Programa

1ª aula – 16/07

Abordagem filológica:
- Apresentação da Filologia, seus exemplos reais e aplicabilidades na Literatura.
Abordagem literária:
- Aula teórica sobre o percurso histórico da escrita feminina nos anos de 1800 (importância
da imprensa no “novo Rio de Janeiro”) e a relação da educação com a liberdade feminina.
- Breve exposição da biografia da autora Julia Lopes de Almeida/ recepção em vida e
apagamento do cânone.

Bibliografia suposta:
BARROCA, Iara Christina Silva. Julia Lopes de Almeida in: DUARTE. Constância Lima.
Memorial do Memoricídio. Belo Horizonte: Editora Luas, 2022.
DE CARVALHO E SILVA, M. A palavra filologia e as suas diversas acepções os
problemas da polissemia. Revista Confluência, v. 23, p. 53–70, 2002.
DUARTE, Constância Lima. Imprensa feminina e feminista no Brasil: dicionário
ilustrado: volume 1 Século XIX. Belo Horizonte. Autêntica Editora, 2023
FACHIN, P. R. M.; DA SILVA, S. C. Historiografia da Crítica Textual de autores brasileiros:
o caso Euclides da Cunha. Manuscrítica: revista de crítica genética, v. 35, p. 151–164, 2018.
LOURO, Guacira Lopes. Mulheres na sala de aula. In: DEL PRIORE, Mary. História das
Mulheres no Brasil, São Paulo: Contexto, 2022.
ROSEMBERG. Fúlvia. Mulheres educadas e a educação de mulheres. In: PEDRO Joana
Maria; PINSKY, Carla Bassanezi. Nova história das mulheres no Brasil. São Paulo:
Contexto, 2023.
SILVA, José Pereira da. A Comissão Machado de Assis e a Crítica Textual no Brasil.
Disponível em: http://www.filologia.org.br/machado_de_assis/A Comissão Machado de Assis
e a crítica textual no Brasil.pdf .

Bibliografia complementar:
HAHNER, June. A mulher brasileira e suas lutas sociais e políticas: 1850-1937. São Paulo: Brasiliense, 1981.
ROSEMBERG. Fúlvia. Mulheres educadas e a educação de mulheres. In: PEDRO Joana
Maria; PINSKY, Carla Bassanezi. Nova história das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2023.

SILVA, Aguimario Pimentel. Imprensa, gênero e poder: discursos sobre a educação da
mulher no Brasil Império. São Cristóvão, SE: Editora UFS, 2019.
SOUTO, Bárbara Figueiredo. Imprensa feminina no Brasil: mulheres oitocentistas em
luta por direitos. Curitiba: Appris, 2019.
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2ª aula – 17/07

Abordagem filológica:
- Panorama filológico: o procedimento científico para lidar com as variantes textuais
presentes em Memórias de Martha.
- A partir da identificação das variantes, questionar como os estudantes lidariam com elas.
Instigar labor filológico.
Abordagem literária:
- Análise da narrativa Memórias de Martha com ênfase em: amor materno, vida pobre no
cortiço, incentivo escolar, desilusão amorosa, rejeição ao casamento e aceitação do “destino
natural da mulher”.
- A partir da identificação dos ideais emancipatórios da protagonista Martha, debater com os
alunos se o texto é conformista ou transgressor.

Bibliografia obrigatória:
ALMEIDA, Júlia Lopes de. Memórias de Marta. São Paulo: Penguin-Companhia das
Letras, 2024.
FAEDRICH, Anna. O cortiço de Júlia Lopes de Almeida. In: ALMEIDA, Júlia. Memórias
de Marta. São Paulo: Penguin-Companhia das Letras, 2024.
GUIMARÃES, Cinara Leite. Espaços gendrados em narrativas de Júlia Lopes de
Almeida. Curitiba: Appris, 2020.
SILVA, José Pereira da. Para uma bibliografia brasileira de crítica textual, com as resenhas
dos três manuais teóricos deste século. Rio de Janeiro:, 2007. Disponível em:
http://www.filologia.org.br/pereira/textos/bibliografia_brasileira.pdf
TELLES, Norma. Escritoras, escritas, escrituras. In: DEL PRIORE, Mary (Org.). História
das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2002.
VERONA, Elisa Maria. Da feminilidade oitocentista. São Paulo: Editora UNESP, 2013.

Bibliografia complementar:
RIO, João do. O momento literário. Rio de Janeiro, RJ: Fundação Biblioteca Nacional, 1994.
SALOMONI. Rosane Saint-Denis. (2005) A escritora/ os críticos/ a escritura: o lugar de
Júlia Lopes de Almeida na ficção Brasileira. Disponível em:
<www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/81773/000468879.pdf&gt;. Acesso em 10 de fev 2023.
SAFFIOTI, Heleieth. A mulher na sociedade de classes. São Paulo: Expressão Popular, 2013.
DE LUCA, Leonora. O ‘feminismo possível‘ de Júlia Lopes de Almeida (1862-1934).
Cadernos Pagu. Campinas, vol.12, p. 275-299, 1999.

Programa

1. Introdução: o surgimento do relato de viagem como forma literária moderna. Rousseau: viagem, exílio e sonho e Moritz: a experiência do estrangeiro

2. Conrad: a viagem e o horror colonial

3. Chatwin: a viagem e o contador de histórias

4. Magris: a viagem como pesquisa

5. Sebald: a viagem como exercício meditativo

6. Petrowskaja: viagem em busca de si, viagem em busca do outro

Referências bibliográficas:

