desse cenário do campo político latino-americano e como se dá em termos institucionais a representação política feminina, será analisada a ascensão da nova direita no continente tendo como chave a relação dos afetos com a política. Autores como Espinosa, Freud, Adorno têm sido retomados para se pensar o processo de formação de identidades coletivas e sua corporificação em diversas emoções como: o desamparo, o ódio, o medo, a angústia, a aversão, a esperança, a insegurança, a raiva, o ressentimento. Em um contexto de fortificação dos governos de ultradireita, cujos pilares de sustentação encontram-se na moralidade, na antidemocracia, nos desmontes da solidariedade social e orientam-se por lógicas neofascistas, neoconservadoras, racistas e masculinistas, a discussão de agentes políticas que negam as lutas travadas por movimentos feministas na contemporaneidade, bem como, a ascensão destas no parlamento será a tônica na discussão.

Ao passo que no terceiro momento, já tendo perpassando por duas abordagens bastante distintas sobre a representação política, teremos o respaldo da teoria bourdieusiana para a compreensão dessas dinâmicas em uma perspectiva dos campos, focalizando as especificidades do campo do poder e suas disputas. O que nos interessa nesse momento é verificar como ocorre a formação de determinado agente político, que independente de seu sexo e gênero, precisa adquirir e incorporar determinadas credenciais legítimas e legitimadas - pelo campo e seus pares - para acessar e permanecer nesse espaço. Pretende-se observar, por meio das análises dos capitais (cultural, econômico e social) de agentes reconhecidas, como as trajetórias de sucesso escolar e político se confluem, e cujo recorte de gênero pode aparecer enquanto uma resposta ao campo. Lançando, por fim, uma reflexão sobre os limites e potencialidades do conceito de capital erótico desenhado por Catherine Hakim (2011) para se pensar nos desdobramentos da violência simbólica no âmbito das elites políticas latino-americanas.
Esse mosaico de leituras sociológicas desde os mais variados prismas como o quantitativo, bourdieusiano e da teoria crítica sobre um mesmo objeto em comum, buscarão fomentar debates respaldados por uma visão ampla sobre como se pode interpretar o acesso, a participação e representação política feminina no âmbito das disputas eleitorais.

Leituras sociológicas sobre representação política feminina latino-americana

PROGRAMA DO CURSO

1ª aula: Um panorama sobre a representação política

Bibliografia principal
ARAUJO, Clara. Partidos políticos e gênero: mediações nas rotas de ingresso das mulheres na representação política. Rev. Sociol. Polit. [online]. 2005, n.24, pp.193-215.

MOREIRA, Natália de Paula & BARBERIA, Lorena Guadalupe. Por que elas são poucas? Uma revisão sobre as causas da baixa presença de mulheres no Congresso brasileiro. BIB, São Paulo, n. 79, 1º semestre de 2015 (publicada em outubro de 2016), pp. 38-56.

RIOS, Flavia; SOTERO, Edilza. Gênero em perspectiva interseccional. PLURAL, Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da USP, São Paulo, v.26.1, 2019, p. 1-10.
Bibliografia complementar
ARCHENTI, Nélida; ALBANE, Laura. O feminismo na política: paridade e violência política de gênero na América Latina. In: Cadernos Adenauer XIX Participação política feminina na América Latina, (1): 9-24, 2018.

RIOS, Flavia; PEREIRA, Ana Claudia; RANGEL, Patrícia. Paradoxo da igualdade: gênero, raça e democracia. Cienc. Cult., São Paulo, v. 69, n. 1, Mar. 2017, p. 39-44.

2ª aula: Afetos, Neoliberalismo e Antifeminismo

Bibliografia principal
BROWN, Wendy. Nas ruínas do neoliberalismo: A ascensão da política antidemocrática no ocidente, São Paulo, Editora Politéia, 2019.

FRASER, Nancy; JAEGGI, Rahel. Capitalismo em debate: Uma conversa na teoria crítica. São Paulo, Editora Boitempo, 2020.

SAFATLE, Vladimir. O circuito dos afetos. São Paulo: Editora Autêntica, 2016.

Bibliografia complementar
ILLOUZ, Eva. O amor nos tempos do capitalismo. Rio de Janeiro, Editora Zahar, 2011.

TRAVERSO, Enzo. Las caras de la nueva derecha. Editora Siglo XXI, Argentina, 2018.

ZEKTIN, Clara. Como nasce e morre o fascismo. São Paulo, Editora Autonomia literária, 2019.

3ª aula: As dinâmicas do campo do poder e o capital erótico

Bibliografia principal
BOURDIEU, Pierre. O campo político. In: Revista Brasileira de Ciência Política, n. 5, p. 193-216, 2011.

HAKIM, Catherine. O que é o capital erótico? In: Capital erótico. Rio de Janeiro: Best Business, 2012. pp. 17-41.

PESTAÑA, José Luis Moreno. Una historia de la capitalización del cuerpo. In: La cara oscura del capital erótico: capitalización del cuerpo y trastornos alimentarios. Ediciones Akal, 2016. pp. 15-40.
Bibliografia complementar
BOURDIEU, Pierre. Uma imagem ampliada. In: A dominação masculina: A condição feminina e a violência simbólica. Tradução de Maria Helena Kühner. Rio de Janeiro: Ed. BestBolso, 2014. pp. 17-80.

CATANI, Afrânio Mendes et al. Vocabulário Bourdieu. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017.

LE BRETON, David. A sociologia do corpo. Trad: Sonia MS Fuhrmann. Petrópolis, Rio de Janeiro, 2007.

OLIVEIRA, Ricardo Costa de (Org.). Nepotismo, parentesco e mulheres. 2ª ed. Curitiba: Urbi et Orbi, 2016.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Ronaldo; TONIOL, Rodrigo (org). Conservadorismos, fascismos e fundamentalismos. Campinas, Editora Unicamp, 2018.

