Programa

Aula 1: 10/8 (terça-feira) - Qualquer um em Agnès Varda (Fernanda Almeida)
Esta aula caracterizará a figura do “qualquer um”, por meio de uma análise interpretativa dos filmes L’Opéra-Mouffe (1958) e Les Glaneurs et la Glaneuse (2000), de Agnès Varda. A chave de leitura proposta sugere, com o auxílio de Giorgio Agamben e Jacques Rancière, que essa figura é constituída de modo terno, afetuoso e generoso, responsável por lançar luz sobre a nossa existência compartilhada no mundo.

Bibliografia:
AGAMBEN, Giorgio. O amigo. In: O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Tradução de Vinícius Nicastro Honesko. Chapecó: Argos, 2009, p. 77-92.
BORGES, Cristian; CAMPOS, Gabriela; AISENGART, Ines. (Org.) Agnès Varda – o movimento perpétuo do olhar. Rio de Janeiro e São Paulo: Centro Cultural Banco do Brasil, 2006. Cf. especialmente “Os catadores e eu”, de Jean-Claude Bernadet, p. 25-27.
KLINE, T. Jefferson. Agnès Varda: Interviews. Jackson: University Press of Mississippi, 2014.
Ciné-Tamaris : cine-tamaris.fr/lunivers-de-cine-tamaris/la-bio-dagnes/.
RANCIÈRE, Jacques. Das artes mecânicas e da promoção estética e científica dos anônimos. In: A partilha do sensível. Estética e política. (2000) Tradução de Mônica Costa Netto. São Paulo: EXO experimental.org.: Editora 34, 2009, p. 45-51.


Aula 2: 12/8 (quinta-feira) - Sensível heterogêneo em Dom Quixote e Jacques Rancière (Daniela Blanco)
Essa aula pretende pensar a figura do cavaleiro errante Dom Quixote a partir do pensamento de Jacques Rancière em torno da noção de experiência sensível heterogênea. Analisaremos como a loucura do personagem não é ausência de razão, mas, sim, um outro modo de pensamento que recusa o binarismo cartesiano que coloca de um lado a razão, a clareza e a distinção e de outro o sensível, o erro e a loucura.

Bibliografia:
CERVANTES SAAVEDRA, Miguel de. O engenhoso fidalgo D. Quixote de La Mancha. Primeiro livro. Tradução de Sérgio Molina. 3ª ed. 1ª reimp. São Paulo: Editora 34, 2005.
RANCIÈRE, Jacques. La parole muette. Paris: Fayard/ Pluriel, 2010.
_________________. O fio perdido: ensaios sobre a ficção moderna. Tradução de Marcelo Mori. São Paulo: Martins Fontes, 2017a.
_________________. Políticas da escrita. 2ª ed. Tradução de Raquel Ramalhete, Laís Eleonora Vilanova, Ligia Vassalo e Eloisa Araújo Ribeiro. São Paulo: Editora 34, 2017b.
_________________. Les bords de la fiction. Paris: Éditions du Seuil, 2017c.
_________________. Sobre políticas estéticas. Tradução de Manuel Arranz. Barcelona: Servei de publicacions de la Universitat Autònoma de Barcelona, 2005.
_________________. A partilha do sensível. Tradução de Mônica Costa Netto. 2ª ed. São Paulo: Editora 34, 2009.
_________________. “A comunidade estética”. Tradução de André Gracindo e Ivana Grehs. In: Revista Poiesis, Niterói, n. 17, 2011, pp. 169-187.


Aula 3: 17/8 (terça-feira) - O coro ou a turba raivosa em Elfriede Jelinek (Artur Kon)
O teatro hegemônico, isto é, o drama, tem como uma de suas bases formais a atribuição do texto e das ações a personagens individuais mais ou menos autônomas. Veremos como os textos “pós-dramáticos” da Nobel de Literatura Elfriede Jelinek rompem com esse princípio ao propor coros, de identidade mais ou menos indeterminada, para refletir sobre fenômenos políticos como as massas fascistas e neofascistas, a crise de refugiados e o papel da mulher em uma sociedade persistentemente patriarcal.

Bibliografia:
JELINEK, Elfriede. „Am Königsweg“. In: Schwarzwasser. Am Königsweg. Zwei Theaterstücke. Reinbeck: Rowohlt, 2020.
______________. Die Schutzbefohlenen. Site pessoal da autora, 2013. Disponível em: https://www.elfriedejelinek.com/fschutzbefohlene.htm
______________. Schatten (Eurydike sagt). Site pessoal da autora, 2015. Disponível em: http://elfriedejelinek.com/fschatten.htm
______________. „Wolken.Heim“. In: Stecken, Staub und Stangl. Raststätte. Wolken.Heim. Reinbeck: Rowohlt, 2015
HAß, Ulrike. Kraftfeld Chor: Aischylos Sophokles Kleist Beckett Jelinek. Berlim: Theater der Zeit, 2021.
LEHMANN, Hans-Thies. Teatro pós-dramático. Tradução de Pedro Süssekind. São Paulo: Cosac Naify, 2011.
SARRAZAC, Jean-Pierre. Poética do drama moderno: De Ibsen a Koltès. Tradução de Newton Cunha, J. Guinsburg e Sonia Azevedo. São Paulo: Perspectiva, 2017.


Aula 4: 19/8 (quinta-feira) - Dissenso no teatro site-specific do Teatro da Vertigem (Antonio Duran)
A partir da exposição do percurso criativo da cena inicial do espetáculo Dire ce qu’on ne pense pas dans des langues qu’on ne parle pas, realizado pelo Teatro da Vertigem, na Bélgica, em 2014, pretende-se pensar a figura do outro no campo da produção artística. Particularmente naquilo que a alteridade, em seu aspecto conflitivo e dissensual, como pensa o filósofo Jacques Rancière, é capaz de mobilizar, tanto no interior da criação, quanto na relação entre a própria criação e o público que dela participa.

