Programa

 

Objetivo: Jair Messias Bolsonaro foi, entre 1991 e 2018, deputado federal pertencente ao baixo clero, nunca tendo sido autor ou relator de projeto relevante. Pertenceu a nove partidos políticos.  Nenhuma delas teve efetiva chance de encabeçar chapa para o Executivo federal. Sagrou-se vitorioso com mais de 57 milhões de votos com pouco tempo de rádio e TV, praticamente sem alianças, e defendendo posições extremas na disputa por um cargo para o qual os postulantes historicamente caminham em direção ao centro. Como isso foi possível? O curso visa a discutir os textos que se dedicam a entender o fenômeno singular, muito maior e anterior a biografia de um indivíduo. Embora a bibliografia produzida até hoje, em grande medida, aborde as características do bolsonarismo de maneira transversal, o tema é organizado em seis perspectivas: a derrocada petista e os resultados eleitorais; mídias digitais; guerra cultural; oposição aos movimentos antirracistas; genocídio e irracionalidade; e forças armadas e de segurança e milícias.

 

Aula 1: A derrocada petista e os resultados eleitorais

A aula introdutória tratará das razões para a debacle do Partido dos Trabalhadores, que levaram à ascensão da direita – primeiro heterogênea, depois homogeneizada por Bolsonaro –, o processo eleitoral de 2018 e os dados do perfil do eleitorado naquele pleito.



 

  • SINGER, André. 2018. Cutucando onças com bases curtas. Em: SINGER, André. O Lulismo Em Crise: Um Quebra-Cabeça Do Período Dilma (2011-2016). São Paulo: Companhia das Letras.
  • NICOLAU, Jairo. 2020. O Brasil Dobrou À Direita: Uma Radiografia Da Eleição De Bolsonaro Em 2018. Rio de Janeiro: Zahar. 
  • SINGER, André. 2020. A Reativação Da Direita No Brasil. https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprint/view/1664. 2020.

 

Aula 2: Propaganda em tempos de mídias digitais

Bolsonaro cresce em um ambiente internacional de uso das mídias digitais. A aula tratará do avanço da direita em outros lugares do mundo a partir do uso dessas novas tecnologias e do avanço de Bolsonaro nesse contexto. Tratará ainda do ambiente de redes relacionado aos conceitos de Guerra Híbrida e de Fascismo.

 

Parte 1

  • MARANHÃO FILHO, Eduardo Meinberg de Albuquerque, Fernanda Marina Feitosa COELHO, Tainah Biela DIAS. 2019. Fake news acima de tudo, fake news acima de todos: Bolsonaro e o “kit gay”, “ideologia de gênero” e fim da “família tradicional”." Correlatio 17 (01/30): 65. Disponível em https://core.ac.uk/download/pdf/235209395.pdf
  • EMPOLI, Giuliano da. Os Engenheiros Do Caos: Como as fake news, as teorias da conspiração e os algoritmos estão sendo utilizados para disseminar ódio, medo e influenciar eleições. Vestígio, 2019.
  • ITUASSU, Arthur e outros. 2019. De Donald Trump a Jair Bolsonaro: democracia e comunicação política digital nas eleições de 2016, nos Estados Unidos, e 2018, no Brasil. VIII Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política. Disponível em http://ctpol.unb.br/compolitica2019/GT4/gt4_Ituassu_et_al.pdf

 

Parte 2



 

Aula 3: Guerra cultural nas ruínas do neoliberalismo 

Neoliberalismo e família tradicional como projeto político se entrelaçam pela visão comum que têm de sociedade: não cabe ao Estado distribuir riquezas. A aula relaciona o surgimento e as consequências de 40 anos de neoliberalismo com o avanço do discurso moral e mantenedor da ordem, dentro do conceito de neoconservadorismo. 

 

 

Aula 4: Ecos da ditadura: militares e milícias

A relação de Bolsonaro com as milícias e o papel das Forças Armadas na eleição e no governo de Bolsonaro são o tema da quarta aula, que irá apresentar as proximidades e as diferenças entre o processo de militarização e o processo de milicialização da política. 

 

  • LEINER, Pedro. 2020. O Brasil no espectro de uma guerra híbrida: Militares, operações psicológicas e política em uma perspectiva etnográfica. Alameda.
  • PINTO, Eduardo Costa. Bolsonaro, quartéis e marxismo cultural: a loucura como método. Em: MARTINS FILHO, João Roberto (Ed.). 2021. Os Militares e a Crise Brasileira. Alameda Editorial.
  • MANSO, Bruno Paes. 2020 A república das milícias: Dos esquadrões da morte à era Bolsonaro.  Todavia.



 

Aula 5: Parte 1 - Oposição aos movimentos antirracistas

A oposição aos movimentos antirracistas por parte de Bolsonaro e de altas autoridades será discutida no prisma do resgate da ditadura sobre a pauta racial. 

 

 

Aula 5: Parte 2 – Morte em massa

A reação de Bolsonaro à pandemia será abordada através do conceito de necropolítica e do conceito de pulsão de morte, a partir da produção da Escola de Frankfurt. 

 

 

Bibliografia complementar

 

Programa

Conteúdo programático.
- Definição de fascismo;
- Elementos do colonialismo brasileiro;
- Cultura autoritária brasileira;
- Ascensão política do bolsonarismo.

Programa.