ARRUZA, Cinzia; BHATTACHARYA, Tithi; FRASER, Nancy Feminismo para os 99%. Um manifesto. São Paulo, Boitempo Editorial, 2019.

AVELAR, Lúcia. Mulheres na elite política brasileira. Editora UNESP, 2001.

BEST, Heinrich; HIGLEY, John (Eds.). The Palgrave handbook of political elites. London: Palgrave Macmillan, 2018.

BIROLI, Flávia & MIGUEL, Luis Felipe. Feminismo e política: uma introdução. Boitempo, 2014.

BOURDIEU, Pierre; BOLTANSKI, Luc. La production de l'idéologie dominante. Actes de la recherche en sciences sociales, v. 2, n. 2, p. 3-73, 1976.

BLAY, Eva; AVELAR, Lucia; RANGEL, Patricia Duarte. 50 anos de feminismo: Argentina, Brasil e Chile. Volume ii – Justiça de Gênero e Políticas Públicas (no prelo).

CODATO, Adriano. A formação do campo político profissional no Brasil: uma hipótese a partir do caso de São Paulo. In: Revista de Sociologia e Política, v. 4, n. se, p. 0-0, 2008.

DE IMAZ, José Luis. Los que mandan. Buenos Aires: Editorial Universitaria de Buenos Aires, 1964.

SOLANO, Esther. O ódio como política: A reinvenção das direitas nos Brasil. São Paulo, Editora Boitempo, 2018.

TRAVERSO, Enzo. Las caras de la nueva derecha. Editora Siglo XXI, Argentina, 2018.

VENTURI, Gustavo; RECAMÁN, Marisol. As Mulheres Brasileiras no Início do Século 21. São Paulo: cfemea, 2005.

WRIGHT MILLS, C. A elite do poder. 4ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.

Programa

Tópico 1: História e arte da Galiza desde a Pré-história até a Idade Média

Tópico 2: o contexto literário medieval das línguas românicas: a literatura occitana, siciliana e florentina.

Tópico 3: a situação do galego-português na Idade Média. A figura dos trovadores. Lírica profana: cantigas de amor, de amigo, de escarnio e maldizer, lais de Bretanha. A lírica religiosa: as cantigas de Santa Maria.

Tópico 4: a prosa medieval galego-portuguesa. A matéria de Bretanha com leituras dos fragmentos do Livro de Merlin, a Crónica Troiana e o Livro de Linhagens.

Tópico 5: a literatura galega dos Séculos Escuros (XVI, XVII, XVIII). Fragmentos dos poucos textos que conservamos em galego deste período em que o castelão (ou espanhol) suplantou ao galego.

Tópico 6: A situação da língua galega na Ilustração e a figura de Frei Martín Sarmiento.

Tópico 7: Introdução à 1ª metade do século XIX, que será retomada depois pelo curso Literatura galega em contexto II (literatura galega oitocentista).

Tópico 8: A literatura atual histórica sobre o período medieval: Santiago Lopo e Darío Xohán Cabana.

Serão contemplados os fragmentos pertinentes, disponibilizados sempre pelo professor, dos seguintes manuais:

Manuais gerais de história, arte, música e literatura
Alén Garabato, Mª Pilar. 1997. Historia da música galega. Cantos, cantigas e cánticos. A Nosa Terra.
Cegarra, Basilio. 1992. Guia da arte de Galicia. Galaxia.
López Carreira, Anselmo. 2005. Historia xeral de Galicia. A Nosa Terra.
Pena, Xosé Ramón. 2013. Historia da Literatura Galega I: Das orixes a 1853. Xerais.

Manuais de lírica e prosa medieval galego-portuguesa
Godinho, Hélder. 1986. Prosa medieval portuguesa. Editorial Comunicação.
Tavani, Giuseppe. 1990. A Poesia Lírica Galego-Portuguesa. Galaxia.
Videira Lopes, Mª da Graça. 2017. Cantigas medievais galego-portuguesas: corpus integral profano online. Biblioteca Nacional. Projeto Littera. https://cantigas.fcsh.unl.pt/

Manuais dos Séculos Escuros e Prerrexurdimento
Baldomir Cabanas, Xohán Xavier. 2012. Historia da literatura dos Séculos Escuros e do Prerrexurdimento. Editorial Académica Española.
Gómez Sánchez, Anxo; Lourenzo González, M; Obelleiro, Luis, Tato Fontaíña, Laura. 1996. A prosa do primeiro renacemento. Antoloxía. Asociación Socio-Pedagóxica Galega. A Nosa Terra.

Programa

Aula1: A representação de aspectos sociais da Guiné Bissau e Timor Leste na produção literária de Odete Semedo, Felipa Leal e Sophia de Mello Breyner Andresen

Ministrantes: Rejane e Paola
Referências bibliográficas:


SEMEDO, Odete. Entre o ser e a arte (Série literária, Colecção Kebur, nº 3, 1996); Histórias e passadas que ouvi contar 1 e 2 (República da Guiné-Bissau, Edição INEP, 2000); No fundo do canto (BH: Editora Nandyala, 2007).
Poema - Bissorã 1970-72 de Filipa Leal.
LEAL, Felipa. Adília Lopes Lopes. 3ed. Lisboa: Não (edições), 2015.
LEAL, Felipa. Vem à quinta feira. Porto: Assírio & Alvim, 2016.
LEALl, Felipa. Fósforos e metal sobre imitação do ser humano. Porto: Assírio & Alvim, 2019.

Conto - O anjo de Timor de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Leitura de Sophia: https://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=30&did=154225
Andresen, S.M.B. O anjo de Timor. Marco de Canaveses: Cenateca, 2003.