Bibliografia:
DEUTSCHE, Rosalyn. Tilted Arc and the Uses of Public Space. (1992) Rpt. in Designing Cities: Critical Readings in Urban Design. Alexander R. Cuthbert (Org.) Malden, MA: Blackwell Publishing, 2003.
MOUFFE, Chantal. Práticas artísticas y democracia agonística. Barcelona, MACBA/UAB, 2007.
RANCIÈRE, Jacques. O dissenso. In: A crise da razão. Organizador: Adauto Novaes (Org.). São Paulo: Companhia das Letras,1996. Tradução de Paulo Neves.
__________________. Sobre políticas estéticas. Tradução de Manuel Arranz. Barcelona: Edición Museu d'Art Contemporani de Barcelona, 2005.
__________________. A partilha do sensível. Tradução de Mônica Costa Netto. 2ª ed. São Paulo: Editora 34, 2009, p. 59.


Aula 5: 24/8 (terça-feira) - Pós-fotografia: a imagem numérica como o outro da imagem analógica a partir de Mishka Henner e Federico Winer (Cristina Pontes Bonfiglioli)
A Pós-fotografia assemelha-se à produção de fotógrafos-artistas das vanguardas históricas que não utilizavam a câmera para produzir imagens. Contudo, tem sua alteridade marcada pela presença do bit, unidade energética que fundamenta toda a possibilidade de computação. A materialidade da arte está em xeque ou se trata da redução da mesma à invisibilidade? Mishka Henner e Federico Winer são os fotógrafos artistas que ilustrarão essa abordagem.

Bibliografia:
COUCHOT, Edmond. A tecnologia na arte: da fotografia à realidade virtual. Porto Alegre: Ed. UFRG, 2003.
FABRIS, Annateresa. O desafio do olhar. Fotografia e artes visuais no período das vanguardas históricas Volume II. São Paulo, WMF Martins Fontes, 2013.
FLUSSER, Vilém. Los gestos. Fenomenologia y comunicación. Barcelona: Herder, 1994.
_______. Filosofia da caixa preta. Ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo, Annablume, 2011.
MITCHELL, William J. The Reconfigured Eye. Visual Truth in the Post-Photographic Era. Cambridge, The MIT Press, 1992.
SHORE, Robert. Post-Photography: The Artist with a Camera. London: Laurence King Publishing, 2014.
SIMMEL, Georg. A Filosofia da Paisagem. Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2009.
VARGAS, Milton. História da matematização da natureza. Estudos Avançados. São Paulo, v. 10, n. 28, Dez. 1996. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-4014199600… Acesso em 28 Ago. 2011. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40141996000300011


Aula 6: 26/8 (quinta-feira) - Redução e Esgotamento em Samuel Beckett (Fabiano Viana)
Trataremos dos dissensos, ético-políticos, estético-filosóficos, em torno das obras de Samuel Beckett (1906-1989), tendo em nosso horizonte propostas interpretativas resolutamente distintas entre em si, porém não necessariamente excludentes, a saber: as leituras dos filósofos Theodor Adorno e Gilles Deleuze. Demonstraremos como as figurações da redução e do esgotamento na produção beckettiniana promovem diferentes modos de habitar um espaço artístico (e político) híbrido, no entanto com-partilhado, a partir do encontro de temporalidades heterogêneas entre si, complexificando a designação de uma presumida "situação da obra".

Bibliografia:
ADORNO, Theodor. Teoria Estética. Tradução de Artur Morão. Lisboa: Edições 70, 2008.
________________. Intento de entender “Fin de partida”. Notas sobre literatura. Obra completa 11. Madrid: Akal/Básica de Bolsillo, 2003. p. 270-310.
BECKETT, Samuel. Quad et autres pièces pour la télévision suivi de L’Épuisé, par Gilles Deleuze. Paris: Les Éditions de Minuit, 1992.
_______________. Fim de Partida. Tradução de Fábio de Souza Andrade. São Paulo: Cosac e Naify Edições, 2002.
_______________. The Grove Centenary Editions of Samuel Beckett: Novels I; Novels II; The Dramatic Works; The Poems, Short Fiction and Criticism. Nova York: Grove, 2006.
_______________. O Inominável. Tradução de Ana Helena Souza. São Paulo, Editora Globo, 2009.
DELEUZE, Gilles. Critique et clinique. Paris: Minuit, 1993.
_______________. Sobre o teatro: Um manifesto de menos. O esgotado. Tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro, Zahar, 2010.


Aula 7: 31/8 (terça-feira) - Fechamento: "O que pode o outro?"
A partir das diversas perspectivas da figura do outro apresentadas ao longo do curso, os ministrantes propõem a realização de um debate aberto à participação dos alunos, tendo como disparador a seguinte questão: o que pode o outro? O intuito dessa aula-debate é a construção de um caráter político dos temas apresentados em diálogo com o tempo presente.

Programa

Programa do curso


Este curso tem por objetivo preparar os alunos para realizar as provas de certificação em língua francesa, dando-lhe ferramentas para que eles conheçam as provas e desenvolvam as habilidades linguísticas e discursivas requeridas por elas. Ele objetiva trabalhar habilidades comunicativas em Língua Francesa que permitam aos alunos dominar a língua em situações variadas, possibilitando que se apresentem aos exames DALF C1.
Nos módulos serão trabalhadas estratégias para o desenvolvimento das capacidades requeridas pelos exames. As aulas tratarão das quatro habilidades avaliadas nas provas: compreensão oral, compreensão escrita, produção oral e produção escrita. Para tanto, serão trabalhados as provas e objetivos específicos para permitir que os alunos possam realizar os exames DALF C1.
Trata-se de um curso modular, de 12 horas, que será dividido em 4 módulos sobre o DALF C1.

