Programa

Aula 1 - Introdução e a técnica de Xilogravura
Textos base para a aula: BURKE, Peter. 2007. Gravura popular brasileira, In: Revista do IEB, n.44, fevereiro.

Aula 2 - Cordel e formas populares de literatura, história, formato e temática.
Textos base para a aula: ABREU, Márcia. 2002. Relações entre folhetos de cordel e literatura erudita. In Horizontes Antropológicos.

Aula 3 - Reflexões e contradições do fazer artístico - Processos em foco.
Textos base para a aula: a) BARBOSA, João Alexandre. João Cabral ou a Educação Pela Poesia. São Paulo: Ateliê Editorial, 1996. In: https://aedmoodle.ufpa.br/pluginfile.php/320093/mod_resource/content/1/…;
b) CARDOSO, Tania Cardoso de.. O sujeito poético em Ana Cristina Cesar. Letras de Hoje (Impresso), v. 46, p. 62 - 117, 2011. In: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/22988/000739562.pdf?se…

Referências complementares:
CÉSAR. Ana Cristina. A Teus Pés. Editora Ática, São Paulo, 1998.
MELO NETO, João Cabral. Poesias completas. 1940 – 1965. Rio de Janeiro: José, Olympio, 1986.
MÜLLER, Herta. O Compromisso. São Paulo: Globo, 2004.

Aula 4 - A poesia, o conto e a colagem - Diferentes formas de dizer a arte.
Textos bases para a aula: a) CABRAL, Rui Pires. Poesia-colagem. Elyra, 2016. In: https://elyra.org/index.php/elyra/article/view/128/124; b) DUARTE, Noélia. Poéticas da brevidade: o poema em prosa e o conto literário. Universidade dos Açores, 2004. In: https://proa.ua.pt/index.php/formabreve/article/view/7701

Referências complementares:

Conto

ARRIGUCCI JR, Davi. O escorpião encalacrado: a poética da destruição em Júlio Cortázar. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
CORTÁZAR, Júlio. Do conto breve e seus arredores. In: Valise de Cronópios. São Paulo: Perspectiva, 1979.
PIGLIA, Ricardo. Formas Breves. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
FRIEDMAN, Norman. O que faz um conto ser curto? Revista USP, São Paulo, n.63, 2004.

Poesia

ADORNO, T. W. Palestra sobre lírica e sociedade (Trad. de Jorge de Almeida). In: Notas de Literatura I. São Paulo: Duas Cidades/Ed. 34, 2003, pp. 65-90.
ELIOT, T.S. On Poetry and Poets. London: Faber & Faber, 1957.
AIRA, César. Sobre a arte contemporânea. Trad. Victor da Rosa. Rio de Janeiro: Zazie, 2018.

Colagem

MARTINS, Luiz Renato. Colagem: investigações em torno de uma técnica moderna. In: https://doi.org/10.1590/S1678-53202007000200006
FONSECA, Aline Karen. Collage: a colagem surrealista. In: http://revistas.ung.br/index.php/educacao/article/view/462/569
PIMENTA, Tamy Macedo. O nomadismo poético nos poemas - colagens de Rui Pires Cabral. Elyra, 2016. In: https://www.elyra.org/index.php/elyra/article/view/125
FRIAS, Joana Matos. Para uma poética dos espaços em branco: Os poemas-colagem de Rui Pires Cabral. Elyra, 2016. In: https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/87828

Programa

Aula 1: Psicanálise e literatura: saberes solidários / Origens: Sigmund Freud e Silvina Ocampo

Aula 2: Escritores criativos e devaneios

Aula 3: O estranho, o inquietante, o infamiliar, o incômodo: Das unheimliche

Aula 4: O tema da escolha do cofrinho

Bibliografia literária

CAMPO, Silvina. Cuentos completos. Vol. 1 e 2. Buenos Aires: Emecé, 1999.