Aula 2: O papel político da escrita feminina de Esmeralda Ribeiro, Ana Paula Tavares e Carolina Maria de Jesus
Ministrantes: Marília e Vanessa
Referências bibliográficas:

Cadernos Negros, volume 30: Contos Afro-Brasileiros / Org. Esmeralda Ribeiro, Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje, 2007.
CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária. 8.ed. São Paulo: T. A. Queiroz, 2000.
GONZALEZ, Lélia. CARLOS, Hasenbalg. Lugar de negro. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1982.
HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2013.
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo - Diário de uma favelada. São Paulo: Martins Fontes, 2018.
LIMA, Omar da Silva. “Carolina Maria de Jesus e sua obra - prima Quarto de despejo: diário de uma favelada”. In: Via Litterae - Revista de Linguística e Teoria Literária. Anápolis, jul./dez, 2014. v.6, n.2, p.303-314 . http://www.revista.ueg.br/index.php/vialitterae/ (visto em 14/06/2021).
LAPA, Fabiana. A literatura das mulheres negras: A escrita como ferramenta de resistência e expressão. Rio de Janeiro. Disponível em: http://obviousmag.org/fabiana_lapa/2017/a-literatura-das-mulheres-negra… acesso em: 14 de junho de 2021.
MACÊDO, Tânia. A delicadeza e a força da poesia. Rio de Janeiro, 2011. In: Revista Mulemba, v. 1, n. 4, p. 38-43, jul. 2011. Disponível em: https://doi.org/10.35520/mulemba.2011.v3n4a4864
RABELLO, Rosana Baú. Entre textos e contextos: a poesia e a crônica de Ana Paula Tavares. São Paulo, 2019.
TAVARES, Ana Paula. Um rio preso entre as mãos. São Paulo: Kapulana publicações, 2019.
SANTOS, Neidjane Gonçalves dos. A escrita da mulher Negra: Catando e escrevendo palavras. In: Anais do SILIAFRO. Volume, Número 1. EDUFU, 2012. Disponível em: http://www.ileel.ufu.br/anaisdosiliafro/wp-content/uploads/2014/03/arti… acesso em: 14 de junho de 2021.

Aula 3: Literatura, história e violência de gênero na escrita de mulheres de São Tomé e Príncipe (Alda do Espírito Santo e Conceição Lima) e Cabo Verde (Dina Salústio)

Ministrantes: Fernanda e Talita
Referências bibliográficas:

BERTHET, Marina. Reflexões sobre as roças em São Tomé e Príncipe. In: Revista Estudos Históricos, v. 25, n. 50, 2012.
BRITO, G.; LIMA, T. M. Dina Salústio e a violência de gênero na literatura cabo-verdiana. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, n. 24, p. 55-69, 19 jun. 2017.
ESPÍRTIO SANTO, Alda. É nosso o solo sagrado da terra: poesia de protesto e luta. Lisboa: Ulmeiro, 1978.
FONSECA, M. N. S., & MOREIRA, T. T. (2017). Panorama das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.

Cadernos CESPUC De Pesquisa Série Ensaios, (16), 13-72. http://periodicos.pucminas.br/index.php/cadernoscespuc/article/view/147…
GOMES, Simone Caputo. Cabo Verde: Mulher, Cultura, Literatura. In: _. Revista Pré-textos. Praia: Associação de Escritores cabo-verdianos, p. 27-35, 1998.
HERNANDEZ, Leila Leite. Os Filhos da Terra do Sol: a formação do Estado-nação em Cabo Verde. São Paulo: Selo Negro, 2002.
LIMA, Conceição. O útero da casa. Lisboa: Caminho, 2004.
_____. A dolorosa raiz do Micondó. Lisboa: Caminho, 2006.
_____. O país de Akendenguê. Lisboa: Caminho, 2011.
_____. À sombra do cacau: representações sobre trabalho forçado nas ilhas de São Tomé e Príncipe. In: Revista do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, n.11, 2016, p.343-356.
MATA, Inocência. Apresentação. In: O útero da casa. Lisboa: Caminho, 2004, pp. 11-15.

PADILHA, Laura (Org.). A poesia e a vida: homenagem a Alda Espírito Santo. Lisboa: Colibri, 2006.
SAFFIOTI, Heleieth. A mulher na sociedade de classes: mito e realidade. São Paulo: Expressão Popular, 2013.
SALÚSTIO, Dina. Mornas Eram as Noites. Praia: Instituto da Biblioteca Nacional, 2002.
SANTILLI, Maria Aparecida. Literaturas de Língua Portuguesa: marcos e marcas – Cabo Verde: Ilhas do Atlântico em prosa e verso. São Paulo: Arte & Ciência, 2007.


Aula 4: Representação das mulheres em Craveirinha, Ungulani Ba Ka Khosa e Mia Couto
Ministrantes: Carlos e Guilherme

Referências bibliográficas:

CRAVEIRINHA, José. O folclore moçambicano e suas tendências. Maputo: Alcance Editores, 2009.
___________________. Karingana ua Karingana. Lisboa: Edições 70, 1982.
___________________. Xigubo. Lisboa: Edições 70, 1980.
___________________. Babalaze das Hienas. Maputo: Alcance Editores, 2008.
___________________. Maria. Maputo: Alcance editores, 2008.
___________________. Maria. Lisboa: Caminho, 1998.

COUTO, Mia. As areias do imperador: uma trilogia moçambicana. Livro 1. São Paulo: Cia. das Letras, 2015.
______. Sombras da água: as areias do imperador: uma trilogia moçambicana. Livro 2. São Paulo: Cia. das Letras, 2016.
______. O bebedor de horizontes: as areias do imperador: uma trilogia moçambicana. Livro 3. São Paulo: Cia. das Letras, 2018.
DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.
EAGLETON, Terry. Teoria da Literatura: uma introdução. 7ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2019.
FANON, Frantz. Os condenados da terra. Lisboa: Editora ULISSEIA, 1961.
FRY, Peter (org.). Moçambique: ensaios. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2001.
KHOSA, Ungulani Ba Ka. Gungunhana; Ualalapi; As mulheres do imperador. São Paulo: Kapulana, 2018.
SAFFIOTI, Heleieth. Gênero patriarcado violência. 2ª ed. São Paulo: Expressão Popular: Fundação Perseu Abramo, 2019.