Aula 1. Contribuição à categoria de análise “fascismo” : apresentação de textos clássicos que empreenderam esforços no sentido de compreender e definir o fascismo enquanto categoria de análise dos fenômenos autoritários no século XX e agora no início do século XXI;

Aula 2. A ascensão das experiências fascista italiana e alemã : apresentação expositiva das experiências fascistas na Itália de Mussolini e da Alemanha de Hitler, no sentido de compreender as aproximações e distanciamentos entre ambas e considerando-as como modelos comparativos analíticos para compreender as demais escaladas fascistas ao longo da história;

Aula 3. Raízes coloniais do autoritarismo brasileiro: racismo e patriarcado : apresentação e debate a respeito de elementos coloniais, destacando-se o racismo e o patriarcado que ainda permeiam as relações sociais no Brasil e formam as bases ideológicas da tradição autoritária brasileira;

Aula 4: Política brasileira, uma história autoritária : exposição e análise da experiência política brasileira, na qual se destaca a manutenção do autoritarismo e expedientes de controle político e social das elites nacionais.

Aula 5: Ascensão do bolsonarismo, um roteiro ainda em movimento : debate a partir da experiência recente da política brasileira, destacando-se a ascensão do governo Bolsonaro, desde quando despontou nas pesquisas de intenção de voto até a sua eleição, em 2018.

BIBLIOGRAFIA

BARBOSA, Jefferson Rodrigues. Chauvinismo e extrema direita. Crítica aos herdeiros do
sigma. São Paulo, Editora UNESP, 2015.
BERTONHA, João Fábio. Sobre a direita, estudos sobre o fascismo, o nazismo e o
integralismo. Maringá, Editora da Universidade Estadual de Maringá, 2008.
BRAY, Mark. O manual antifascista. São Paulo, Autonomia Literária, 2019.
CARR, E. H. Vinte anos de crise 1919-1939. Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1981.
CHAUI, Marilena. Manifestações ideológicas do autoritarismo brasileiro. São Paulo, Autêntica, 2013.
DIETRICH, Ana Maria. Nazismo tropical? O Partido Nazista no Brasil. Tese de doutorado. Janeiro 2007.
GEARY, Patrick J. O mito das nações. São Paulo, Conrad Livros, 2005.
LUKACS, John. O Hitler da história. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1997.
PINTO, Álvaro Vieira. Ciência e existência. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1969.
POULANTZAS, Nicos. Fascismo e ditadura. vol. I e II, Porto, Portucalense Editora, 1972.
SAFATLE, Vladimir. O circuito dos afetos, corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo. São Paulo, Autêntica, 2016.
SANTOS, Theotonio dos. Socialismo ou fascismo, o novo caráter da dependência e o dilema latino-americano. Florianópolis, Insular, 2018.
SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. “Os fascismos.” O século XX, vol. II, Civilização Brasileira, 2005, pp. 109-163.
WILLIAMS, Raymond. “Base e superestrutura na teoria da cultura marxista.” Cultura e materialismo, Editora UNESP, 2011, pp. 42 - 68.
WILLIAMS, Raymond. Cultura. São Paulo, Editora Paz e Terra, 2000.
WILLIAMS, Raymond. Cultura e sociedade. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1969.
WILLIAMS, Raymond. “A ideia de uma cultura comum.” Recursos da esperança, Editora UNESP, 2014, pp. 49-57.
WILLIAMS, Raymond. Política do modernismo. São Paulo, Editora UNESP, 2011.
WILLIAMS, Raymond. Recursos da esperança. São Paulo, Editora UNESP, 2014.
ZETKIN, Clara. “A luta contra o fascismo.” Como nasce e morre o fascismo, Autonomia Literária, 2019, pp. 32-75.

Programa

Aula 1 (06/02): Tchékhov e a viagem a Sacalina.
Aula 2 (07/02): Análise da póetica tchekhoviana em O duelo: o sistema dos personagens.
Aula 3 (08/02): Vozes tradutórias: leitura comparativa das traduções de O duelo para o português brasileiro.


BIBLIOGRAFIA:


Obra discutida:
TCHÉKHOV, Anton. O duelo. Tradução: Marina Tenório. São Paulo: Ed. 34, 2014.

Referências Complementares:
ANGELIDES, Sophia. A. P. Tchékhov: cartas para uma poética. São Paulo: Edusp, 1995.
BERNARDINI, Aurora Fornoni. “Tchékhov, o intérprete do grande tédio russo”. In: Aulas de literatura russa: de Púchkin a Gorenstein. São Paulo: Kalinka, 2018.
NABOKOV, Vladimir. “Anton Tchékhov”. In: Lições de literatura russa. São Paulo: Três Estrelas, 2014.
TCHÉKHOV, Anton. Cartas a Suvórin: 1886 - 1891. Introdução, tradução e notas: Aurora Bernardini e Homero Freitas de Andrade. São Paulo: Edusp, 2002.
__________. A ilha de Sacalina: notas de viagem. Tradução e apresentação: Rubens Figueiredo. São Paulo: Todavia, 2018.
VÁSSINA, E. “O duelo: a novela ideológica na obra de Anton Tchékhov”. In: O duelo. Anton Tchékhov. Tradução: Klara Guriánova. Barueri, SP: Manole, 2011

 