Bibliografia teórica
BELEMINN-NÖEL, Jean. Psicanálise e literatura. São Paulo: Cultrix, 1983.
BOSI, Alfredo. O ser e o tempo da poesia. São Paulo: Cultrix, 1977.
FREUD, Sigmund. O escritor e a fantasia (1908). In: Sigmund Freud: obras completas. Vol. 8. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. P. 325-338.
______________. O inquietante (1919). In: Sigmund Freud: obras completas. Vol. 14. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. P. 328-376.
______________. O tema da escolha do cofrinho (1913). In: Sigmund Freud: obras completas. Vol. 10. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. P. 229-241.
HERMANN, Fabio. A ficção freudiana: nota introdutória. In: Revista Literatura e Sociedade. São Paulo, V. 12, n°10, P. 217-223, 2007.
GAY, Peter. Freud: uma vida para o nosso tempo. São Paulo: Companhia das Letras,1989.
KLEIN, Kelvin Falcão. Os devaneios do caminhante solidário. In: Estratégias de visualidade na literatura - O olho Sebald.
LAPLANCHE, Jean. Vocabulário da psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
MAÜGUÉ, Jean. Sigmund Freud. In: Revista Literatura e Sociedade. São Paulo, V. 12, n°10, P. 203-207, 2007.
OCAMPO, Silvina. En general, soy fiel à imaginación. Disponível em: https://www.lainsignia.org/2003/julio/cul_047.htm#:~:text=En%20general%…. Acesso: 21/abr./2023.
ROUDINESCO, Élisabeth e PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar,1998.
WILLEMART, Philippe. O tecer da arte com a psicanálise. In: Revista Literatura e Sociedade. São Paulo, V. 12, n°10, P. 56-63, 2007.

Programa

Aula 1: Religião como categoria analítica: marcadores sociais da diferença

PISCITELLI, A. Interseccionalidades, categorias de articulação e experiências de migrantes brasileiras. Sociedade e Cultura, Goiânia, v. 11, n. 2, 2008. DOI: 10.5216/sec.v11i2.5247. Disponível em: https://revistas.ufg.br/fcs/article/view/5247. Acesso em: 27 maio. 2025.
ROSAS, Nina; TEIXEIRA, Jaqueline Moraes. Apresentação ao dossiê temático. Religião como marcador social: nova chave analítica ou modismo intelectual? Debates do NER, Porto Alegre, ano 25, n. 46, e147525, 2025.
Surgimento, trajetória e expansão das Igrejas Evangélicas no território brasileiro ao longo do último século. São Paulo. Centro de Estudos da Metrópole. 2023. Acessível em: https://centrodametropole.fflch.usp.br/sites/centrodametropole.fflch.us…

Aula 2: Negros evangélicos, uma preocupação recente?

FLORIANO, Maria da Graça; NOVAES, Regina. O Negro Evangélico. Comunicações do ISER, Rio de Janeiro, edição especial, 1985. Acessível em: https://iser.org.br/publicacao/comunicacoes-do-iser-edicao-especial-o-n… evangelico/#:~:text=Este%20%C3%A9%20um%20n%C3%BAmero%20muito,quase%20virgem%20na%20literatura%20brasileira.
OLIVEIRA, R. “Hoje eu orei, e Ele é negro”: a gêneses do movimento negro evangélico no Brasil. In: Dossiê Religiões e Raça Religião e Sociedade V. 41. 202. 1 Acessado em 20 de dezembro em https://www.scielo.br/j/rs/a/MdJfG4XC8v4dPkrPBj6f9bv/
REINA. M.L Pentecostalismo e questão racial no Brasil: desafios e possibilidades do ser
negro na igreja evangélica. PLURAL, Revista do Programa de Pós‐Graduação em Sociologia da USP, São Paulo, v.24.2, 2017, p.253-275
SILVA, Vagner Gonçalves da. “Religião e identidade cultural negra: afro-brasileiros, católicos e evangélicos”. Afro-Ásia, v. 56, p. 83-128, 2017

Aula 3: Mulheres negras evangélicas: novas perspectivas

BURDICK, John. Procurando Deus no Brasil: A Igreja católica progressista na arena das religiões urbanas brasileiras. Rio de Janeiro: Mauad, 1998, 216pp.
CARDOSO, E. Oração e ativismo social: narrativas das mulheres negras em igrejas evangélicas progressistas no DF, em período pandêmico e pós-pandêmico. IN: Revista Sociedade e Estado – Volume39,Número3,2024Disponívelem: https://www.scielo.br/j/se/a/QmkCQSWDW6bvh9YkQ5VhJPb/?format=pdf&lang=pt
NUNES, Ana Paula, Vai na fé: ética na amizade entre mulheres negras. In: LOGOS VOL 31 Nº 02 PPGCOM UERJ, 2024.
‘Vai na Fé’: as razões do sucesso da novela evangélica da Globo. Kelly Miyashiro. Revista Veja. 2023. Acessível em: https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/vai-na-fe-as-razoes-do-suce…
Mulheres evangélicas para além do voto: concepções sobre política e cotidiano. Livia Reis, Jacqueline Moraes Teixeira. Instituto de Estudos da Religião. 2023. Acessível em: https://religiaoepoder.org.br/artigo/mulheres-evangelicas-para-alem-do-…
Cara típica do evangélico brasileiro é feminina e negra, aponta Datafolha. Anna Virginia Balloussier. 2020. Folha de São Paulo. Acessível em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/01/cara-tipica-do-evangelico-b…
Mulheres negras são maioria nas igrejas evangélicas paulistanas, aponta pesquisa Datafolha. Anna Virginia Balloussier. Folha de São Paulo. 2024. Acessível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/07/mulheres-negras-sao-mai…
Mulheres negras evangélicas a cara das igrejas paulistanas. Simony dos Anjos. Carta Capital. 2024. Acessível em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/mulheres-negras-ev…
Coletivos de mulheres negras evangélicas e a disputa pelo espaço público da religião. Jornal da USP. 2021. Acessível em: https://jornal.usp.br/artigos/coletivos-de-mulheres-negras-evangelicas-…
A autodeterminação das mulheres negras evangélicas. Simony dos Anjos. Carta Capital. 2024. Acessível em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/a-autodeterminacao…
A estranha mania de ter fé na vida das mulheres negras evangélicas. Simony dos Anjos. Carta Capital. 2023. Acessível em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/a-estranha-mania-d…