Textos literários de leitura obrigatória:
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Os devaneios do caminhante solitário. Trad. Fúlvia Maria Luiza Moretto. Brasília: Editora da UnB, 1995 [1782].
MORITZ, Karl Philipp. Viagem de um alemão à Itália. Trad. Oliver Tolle. São Paulo: Imprensa Oficial, 2008 [1792].
CONRAD, Joseph. Coração das trevas. Trad. Paulo Schiller. São Paulo: Ubu, 2019 [1899].
CHATWIN, Bruce. Na Patagônia. Trad. Carlos Eugênio Marcondes de Moura. São Paulo: Companhia das Letras, 1988 [1977].
MAGRIS, Claudio. Danúbio. Trad. Elena Grechi e Jussara de Fátima Mainardes. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 [1986].
SEBALD, W.G. Os anéis de Saturno. Trad. José Marcos Mariani Macedo. São Paulo: Companhia das Letras, 2010 [1996].
PETROWSKAJA, Katja. Talvez Esther. Trad. Sérgio Tellaroli. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Textos teóricos de leitura complementar:
BORM, Jan. Defining Travel: On the Travel Book, Travel Writing and Terminology. In: HOOPER, Glenn; YOUNGS, Tim. Perspectives on Travel Writing. Londres: Routledge, 2016.
BUTOR, Michel. Travel and Writing. Mosaic: An Interdisciplinary Critical Journal, [S. l.], v. 8, n. 1, p. 1-16, Fall 1974.
CAMPBELL, Mary B. The Witness and the Other World: Exotic European Travel Writing 400–1600. Ithaca: Cornell University Press. 1988.
HULME, Peter; YOUNGS, Tim (Ed.). The Cambridge companion to travel writing. Cambridge: Cambridge University Press, 2002.
KLEIN, Kelvin Falcão. Estratégias de visualidade na literatura: o olho-Sebald. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2022.
MAGRIS, Claudio. Preface. In: Journeying. New Haven: Yale University Press, 2018.
NIEFANGER, Dirk. Melancholie und ästhetischer Genuß: Landschaft in den „Reisen eines Deutschen in Italien“ von Karl Philipp Moritz. Aufklärung, [S. l.], v. 8, n. 1, p. 15-31, 1994.
ÖHLSCHLÄGER, Claudia; NIEHAUS, Michael (orgs.). W. G. Sebald Handbuch: Leben, Werk, Wirkung. Stuttgart: J. B. Metzler, 2017.
SEBALD, W.G. O segredo da pele marrom-avermelhada: Bruce Chatwin, uma aproximação. Trad. Kristina Michahelles. In: Campo Santo. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.
STAROBINSKI, Jean. Devaneio e transmutação. Trad. Maria Lúcia Machado. In: Jean Jacques Rousseau: a transparência e o obstáculo. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.
TODOROV, Tzvetan. „A viagem e seu relato”. Revista de Letras 39 (1999), S. 13-24.
WOLFF, Lynn L. Literatur als Historiografie nach W.G. Sebald. In: AGAZZI, Elena; FULDA, Daniel; JAEGER, Stephan (Ed.). Romanhaftes Erzählen von Geschichte: Vergegenwärtigte Vergangenheiten im beginnenden 21. Jahrhundert. Berlin: de Gruyter, 2019. p. 279-302.

Programa

1. Introdução ao operarismo italiano:
a. Retomada do pensamento marxista na Itália após a queda do fascismo;
b. Mario Tronti e a “hipótese operarista”.
 
2. Sociologia operarista:
a. Raniero Panzieri e a “pesquisa operária”, Romano Alquati e a “copesquisa”;
b. A noção de “composição de classe” e a tipologia operarista da classe operária.
 
3. Transformações da composição de classe:
a. O “longo 1968” italiano e a “recusa do trabalho”;
b. O declínio do “operário-massa” e o conceito de “operário social”.
 
4. Bases materiais do conceito de trabalho imaterial:
a. Antonio Negri e a descoberta do “trabalho imaterial”;
b. Qual é a composição da classe operária hodierna?
 
Justificativa:
 
Não obstante a popularidade adquirida no Brasil pela obra tardia de Antonio Negri e as discussões suscitadas por seu conceito de trabalho imaterial a partir do ano 2000 em todo o mundo, a tradição prático-teórica da qual provêm tais obra e conceito e sobretudo as raízes sociológicas do último são menos conhecidas tanto aqui quanto no exterior. Desse modo, a reconstrução, desde sua origem, de certos itinerários da pesquisa operarista sobre o desenvolvimento da produção capitalista e a organização da classe operária faz-se não apenas proveitosa como necessária para a adequada compreensão dessas temáticas.
 
Bibliografia:
 
Há, em língua portuguesa, edições parciais e esparsas dos textos utilizados no curso. As indicações dessas edições será fornecida no decorrer das aulas.
 
ALQUATI, Romano. Per fare la conricerca. Padova: Calusca, 1993.
 
—————. “Per una storia di classe operaia”. Bailamme, v. 24, n. 2, pp. 173-205, 1999.
 
—————. Sulla Fiat e altri scritti. Milano: Feltrinelli, 1975.
 
ALTAMIRA, César. Os marxismos do novo século. Trad.: Leonora Corsini. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.
 
ANDERSON, Perry. Considerações sobre o marxismo ocidental; Nas trilhas do materialismo histórico. Trad. Fábio Fernandes. São Paulo: Boitempo, 2019.
 
BELLOFIORE, Riccardo (Org.). Da Marx a Marx? Un bilancio dei marxismi italiani del Novecento. Roma: Manifestolibri, 2007.
 
BOLOGNA, Sergio. “Class composition and theory of the party at origin of the worker’s council movement”. Trad. Bruno Ramirez. Telos, v. 13, pp. 4-27, 1972.
 
—————. “Problematiche del lavoro autonomo in Italia”. Altre Ragioni, v. 1, 1992.
 
BORIO, Guido; POZZI, Francesca; ROGGERO, Gigi. Futuro anteriore: Dai Quaderni rossi al movimento globale: Ricchezze e limiti dell'operaismo italiano. Roma: DeriveApprodi, 2002.
 
—————. Gli operaisti. Roma: DeriveApprodi, 2005.
 
CAVA, Bruno. “A copesquisa militante no autonomismo operaista”. Lugar Comum, v. 37-38, pp. 17-38, 2013.
 
CLEAVER, Harry. Reading Capital politically. Leeds (UK); Edinburgh: Anti/Thesis; AK, 2000.
 
CORRADI, Cristina. Storia dei marxismi in Italia. Roma: Manifestolibri, 2005.
 
CORSANI, Antonela et al. Le basin de travail immateriel (BTI) dans la metropole parisienne. Paris: L’Harmattan, 1996.
 
FASULO, Fabrizio. “Raniero Panzieri and the workers inquiry: the perspective of living labor, the function of science and the relationship between class and capital”. Ephemera: Theory & Politics in Organization, v. 14, n. 3, pp. 315-33, 2014.
 
HAIDER, Asad; MOHANDESI, Salar. “Worker’s inquiry: a genealogy”. Viewpoint Magazine, v. 3, 2013.
 
HARDT; Michael; NEGRI, Antonio. Império. 7ª ed. Trad.: Berilo Vargas. Rio de Janeiro: Record, 2005.
 
LAZZARATO, Maurizio et al. Des entreprises pas comme les autres: Benetton en Italie, le Sentier a Paris. Paris: Publisud, 1993.
 
LAZZARATO, Maurizio; NEGRI, Antonio. Trabalho Imaterial: formas de vida e produção de subjetividade. Trad. Mônica Jesus. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
 
MEZZADRA, Sandro. “Operaísmo e pós-operaísmo”. Trad. Bruno Cava. Lugar Comum, v. 42, pp. 85-92, 2014.
 