Aula 5: Vozes femininas em Moçambique: as escritas de Noémia de Sousa e Paulina Chiziane.
Ministrantes: Juliana e Mayara

Referências bibliográficas:

- Poemas de Noémia de Sousa: Negra e Moça das Docas.
- Conto de Paulina Chiziane: As cicatrizes do amor.
SOUSA, Noémia de. Sangue Negro. São Paulo: Editora Kapulana, 2016.
CABAÇO, José Luís. Moçambique: identidade, colonialismo e libertação. São Paulo: Editora da Unesp, 2009.
CHIZIANE, Paulina. As cicatrizes do amor. In.: SAÚTE, Nelson (Org). As Mãos dos Pretos: Antologia do Conto Moçambicano. 2 ed. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2007
HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2013.
MACHEL, Samora. A Libertação da Mulher é uma necessidade da Revolução, Garantia de sua Continuidade, Condição de seu Triunfo. Caderno nº 4, Edições da Frelimo, CEA - UEM, Pasta 161/W, 1974 [1972]. Coleção Estudos e Orientações.
FANON, Frantz. Peles negras, Máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008

Programa

Ementa:
O pensamento freireano e sua relevância para a compreensão da internacionalização do conhecimento. A construção de relações inversas nos fluxos acadêmicos do sistema mundo de produção e circulação do conhecimento. Pensamento subalterno e agência na divisão internacional do conhecimento. Experiências de internacionalização do pensamento freireano. Análise da teoria do conhecimento e da educação freireanas e como reflete os problemas dos subalternizados e oprimidos que ocupam as periferias de muitas partes do mundo para se tornarem sujeitos políticos e produtores de conhecimento.

Programa:
A gênese do pensamento freireano e a construção do conhecimento a partir da periferia do Sul Global
● A experiência brasileira
● O “método” e as práticas
A atuação no CMI e os itinerários do andarilho da esperança Pensamento e ação: a sistematização de uma práxis
● O Chile na década de 1960
● A vivência com agricultoras e agricultores e a reforma agrária chilena e a sistematização de uma teoria
● Os livros pelo mundo
A atuação em África e o desafio de superação do colonialismo
● A experiência caboverdiana
A geopolítica do conhecimento: um debate com as teorias críticas
● A mundialização da ciência e a criação de tradições científicas locais
● A relação entre localização geográfica e a subalternização do conhecimento
● O lugar na produção do conhecimento: por uma geografia do conhecimento científico

Metodologia:
O curso será ministrado na forma de exposição dialogada a partir de mapas temáticos de modo a discutir resultados de pesquisas de estágio pos-doutoral realizada no Departamento de Geografia da USP.
Serão 20 horas de aulas presenciais coletivas e 10 horas de estudos individuais.

Referências:

ALATAS, F. S. Academic Dependency and the Global Division of Labour in the Social Sciences. Current Sociology, v. 51, n. 6, nov. 2003.
CHEMANE, Orlando Daniel. Paulo Freire e África: Colonialismo, Libertação e Educação em Moçambique. 2017. 280 p. Tese (Doutorado em Educação - Programa de Pós-graduação Em Educação. Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2017.
CONNELL, R. Southern theory: the global dynamics of knowledge in social science. Cambridge: Polity Press: 2007.
CUETO, M. Excelencia Cientifica em la Periferia: actividade cientificas e investigação biomédica em el Perrú 1890 – 1950. Lima: GRADE e CONCYTEC, 1989.
FREIRE, Ana. Maria A. A voz da esposa: a trajetória de Paulo Freire. In Gadotti, M. (Org.) Paulo Freire: uma biobibliografia. São Paulo: Cortez Editora e Instituto Paulo Freire, 1996.
FREIRE, P. Extensão ou comunicação. 7. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.
_____ . Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro. Paz e Terra. 1987.
GADOTTI, M. A voz do biógrafo brasileiro: a prática à altura do sonho. In Gadotti, M. (Org.) Paulo Freire: uma biobibliografia. São Paulo: Cortez Editora e Instituto Paulo Freire, 1996.
IRELAND, T. D. The Relevance of Freire for the Post-2015 International Debate on Development and Education and the Role of Popular Education. In: MELLING, A. e PILKINGTON, R. Paulo Freire and Transformative Education: Changing Lives and Transforming Communities. Londres: Palgrave Macmillan: 2018.
LIVINGSTONE, D. Putting Science in Its Place: geographies of scientific knowledge. Chicago: The University of Chicago Press. 2003.
LOIVOS, Kamilla C. Paulo Freire: uma breve historiografia das versões para o inglês e o espanhol da Pedagogia do Oprimido. 82 p. 2016. Dissertação (Mestrado em Leras) – Programa de Pós-graduação em Letras, Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2016.
JÖNS, H., LIVINGSTONE, D. N. MEUSBURGER, P. Interdisciplinary Geographies of Science. In: MEUSBURGER, P., LIVINGSTONE, D. N. JÖNS, H. (Ed.) Geographies of Science. Londres, Nova York: Springer. 2010.
MATTEDI, M. A. Sociologia e conhecimento: introdução à abordagem sociológica do problema do conhecimento. Chapecó: Argos, 2006.
MIGNOLO, Walter D. Espacios geográficos y localizaciones epistemologicas: La ratio entre la localización geográfica y la subalternización de conocimentos. GEOgraphia 7(13). 2010. DOI:10.22409/GEOgraphia2005.v7i13.a13499.
MORAES, A. C. Robert. Ideologias Geográficas. São Paulo: Hucitec, 1988.
NEVES, F. M. A periferização da ciência e os elementos do regime de administração da irrelevância. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 35, 2020.
PINHEIRO, J. A. P. A geopolítica do conhecimento em periódicos científicos internacionais: a controvérsia entre editoras e editores sobre as questões agrária e camponesa. Tese de doutorado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Brasília: Universidade de Brasília, 2018.
NEVES, F. M. A periferização da ciência e os elementos do regime de administração da irrelevância. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 35, 2020.
POLANCO, Xavier. (1990), « Une science-monde : la mondialisation de la science européenne et la création de traditions scientifiques locales », in Xavier Polanco (dir.), Naissance et développement de la sciencemonde. Production et reproduction des communautés scientifiques en Europe et en Amérique latine, La Découverte / Conseil de l’Europe / Unesco, p. 10-52.
RIBEIRO, Mário B. Andarilhagens pelo mundo - Paulo Freire no Conselho Mundial de Igrejas – CMI. 233 p. Tese (Doutorado em Teologia) – Instituto Ecumênico em Teologia, Escola Superior de Teologia, São Leopoldo, 2009.
SANTOS, B. de S.; MENESES, M. P.; NUNES, J. A. Introdução: para ampliar o cânone da ciência: a diversidade epistemológica do mundo. In B. S. Santos (org.), Semear outras soluções. Porto: Afrontamento, 2004.
VASCONCELOS, Joana S. “O lápis é mais pesado que a enxada”: reforma agrária no Chile e pedagogias camponesas para transformação econômica (1955-1973). Tese (Doutorado em História Econômica) - Programa de Pós-Graduação em História Econômica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2020.
VILLWOCK, Aparecida de F. Entre charges e escritas: as experiências educativas de Claudius Ceccon. Dissertação (Mestrado em Educação) – Pós-graduação em Educação. Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Cascavel, 2013.
SANTOS, T. The Structure of Dependence. The American Economic Review, v. 60, n. 2, pp. 231-236, maio, 1970.
SCHUGURENSKY, D. Paulo Freire. Londres, Nova Déli, Nova York e Sydney: Bloomsbury Library of Educational Thought. 2011.
SCOCUGLIA. A. C. A História das Ideias de Paulo Freire e a atual crise de paradigmas. João Pessoa: Ed. Universitária/UFPB, 1999.
SHAPIN, S. Here and Everywhere: Sociology of Scientific Knowledge. Annual Review of Sociology, n. 21. 1995.
SIGRIST, René. (2017) ’De la révolution scientifique à la science-monde. Aperçu historiographique’, in M. Kleiche-Dray (ed.) Les ancrages nationaux de la science mondiale. Paris : Edition des Archives Contemporaines/IRD.
SOUSA NETO, M. F. Geografia nos trópicos: história dos náufragos de uma jangada de pedras. Terra Livre. n. 17, 2 º semestre/2001.
SPIVAK, G. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2010.
QUIJANO, A. A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. CLACSO, 2005.
VARELA, Florenço M. Concepções, trajetórias e práxis educativa: em estudo sobre o Programa de Formação de Educadores de Adultos em Cabo Verde. 276 p. Tese (Doutorado em Educação) Universidade Aberta, Lisboa, 2018.
WALLERSTEIN, I. The modern world-system I: Capitalist agriculture and the origins of the European World-Economy in the Sixteenth Century. California: University of California Press, 2011.

Programa

Aula I: cinema, corpo (perspectivismo), território.
As sombras projetadas nas paredes da caverna de Platão e as pinturas rupestres de Chauvet reveladas no filme A Caverna dos Sonhos Esquecidos, de Werner Herzog, desenhadas há 30 mil anos, são imagens em movimento. Quem as pintava criava, formulava, escrevia, gravava. O desejo de registrar as imagens em movimento precede a técnica inventada do cinematógrafo, o desejo do cinema remonta há milhares de anos e não mais desde o invento de uma máquina capaz de registrar e projetar instantes, seu marco técnico.
Imagem é, indica Vilém Flusser em Filosofia da Caixa Preta, uma superfície. Um movimento captado pela visão humana e especialmente nos dias de hoje extraído de seu decurso (para o nosso olhar) por aparelhos e artefatos, é sobre algo que não se vê que trata a imagem. Os cinemas indígenas nos trazem imagens de dentro dos territórios, teko’h para os Guarani, um território marcado em seus corpos que permanentemente se relacionam e transformam.

Bibliografia:
BENITES, Sandra Ara. Viver na língua guarani nhandeva (mulher falando). Dissertação de mestrado em antropologia social – Museu Nacional. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2018.
FLUSSER, V. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. 1ª edição – São Paulo: Annablume editora, 2011.
MACHADO, A. Pré-cinemas & pós-cinemas (1997). 5ª edição – Campinas: Papirus, 2008.
TAYLOR, A. C. & VIVEIROS DE CASTRO, E. Um Corpo Feito de Olhares (Amazônia) (2006). Revista de Antropologia da USP, v.62, n.3.

Filmografia:
A caverna dos sonhos esquecidos (documentário, 90’, 2010), Werner Herzog
O verbo se fez carne (experimental, 6’28’’, 2019), Ziel Karapotó

Aula II: do registro etnográfico aos cinemas indígenas.
O reverso do filme etnográfico, a contra antropologia, os cinemas indígenas reverteram uma lógica, de objeto a sujeito enunciativo. De Luiz Thomas Reis e Rondon ao Vídeo nas Aldeias. Do Vídeo nas Aldeias aos Cinemas indígenas. A câmera como guardiã de memórias no cinema guarani (Alberto Álvares).

Bibliografia:
ÁLVARES, Alberto. Da Aldeia ao Cinema: o encontro da imagem com a história (2018). Formação Intercultural de Educadores Indígenas – FIEI. Universidade Federal de Minas Gerais.