Programa

Aula 1. 05/02/2025 - Desenvolvimento Territorial Sustentável (PECQUEUR, 2009)
Aula 2. 2/02/2025 - Indicações Geográficas (VALENTE et al., 2013)
Aula 3. 19/02/2025 - Cesta de Bens e Serviços Territoriais (CAZELLA et al., 2019)
Aula 4. 26/02/2025 – Índice de Sustentabilidade Territorial Rural (TURNES, et al., 2022)

Referências:
CAZELLA, A.; PAULA, L. G. N.; MEDEIROS, M.; TURNES, V. A construção de um território de desenvolvimento rural: recursos e ativos territoriais específicos. Redes, Santa Cruz do Sul, v. 24, n. 3, p. 49-74, 2019. DOI: https://doi.org/10.17058/redes.v24i3.14118
MAIORK, G. J.; DALLABRIDA, V. R. A indicação geográfica de produtos: um estudo sobre sua contribuição econômica no desenvolvimento territorial. Interações, Campo Grande, v. 16, n. 1, p. 13-25, 2015. DOI: https://doi.org/10.1590/151870122015101
PECQUEUR, B. A guinada territorial da economia global. Política & Sociedade, Florianópolis, v. 8, n. 14, p. 77-106, 2009. DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7984.2009v8n14p79
TURNES, V.; CAZELLA, A. A.; PECQUEUR, B.; GUZZATTI, T. C. Monitoramento de uma Cesta De Bens e Serviços Territoriais: a construção de um painel de indicadores. Raízes, Campina Grande, v. 42, n. 1, p. 224–240, 2022. DOI: https://doi.org/10.37370/raizes.2022.v42.784

Documentário:
Em busca da Cesta de Bens: Um novo olhar sobre o desenvolvimento dos territórios. Direção: Michel Brun. França: TPR Rhône-Alpes, 2010. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FJepQ3I-Nxc

Programa

O curso está estruturado em cinco encontros (de 2h cada), que objetivam trabalhar, de modo introdutório, os estudos trans e de migração, buscando delinear aproximações entre esses campos. No primeiro encontro, será apresentado o programa do curso e seus objetivos, introduzindo noções que serão examinadas ao longo dos cinco encontros, sendo elas: migração, fronteira, estado-nação, trânsito de gênero, corpo e território. A partir do segundo encontro, nos deteremos aos estudos de migração, perquirindo a constituição das categorias “migrante” e “refugiado”, as dinâmicas de raça que perpassam a experiência dos sujeitos, bem como a produção da cidadania e do Estado-nação. No terceiro encontro, adentraremos nos estudos trans,  investigando os saberes que nomearam e fixaram experiências corporais a partir de lógicas e narrativas fixas sob o signo da “transexualidade” ou do corpo “intersexo”, “hermafrotida”, “invertido”. Esses estudos servirão para compreender como são produzidas as fronteiras do corpo sexuado e generificado,  e como elas variam historicamente. O quarto encontro será dedicado à bibliografias que discutem a intersecção entre migração e minorias de gênero, refletindo sobre a categoria “refugiados de gênero” e os processos migratórios de pessoas trans em países onde suas vidas são ameaçadas e criminalizadas. O quinto e último encontro, intensificará a intersecção entre migração e transgeneridade, retomando as discussões dos encontros anteriores, refletindo como a experiência desses sujeitos é marcada pela narrativa constante de suas trajetórias para agentes e instituições de Estado na obtenção de documentações, acesso a procedimentos médicos e autorizações jurídicas, refletindo sobre os dispositivos de controle dessas travessias.

Conteúdo programado:

Aula 1 – 01/07: Introdução ao curso
Bibliografia obrigatória:
1. ANZALDÚA, Gloria. Borderlands/La Frontera: The New Mestiza. San Francisco: Aunt Lute Books, 1987. 

2.FELDMAN-BIANCO, Bela; SANJURJO, Liliana; DA SILVA, Douglas Mansur. Migrações e deslocamentos: balanço bibliográfico da produção antropológica brasileira entre 1940 e 2018. BIB-Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, n. 93, p. 1-58, 2020    

3.MOIRA, Amara. O cis pelo trans. Estudos Feministas, v. 25, n. 1, p. 365-373, 2017.                                                       

Complementar:

ÁGUAS, C.L.P. Quilombos em Festa: Pós-colonialismos e os caminhos da emancipação social”. Tese de Doutorado em Sociologia. Universidade de Coimbra., 2012.

DAS, Veena; POOLE, Deborah. El estado y sus márgenes: etnografias comparadas. Cuadernos de antropología social, n. 27, p. 19-52, 2008.

OLIVAR, José Miguel. Gênero, cuidado e a reconfiguração da fronteira.. fronteiras, fronteiras!. R@u : Revista de Antropologia Social dos Alunos do PPGAS-UFSCAR, v. 11, n. 1, p. 552-576, 2019 Tradução. Disponível em: https://www.rau2.ufscar.br/index.php/rau/article/view/300. Acesso em: 25 mar. 2025.

NASCIMENTO, S. de S. (2019). Fugas e contrapontos na fronteira: reflexões etnográficas sobre transitividades corporais e de gênero no Alto Solimões/AM. Revista De Antropologia Da UFSCar, 11(1), 524–551.