MILANA, Fabio; TROTTA, Giuseppe. L’operaismo degli anni Sessanta: Da “Quaderni rossi” a “Classe operaia”. Roma: DeriveApprodi: 2008.
 
NEGRI, Antonio. Cinco lições sobre Império. Trad. Alba Olmi. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
 
—————. “Interpretation of the class situation today: methodological aspects”. Trad. Michael Hardt. In: BONEFELD, Werner; GUNN, Richard; PSYCHOPEDIS, Kosmas (Org.). Open Marxism: theory and practice. London: Pluto, 1992, v. II, pp. 69-105.
 
PANZIERI, Raniero. Ripresa del marxismo leninismo in Italia. Roma: Nuove edizioni operaie, 1977.
 
SANTIAGO, Homero. “A recusa do trabalho (a experiência revolucionária de Porto Marghera)”. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 19, n. 2, pp. 249-65, 2011.
 
THIOLLENT, Michel. Crítica metodológica, investigação social e enquete operária. 3ª ed. São Paulo: Polis, 1982.
 
TRONTI, Mario. Operai e capitale. Roma: DeriveApprodi, 2006.
 
ROGGERO, Gigi: Elogio della militanza: Note su soggettività e composizione di classe. Roma: DeriveApprodi, 2016.
 
VERCELLONE, Carlo. “Composizione organica del capitale e composizione di classe”. In: COMMONWARE; EFFIMERA; UNIPOP (Org.). La crisi messa a valore: scenari geopolitici e la composizione da costruire. [s.l.]: CWPress; Sfumature, 2015, pp. 103-18.
 
WOODCOCK, Jamie. “The workers’ inquiry from Trotskyism to Operaismo”. Ephemera: Theory & Politics in Organization, v. 14, n. 3, pp. 489-509, 2014.
 
WRIGHT, Steve. Storming heaven: class composition and struggle in Italian autonomist Marxism. London; Stearling (VA): Pluto, 2002.

Programa

Aula 1 (02/08) — A polêmica: “traiu ou não traiu”, um fenômeno cultural?
Aula 2 (04/08) — Ciúme ou adultério? Ressonâncias na ficção machadiana
Aula 3 (09/08) — A construção do ethos de um narrador não confiável
Aula 4 (11/08) — Verossimilhança: retórica, realidade e impostura

Referências bibliográficas:

ASSIS, Machado de. Contos do Casmurro. Rio Branco: Editora Literatura Clássica, 2020.

________. Dom Casmurro. Rio de Janeiro: Antofágica, 2020.

________. “Notícia da atual literatura brasileira — Instinto de nacionalidade”. In: O jornal e o livro. São Paulo: Penguin; Companhia das Letras, 2011. p. 13-26.

________. Obra completa em quatro volumes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.

BAPTISTA, Abel Barros. “O legado Caldwell, ou o paradigma do pé atrás”. Portuguese Studies. Santa Bárbara. v. 1, p.145-177, 1994.

BOOTH, Wayne C. The Rhetoric of Fiction. Chicago: University of Chicago Press, 1983.

BOSI, Alfredo. Machado de Assis — O enigma do olhar. São Paulo, Ática, 2000.

CALDWELL, Helen. O Otelo brasileiro de Machado de Assis: um estudo de Dom Casmurro. Cotia: Ateliê Editorial, 2002.

CANDIDO, Antonio. “Esquema de Machado de Assis”. In: Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1977.

________. “Literatura e cultura de 1900 a 1945”. In: Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2006. p. 117-146.

CRUZ, Dilson Ferreira da. O éthos dos romances de Machado de Assis: uma leitura semiótica. São Paulo: Edusp / Nankin Editorial, 2009.

FRIEDMAN, Norman. “O ponto de vista na ficção – desenvolvimento de um conceito crítico”. Tradução de Fábio Fonseca de Melo. Revista USP. São Paulo, n. 53, p. 166-182, mar./mai. 2002.

GENETTE, Gérard. Palimpsestos: a literatura de segunda mão. Tradução de Cibele Braga, Erika Viviane Costa Vieira et. al. Belo Horizonte: Edições Viva Voz, 2010.

GLEDSON, John. Machado de Assis: Impostura e realismo – uma reinterpretação de Dom Casmurro. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

________. Machado de Assis: ficção e história. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

GUIMARÃES, Hélio de Seixas. “Helen Caldwell, Cecil Hemley e os julgamentos de Dom Casmurro”. Machado de Assis em Linha. São Paulo, v. 12, n. 27, p. 113-141, mai./ago. 2019.

________. Os leitores de Machado de Assis. São Paulo: Nankin; Edusp, 2012.

________. Machado de Assis: o escritor que nos lê. São Paulo: Ed. Unesp, 2017.

HANSEN, João Adolfo. “Dom Casmurro: simulacro & alegoria”. In: GUIDIN, Márcia Ligia; GRANJA, Lúcia; RICIERI, Francine Weiss (Orgs.). Machado de Assis: ensaios da crítica contemporânea. São Paulo: Editora Unesp, 2008, pp. 143-77.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

JOBIM, José Luís. A biblioteca de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Topbooks; Academia Brasileira de Letras, 2002.

________. Literatura comparada e literatura brasileira: circulações e representações. Rio de Janeiro: Edições Makunaima; Boa Vista: Editora UFRR, 2020.

MEYER, Augusto. Machado de Assis 1935-1958. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005.

PASSOS, Gilberto Pinheiro. Capitu e a mulher fatal: análise da presença francesa em Dom Casmurro. São Paulo: Nankin Editorial, 2003.

SAMOYAULT, Tiphaine. A intertextualidade. Tradução de Sandra Nitrini. São Paulo: Aderaldo & Rothschild; Editora Hucitec, 2008.

SANTIAGO, Silviano. “Retórica da verossimilhança”. In: Uma literatura nos trópicos: ensaios sobre dependência cultural. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

SCHWARZ, Roberto. “A poesia envenenada de Dom Casmurro”. In: Duas meninas. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

________. Ao vencedor as batatas. São Paulo: Duas Cidades; Ed. 34, 2012.

________. “Nacional por subtração”. In: Que horas são? São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 29-48.

________. Um mestre na periferia do capitalismo: Machado de Assis. São Paulo: Duas Cidades, 1990.

VILLAÇA, Alcides. “Machado de Assis, tradutor de si mesmo”. Novos Estudos CEBRAP. São Paulo, v. 51, p. 3-14, jul. 1998.