Cada módulo será composto de 1 aula de 3 horas.


É necessário comprovar o nível por meio de um dos certificados (DELF B2) anterior ao nível que se deseja estudar ou fazer um teste de nível.

Bibliografia
BAPTISTE Auréliane, MARTY Roselyne. Réussir le DELF B2. Didier, 2010.
CHEVALLIER-WIXLER Dominique, DUPLEIX Dorothée, JOUETTE Ingrid, et al. Réussir le DALF C1/C2. Didier, 2007
VELTCHEFF Caroline, HILTON Stanley. Préparation à l'examen du DELF B2. Hachette FLE, 2006.

Programa

AULA 1 - Torga, escritor universal: a autoria e o papel da escrita
O objetivo da primeira aula é apresentar quem foi Miguel Torga e seu papel na literatura portuguesa do século XX, além de introduzir as bases de sua poética.

AULA 2 - “Transfiguro o meu pranto e sou poeta”: Torga e o labor poético
Na segunda aula, veremos como se constitui a poética de Torga a partir da noção de “labor poético”, central para a compreensão de sua poesia e de sua literatura de maneira geral.

AULA 3 - A escrita autobiográfica: uma análise de A criação do mundo
Na terceira aula, veremos como a obra autobiográfica de Torga, marcadamente o romance A criação do mundo, se insere nesse gênero e quais as particularidades da escrita de si na produção do autor.

AULA 4 - O diário como escrita íntima e “a imagem duma incansável procura”
Dando continuidade ao tema da escrita autobiográfica, abordaremos as particularidades da obra diarística de Torga. Composta por dezesseis volumes, trata-se de uma das mais relevantes produções desse gênero em língua portuguesa.

AULA 5 - Os contos de Torga e a personificação do escritor
O objetivo da quinta aula é propor um perfil literário para os contos de Torga, com base em narrativas (marcadamente “Bambo", “Cegarrega” e “Vicente”) que conversem diretamente com os temas do trabalho da escrita e o papel do artista.

AULA 6 - Torga romancista: a caneta e a enxada
Na sexta e última aula, passaremos pelo romance Vindima e pelo livro Portugal, a fim de compreender como a paisagem, a natureza e o ambiente têm papel central no engajamento social do autor, que via semelhanças entre a função do escritor e a do trabalhador da terra.

Bibliografia

BERNARDES, José Cardoso. “Miguel Torga”. In: MARTINS, Fernando Cabral (coord.). Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português. São Paulo: Leya, 2010.
CORTEZ, Clarice Zamonaro. Um estudo da obra poética de Miguel Torga: sinais e tendências. Signótica, Goiânia, v. 21, n. 1, pp. 39-49, jan./jun., 2009. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/sig/article/view/8613. 
DUMAS, Catherine. “Qual o exercício da sinceridade para o eu no ‘Diário’ de Miguel Torga?”. Revista Colóquio/Letras, Lisboa, n. 172, , pp. 92-104, set. 2009. Disponível em: https://xdata.bookmarc.pt/gulbenkian/cl/pdfs/172/PT.FCG.RCL.8905.pdf.&n…;
FINAZZI-AGRÒ, Ettore. “Escrever em vez de si: Testemunho e autobiografia em Miguel Torga”. In: SOUSA, Carlos Mendes de. Dar mundo ao coração. Alfragide: Texto Editores, 2009. pp. 251-262.
FRADE, Mafalda Maria. “Torga, o rebelde insatisfeito: o drama da criação poética”. In: LEÃO, Isabel Ponce de. A minha verdadeira imagem está nos livros que escrevi. Porto: Universidade Fernando Pessoa, 2007. pp. 101-120.
GONÇALVES, Fernão de Magalhães. Ser e ler Torga. Lisboa: Vega, 1998.
LEÃO, Isabel Vaz Ponce de. O essencial sobre Miguel Torga. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2003.
LOPES, Maria do Carmo Azevedo. Miguel Torga: uma poética de autenticidade. Porto: Universidade Fernando Pessoa, 2005.
LOPES, Teresa Rita. Miguel Torga: ofícios a “um Deus de terra”. Rio Tinto: Edições Asa, 1993.
LOURENÇO, Eduardo. “Um nome para uma obra”. In: Aqui, Neste Lugar e Nesta Hora. Atas do Primeiro Congresso Internacional Sobre Miguel Torga, Porto, Universidade Fernando Pessoa, 1994, pp. 278-284.
______. “O desespero humanista de Miguel Torga e o das novas gerações”. In: LOURENÇO, Eduardo. Tempo e poesia. Lisboa: Gradiva, 2003a. pp. 69-98.
______. “Presença ou a contra-revolução do modernismo português?”. In: Tempo e Poesia. Lisboa: Gradiva, 2003b, pp. 102-120.
MELO, José de. Miguel Torga. Lisboa: Arcádia, 1960.
OLAZAGASTI, Elena. A Reflexão do Poeta sobre o Poeta em Orfeu Rebelde, de Miguel Torga. Luso-brazilian Review, Madison, v. 21, n. 1, pp. 57-61, 1984. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/3513077.
PAIVA, José Rodrigues de. “Entre Pessoa e Régio, Miguel Torga”. Eutomia. v. 1, n. 1, 2008. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/EUTOMIA/article/view/1971/0.
ROCHA, Clara. O espaço autobiográfico em Miguel Torga. Coimbra: Almedina, 1977.
______. Máscaras de narciso: estudos sobre a literatura autobiográfica em Portugal. Coimbra: Almedina, 1982.
______. “A lição de Bambo”. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, São Paulo, v. 11, pp. 155-165, mai/2009. Disponível em: https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/115. 
______. Miguel Torga: Fotobiografia. 2ª ed. Lisboa: Dom Quixote, 2018.
SOUSA, Carlos Mendes. (Organização e prefácio) Cartas para Miguel Torga. Alfragide: D. Quixote, 2020.
TORGA, Miguel. A terceira voz. Coimbra: Edição do autor, 1934.
______. Fogo preso. Coimbra: Edição do autor, 1976.
______. Antologia Poética. Coimbra: Editora Coimbra, 1981.
______. A criação do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.
______. Diário – Vol. I a IV. 5ª ed. Alfragide: Dom Quixote, 2010a.
______. Diário – Vol. V a VIII. 5ª ed. Alfragide: Dom Quixote, 2010b.
______. Diário – Vol. IX a XII. 5ª ed. Alfragide: Dom Quixote, 2011a.
______. Diário – Vol. XIII a XVI. 5ª ed. Alfragide: Dom Quixote, 2011b.
______. Contos. Alfragide: D. Quixote, 2017.
VEIGA, Norberto. O labirinto literário de Miguel Torga. Lisboa: Guerra & Paz, 2022.