 

Aula 2 – 08/07: Estado-Nação
Bibliografia obrigatória:
1. AGIER, Michel. Refugiados diante da nova ordem mundial. Tempo Social, v. 18, p. 197-215, 2006. https://www.scielo.br/j/ts/a/dfrz9tB3Bg93PRGY3pZTjNv/

2. FELDMAN-BIANCO, Bela. “O Brasil frente ao regime global de controle das migrações: Direitos humanos, securitização e violências”. TRAVESSIA - revista do migrante, n. 83, p. 11-36, 2018.

3. FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Edições Loyola, 1996.

4. SOUZA LIMA, Antônio Carlos de. O estudo antropológico das ações governamentais como parte dos processos de formação estatal. Revista de Antropologia, v. 55, n. 2, p. 559-564, 2013.

Complementar:
CARNEIRO, Aparecida Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. 2005. Feusp- São Paulo. Tese de Doutorado.
BAPTISTA, José Renato de Carvalho. O Haiti e os discursos de construção nacional: uma nação constituída no dilema entre a “A França Negra” e “A África Americana”.
FANON, Frantz. A experiência vivida do negro. In: Pele negra, máscaras brancas (R. Silveira, Trad.). Salvador, BA: EdUFBA, v. 24, 2008.

 

Aula 3 – 15/07: Trânsitos de gênero
Bibliografia obrigatória:
1. PRECIADO, Paul B. Cidadania em transição. In: Um apartamento em Urano: Crônicas da travessia. Tradução de Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

2. FAUSTO-STERLING. Anne. Dualismos em duelo. Cadernos pagu, p. 9-79, 2002.

3. HALBERSTAM, Jack. Trans*: ¿qué hay en un nombre? In: Trans: Una guía rápida y peculiar de la variabilidad de género. Traducción de Javier Sáez. Barcelona – Madrid: Egales, 2018.

Complementar:
CORRÊA, Mariza. Não se nasce homem. Trabalho apresentado no encontro" Masculinidades/Feminilidades", nos Encontros Arrábida, 2004.
PRECIADO, Paul B. Eu sou o monstro que vos fala. Rio de Janeiro: Zahar, 2022.
GILL-PETERSON, Jules. Sex in Crisis: Intersex Children in the 1950s and the Invention of Gender.
Histories of the transgender child. University of Minnesota Press, 2018.

 

Aula 4 – 22/07: Intersecção entre migração e minorias de gênero
Bibliografia obrigatória:
1. CAMMINGA, B. Shifting Borderlands and Becoming a Gender Refugee. In: Transgender Refugees and the Imagined South Africa. Global Queer Politics. Palgrave Macmillan, Cham, 2019. p. 129-159.

2. CINTRA, N.; OWEN, D.; RIGGIROZZI, P. Problematizing the migrant–refugee distinction in Latin America. In: RIGGIROZZI, P.; CINTRA, N. (org.). Displacement, human rights and sexual and reproductive health: conceptualizing gender protection gaps in Latin America. Bristol: Bristol University Press, 2023. p. 45-63.

Complementar:
CAMMINGA, B. Competing marginalities and precarious politics: a South African case study of NGO representation of transgender refugees.
Gender, Place & Culture, v. 31, n. 9, p. 1293–1310, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1080/0966369X.2022.2137473. Acesso em: 7 maio 2025.
DANISI, Carmelo; DUSTIN, Moira; FERREIRA, Nuno; HELD, Nina. Queering Asylum in Europe: Legal and Social Experiences of Seeking International Protection on Grounds of Sexual Orientation and Gender Identity. Cham: Springer Nature, 2021.
QUINAN, C. L.; BRESSER, N. Gender at the Border: Global Responses to Gender-Diverse Subjectivities and Nonbinary Registration Practices.
Gender & Politics, v. 1, n. 1, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1525/GP.2020.12553. Acesso em: 7 maio 2025.
SERT, D.; TURKMEN, F. Gender, Mobility, and Displacement: From the Shadows to Questioning Binaries. Oxford Research Encyclopedia of International Studies, 24 fev. 2022.
Disponível em: https://oxfordre.com/internationalstudies/display/10.1093/acrefore/9780…. Acesso em: 7 maio 2025.

 

Aula 5 – 29/07: Retomada e finalização do curso
Bibliografia obrigatória:

1. CUSICANQUI, Silvia Rivera. Ch’ixinakax utxiwa: uma reflexão sobre práticas e discursos descolonizadores. Trad. Ana Luiza Braga e Lior Zisman Zalis. São Paulo: N-1 Edições, 2021.

2. PRECIADO, Paul B. “Exposição apátrida” e “Goteiras diplomáticas: Julian Assange e os limites sexuais do Estado-nação”. In: Um apartamento em Urano: Crônicas da travessia. Tradução de Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar, 2020

Bibliografia complementar do curso:
ANZALDÚA, Gloria. ‘(Un)Natural Bridges, (Un)Safe Spaces’. In This Bridge We Call Home: Radical Visions for Transformation, edited by Gloria Anzaldúa and AnaLouise Keating, 1–5. New York: Routledge, 2013.
APPADURAI, Arjui. Soberania sem territorialidade: notas para uma geografia pós-nacional. Novos Estudos (São Paulo) n.49, p. 33-49, 1997.
BALLER, Leandro. Cultura, Identidade e Fronteira: Transitoriedade Brasil/Paraguai (1980-2005). Dissertação de Mestrado. Dourados: UFGD, 2008.
BUTLER, Judith. Corpos que importam: os limites discursivos do" sexo". n-1 edições, 2020.
GRIMSON, Alejandro. 2003. “Los procesos de fronterización: flujos, redes e historicidad”. In: Clara Inés García (ed). Fronteras: territorias y metáforas. Medellín: Hombre Nuevo Editores, pp. 15-34.
HALBERSTAM, Jack. Trans*-gender transitivity and new configurations of body, history, memory and kinship. Parallax, v. 22, n. 3, p. 366-375, 2016.
HANNERZ, U. 1997. “Fluxos, fronteiras, híbridos: palavras-chave da antropologia transnacional”. Revista Mana; vol. 3(1), pp. 7-39.
JARDIM, Denise. Imigrantes ou refugiados?: Tecnologia de controle e as fronteiras. Jundiaí, Paco, 2017.