WATT, Ian. A ascensão do romance. Tradução de Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Programa

Encontro 1: A Pedagogia dos Multiletramentos, do manifesto publicado em 1996 aos dias atuais.
Parte teórica:
- Discutir os argumentos do manifesto A Pedagogia dos Multiletramentos: Desenhando Futuros Sociais (1996) e
suas reformulações em 2009 e 2022.
Parte prática:
- Criar uma conta na plataforma CGScholar;
- Entrar na comunidade do curso na plataforma;
- Iniciar o rascunho de um texto.

Leituras sugeridas:
COPE, Bill, KALANTZIS, Mary. Big Data Comes to School: Implications for Learning, Assessment, and
Research. AERA Open, 2016. doi:10.1177/2332858416641907
GRUPO NOVA LONDRES. Uma Pedagogia dos Multiletramentos: Projetando Futuros Sociais. Revista
Linguagem em Foco, v.13, n.2, p. 101-145, 2021. Disponível em:
https://revistas.uece.br/index.php/linguagemem- foco/article/view/5578.
KNOBEL, Michele; KALMAN, Judy. Teacher learning, digital technologies and new literacies. In:
KNOBEL, Michele; KALMAN, Judy. New literacies and teacher learning professional development
and the digital turn. New York, Peter Lang, 2016.
MONTE MÓR, Walkyria. Sociedade da escrita e sociedade digital: línguas e linguagens em revisão. In:
MONTE MÓR, Walkyria; TAKARI, Nara Hiroko (Orgs.) Construções de sentido e letramento digital
crítico na área de línguas/linguagens. Campinas, SP: Pontes Editores, 2017.

Encontro 2:
Parte teórica:
- Discutir como alguns autores brasileiros têm lido as propostas da pedagogia dos multiletramentos.
Parte prática:
- Finalizar a escrita do rascunho e publicar o texto da comunidade do curso;
- Ler e comentar dois textos publicados na comunidade do curso.
Leituras sugeridas:
KALANTZIS, Mary; COPE, Bill; PINHEIRO, Petrilson. Letramentos. Campinas: Editora da Unicamp,
2020.
Duboc, A. P. M., & Souza, L. M. T. M. D. (2021). Delinking Multiliteracies and the Reimagining of
Literacy Studies. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, 21(2), 547-576.
https://doi.org/10.1590/1984-6398202117998
Monte Mór, W. (2015). Learning by design: Reconstructing knowledge processes in
teaching and learning practices. In B. Cope & M. Kalantzis (Eds.), A Pedagogy
of Multiliteracies. (pp. 186-209). Palgrave Macmillan.
Rojo, R. (2012a) Pedagogia dos multiletramentos: diversidade cultural e de linguagens na escola. In
Rojo, R., & Moura, E. (Orgs.) Multiletramentos na Escola. São Paulo: Parábola.
Rojo, R. (2012b). Escola conectada: os multiletramentos e as TICs. São Paulo: Parábola.
Rojo, R., & Moura, E. (2019) Letramentos, Mídias, Linguagens. São Paulo: Parábola.

Encontro 3: Multiletramentos como modelo de aprendizagem
Parte teórica:
● Discutir a proposta de multiletramentos como modelo de aprendizagem, considerando a
plataforma usada para o curso.
● Discutir sobre a viabilidade de trabalhar na perspectiva dos multiletramentos em contextos com
poucos recursos tecnológicos ou mesmo sem tecnologia.
Parte prática:
- Ler e comentar dois textos publicados na comunidade do curso;
- Verificar na ferramenta de análise de aprendizagem da plataforma (Analytics), se atendeu aos
requisitos de participação no curso.
Leituras sugeridas:
KALANTZIS, Mary; COPE, Bill; PINHEIRO, Petrilson. Letramentos. Campinas: Editora da Unicamp,
2020.

Programa

O programa conta com 4 aulas divididas igualmente em dois blocos. O 1º bloco será ministrado terá como assunto a filosofia de Kant, o 2º, a filosofia de Hegel.

1º Bloco: Kant
1ª Aula: O conceito kantiano de Ideia e de Ideal
Trata-se de fazer uma breve recapitulação sugerida, ademais, pelo próprio Kant, do conceito de “ideia” na História da Filosofia, com o objetivo de situar o uso propriamente kantiano do conceito. Num segundo momento, trata-se de introduzir a diferença entre “ideia” e “ideal”.

2ª Aula: O Ideal da Razão Pura
Trata-se de explicitar, a partir da diferença entre determinação e determinação completa, o surgimento do Ideal da Razão Pura caracterizando-o, ao mesmo tempo, como a utopia da razão discursiva e ponto culminante paradoxal de duas tendências opostas da razão: unidade e diversidade.

2º Bloco: Hegel
3ª Aula: Razão e contradição em Hegel
Trata-se de uma leitura do que Hegel chama de determinações de reflexão em sua lógica – identidade, diferença e contradição – a fim de mostrar como o idealismo hegeliano assume a contradição como elemento de sua lógica a partir de sua leitura da noção kantiana de ideia – para transformá-la.

4ª Aula: A Ideia em Hegel
Trata-se de uma leitura da noção hegeliana de Ideia, tal como apresentada ao fim de sua lógica na dialética entre a ideia do verdadeiro e a ideia do bem. A contradição entre as dimensões teórica e prática da Ideia em Hegel revela um aspecto inédito de seu idealismo: o de que a utopia ou o ideal sempre se realizam e se realizaram na história humana. Mostraremos como este aspecto aparentemente conservador foi influente para o pensamento materialista que se seguiu.

Referências bibliográficas

FERRARIN, A. Reason in Kant and Hegel. Kant Yearbook 8 (1):1-16, 2016.
GRAPOTTE, S. Le concept critique d’« ens realissimum ». Revue philosophique de Louvain. Vol. 101, No. 3, pp. 434-455, 2003.
GRIER, M. Kant’s Doctrine of Transcendental Illusion. Cambridge: Cambridge University Press, 2001.
HEGEL, G. W. F.; Ciência da Lógica: 2. A doutrina da essência, Petrópolis: Vozes, 2017
_____________; Ciência da Lógica: 3. A doutrina do conceito, Petrópolis: Vozes, 2018
_____________; Enciclopédia das Ciências Filosóficas em Compêndio (1830): I - A Ciência da Lógica, São Paulo: Loyola, 1995a
KANT, I. Crítica da Razão Pura. Trad. Fernando Costa Mattos. 4. Ed. Petrópolis: Vozes, 2017.
LEBRUN, G. Kant e o Fim da Metafísica. Trad. Carlos Alberto Ribeiro de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
LONGUENESSE, B. Kant on the Human Standpoint. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.
_____________; Twists and turns of Hegel's contradiction. In: Hegel's Critique of Metaphysics (Modern European Philosophy, pp. 39-84). Cambridge: Cambridge University Press, 2007.
NG, K, 'The Idea of Cognition and Absolute Method', Hegel's Concept of Life: Self-Consciousness, Freedom, Logic. Oxford University Press, 2020
THEIS, R. La Raison et son Dieu : étude sur la théologie kantienne. Paris : VRIN, 2012.
WINFIELD, R. D. TRUTH, THE GOOD, AND THE UNITY OF THEORY AND PRACTICE. The Review of Metaphysics, 67(2), 405–422, 2013.