Programa

O curso se focará em quatro grandes autores de língua portuguesa dos séculos XX e XXI: o brasileiro João Guimarães Rosa (1908-1967); o caboverdiano Baltasar Lopes (1907-1989); o timorense Luís Cardoso Noronha (1958) e o angolano Ondjaki (1977). Em períodos diferentes dos séculos XX e XXI, eles escrevem quatro obras que têm, como protagonistas, personagens infantis cuja ação se insere no panorama histórico e social dos seus respetivos países e e é condicionada por ele.

Através do olhar destas crianças, os autores pintam uma tela da realidade nacional: assim, nos olhos míopes de Miguilim (1964), Guimarães Rosa apresenta o sertão brasileiro na época do fomento das grandes cidades no país; pela recordação do seu Chiquinho (1947) já adulto e emigrado nos Estados Unidos, Baltasar Lopes conta o Cabo Verde em que ele próprio viveu; nas brincadeiras dos meninos que protagonizam Avodezanove e o segredo do soviético (2008), e nas suas personagens exilarantes, Ondjaki conta o drama da guerra civil em Angola, enquanto a formação do narrador de Para onde vão os gatos quando morrem? (2017), Luís Cardoso Noronha conta as travessias de Timor Leste, de colônia portuguesa até à invasão indonésia.

Uma abordagem linguística aos textos visará analisar as escolhas lexicais, semânticas e sintáticas com que os autores mantêm constante, ao longo da narração, o ponto de vista infantil.

Bibliografia:

Baltasar Lopes, Chiquinho, Vega, 2006;
João GUIMARÃES ROSA, Manuelzão e Miguilim, Nova Fronteira, 2011;
Luís Cardoso, Para onde vão os gatos quando morrem? Sextante, 2017;
Ondjaki, Avodezanove e o segredo do soviético, Companhia das Letras, 2009.

Programa

Aula 1: Introdução
Aula 2: A tradução de Pierre de Ronsard
Aula 3: Elizabeth Barrett Browning
Aula 4: Christina Rossetti
Aula 5: Paul Verlaine
Aula 6: Rainer Maria Rilke. Considerações finais

Bibliografia:

ANDRADE, Mário de e BANDEIRA, Manuel. Correspondência. Organização, introdução e notas de Marcos Antonio de Moraes. São Paulo, Edusp, 2000.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da Vida Inteira. 20a edição. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1993.
BENJAMIN, Walter. “A tarefa do tradutor”, in: Escritos sobre mito e linguagem. 2a edição. Tradução de Susana Kampff Lages. São Paulo, Duas Cidades/ 34, 2013.
BERMAN, Antoine. A prova do estrangeiro – cultura e tradição na Alemanha romântica – Herder, Goethe, Schlegel, Novalis, Humboldt, Schleiermacher, Hölderlin. Tradução de Maria Emília Pereira Chanut. Bauru, EDUSC, 2001.
________. A tradução e a letra. Tradução de Marie-Hélène Catherine Torres, Mauri Furlan e Andreia Guerini. Rio de Janeiro, 7Letras, 2007.
BROWNING, Elizabeth Barrett. Sonnets from the Portuguese, disponíveis em: https://www.gutenberg.org/files/2002/2002-h/2002-h.htm
___________. Sonetos portugueses. Tradução de Manuel Corrêa de Barros. Lisboa, Relógio d’Água, 1991.
CANDIDO, Antonio. “A vida em resumo” e “As rosas e o tempo”, in: Brigada Ligeira e outros ensaios. São Paulo, Editora da Unesp, 1992.
CARPEAUX, Otto Maria. “Nota sobre Rilke”, in: Retratos e leituras. Rio de Janeiro, Organização Simões, 1953.
DETTONI, Raquel do Valle. “Paráfrase de Ronsard – uma possível leitura”, in: Polifonia. Vol. 00, n. 00, 1993, pp.62-70.
MAGALHÃES Jr., R. Antologia de Poetas Franceses (do Século XV ao Século XX). Gráfica Tupy, Rio de Janeiro, 1950.
RILKE, Rainer Maria. Sämtliche Werke. Insel Verlag, Frankfurt/ Main, 1966.
RONSARD, Pierre de. Œuvres complètes. Paris, Gallimard, 1968.
ROSSETTI, Cristina Georgina. Poems. → disponível em: http://www.gutenberg.org/files/19188/19188-h/19188-h.htm
VERLAINE, Paul. Œuvres poétiques complètes. Paris, Gallimard, 1993.