 

 

Programa

AULA 1 - Introdução. A Itália após o Congresso de Viena em 1815. O debate cultural. As preocupações do grupo fundador de Il Conciliatore.

AULA 2 - A Era Romântica. A Revolução Industrial e a Revolução Francesa. O Pré - Romantismo. A Itália e o Império Napoleônico. O aumento da população jovem. A nova concepção artístico-literária.

AULA 3 - Romantismo e Classicismo. Como surgiu a palavra "romantismo". O adjetivo "romântico". Os movimentos românticos. A crítica romântica. O confronto entre Classicismo e Romantismo. Ugo Foscolo.

AULA 4 - Um jornal romântico: Il Conciliatore. O movimento romântico na Itália. A Carbonaria.  Os integrantes do grupo de Il Conciliatore. Os colaboradores do jornal. As ideias defendidas pelo periódico. A reação a essas ideias.

AULA 5 - Il Conciliatore e a difusão do Romantismo na Itália. As novas abordagens críticas. Os embates entre românticos e classicistas na Itália. A literatura estrangeira nas páginas de Il Conciliatore. A Dramaturgia. O legado intelectual de Il Conciliatore.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS:
"Il Conciliatore, Foglio Scientifico - Letterario (3 settembre 1818 - 17 ottobre 1819)"; edizione anastatica. Bologna: Arnaldo Fornì, 1981
"I Manifesti Romantici del 1816 e gli scritti principali del Conciliatore sul Romanticismo"; a cura di Carlo Calcaterra. Torino: UTET, 1951
APPOLONIO, Carla. "Romantico; storia e fortuna di una parola". Firenze: G. C. Sansoni Editore, 1958
BONORA, Ettore. "Storia della Letteratura Italiana". Torino: Petrini, 1977 (2 edizione) BORGESE, G. A. "Storia della critica romantica in Italia". Milano: Fratelli Treves, 1920
BOSCO, Umberto. "Aspetti del romanticismo italiano". Roma: Edizione Cremonese, 1942
BOTTACHIARI, R. "La rivoluzione romantica". Roma : Perrella, 1942
CLERICE, E. "Il Conciliatore, periodico milanese". Pisa: Nistri, 1903
CANTÙ, Cesare. "Il Conciliatore e i carbonari". Milano, 1878
CROCE, Benedetto. "Le definizioni del romanticismo" in "Problemi di estetica" Bari: Laterza, 1910
DE SANCTIS, Francesco. "La letteratura italiana nel secolo decimonono", volume terzo. Napoli: Alberto Morano Editore, 1930
FARINELLI, Arturo. "Il Romanticismo nel mondo latino" (3 volumes). Torino: Fratelli Bocca, 1927
FUBINI, Mario. "Romanticismo Italiano: saggi di storia della critica e della letteratura" Bari: Laterza, 1953
GOETHE, Johann Wolfgang von. "Viagem à Itália (1786 - 1788)" São Paulo: Companhia das Letras, 1999
GUSTARELLI, Andrea. "Il Conciliatore". Milano: Treves, 1918
LESKI, Ivan. "Romantismo e História nas páginas de Il Conciliatore" Saarbrücken: Novas Edições Acadêmicas, 2017
PELLICO, Silvio."Lettere Milanesi (1815 - 1821)" Torino:Loescher, 1963
PESENTI, Amilcare. "Il Romanticismo in Italia" Milano:Giacomo Agnelli, 1882
PRAZ, Mario. "A carne, a morte e o diabo na literatura romântica". Campinas: Editora da Unicamp, 1996
SCHANZER, Alice. "Il Romanticismo in Italia". Perugia: Umbra, 1899
SCHILLER, Friedrich. "Poesia ingênua e sentimental"; tradução, apresentação e notas de Márcio Suzuki. São Paulo: Iluminuras, 1991
SCHLEGEL, Friedrich. "Conversa sobra a Poesia e outros fragmentos"; tradução, prefácio e notas de Victor-Pierre Stirnimann. São Paulo: Iluminuras, 1994

Programa

Aula 1: A cultura de massa: produção, consumo e circulação em transformação
Aula 2: Artes do espetáculo: crítica e massificação
Aula 3: “A Linguagem da Persuasão” da indústria cultural