Programa

Aula 1. Influência da cultura e da língua alemã no Direito brasileiro
Aula 2. Verbos e estrutura frasal em alemão
Aula 3. Análise de excertos de artigos de Doutrina em língua alemã: terminologias e palavras-compostas I
Aula 4. Análise de excertos de artigos de Doutrina em língua alemã: terminologias e palavras-compostas II

 

Referências Bibliográficas:
BUNN, L.; KACIK, G. Deutsch als Fremdsprache für Juristen: Lehr- und Lernmaterialien zum Zivilrecht (DaF an der Hochschule). Münster (DE): Waxmann, 2019.
AUBERLE, A., KLOSA, A. DUDEN. Das Herkunftswörterbuch. Etymologie der deutschen Sprache. Mannheim: Institut & F.A. Brockhaus, 2001. [Dicionário]
DUVE, T. História do Direito na Alemanha: Tradições nacionais e perspectivas transnacionais. Cadernos do PPG Direito UFRGS, vol. 16, n. 11, 2021, p.4-71.
EHLERS, E. H. K.; EHLERS, Gunter. Michaelis tech. Dicionário de Economia e Direito. Alemão-Português. Português-Alemão. São Paulo: Melhoramentos, 1995. [Dicionário]
FRITZ, K. N. UERJ lança Centro de Estudos de Direito Alemão e Comparado. Migalhas [2024]. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/coluna/german-report/337496/uerj-lanca-cent… Acesso em: 3 nov. 2024.
NETO, E. F.; HAEBERLIN, M. P. O “estilo” jurídico alemão – Breves considerações sobre alguns dos seus fatores determinantes. Revista da AJURIS, v. 41, n. 133, 2014.
PICKBRENNER, M.. Termos compostos em língua alemã: uma contribuição para o ensino de leitura instrumental em Direito. The ESPecialist, vol. 29, número especial, 2008, p. 157-186.
REICHMANN, T. Ein translatologischer Blick auf die Fachsprache des Rechts oder ein rechtlicher Blick auf die Translatologie – Brauchen wir eine neue Disziplin? In: ADAMS, M.; BAUMANN, K.-D.; KALVERKÄMPER, H. (Hg.): Zukunftsformate der Fachkommunikationsforschung. Berlin: Frank&Timme, 2023, p. 259–277.
RODRIGUES JR. , O. L. Direito comparado: A influência do Código Civil alemão de 1900 (Parte 1). Consultor Jurídico [2013]. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2013-jun-26/direito-comparado-influencia-codi… Acesso em: 4 nov. 2024.
_____. Direito comparado: A influência do Código Civil alemão de 1900 (Parte 2). Consultor Jurídico [2013]. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2013-jul-03/direito-comparado-influencia-codi… Acesso em: 4 nov. 2024.
_____. Direito comparado: A influência do Código Civil alemão de 1900 (Parte 3). Consultor Jurídico [2013]. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2013-jul-17/direito-comparado-influencia-codi… Acesso em: 4 nov. 2024.
TEODOROVICZ, J. A Experiência Tributária Alemã e a Repercussão Germânica na Ciência do Direito Tributário Brasileiro. Direito Tributário Atual, v. 38, p. 225-255, 2017.
WENCZENOVICZ; T. J.; BORRMANN, R. G. Circulação de conhecimento e cultura entre a Alemanha e o Brasil: recepção por Tobias Barreto e Sílvio Romero. Revista Culturais Jurídicas, Niterói (RJ), vol. 4, n. 7, 2017, p. 141-157.
ZANINI, L. E. de A. Panorama histórico do direito privado alemão e sua importância para o desenvolvimento do direito privado brasileiro. RJLB, Lisboa, Ano 7, n. 6, 2021, p. 1471-1515,
_____. Fundamento do Direito das Coisas na Alemanha. Revista do PPG-Direito da UFBA, vol. 31, n. 2, p. 82-117.

Programa

Aula 1 - Introdução à Sociologia Digital e aos Desafios do Big Data
Ministrantes: Enrico Roberto - Doutorando pela Faculdade de Direito da USP, com o tema direito e inteligência artificial. Letícia Simões Gomes - Pesquisadora associada do Núcleo de Estudos da Violência (NEV/USP). Doutoranda pelo departamento de Sociologia, com o tema tecnologias de policiamento e desigualdades raciais.
 
Tópicos:
● Pequeno histórico sobre a internet, telecomunicações e dispositivos computacionais.
● Introdução a Big Data, Privacidade e Machine Learning sob o viés sociológico
● Enviesamento algorítmico
 
Textos:
● Capítulo 1. Introduction: Life is Digital. in: LUPTON, Deborah. Digital Sociology. New York: Routledge, 2015
● Capítulo 2. Theorizing digital society. in: LUPTON, Deborah. Digital Sociology. New York: Routledge, 2015
● Capítulo 5. A critical sociology of big data. in: LUPTON, Deborah. Digital Sociology. New York: Routledge, 2015
 
Aula 2 - A sociologia digital enquanto especialidade - continuidades e transformações
Ministrante: Letícia Simões Gomes - Pesquisadora associada do Núcleo de Estudos da Violência
(NEV/USP). Doutoranda pelo departamento de Sociologia, com o tema tecnologias de policiamento e desigualdades raciais.
Veridiana Domingos Cordeiro - Doutoranda pelo departamento de Sociologia, com o tema construção
da memória e da identidade.
 
Tópicos:
● Transformação das socialidades
● Problemas de estudo: digital / sociedade
● Técnicas/Metodologias digitais de estudo
 
Textos:
● Capítulo 2. What makes digital technologies social? in: MARRES, Noortje. Digital Sociology. Cambridge: Polity, 2017.
● Capítulo 3. Do we need new methods? in: MARRES, Noortje. Digital Sociology. Cambridge: Polity, 2017.
 
Aula 3 - Desigualdades digitais e trabalho digital
Ministrante: Cauê Martins - Doutorando pelo Departamento de Sociologia da USP, com tema sobre sociologia da música e experiência de pesquisa sobre fonografia digital.
 