 

Programa

Aula 1. Os temas transversais, a inter/transdisciplinaridade e as questões socialmente vivas.
Aula 2. Multiculturalismo: uma introdução a diferentes visões e perspectivas
Aula 3. Pedagogia de projetos e a gestão de projetos em sala de aula
Aula 4. Didatizando documentos e vivências: aportes da Engenharia Didática
Aula 5. Trabalho prático: elaborando propostas para meu contexto de ensino

Referências:
BLANCHET, P.; COSTE, D. Sur quelques parcours de la notion d' " interculturalité ". Analyses et propositions dans le cadre d'une didactique de la pluralité linguistique et culturelle. Blanchet, Ph. & Coste Daniel. Regards critiques sur la notion d' " interculturalité " : pour une didactique de la pluralité linguistique et culturelle, L'Harmattan, pp.7-27, 2010.
CONSELHO DA EUROPA. Division de Politiques Linguistiques. Sociétés multiculturelles et individus pluriculturels :
le projet de l’éducation interculturelle, 2009.
DOLZ, J. As atividades e os exercícios de língua: uma reflexão sobre a engenharia didática. D.E.L.T.A., 32.1, p. 237-260, 2016.
LACERDA, A. C. C.; DANTAS-LONGHI, S. M. Pedagogia de projetos: concepção e realização de um projeto de ensino transversal de francês língua estrangeira e educação ambiental. Perspectiva, 41(4), p. 1–23, 2023.
LEGARDEZ, A. Questions Socialement Vives, et Education au Développement Durable. L’exemple de
la question du changement climatique. Revue francophone du développement durable, Éd. Oeconomia, 2016.
MOREIRA, A. F. B.; CANDAU, V, M. Multiculturalismo: diferenças culturais e práticas pedagógicas. Vozes, 2008.
SAUVÉ, L. Educação ambiental: possibilidades e limitações. Educação e Pesquisa, v. 31, n. 2, p. 317-322, maio/ago. 2005.
SILVA, E.C.; DANTAS-LONGHI, S. M. Ensino-aprendizagem de línguas, trabalho e formação docente: caminhos e pontes entre Linguística Aplicada e Didática das Línguas. Revista Leitura, [S. l.], n. 67, p. 354–374, 2020.

Programa

Aula 1 - APRESENTAÇÃO DATA PROGRAMA E LATINOAMERICANISMO
Docentes: Prof. Júlio Suzuki, Suzana Silveira e Jenny Moreno Socha
Comentadores: —

Tópicos:
Apresentação das/os participantes, da equipe e dos objetivos do curso
Histórico e contexto da oferta do curso
Introdução à proposta de latino-americanismo crítico: o que significa pensar a América Latina desde a América Latina


Aula 2 - PROJETO DE PESQUISA E ESCRITA ACADÊMICA
Docentes: Oak Tonet Assad, Fernanda do Nascimento Pinheiro e Marcelly Machado Cruz
Comentadores: —

Tópicos:
O que é um projeto de pesquisa? Estrutura e função no campo acadêmico
Como construir um problema de pesquisa relevante?
Etapas da construção de um projeto (perguntas orientadoras, hipóteses, metodologia, objetivos, justificativa)
A escrita acadêmica como forma de argumentação
Estilos de escrita e critérios de clareza, coerência e coesão


Aula 3 - OFICINA DE PROJETO DE PESQUISA
Docentes: Abril Romero, Carolina de Mendonça Rodrigues Silva, Gabriel Malheiros Marques Fernandes, Carlos Magno Rodrigues Almeida, Daniel Alfonso León
Comentadores: —

Tópicos:
Discussão de exemplos de alguns projetos
Dicas práticas: organização, prazos, blocos de escrita e revisão
Diagnóstico coletivo: em que etapa do projeto cada participante está?
Atividade prática: esboço ou reescrita de uma parte do projeto (por ex., problema de pesquisa ou objetivos)
Tirar dúvidas e troca de feedbacks orientados


Aula 4 - OFICINA DE CURRÍCULO LATTES
Docentes: Suzana Silveira e Thais de Souza Gomes
Comentadores: —

Tópicos:
O que é o Currículo Lattes e qual sua função no sistema acadêmico brasileiro?
Elementos que compõem o Lattes: formação, produção, atividades, projetos
Como montar um currículo coerente e honesto mesmo no início da trajetória
Dicas para destacar experiências extracurriculares, extensão, participação em eventos
Oficina prática: passo a passo da criação ou atualização do currículo
Orientações sobre o que não colocar no Lattes
Discussão: como evitar a lógica produtivista sem se excluir do campo acadêmico?

Aula 5 - PLANTÃO DE DÚVIDAS
Docentes: Daniel Wanderley Caliman, Daniel Alfonso León, Gabriel Malheiros Marques Fernandes, Sarah Maria Cavalcante Rodrigues, Thais de Souza Gomes
Comentadores:

Tópicos:
Bate-papo sobre as dúvidas das aulas anteriores

 

BIBLIOGRAFIA
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: informação e documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT; 2024
BASTOS, C.; KELLER, V. Pesquisa científica. In: ___________. Aprendendo a aprender:introdução à metodologia científica. 8a. ed. Petrópolis: Vozes, 1996. p. 54 – 65.
ECO, U. Plano de trabalho e fichamento. In: _____. Como se faz uma tese. 17a. ed. São Paulo: Perspectiva, 2002. p. 81 – 112.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
FABIANO, S. (2011). Ensino da escrita: o uso de conectores em textos acadêmicos. Ecos, ISSN 2616-3933, vol. 11, n 2, Cáceres, MT. Disponível em: Disponível em: http://www.unemat.br/revistas/ecos/docs/v_11/287_Pag_Revista_Ecos_V-11_…
AUTHIER-REVUZ, J. Palavras incertas: as não-coincidências do dizer. Campinas: Editora da Unicamp, 1998.
BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. In: ______. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2000 [1992].
BAKHTIN, M.; VOLOSHINOV, V. M. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1997.BARZOTTO, V. H. Leitura e produção de textos: limites e relações intersubjetivas. In: CALIL, E. (Org.). Trilhas da escrita: a autoria, leitura e ensino. São Paulo: Cortez, 2007.