Bibliografia:
ADORNO, Theodor W. Indústria Cultural e Sociedade. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2020.
BONADIO, Maria Claudia. Moda e publicidade no Brasil nos anos 1960. São Paulo: nVersos Editora, 2012.
CANCELLI, Elizabeth. “Intelectualidade e poder: inconformidade na Guerra Fria” In. ArtCultura, Uberlândia, v. 6, n. 9, 2004, p. 111-118.
FIGUEIREDO, A. C. C. M. “Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada”: publicidade, cultura de consumo e comportamento político no Brasil, 1954-1964. São Paulo: Editora Hucitec : História Social, USP, 1998.
GARCIA, Walter. “De ‘A preta do acarajé’ (Dorival Caymmi) a ‘Carioca’ (Chico Buarque): canção popular e modernização capitalista no Brasil” In: Música popular em revista, v. 1, n. 1, Campinas, 2012, p. 30-57.
MICELI, Sérgio. O papel político dos meios de comunicação de massa. SCHWARTZ, Jorge e SOSNOWSKI, Saúl (org.). Brasil: o trânsito da memória. São Paulo: Edusp, 1994, p. 41-67.
NAPOLITANO, Marcos. Coração civil: a vida cultural brasileira sob o regime militar (1964-1985). São Paulo: Intermeios/Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade de São Paulo, 2017.
NAPOLITANO, Marcos. Cultura brasileira: utopia e massificação (1950-1980). São Paulo: Contexto, 2020.
MELLO, J.M.C. de; NOVAIS, F. Capitalismo Tardio e Sociabilidade Moderna. São Paulo: Editora Unesp, 2009.
ORTIZ, Renato. Mundialização e cultura. 1. edição ed. São Paulo, SP: Editora Brasiliense, 1994.
PEDROSA, Mario. Mundo, Homem, Arte em Crise. São Paulo: Editora Perspectiva, 2007.
RAMOS, José Mário Ortiz. Cinema, Estado e lutas culturais: anos 50, 60, 70. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 1983.
RIDENTI, Marcelo. Em busca do povo brasileiro: artistas da revolução, do CPC à era da TV. São Paulo: Editora Unesp, 2014.
XAVIER, Ismail. O cinema brasileiro moderno. São Paulo: Paz e Terra, 2001.

Programa

31/07/2023: Uma abordagem retórica da obra espiritual do padre Alexandre de Gusmão (1629-1724)

02/08/2023: Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga: aspectos materiais e circulação da produção letrada no
contexto luso-brasileiro

03/08/2023: Metodologias para leitura e análise de textos anteriores à Modernidade: os estudos retórico-poéticos atuais

Referências bibliográficas

CARVALHO, Maria do Socorro Fernandes de. Poesia de Agudeza em Portugal. São Paulo: Humanitas; Edusp;
Fapesp, 2007.
CHARTIER, Roger. A Ordem dos Livros: Leitores, Autores e Bibliotecas na Europa entre os Séculos XIV e XVIII.
Tradução de Mary Del Priori. Ed. UnB, 1998.
CHAUVIN, Jean Pierre. Pedra, Penha, Penhasco: A Invenção do Arcadismo Brasileiro. São Carlos (SP):
Pedro & João Editores, 2023.
CURTIUS, Ernst Robert. Literatura Europeia e Idade Média Latina. Tradução de Teodoro Cabral e Paulo Rónai. 2.
ed. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1979.
FOUCAULT, Michel. A Arqueologia do Saber. Tradução de Luiz Felipe Baeta Neves. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense
Universitária, 2008.
HANSEN, João Adolfo. Alegoria: construção e interpretação da metáfora. São Paulo: Hedra; Campinas: Editora da
Unicamp, 2006.
GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. Introdução de Adma Muhana, estabelecimento de texto de Heidi
Strecker. São Paulo: Penguin/Companhia das Letras, 2023.
HANSEN, João Adolfo. A Sátira e o Engenho: Gregório de Matos e a Bahia do século XVII. 2. ed. São Paulo: Ateliê
Editorial; Campinas: Ed. da Universidade de Campinas, 2004.
LACHAT, Marcelo; CHAUVIN, Jean Pierre (orgs.). As Letras na Terra do Brasil (séculos XVI a XVIII): uma
introdução. Cotia: Ateliê, 2022..
MASSIMI, Marina (Org.). A Novela História do Predestinado Peregrino e de seu Irmão Precito (1682): Compêndio
dos saberes antropológicos e psicológicos no Brasil Colonial. São Paulo: Edições Loyola, 2012.
MUHANA, Adma. A Epopeia em Prosa Seiscentista: uma definição de gênero. São Paulo: Fundação Editora da
UNESP, 1997.
PÉCORA, Alcir. Máquina de Gêneros. São Paulo: Edusp, 2001.
TEIXEIRA, Ivan. Mecenato Pombalino e Poesia Neoclássica. São Paulo: Edusp, 1999.
--------------. Roteiro da Poesia Brasileira: Raízes. São Paulo: Global, 2008.

Programa

10 de agosto - Aula 1: Espaço, conteúdo construído socialmente
As formas de pensar o espaço e o tempo fazem parte da vida cotidiana, nas atividades que condizem às ações culturais da existência humana, e não-cotidiana, ou seja as atividades científicas, filosóficas e artísticas. O desenvolvimento dessas noções pelas crianças envolve uma forma própria de pensamento, o espacial, e demanda investigações acerca de metodologias de ensino, considerando a importância do meio para o desenvolvimento infantil. Compreende-se a Educação Infantil, como uma primeira aproximação aos conhecimentos sistematizados, o que não significa um acúmulo ou aprofundamento de conteúdo científicos. Com isto, espera-se que o ambiente educativo - no caso da escola de Educação Infantil – desenvolva atividades sistematizadas compreendendo que as crianças acessam conhecimentos que apoiarão outros tantos, pois aprender é dialogar com o que já se sabe e agregar outras leituras e ideias sobre o aprendido. Considera-se a importância de compreender o significado da Educação Infantil e o desenvolvimento humano com base na psicologia histórico-cultural.