Tópicos:
● Desigualdades sociais digitais
● A divisão internacional do trabalho digital
● Trabalho digital concreto e abstrato nas mídias sociais
 
Textos:
● Capítulo 6. The diversity of digital technology use. in: LUPTON, Deborah. Digital Sociology. New York: Routledge, 2015.
● Capítulo 11. Theorizing digital labour on social media. in: FUCHS, Christian. Digital Labour and Karl Marx. New York: Routledge, 2014.
Aula - A sociabilidade transportada para as redes sociais.
Ministrante: Camila Crumo - Mestranda pelo Departamento de Sociologia da FFLCH/USP, com o tema alimentação e redes sociais.
 
Tópicos:
● Influências das redes sociais na construção da realidade social
● Digitalização da sociabilidade
● Classe no ambiente digital
Textos:
● Capítulo 1. Engineering Sociality in a Culture of Connectivity. in: DIJCK, José Van. The
culture of connectivity: a critical history of social media. Nova York: Oxford University Press, 2013.
● BOURDIEU, Pierre. Gostos de classe e estilo de vida. ORTIZ, Renato (org.). Bourdieu –
Sociologia. São Paulo: Ática. Coleção Grandes Cientistas Sociais, vol. 39. p.82-121, 1983.
 
Bibliografia:
 
BOURDIEU, Pierre. Gostos de classe e estilo de vida. ORTIZ, Renato (org.). Bourdieu – Sociologia.
São Paulo: Ática. Coleção Grandes Cientistas Sociais, vol. 39. p.82-121, 1983.
DIJCK, José Van. The culture of connectivity: a critical history of social media. Nova York: Oxford University Press, 2013.
FUCHS, Christian. Digital Labour and Karl Marx. New York: Routledge, 2014.
LUPTON, Deborah. Digital Sociology. New York: Routledge, 2015.
MARRES, Noortje. Digital Sociology. Cambridge: Polity, 2017.
 
Leitura complementar:
 
BAROCAS, Solon e SELBST, Andrew. Big Data's disparate impact. California Law Review, v. 104, n. 6, p. 671-732, 2016.
CATANI, Afrânio et al. (orgs). Vocabulário Bourdieu. Belo-Horizonte: Autêntica, 2017.
LUM, Kristian e ISAAC, William. To predict and serve? Significance, 2016.
MADDEN, Mary et al. Privacy, poverty, and big data: A matrix of vulnerabilities for poor Americans. Washington University Law Review, v. 95, 2017.
O’NEIL, C. Weapons of Math Destruction. Nova York: Crown, 2016.

Programa

Apresentação

Este curso se destina a professores, alunos/as, funcionários/as, profissionais ou amantes do mundo dos livros e das letras, que desejam se aprofundar em temas e tópicos relacionados a sociologia e as possibilidades de análise e compreensão que ela oferece sobre o universo literário. Seja como um ponto de vista privilegiado e/ou como uma especialidade acadêmica relativamente autônoma.
O curso abordará autores clássicos que pensaram a literatura e sua relação com o mundo social, seja, refletindo acerca dos produtores literários, ou sobre as formas de circulação e consagração, ou sobre os intermediários e mediadores culturais que conferem valor literário a obras e autores.
Assim, os assuntos abordados convergem na demonstração de que mais do que uma disciplina acessória a compreensão dos fenômenos literários, a sociologia é uma forma de conhecimento/saber central para a compreensão dos mundos da literatura e de seus agentes.


Objetivo

Apresentar para os/as matriculados/as no curso temas e tópicos de diversas correntes da sociologia e/ou da crítica literária que auxiliem a compreensão de fenômenos literários contemporâneos e do passado.
Oferecendo assim uma pluralidade de ferramentas e possibilidades de enquadramentos teóricos e analíticos que sirvam para os/as estudantes se nortearem em suas práticas profissionais ou acadêmicas.


Tópicos

Sociologia Transnacional da Literatura
A sociologia da literatura de Pascale Casanova


Cronograma e avaliação

O curso terá duração de 1 semana, com 4 aulas com duração de 1 hora e trinta minutos a 2 horas. Dias 21, 22, 23 e 24 de julho, das 17:00 às 19:00.
Cada aula terá por volta de 2 horas e meia a 3 horas.
Para cada dia haverá alguns textos indicados para leitura que serviram de base para a reflexão do conteúdo a ser discutido.

Ao final e opcionalmente o/a aluno/a poderá entregar uma resenha de alguns dos textos lidos durante o curso, e/ou um projeto de pesquisa que envolva alguns dos temas debatidos em aula, e/ou breve trabalho reflexivo sobre alguns dos temas/autores (no máximo 10 páginas, parágrafo de 1,5cm, letras times new roman 12, excluída a bibliografia).


Tópico - Sociologia Transnacional da Literatura

Apresentação

Esta aula visa introduzir uma temática da área de sociologia da literatura que diz respeito aos estudos de enfoque transnacional do universo literário. Tal enquadramento de análise visa colocar em suspensão categorias naturalizadas nos estudos literários e na sociologia da literatura, a saber: nação, língua, fronteiras, etc.
O enfoque transnacional da sociologia da literatura permite compreender como nações, áreas linguísticas, editoras, escritores e agentes literários estão em disputas e alianças para traçar novas fronteiras, alargando algumas e apagando outras. A luta pela consagração e pela circulação de obras e autores envolve disputas por traduções, prêmios e aparições públicas que frequentemente desenham um percurso no espaço global que transpassa fronteiras nacionais, de mercado e simbólicas.

Objetivo

Apresentar sucintamente a origem dos estudos transnacionais na sociologia da literatura bem como suas possibilidades de aplicação para pesquisas e trabalhos acadêmicos. Descrever as formas de abordagem de objetos a partir de um olhar que privilegia a transnacionalidade como enquadramento fundamental para a explicação e compreensão de fenômenos literários contemporâneos.


Leituras indicadas

BOURDIEU, Pierre. Les conditions sociales de la circulation internationale des idées. In: Actes de la recherche en sciences sociales. Vol. 145, décembre 2002. La circulation internationale des idées. pp. 3-8. DOI : https://doi.org/10.3406/arss.2002.2793 . Disponível em: www.persee.fr/doc/arss_0335-5322_2002_num_145_1_2793

JURT, Joseph. Campo literario y Nación. In: JURT, Joseph. Naciones Literarias: una sociología histórica del campo literario. Villa María: Eduvim, 2014, p. 15 a 49.

SAPIRO, Gisèle. A noção de campo de uma perspectiva transnacional: A teoria da diferenciação social sob o prisma da história global. Plural, v. 26, n.1, p. 233-266, jul. 2019.