Programa

Cronograma: 
As aulas serão ministradas às sextas-feiras, nos dias 13, 20, e 27 de fevereiro, terminando no dia 06 de março. No seguinte horário: das 10h-12h.

Programa:
Aula 1. 13/02: Descartes – o piloto e o navio.
Introdução do curso: antigos e modernos;
A inovação moderna e o tema das paixões;
O dualismo cartesiano;
A união da alma e do corpo;
A paixão como objeto da física mecanicista;
A definição das paixões da alma e a liberdade da vontade;
O controle indireto sobre o corpo.

Aula 2. 20/02: Descartes – razão, hábito e generosidade.
As críticas à proposta cartesiana;
A função das paixões e seu “bom uso” segundo a razão;
O papel do hábito na formação de uma alma forte;
A generosidade como um remédio das paixões;
A questão da felicidade humana.

Aula 3. 27/02: Espinosa – a teoria dos afetos e a crítica ao dualismo.
A recusa da glândula pineal e da vontade livre;
Deus e o conceito de substância;
A mente como ideia do corpo;
O conatus como essência humana;
A gênese dos afetos (paixão e ação).

Aula 4. 06/03: Espinosa – a moderação dos afetos.
Causa adequada: conhecimento e afeto;
A liberdade como autodeterminação;
A moderatio da força dos afetos pelo conhecimento;
A questão da felicidade humana;
Síntese do curso: antigos e modernos;
Síntese do curso: as diferentes modernidades – Descartes e Espinosa.

Bibliografia:
Alquié, Ferdinand. (ed.). Galileu, Descartes e o mecanismo. Lisboa: Gradiva, 1987.
Aquino, T. Suma teológica - volume 4. São Paulo: Edições Loyola, 2005.
Aristóteles. Ética a Nicômacos. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1985.
Aristóteles. Categorias. Lisboa: Instituto Piaget, 2000.
Aristóteles. Metafísica. São Paulo: Edições Loyola, 2015.
Aristóteles. De anima. São Paulo: Editora 34, 2012.
Bove, Laurent. A estratégia do conatus: afirmação e resistência em Espinosa. São Paulo: Editora Politeia, 2023.
Cassirer, Ernst. A filosofia do iluminismo. Campinas: Editora da UNICAMP, 1992.
Chaui, Marilena. Imperium ou moderatio?. In: Cadernos de história e filosofia da ciência, Campinas, série 3, v. 12. n. 1-2, p. 9-43, 2002.
Chaui, Marilena. Desejo, paixão e ação na ética de Espinosa. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
Chaui, Marilena. A nervura do real II: imanência e liberdade em Espinosa. São Paulo: Cia. das Letras, 2016.
Descartes, René. Discurso do método; Meditações; As paixões da alma; Cartas, Objeções e respostas. In: Os Pensadores Vol XV. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
Descartes, René. Œuvres de Descartes - 11v. ADAM, C.; TANNERY, P. (Ed). Paris: Vrin, 1996.
Descartes, René. Princípios da filosofia. Lisboa: Edições 70, 1997.
Descartes, René. Medicina dos afetos - Correspondência entre Descartes e a princesa Elisabeth da Boémia. Oieiras: Celta Editora, 2001.
Descartes, René. O mundo (ou Tratado da luz) e O homem. Campinas: Editora da Unicamp, 2009.
Espinosa, Baruch. Ética. São Paulo: Edusp, 2015a.
Espinosa, Baruch. Tratado da Emenda do Intelecto. Campinas: Editora Unicamp, 2015b.
Forlin, Enéias Junior. A concepção moral de descartes na carta a Mesland. Revista de Filosofia do IFCH da Universidade Estadual de Campinas, v. 1, n. 2., jul./dez., 2017, p. 3 - 17.
Guenancia, Pierre. L'intelligence du sensible: essai sur le dualisme cartésien. Paris: Gallimard, 1998. Guenancia, Pierre. Lire Descartes. Paris: Gallimard, 2000.
Gueroult, Martial. Descartes segundo a ordem das razões. São Paulo: Discurso Editorial, 2016.
Jaquet, Chantal. A unidade do corpo e da mente: afetos, ações e paixões em Espinosa. São Paulo: Autêntica, 2011.
Jesus, Paula Bettani Mendes de. Sobre a elaboração de uma ciência das paixões em Descartes, Hobbes e Espinosa. 140f. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Departamento de Filosofia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015.
Kambouchner, Denis. L’Homme des passions: Commentaires sur Descartes - I Analytique. Paris: Albin Michel, 1995a.
Kambouchner, Denis. L’Homme des passions: Commentaires sur Descartes - II Canonique. Paris: Albin Michel, 1995b.
Koyré, Alexandre. Do mundo fechado ao universo infinito. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2001.
Macherey, Pierre. Introduction à L’Ethique de Spinoza. La deuxième partie: La réalité mentale. Paris: PUF, 1997.
Platão. A república de Platão. São Paulo: Perspectiva, 2010.
Renault, Laurence. Generosidade e substancialidade da alma segundo Descartes. Educação e Filosofia Uberlândia, v. 25, n. Especial, p. 63 - 80, 2011.
Rocha, André Menezes. Espinosa e o conceito de superstição. Cadernos de Ética  e  Filosofia  Política,  1  (12),  pp.  81-99, 2008.
Rodis-Lewis, Geneviève. Descartes e o racionalismo. Porto: Rés, 1979.
Spallanzani, Maria Franca. Descartes - La règle de la raison. Paris. Vrin, 2015.
Talon-Hugon, Carole. Descartes ou les passions rêvées par la raison: essai sur la théorie des passions de Descartes et de quelques-uns de ses contemporains. Paris: Vrin, 2002.