Filmografia:
Filmes da comissão Rondon (anos 1910-1920)
A Arca dos Zo’é (documentário, 23’, 1993), Vincent Carelli e Dominique Gallois
O Último Sonho (documentário, 60’, 2019), Alberto Álvares

Aula III: artefatos (flecha), aparelhos (câmera) e um cinema cosmopolítico.
Aos operadores materiais de agência nas socialidades indígenas, como adornos, artefatos, pinturas, agora incorporam-se a câmera e o dispositivo cinematográfico. Deste modo, criar imagens sobre a vida e o mundo, esta Terra-floresta, como diz Davi Kopenawa, é uma forma de transmitir aos não indígenas cosmovisões e os impactos das ações humanas sobre Gaia.

Bibliografia:
GELL, Alfred. Arte e agência (1998). São Paulo: Ubu Editora, 2018.
KOPENAWA, D. & ALBERT, B. A Queda do Céu: palavras de um xamã Yanomami (2010). Tradução: Beatriz Perrone-Moisés. 1ª edição – São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2015.
STENGERS, Isabelle. A proposição cosmopolítica. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, Brasil, n. 69, p. 442-464, abr. 2018.

Filmografia:
Imbé Gikegü – Cheiro de Pequi (documentário, 35’, 2006), Takumã Kuikuro
Bicicletas de Nhanderu (documentário, 48’, 2011), Ariel Ortega e Patrícia Ferreira

Programa

Dia 1 - 06/02/24:
1. O homem livre e pobre na Historiografia
2. Caipiras de São Paulo
3. Homens vagos ou o homem livre e pobre da Província do Rio Grande de São Pedro

Dia 2 - 07/02/24:
4. Resistência e repressão: movimentos camponeses
5. Fontes e estatísticas do século XIX sobre o homem livre e pobre

BIBLIOGRAFIA:


BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A partilha da vida. São Paulo: Cabral, 1995.
CANDIDO, Antonio. Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação de seus meios de vida. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2010.
CASTRO, Hebe Maria Mattos de. Ao sul da história: lavra dores pobres na crise do trabalho escravo. São Paulo: Brasiliense, 1986.
CUNHA, Euclides da. Os sertões: campanha de Canudos. São Paulo: Martin Claret, 2016.
FARINATTI, Luís Augusto Ebling. Sobre as cinzas da mata virgem: lavradores nacionais na Província do Rio Grande do Sul (Santa Maria, 1845-1880). Porto Alegre: Dissertação de Mestrado em História/PUCRS, 1999.
FRANCO, Maria Sylvia de Carvalho. Homens livres na ordem escravocrata. São Paulo: Kairós, 1983.
FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sobre o regime da economia patriarcal. 52. ed. São Paulo: Global, 2013.
GOULART, José Alípio. Tropas e tropeiros na formação do Brasil. São Paulo: Conquista, 1961.
GUIMARÃES, Alba Zaluar. Os movimentos "messiânicos" brasileiros: uma leitura. Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, Rio de Janeiro, n. 6, 1979.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Caminhos e fronteiras. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
HÖRMEYER, Joseph. O Rio Grande do Sul de 1850: descrição da província do Rio Grande do Sul no Brasil Meridional. Porto Alegre: Eduni-Sul, 1986.
LOBATO, Monteiro. Urupês. São Paulo: Biblioteca Azul, 2007.
MAESTRI, Mário. Uma história do Rio Grande do Sul - a ocupação do território: da luta pelo território à instalação da economia pastoril-charqueadora escravista. Passo Fundo: EdiUPF, 2006.
MAESTRI, Mário; SANTOS, Júlio Ricardo Quevedo dos; ESSELIN, Paulo (Orgs.). Peões, vaqueiros & cativos campeiros: estudos sobre a economia pastoril no Brasil. Passo Fundo: Editora Universidade de Passo Fundo, 2010.
ORTIZ, Helen Scorsatto. O banquete dos ausentes: a Lei de Terras e a formação do latifúndio no norte do Rio Grande do Sul (Soledade -1850-1889). 213 f. Dissertação (Mestrado) - UPF, Passo Fundo, 2006.
PRADO Jr., Caio. Diretrizes para uma política econômica brasileira. São Paulo: Urupês, 1954.
PRADO Jr., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo: colônia. São Paulo: Brasiliense/Publifolha, 2000.
QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de. O campesinato brasileiro. Petrópolis, Vozes, 1975.
SILVA, Marcio A.B. Caboclos e colonos: encontros, ocupações e conflitos nas matas do Rio Grande do Sul (1850-1889). Curitiba: Prismas, 2016.
SOUZA, Laura de Mello e. Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no Século XVIII. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1982.
ZARTH, Paulo Afonso Zarth. História agrária do planalto gaúcho 1850-1920. Ijuí: EdiUnijuí, 1997.
ZARTH, Paulo Afonso. Do arcaico ao moderno: o Rio Grande do Sul agrário do século XX. Ijuí: EdiUnijuí, 2002.

 

Programa

Aula 1: Gramática Normativa vs. Gramática Descritiva
Por que precisamos estudar português na escola? Variação linguística, gramática normativa e gramática descritiva. O que sabem os falantes nativos? Gramaticalidade vs. agramaticalidade.

BAGNO, M. Preconceito linguístico. São Paulo: Editora Contexto, 2015.
FRANCHI, C. Criatividade e gramática. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 9, n. 1, 2012. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8639037. Acesso em: 5 nov. 2024.
GROLLA, E. & FIGUEIREDO SILVA, M. C. Para conhecer: aquisição da linguagem. São Paulo: Editora Contexto, 2014, p. 13-92.
PETTER, M. Linguagem, língua, linguística. In: Fiorin, J.L. (org.) Introdução à linguística I. Objetos de análise. São Paulo: Editora Contexto, 2018, 11-24.
POSSENTI, S. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil, 1996.
SLOBIN, D.I. Psicolinguística. São Paulo: Nacional, 1980.