MORETTI, Franco. Conjunctures on World Literature. New Left Review, Londres, n. 1, p.54-68, jan./fev. 2000. Disponível em: . Acesso em: 21 jan. 2018.



Bibliografia Complementar

BOURDIEU, Pierre. Uma revolução conservadora na edição. Política & Sociedade, v. 17, n. 39, p. 198-249, 2018. DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7984.2017v17n39p198
CHARLE, Christophe. Homo Historicus: reflexões sobre a história, os historiadores e as ciências sociais. Porto Alegre: Editora da UFRGS; Rio de Janeiro: FGV, 2018.

CASANOVA, Pascale. A república mundial das letras. São Paulo: Estação liberdade, 2002.

CASSIANO, Célia Cristina de Figueiredo. O mercado do livro didático no Brasil do século XXI: a entrada do capital espanhol na educação nacional. São Paulo: Editora UNESP, 2013.

ENGLISH, James F. The economy of prestigie: Prizes, awards, and the circulation of cultural value. Cambridge: Harvard University Press, 2005.

JURT, Joseph. Naciones Literarias: una sociologia historica del campo literario. Villa María: Eduvim, 2014

MUNIZ, JR., José de Souza; SZPILBARG, Daniela. Regimes de visibilidade no mercado editorial globalizado: Brasil e Argentina como convidados de honra na Feira do Livro de Frankfurt. In: Encontro Anual da Anpocs, 38., 2014. Caxambu (MG). Anais eletrônicos..., São Paulo: Anpocs, 2014. Disponível em: < https://www.academia.edu/9674541/Regimes_de_visibilidade_no_mercado_edi…;. Acesso em: 31 maio 2017.

SAPIRO, Gisèle. The literary field between the state and the market. Poetics, [s.l.], v. 31, n. 5-6, p.441-464, out. 2003. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.poetic.2003.09.001. Acesso em: 13 abr. 2017.

______. Elementos para uma história do processo de autonomização. Tempo social, São Paulo , v. 16, n. 1, p. 93-105, Jun. 2004 . Disponível em: . Acesso em: 14 Jul. 2016. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-20702004000100005.

______. La Sociologie de la Littérature. Paris : La Découverte, 2014.

______. How Do Literary Works Cross Borders (or Not)? Journal Of World Literature, [s.l.], v. 1, n. 1, p.81-96, 1 jan. 2016a. Brill Academic Publishers. http://dx.doi.org/10.1163/24056480-00101009.

______. The metamorphosis of modes of consecration in the literary field: Academies, literary prizes, festivals. Poetics, [s.l.], v. 59, p.5-19, dez. 2016b. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.poetic.2016.01.003.

SAPIRO, Gisèle et al. L’amour de la littérature : le festival, nouvelle instance de production de la croyance. Actes de La Recherche En Sciences Sociales, [s.l.], v. 206-207, n. 1, p.108-137, 2015. CAIRN. http://dx.doi.org/10.3917/arss.206.0108.

SORÁ, Gustavo. Os livros do Brasil entre o Rio de Janeiro e Frankfurt. Bib: Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, Rio de Janeiro, n. 41, p.3-33, 1996. Semestral. Disponível em: . Acesso em: 25 ago. 2017.

______. Tempo e distâncias na produção editorial de literatura. Mana, Rio de Janeiro , v. 3, n. 2, p. 151-181, Oct. 1997 . Disponível em: . Acesso em: 31 mai. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93131997000200005.

______. Frankfurt y otras aduanas culturales entre Argentina y Brasil: Una aproximación etnográfica al mundo editorial. Cuadernos de Antropología Social, n. 15, 2002, p. 125-143.

______. El mundo como feria. In(ter)dependencias editoriales en la Feria de Frankfurt. Comunicación y Medios, n. 27, 2013, p. 102-128. Disponível em: < http://www.eduvim.com.ar/sites/default/files/descargas/Crear%20Descarga…;. Acesso em: 31 maio 2017.

THOMPSON, Jonh B. Mercadores de cultura: o mercado editorial no século XXI. São Paulo: Editora Unesp, 2013.

Tópico 2 - A sociologia da Literatura de Pascale Casanova

Apresentação

A pesquisa com uma visada internacional, que procura relacionar, dentro do jogo de produções simbólicas, as relações de dependência e dominação que se estabelecem entre países, tem hoje, na sociologia da cultura, lugar central. Pascale Casanova publicou diversas obras em que esta temática é explorada: Beckett l'abstracteur: anatomie d'une révolution littéraire (1997), A República Mundial das Letras (1999) e Kafka en Colère (2011), trabalhos em que procurou entender a produção da literatura nos termos de um “espaço literário mundial” concreto em que há disputas sobre o que é ou não literário, campos de força que “comandariam as formas dos textos” que circulam por toda parte do mundo, um universo que tem um centro encastelado em línguas e que estabelece assim suas províncias e seus confins. Deste modo, como no trabalho sobre Kafka, ela expõe de modo mais explícito as relações de dominação que comandam o jogo literário, ou seja, para entender a obra do escritor tcheco, ela coloca em peleja a sua relação com o judaísmo, a condição de tcheco no interior do império austríaco, assim como as assimetrias entre as literaturas alemã e tchecas como determinantes para entender o percurso literário do escritor de A metamorfose.

Objetivo

O curso pretende, portanto, a apresentação de sua obra, intentando elaborar os temas centrais de sua discussão.
Leitura indicada:

“Princípios de uma história mundial da literatura” in.CASANOVA, P. A República Mundial das Letras. São Paulo: Estação Liberdade, 2002. p. 23-61

“As Pequenas Literaturas” in.CASANOVA, P. A República Mundial das Letras. São Paulo: Estação Liberdade, 2002. p. 23-61

“A tragédia dos ‘homens traduzidos’” in.CASANOVA, P. A República Mundial das Letras. São Paulo: Estação Liberdade, 2002. p. 23-61