17 de agosto - Aula 2: Vivência, a escola
A aprendizagem se dá por encadeamentos conceituais, em processo contínuo de construção de conceitos, os quais se apoiam na produção do conhecimento. Adentrar ao mundo sistematizado das ciências é mobilizar crianças de 4 anos, por exemplo, a observar, descrever, questionar, classificar, argumentar. Mobilizar as crianças a pensar o espaço e suas relações de forma sistematizada é contribuir para formação do ser social, pois “fora da relação com a sociedade, jamais desenvolveria as qualidades, as características que são resultado do desenvolvimento metódico de toda humanidade” (VIGOTSKI, 2018, p. 90). Ao compreender o que se ensina, deve-se analisar as formas pelas quais os sujeitos aprendem e, portanto os fundamentos metodológicos do ensino, de modo que o trabalho educativo considere os seguintes aspectos para o desenvolvimento infantil: a) o encadeamento de conceitos; b) a conscientização da própria atividade mental; c) a relação entre criança e conhecimento. A partir destes pressupostos e questionamentos acerca de como se ensina e como se aprende, o meio escolar é um fator a ser considerado na formação de vivências, em oposição às situações espontâneas, isoladas e fragmentadas.

24 de agosto - Aula 3: Representação espacial, o desenho
O desenho, com base nos estudos histórico-culturais, consiste em uma linguagem, uma primeira escrita da criança, pois caracteriza-se por elementos referentes à cognição, cultura, desenvolvimento motor e afetividade daquele que o produz. Não é atividade motora ou um simples domínio do material, mas envolve uma série de aprendizado que carrega em si historicidade da funcionalidade da representação gráfica acerca de um pensamento ou informação espacial. O desenho consiste em uma linguagem, uma primeira escrita da criança, e caracteriza-se por elementos relacionados à cognição, cultura, desenvolvimento motor e afetividade. Considera-se três elementos sobre o desenho no processo da iniciação cartográfica: a) a criação de equivalentes gráficos; b) a tradução do volume; c) o ponto de vista. As noções topológicas e projetivas podem estar baseadas no desenvolvimento das funções psíquicas superiores durante a atividade criadora, uma vez que compõem instrumentais para elaboração do conhecimento sistematizado.

31 de agosto - Aula 3: Dimensões da prática docente
Processo de avaliação compartilhada entre os participantes do grupo, com o intuito de compreender como, a partir do cotidiano escolar, pode-se construir processos formativos de ensino-aprendizagem que articulam pensamento espacial, representação e conhecimento geográfico. Neste processo, os participantes apresentarão suas reflexões e produções didáticas (projetos didáticos, plano de aula, entre outros).

Bibliografia:

ALMEIDA, R. D.; JULIASZ, P. C. S. Espaço e Tempo na Educação Infantil. São Paulo: Editora Contexto, 2014.
ARCE, A.; MARTINS, L. M. Quem tem medo de ensinar na educação infantil?: em defesa do ato de ensinar. Campinas, SP: Editora Alínea, 2a ed. 2010, p.14 - 36.
DUARTE, Newton. Educação escolar, teoria do cotidiano e a escola de Vigotski. 2ª ed. Campinas: Autores Associados, 1999.
FREIRE, Paulo. Papel da Educação na humanização. Seleção de Textos. São Paulo. n. 17. p. 01 – 13. 1987.
LURIA, A. R. O desenvolvimento da escrita na criança. In: VIGOTSKI, L. S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N. Traduzido por M. da P. Villalobos. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 2001. pp. 143-189.
VIGOSTKI, L. S. A construção do pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes. 2009.
VIGOTSKI, Lev Semionovich. Sete aulas de L. S. Vigotski sobre os fundamentos da pedologia. Organização [e tradução] Zoia Prestes, Elizabeth Tunes; tradução Claudia da Costa Guimarães Santana. Rio de Janeiro: E-Papers, 2018.
VYGOTSKY, Lev Semionovich. La imaginación y el arte en la infância. 10ª ed. Madri: Akal, 2011.

 