Aula 2: Propriedades da aquisição de línguas naturais e teorias da aquisição da linguagem
Descrição do fenômeno da aquisição de línguas naturais em contraste com outros sistemas de comunicação animal, focando em suas propriedades fundamentais: rapidez, universalidade, espontaneidade, uniformidade, período crítico. Apresentação e discussão de teorias de base empirista que visam dar conta da aquisição de primeira língua.

GROLLA, E. & FIGUEIREDO SILVA, M. C. Para conhecer: aquisição da linguagem. São Paulo: Editora Contexto, 2014, p. 13-92.
SANTOS, R. A aquisição da linguagem. In: FIORIN, J. L. (org.) Introdução à linguística I. Objetos de análise. São Paulo: Editora Contexto, 2018, p. 211-227.
SLOBIN, D.I. Psicolinguística. São Paulo: Nacional, 1980.

Aula 3: Teoria de Princípios e Parâmetros
Apresentação do modelo de Princípios e Parâmetros como principal teoria de base racionalista que visa dar conta da aquisição de linguagem como fenômeno plausível. Para isso, serão discutidos conceitos como Faculdade da Linguagem, Gramática Universal e competência vs. desempenho.

GROLLA, E. & FIGUEIREDO SILVA, M. C. Para conhecer: aquisição da linguagem. São Paulo: Editora Contexto, 2014, p. 13-92.
RAPOSO, E. Teoria da Gramática: A faculdade da linguagem. Lisboa: Ed. Caminho, 1992.

Aula 4: Introdução à sintaxe e aquisição de fenômenos sintáticos
O que é e o que se estuda em sintaxe? Entendendo a estrutura sintática do Português Brasileiro e como certos fenômenos sintáticos são adquiridos pelos falantes nativos. Conscientização das variações possíveis dentro da gramática de uma língua natural considerando os conceitos de gramaticalidade e aceitabilidade na sintaxe.

KENEDY, E. Curso básico de gramática gerativa. São Paulo: Editora Contexto, 2013.
NEGRÃO, E.; SCHER, A. P.; VIOTTI, E. d. C. In: FIORIN, J. L. (org). Introdução à linguística II: Princípios de Análise. São Paulo: Editora Contexto, 2003 , p. 81-110.

Aula 5: Experimentos linguísticos
Fornecer exemplos de como os dados linguísticos são analisados cientificamente, sejam eles naturais ou experimentais. Como conciliar Linguística e Gramática Normativa na sala de aula?

CAIRNS, H.S.; McDaniel, D.; McKee, C. Methods for assessing children’s syntax. Estados Unidos: MIT Press, 1996.
GROLLA, E. Metodologias Experimentais em Aquisição da Linguagem. Estudos da Língua(gem), 2009, 7: 9-42.
GROLLA, E. & FIGUEIREDO SILVA, M. C. Para conhecer: aquisição da linguagem. São Paulo: Editora Contexto, 2014, p. 93-126.
POSSENTI, S. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil, 1996.

Programa

Dividido em três aulas de duas horas cada, o curso aborda obras literárias escritas por autoras brasileiras e latino-americanas a partir de uma perspectiva de leitura feminista, relacionando as violências de gênero às violências estatais e aos direitos humanos. A metodologia inclui a leitura compartilhada de trechos das obras selecionadas, sua análise coletiva e a aproximação dos textos com referenciais da teoria crítica. Os textos abordados nos encontros serão disponibilizados para leitura prévia e também expostos em slides de powerpoint durante as aulas, possibilitando o acompanhamento de todas as pessoas participantes (mesmo que não consigam ler as obras previamente).

1ª aula - Elvira Vigna

Leitura e análise do conto “I+zil+d=inha” (2005), narrativa que apresenta uma mulher fragilizada pelo relacionamento violento, com uma válvula de escape insinuada apenas no final do conto: “a tampa da mesa que ainda não está quebrada mas vai estar, assim que ela der um chute, de bico, daqueles bons mesmo. E um berro” (p. 297-302).
A leitura literária será acompanhada de trechos de textos teóricos da filósofa feminista bell hooks, que utiliza o termo “violência patriarcal” para recordar que a violência dentro de casa se liga ao pensamento sexista, à dominação masculina, mesmo que não seja praticada apenas por homens (p. 96), associando-a ao sistema, ao coletivo.

2ª aula - Tatiana Salem Levy

Leitura e análise de trechos do romance “Melhor não contar” (2024). Décadas depois de ser assediada pelo homem pelo qual sua mãe foi apaixonada, a narradora/autora enfim decide contar a situação pela qual passou, apesar de todos os conselhos que recebe para seguir na direção contrária quando lhe questionam: “Para que se expor tanto?” (2024, p. 63).
A leitura literária será acompanhada de trechos de textos teóricos da filósofa Audre Lorde (1977), que lembra que as mulheres são socializadas para respeitar mais ao medo que às próprias necessidades de linguagem e definição. Para ela, “é necessário examinar não só a verdade do que falamos mas também a verdade da linguagem em que o dizemos” (p. 19).

3ª aula - Tamara Kamenszain

Leitura e análise de trechos da obra poética “Garotas em tempos suspensos” (2022), em que a escritora argentina problematiza o uso de diversos termos, entre eles as palavras “poetisa”, “garotas” e “feminicídio”. Já em seus primeiros versos, retoma a história da poetisa uruguaia Delmira Agustini (1886-1914), que foi assassinada pelo ex-marido. As violências vivenciadas pelas mulheres presentes na obra são relacionadas, a todo o tempo, ao regime ditatorial daquele país, entre os anos de 1966 e 1973.
A leitura literária será acompanhada de trechos de textos teóricos que retomam as origens do termo “feminicídio”, proposto pela socióloga sul-africana Diana Russell e pela antropóloga e pesquisadora mexicana Marcela Lagarde, além de textos da filósofa feminista Judith Butler, para quem a performance, ou seja, a forma daquilo que é dito é o que produz sentido, mais do que o conteúdo do que é dito.