Obras da Autora

Beckett l'abstracteur. Anatomie d'une révolution littéraire, Éditions du Seuil, 1997
La République mondiale des Lettres, Éditions du Seuil, 1999
Kafka en colère, Éditions du Seuil, 2011
La Langue mondiale, Éditions du Seuil, 2015
« Le méridien de Greenwich : Réflexions sur le temps de la littérature », dans Qu'est-ce que le contemporain ?, textes réunis par Lionel Ruffel, Editions Cécile Defaut, 2010, p. 113-145.
« Beckett chez les philosophes », dans The Florence Gould Lectures at New York University, vol. vii, 2007-2008.
« Et Blanc », dans Objet Beckett, Centre Pompidou / IMEC Editeur, 2007.
(en) « The Ibsen Battle : Comparative analysis of the Introduction of Henrik Ibsen in France, England and Ireland », dans Anglo-French attitudes : Comparisons and transfers between English and French Intellectuals since the eighteenth century, dir. C. Charle, J. Vincent et Jay Winter, Manchester University Press, 2007.
(en) « Literature as a world », dans New Left Review, no 31, janvier/février 2005.
« Littérature et philosophie : malentendu structural et double instrumentalisation. Le cas de Samuel Beckett », dans L’Écrivain, le Savant et le philosophe. La littérature entre philosophie et sciences sociales, dir. Eveline Pinto, Publications de la Sorbonne, 2003.
« Littérature secondaire et consécration : Le rôle de Paris », dans L'Œuvre et son ombre : Que peut la littérature secondaire ?, dir. Michel Zinc, Éditions de Fallois, 2002.
« Kafka en France : Éléments pour une critique de la critique », dans Le Texte et le Contexte. Analyses du champ littéraire français, dir. Michael Einfalt et Joseph Jurt, Verlag Arno Spitz / Éditions de la Maison des Sciences de l’Homme, 2002.
« Consécration et accumulation de capital littéraire. La traduction comme échange inégal », dans Actes de la Recherche en Sciences Sociales, no 144, septembre 2002 (Traduction : les échanges littéraires internationaux) Texte intégral [archive]. Traduction en anglais dans Critical Concepts: Translation Studies, dir. Mona Baker, Routledge, 2002, 4 volumes.
« Paris, Capitale littéraire », dans les actes du colloque international Capitales culturelles, capitales symboliques. Paris et les expériences européennes (xviiie – xixe siècle), dir. Christophe Charle et Daniel Roche, Publications de la Sorbonne, 2002.
« D'un usage littéraire et affectif de la philosophie dans l'œuvre de Samuel Beckett », dans Samuel Beckett Today / Aujourd'hui, no 9, 2000 (L'affect dans l'œuvre beckettienne, dir. Buning Marius, Engelberts Matthijs et Houppermans Sjef).
« World fiction », dans Revue de littérature générale. 96/2 Digest, P.O.L, 1996, texte no 6.
« Littérature et histoire : interpréter l'interprète », Revue d’histoire moderne et contemporaine 5/2004 (no 51-4 bis), p. 43-47.

Programa

Metodologia: o curso será ministrado via plataforma GoogleMeet, através de aulas expositivas, e haverá uma reserva da carga horária de 1h de cada encontro para leitura da bibliografia.

1 O objeto, o contexto e a estrutura dos Segundos Analíticos
1.1 Pressupostos teóricos: teoria da verdade como correspondência, leis lógicas e a ciência como uma categoria relativa
1.2 Definições iniciais: APr 1.1-7 silogismo, termos, proposições, definições, axiomas etc.
1.3 Diferenças entre teoria silogística e teoria da demonstração
1.4 Divisão temática e estrutura do tratado dos Segundos Analíticos
1.5 Controvérsias sobre o objeto dos Segundos Analíticos

2 O conceito de conhecimento científico e a teoria da demonstração
2.1 As duas condições para haver conhecimento haplos
2.2 O que significa não poder ser de outro modo
2.3 Como a demonstração é um discurso da alma (APst, I.9)
2.4 Como o conhecimento científico é adquirido pela demonstração

3 Demonstração e as características de suas premissas
3.1 Apresentação de cada característica
3.2 As interconexões lógico-conceituais entre elas
3.3 Algumas posições na literatura secundária

4 Necessidade e causalidade: APst I.4-6
4.1 Quanto aos predicados
4.2 Quanto às relações predicativas (termo médio)

5 Hierarquia e adequação dos princípios:
5.1 Os axiomas comuns
5.2 Os primeiros princípios de cada domínio (genus)
5.3 O princípio apropriado ao fato que se quer demonstrar


BIBLIOGRAFIA:


PRIMÁRIA:
Angioni, L. (2004). Aristóteles: Segundos Analíticos livro I. Tradução, introdução e notas. In: IFCH-UNICAMP: Clássicos da Filosofia: Cadernos de Tradução n.7.
Aristotle. Posterior Analytics. Topics. Translated by Hugh Tredennick, E. S. Forster. Loeb Classical Library 391. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1960.
Barnes, J. (1984). The Complete Works of Aristotle (2 vol.). Princeton: Princeton University Press.
Barnes, J. (1993). Aristotle: Posterior Analytics. Translated with a commentary. Second edition. Oxford: Clarendon Press.

SECUNDÁRIA:
Para todo o curso:
Porchat, O. (2001). Ciência e dialética em Aristóteles. São Paulo: Editora UNESP. (Os capítulos e trechos serão apontados conforme as aulas.)

Aula 1: Wolff, F. (2004) Ciência Aristotélica e Matemática Euclidiana. In: Analytica, vol. 8, n.1, pp. 43-88.
Santos, L. H. L. dos. (2021). “Aristóteles e a Lógica da Contingência - Uma interpretação tradicional do argumento da batalha naval”. Journal of Ancient Philosophy, 15(1), 64-143.
Sugestão de leitura complementar:
Ferreira, M. (2014) “As proposições categóricas na lógica de Aristóteles”, pp. 203-247, in: Angioni (Org.) Lógica e Ciência em Aristóteles, Editora Phi, 372p.
Smith, R. (2012). “A Lógica de Aristóteles”. Artigo da SEP traduzido por Elton Luiz Rasch. Investigação Filosófica: vol. 3, n. 2, artigo digital 2.

Aula 2: Bastos, D. (2020) A Teoria da Demonstração Científica de Aristóteles em Segundos Analíticos 1.2-9 e 1.13. Archai Journal 30, pp.1-24.
Sugestão de leitura complementar: Angioni, L. Demonstração, silogismo e causalidade. in: Angioni (Org.) Lógica e Ciência em Aristóteles. Campinas: Editora Phi, 372p.

Aula 3: Angioni, L. (2012) “Os seis requisitos das premissas da demonstração científica em Aristóteles (Segundos Analíticos I,2)”. In: Manuscrito – Rev. Int. Fil., Campinas, v. 35, n. 1, p. 7-60, jan.-jun.
Scholz, H. (1980). “A Axiomática dos Antigos”, in: Cadernos de História e Filosofia da Ciência 1, pp.5-20.

Aula 4: Porchat, O. (2004) “Sobre a Degola do Boi Segundo Aristóteles”. In: Analytica, vol. 8, n.1, pp. 89-142.
Angioni, L. (2020). “Aristóteles e a necessidade do conhecimento científico”. Discurso, 50(2), 193-238.

Aula 5: Encerramento. Sem leitura prevista.