Programa

OBJETIVOS:
A proposta do curso é apresentar diferentes perspectivas do tratamento da questão da fome no Brasil desde o final do século XIX até os dias de hoje. Tomamos como ponto de partida a interpretação do surgimento da nova noção de fome durante o fim do século XIX e início do século XX. Em seguida, analisaremos as políticas de combate à fome a partir da trajetória social do Programa Fome Zero. Por fim, examinaremos os impactos provocados pela pandemia do novo coronavírus (COVID-19) na situação alimentar dos brasileiros.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:
Examinar como os estudos da nutrição, que surgiram no século XIX e se intensificaram no século XX, permitiram uma nova abordagem para a questão da fome. Para tal, vamos analisar dois textos de Josué de Castro que foi protagonista nesse novo entendimento do fenômeno no Brasil;
Fazer uma breve análise das políticas de combate à fome a partir da trajetória social do Programa Fome Zero, dando especial atenção para a definição de fome instituída nesse projeto e os sujeitos de direito criados nesse processo.
Analisar a fome como produto das relações socioeconômicas e interpretar a fome como um processo manejado ou conduzido pelas famílias (especialmente as mulheres). Apresentar os últimos dados disponíveis sobre a insegurança alimentar e a fome no Brasil antes da pandemia.
Indicar aqueles que parecem ser os principais impactos que a pandemia (ou o período de quarentena) está produzindo na alimentação das pessoas (componentes psicológica, qualitativa, quantitativa e social).
Debater ações que estão sendo tomadas nesse momento para enfrentar a fome durante a pandemia: Estado, filantropia e organizações de trabalhadores.

MÉTODOS UTILIZADOS
As aulas serão ministradas pela plataforma Google Meet e todos os textos para leitura e a comunicação com os alunos serão disponibilizados por e-mail.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
Trabalho de conclusão escrito e entregue por e-mail sobre as reflexões suscitadas pelas discussões do curso.
Presença mínima de 75%

CRONOGRAMA DE AULAS E LEITURAS

1. aula (21 de julho): Introdução

2. aula (23 de julho): O surgimento da nutrição e o alargamento do sentido de fome
Adriana Salay Leme
Leituras:
CASTRO, Josué de. “As condições de vida das classes operárias no Nordeste” [1935]. In: Documentário do Nordeste. São Paulo: Editora Brasiliense, 1959. pp. 75-91
CASTRO, Josué de. Geografia da fome. Rio de Janeiro: Edições Antares, [1946] 1984. Prefácio e Introdução.

3. aula (28 de julho): As formas da fome na trajetória social do Programa Fome Zero
Lis Furlani Blanco
Leituras:
ARANHA, Adriana Veiga. Fome Zero: a construção de uma estratégia de combate à fome no Brasil. A implantação do Programa Fome Zero do governo Lula. In: ______ (org.). Fome Zero: uma história brasileira. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2010. v. 1.
PACHECO, L. et al. Mensurar a Insegurança Alimentar e Nutricional nas Populações “Invisíveis”: Uma Prioridade do Fome Zero. In: ______ (org.). Fome Zero: uma história brasileira. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2010. v. 1.

4. aula (30 de julho): A coexistência das fome parcial e total: a situação alimentar dos brasileiros antes da pandemia
José Raimundo Sousa Ribeiro Junior
Leituras:
IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios: Segurança Alimentar - 2013. Rio de Janeiro: IBGE, 2014.