Referências bibliográficas:

BUTLER, Judith. Corpos em aliança e a política das ruas: notas para uma teoria performativa de assembleia. Tradução de Fernanda Siqueira Miguens. 1ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

HOOKS, bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. Tradução de Bhuvi Libanio. 21ª ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2023.

KAMENSZAIN, Tamara. Garotas em tempos suspensos. Tradução de Paloma Vidal. São Paulo: Círculo de Poemas, 2022.

LEVY, Tatiana Salem. Melhor não contar.

VIGNA, Elvira. “I+zil+d=inha”. In: Mais 30 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira. Organização: Luiz Ruffato. Rio de Janeiro: Record, 2005. p. 295-302.

Programa

This course examines the ways in which post-colonial North African cinema has addressed political violence and transitional justice. We will use Morocco's post-"Years of Lead" period as a case study to investigate how filmmakers have challenged official narratives, negotiated censorship, and aided in national reconciliation. Students will gain a profound understanding of cinema as a vehicle for memory, resistance, and human rights advocacy through film screenings, lectures, comparative discussions, and transregional perspectives.
Learning Objectives
By the end of the course, students will be able to:
Analyze the aesthetic and political strategies used by North African filmmakers.
Understand the historical context of transitional justice in Morocco and the broader North Africa region.
Critically assess the role of state-sponsored vs. independent cinema in shaping collective memory.
Draw transregional comparisons with Latin American cinematic responses to authoritarianism.

Assessment and Grading:
Active Participation (40%): Engagement in class discussions is essential. Students are expected to have completed the required readings and viewed the films before each session and come prepared to contribute their insights.
Student-Led Presentation (60%): On Day 4, students will deliver a brief (10-15 minute) presentation. The presentation will compare a North African film discussed in class with a South American film (e.g., The Official Story or another relevant example), focusing on a key theme such as state violence, memory, or resistance.

Course Schedule:
Day 1: Allegory Under Authoritarianism
- Topics: Censorship, symbolism, and resistance in early North African cinema.
- Film: Wechma (Hamid Bennani, Morocco, 1970)
- Readings:
- Carter, Sandra G. "Constructing an independent Moroccan nation and national identity through cinema and institutions." The Journal of North African Studies 13.4 (2008): 531-559. This article provides historical context on the institutional and political landscape in which early Moroccan filmmakers like Hamid Bennani were working.
- Peralta García, Lidia. "Films in transition: the rhetorical embodiment of the Years of Lead in Moroccan cinema (2000–2018)." The Journal of North African Studies 28.2 (2023): 325-346. This reading introduces key cinematic strategies used to represent the "Years of Lead," offering a framework for analyzing Wechma as a foundational text.

Day 2: State-Sponsored Memory and Its Limits
- Topics: The Equity and Reconciliation Commission (IER), official memory, and documentary cinema.
- Films: Mother of All Lies (Asmae El Moudir, Morocco, 2023) + Excerpts from IER-commissioned documentaries
- Readings:
- Slyomovics, Susan. The Performance of Human Rights in Morocco. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2005. This book is a foundational study of the IER's public hearings. The selected chapters will help you critically analyze the concept of "official memory" and contrast it with the personal, counter-narrative presented in Mother of All Lies.

Day 3: Independent Voices and Grassroots Resistance
- Topics: Indigenous cinema, environmental justice, and grassroots filmmaking.
- Film: Amussu (Nadir Bouhmouch, Morocco, 2019)
- Readings:
- Bogaert, Koenraad, and Soraya El Kahlaoui. "The Imider protest camp: resistance by repossession and lived citizenship at the global margins of Moroccan society." Citizenship Studies 28.6 (2024): 632-653. This article provides the direct socio-political context of the Imider movement shown in the film, exploring it as a form of grassroots citizenship.
- Bahmad, Jamal. "Three Hundred Kilometers South of Marrakech: Imider, Artivism, and the Environmental Documentary in Morocco." Documentary Filmmaking in the Middle East and North Africa (2021): 345-358. This article connects the Imider protest to trends in environmental documentary and "artivism" in Morocco, offering a critical lens for analyzing the film Amussu.

Day 4: Transregional Dialogues and Final Reflections
- Topics: Comparative cinema, student presentations, and collaborative analysis.
- Film: I'm Still Here (Walter Salles, Brazil, 2024)
- Activities: Student-led presentations and discussions comparing Maghrebi and South American films.
- Suggested Films for Comparison:
- The Official Story (Luis Puenzo, Argentina, 1985)
- I'm Still Here (Walter Salles, Brazil, 2024)

Note on Course Materials: All required readings will be provided electronically. Films will be screened in class.

Required Viewing (Filmography):
Wechma, Hamid Bennani, Morocco, 1970.
Mother of All Lies, Asmae El Moudir, Morocco, 2023.
Amussu, Nadir Bouhmouch, Morocco, 2019.
I'm Still Here, Walter Salles, Brazil, 2024.

Bibliography (Selected Readings):
Armes, Roy. Postcolonial Images: Studies in North African Film. Indiana University Press, 2005.
Bahmad, Jamal. “Insurgent Citizenship: Youth, Political Activism and Citizen Cinema in Post-2011 Morocco.” Journal of African Cinemas 11, no. 2 (2019): 131–140.
Page, Joanna. Crisis and Nostalgia: The Political Film in Post-Dictatorship Argentina. Duke University Press, 2014.
Shohat, Ella and Robert Stam. Unthinking Eurocentrism: Multiculturalism and the Media. Routledge, 2014.
Slyomovics, Susan. The Performance of Human Rights in Morocco. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2005.