Programa

Programa completo:
Aula 1 (27/07) – Nelson Pereira do Santos e o cinema neo-realista no Brasil
Esta aula introduzirá a definição conceitual e a contextualização histórica do cinema moderno, a partir das formulações do crítico francês André Bazin, na década de 1950, sobre o neo-realismo italiano do imediato segundo pós-guerra. Em seguida, apresentará um panorama da história do cinema brasileiro até a década de 1950, com destaque para a falência do projeto industrial da Vera Cruz, bem como a trajetória de Nelson Pereira dos Santos até a produção de seus dois primeiros filmes, Rio, 40 graus (1955) e Rio, Zona Norte (1957). Analisaremos Rio, 40 graus a fim de destacar as inovações por ele introduzidas na linguagem cinematográfica e no tratamento da realidade social brasileira, bem como seus diálogos com o neo-realismo italiano. Por fim, a produção de Nelson Pereira dos Santos será comparada a filmes como O grande momento (Roberto Santos, 1958) e Estranho encontro (Walter Hugo Khouri, 1958), apresentando diferentes linhas e projetos que caracterizaram o cinema brasileiro moderno.
Aula 2 (28/07) – Paulo Emílio Salles Gomes e a questão do “subdesenvolvimento”
Esta aula discutirá o artigo “Uma situação colonial?”, de Paulo Emílio Salles Gomes, publicado no Estado de S. Paulo em 1960, fruto de uma tese apresentada na I Convenção Nacional da Crítica Cinematográfica. Analisaremos a trajetória de Salles Gomes e sua relação com a crítica brasileira da década de 1950 (Alex Viany, Francisco Luiz de Almeida Salles e Walter da Silveira). A partir desse material, a proposta é: 1) analisar as formulações que procuraram dar conta de uma produção que dava sinais de renovação; 2) articular algumas opções conceituais (“colonização”, “subdesenvolvimento” etc.) com o processo de modernização econômica e social ocorrido no país nas décadas de 1950 e 1960.
Aula 3 (29/07) – Os curtas-metragens deflagradores do Cinema Novo
Em 1960 Glauber Rocha iniciou uma série de artigos em que proclamava o nascimento de um novo cinema no Brasil, defendido a partir dos curtas-metragens Arraial do Cabo (Paulo César Saraceni e Mário Carneiro, 1959) e Aruanda (Linduarte Noronha, 1960). No ano seguinte, a VI Bienal de São Paulo exibiu tais curtas em sua programação, juntamente com Couro de gato (Joaquim Pedro de Andrade, 1961) e, naquele momento, o Cinema Novo começou a se formar enquanto grupo e projeto estético-político. Esta aula analisará esses três curtas, com destaque para o impacto da produção de Linduarte Noronha e para a emergência do grupo cinemanovista (Paulo César Saraceni, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Glauber Rocha, Gustavo Dahl, Carlos Diegues, etc.).
Aula 4 (30/07) – Gustavo Dahl, Glauber Rocha e a política dos autores
Esta aula analisará o texto de Gustavo Dahl “Algo de novo entre nós”, de outubro de 1961, e a introdução do livro de Glauber Rocha, Revisão crítica do cinema brasileiro, de 1963. Ambos os textos são manifestos em defesa das inovações em curso, tanto na produção fílmica quanto na crítica, e articuladores de um projeto a nortear a nova cinematografia brasileira. E ambos escolhem como método o cinema de autor – originalmente proposto por críticos-cineastas franceses (François Truffaut, Jean-Luc Godard etc.) –, porém, adequando-o aos debates e dilemas próprios do Brasil daquele momento.

Forma de avaliação: Presença mínima de 75% nas aulas.

Bibliografia:
ALAMBERT, Francisco; CANHÊTE, Polyana. As bienais de São Paulo: da era dos museus à era dos curadores (1951-2001). São Paulo: Boitempo, 2004.
ALMEIDA SALLES, Francisco Luiz de. Cinema e verdade: Marylin, Buñuel, etc., por um escritor de cinema. Organização Carlos Augusto Calil. São Paulo/Rio de Janeiro: Companhia das Letras/Cinemateca Brasileira/Fundação do Cinema Brasileiro, 1988.
ARAÚJO, Luciana Corrêa de. Joaquim Pedro de Andrade: primeiros tempos. São Paulo: Alameda, 2013.
AUTRAN, Arthur. Alex Viany: crítico e historiador. São Paulo: Perspectiva, 2003.
BAZIN, André. “A evolução da linguagem cinematográfica”. In: ___. O que é o cinema? São Paulo: Ubu Editora, 2018. p. 101-121.
BERNARDET, Jean-Claude. “Modificação na crítica”. O Estado de S. Paulo, São Paulo, Suplemento literário, p. 5, 05 jan. 1963.
____________. Brasil em tempo de cinema: ensaio sobre o cinema brasileiro de 1958 a 1966. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
____________. O autor no cinema: a política dos autores: França, Brasil – anos 1950 e 1960. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2018.
DAHL, Gustavo. “Algo de novo entre nós”. O Estado de S. Paulo, São Paulo, Suplemento literário, p. 5, 07 out. 1961.
FABRIS, Mariarosaria. “A questão realista no cinema brasileiro: aportes neo-realistas”. Alceu, Rio de Janeiro, v. 8, n. 15, p. 82-94, jul.-dez. 2007.
NAPOLITANO, Marcos. “A arte engajada e seus públicos”. Estudos históricos, Rio de Janeiro, n. 28, p. 103-124, 2001.
RAMOS, Fernão. “A ascensão do novo jovem cinema”. In: ___; SCHVARZMAN, Sheila (org.). Nova história do cinema brasileiro. São Paulo: Edições SESC, 2018. V. 2. p. 16-116.
RIDENTI, Marcelo. Em busca do povo brasileiro: artistas da revolução, do CPC à era da TV. Rio de Janeiro: Record, 2000.
ROCHA, Glauber. “Introdução”. In: ___. Revisão crítica do cinema brasileiro. São Paulo: Cosac Naify, 2003. p. 31-40.
SALLES GOMES, Paulo Emílio. “Uma situação colonial”? In: ___. Uma situação colonial? São Paulo: Companhia das Letras, 2016. p. 47-54.
VIANY, Alex. Introdução ao cinema brasileiro. Rio de Janeiro: Revan, 1993.
XAVIER, Ismail. O cinema brasileiro moderno. São Paulo: Paz e Terra, 200