5. aula (31 de julho): Encerramento

BIBLIOGRAFIA

ANSELL, Aaron. Zero Hunger: Political Culture and Antipoverty Policy in Northeast Brazil. The University of North Carolina Press, 2014. Read more at University of North Carolina Press.
CASTRO, Josué de. “As condições de vida das classes operárias no Nordeste” [1935]. In: Documentário do Nordeste. São Paulo: Editora Brasiliense, 1959.
________. Geografia da fome, São Paulo: Editora Brasiliense, 1948.
________. Geopolítica da Fome. São Paulo: Editora Brasiliense, 1965.
COLLINGHAM, Lizzie. The taste of war - World War II and the battle for food. New York: The Penguin Press, 2012.
DEVEREUX, Stephen. Theories of famine. New York: Harvester Wheatsheaf, 1993.
EDKINS, Jenny. Whose Hunger? Concepts of famine, practices of aid. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2000.
FAO, IFAD, UNICEF, WFP and WHO. 2019. The State of Food Security and Nutrition in the World 2019. Safeguarding against economic slowdowns and downturns. Rome, FAO.
FREITAS, Maria do Carmo Soares de. Agonia da fome. Editora Fiocruz, 2003.
IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios: Segurança Alimentar - 2013. Rio de Janeiro: IBGE, 2014.
KAMMINGA, Harmke e CUNNINGHAM, Andrew. Science and Culture of Nutrition, 1840-1940. Amsterdam-Atlanta: Rodopi, 1995.
LIMA, Eronides da Silva. Mal de fome e não mal de raça. Gênese, constituição e ação política da educação alimentar no Brasil - 1934-1946. Rio de Janeiro: Editora Fio Cruz, 2000.
Ó GRÁDA, Cormac. Famine, a short history. Princeton: Princeton University Press, 2009.
RADIMER, KL, OLSON, CM, GRENEE JC, CAMPBELL, CC, HABICHT, J-P. Understanding hunger and developing indicators to assess it in women and children. J Nutr Educ 1992; 24(Suppl.):36-45.
RANGASAMI, Amrita. Women's Roles and Strategies during Food Crises and Famines. Paris : ORSTOM, 1985, p. 108-118. (Colloques et Séminaires).
RIOS, Kênia Sousa. Isolamento e poder: Fortaleza e os campos de concentração na Seca de 1932. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2014.
RODRIGUES, Jaime. Alimentação, vida material e privacidade. Uma história social de trabalhadores em São Paulo nas décadas de 1920 a 1960. São Paulo: Alameda, 2011.
SILVA, Marcelo Cândido da. “Crise e fome na Alta Idade Média: o exemplo dos capitulários carolíngios”. Anos 90, Porto Alegre, v. 24, n. 45, jul. 2017. pp. 185-207.
SILVA, Mercês de Fátima dos Santos. Josué de Castro: pensamento e ação. A gênese do Plano de Segurança Alimentar. Dissertação (Mestrado), Departamento de Sociologia, Universidade Federal de Pernambuco, 2010.
TEÓFILO, Rodolfo. A fome: cenas da seca do Ceará. São Paulo: Tordesilhas, 2011.
VERNON, James. Hunger, a modern history. Cambridge, Massachussets, London: Belknap Press/ Harvard University Press, 2007.
WALLACE, Rob et al. COVID-19 and Circuits of Capital. Monthly Review, v. 72, 2020.

Programa

Aula 01 – Introdução e contexto histórico
Nessa primeira aula veremos o contexto histórico em que as três obras foram produzidas, o que significa entender algumas questões sobre as décadas de 1920, 1930 e 1940 nos Estados Unidos, na Inglaterra e na Rússia. Veremos algumas informações sobre os autores e algumas reflexões sobre o conceito de distopia e utopia na literatura.

Aula 02 – Vilões, pessimismo e esperança
Em nossa segunda aula iremos analisar alguns personagens das obras, principalmente o confronto entre protagonistas e antagonistas, sobre como a distopia funciona como mecanismo de reflexão a respeito de questões históricas. A partir de trechos e de alguns elementos literários como personagens, narrador, tempo e espaço veremos como as construções temáticas que operam nas obras dialogam e divergem
entre si, traçando um paralelo com problemas sociais, sistemas de poder e transformação social.

Aula 03 – Tecnologia e controle
Na nossa última aula, iremos analisar trechos das três obras tendo como foco a temática da tecnologia e do controle. Veremos as relações que as obras possuem entre si, o diálogo que estabelecem com a cultura e como algumas dessas discussões sobre tecnologia chegam ao século 21. Por fim, iremos refletir sobre como essas três obras distópicas nos ajudam a entender e, talvez, modificar nosso mundo cotidiano.

Bibliografia Básica
ORWELL, George. 1984. Rio de Janeiro: Antofágica, 2021. 
HUXLEY, Aldous. Admirável Mundo Novo. São Paulo: Globo, 2014. 
ZAMYATIN, Yvgeny. Nós. Sâo Paulo: Aleph, 2017.

Bibliografia complementar
ADORNO, Theodor. Teoria estética. Lisboa: Edições 70 Ltda, 2011.
BENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas Volume 1 - Magia e Técnica, Arte e Política.
São Paulo: Editora Brasiliense, 1996.
__________. Capitalismo como religião. São Paulo: Boitempo Editorial, 2013.
BOURDIEU, Pierre. A Distinção – crítica social do julgamento. Porto Alegre: Editora
Zouk, 2007.
__________. O Poder Simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1992.

BRECHT, Bertolt.  Poesia. São Paulo: Perspectiva, 2019. 
CANDIDO, Antonio. A personagem de Ficção. São Paulo: Perspectiva, 2007.
________. A Formação da Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2009.

________. Literatura e Sociedade. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2008.
________. “O direito à literatura”. In: Vários Escritos. Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul,
2004.
________. Textos de Intervenção. São Paulo: Editora 34, 2002.
CLAEYS, Gregory. The Cambridge Companion to Utopian Literature. Cambridge:
Cambridge University Press, 2010. 
_______. Dystopia, a natural history. Oxford: Oxford University Press, 2018. 
EAGLETON, Terry. Teoria da literatura, uma introdução. São Paulo: Martins Fontes,
2006.
________. Ideologia. São Paulo: Boitempo Editorial, 1991.
FISHER, Mark. Realismo Capitalista - é mais fácil imaginar o fim do mundo de que o
fim do capitalismo? São Paulo: Autonomia Literária, 2020.
GOLDMAN, Lucien. A Sociologia do Romance. São Paulo: Paz e Terra, 1990.
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos, o Breve Século XX. São Paulo: Companhia
das Letras, 1997.
MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. O Capital: Crítica da Economia Política. São Paulo:
Abril Cultural, 1983.
MARX, Karl. A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.
________. Sobre literatura e arte. São Paulo: Global, 1980.
________. Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2010.
WILLIAMS, Raymond. Culture and Society. London: Chatto and Windus, 1958.
________. Cultura e Materialismo. São Paulo: Editora Unesp, 2005.
 ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância - a luta por um futuro humano
na nova fronteira do poder. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020.