Programa

a) Levantamento, sistematização e manipulação de dados observacionais em superfície
b) Emprego de técnicas e metodologias de análise estatística aplicada à Climatologia Geográfica;
c) Extração e manipulação de dados climáticos via produtos satelitais;
d) Identificação do grau de acurácia e validação dos dados estimados por produtos orbitais;
e) Análise de indicadores climáticos extremos;
f) Representação gráfica e cartográfica de dados estimados via produtos orbitais.

Referências bibliográficas

AGHAKOUCHAK, A.; MEHRAN, A. Extended contingency table: performance metrics for satellite observations and climate model simulations. Water Resources Research, v.49, n.10, p.7144-7149, 2013. DOI: 10.1002/wrcr.20498
ALLAN R.P.; SODEN, B.J. Atmospheric warming and the amplification of precipitation extremes. Science, v.321, n.5895, p.1481-1484, 2008. DOI: 10.1126/science.1160787
CAVALCANTE, R.B.L.; FERREIRA, D.B.S.; PONTES, P.R.M.; TEDESCHI, R.G.; COSTA, C.P.W; SOUZA, E.V. Evaluation of extreme rainfall indices from CHIRPS precipitation estimates over the Brazilian Amazonia. Atmospheric Research, v.238, p.104879, 2020. DOI: 10.1016/j.atmosres.2020.104879
Climate Hazards Center. InfraRed Precipitation with station data (CHIRPS). Disponível em: https://www.chc.ucsb.edu/data. Acesso em 17 de janeiro de 2022.
COSTA, J.; PEREIRA, G.; SILVA, M.E.S.; CARDOZO, F.; SILVA, V.V. Validação dos dados de precipitação estimados pelo CHIRPS. Revista Brasileira de Climatologia, v.24, n.15, p.228-243, 2019. DOI: 10.5380/abclima.v24i0.60237
INMET (Instituto Nacional de Meteorologia). BDMEP (Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa). 2021. Available in: http://www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=bdmep/bdmep. Acesso em 18 de janeiro de 2022.
ISLAM, A. Statistical comparison of satellite-retrieved precipitation products with rain gauge observations over Bangladesh. International Journal of Remote Sensing, v.39, n.9, p.2906-2936, 2018. DOI: 10.1080/01431161.2018.1433890
KENDALL, M.G. Rank correlation methods. 5th Ed. London: Charles Griffin. 1990. 292p.
SILVA-LUIZ, W.; OSCAR-JÚNIOR, A.C.S. Climate extremes related with rainfall in the State of Rio de Janeiro, Brazil: a review of climatological characteristics and recorded trends. Natural Hazards, v.114, p.713-732, 2022. DOI: 10.1007/s11069-022-05409-5
MU, Y.; JONES, C. An observational analysis of precipitation and deforestation age in the Brazilian Legal Amazon. Atmospheric Research, v.271, n.4, p.106122, 2022. DOI: 10.1016/j.atmosres.2022.106122
PENEREIRO, J.C; MESCHIATTI, M.C. Tendências em séries anuais de precipitação e temperaturas no Brasil. Engenharia Sanitária Ambiental, v.23, p.319-331, 2018. DOI: 10.1590/S1413-41522018168763
REGOTO, P.; DERECZYNSKI, C.; CHOU, S.C.; BAZZANELA, A.C. Observed changes in air temperature and precipitation extremes over Brazil. International Journal of Climatology, v.41, p.5125-5142, 2021. DOI: 10.1002/joc.7119
SILVA BATISTA, C.; SILVA, M.E.S.; AMBRIZZI, T.; TOMMASELLI, J.T.G.; PATUCCI, N.N.; MATAVELI, G.A.V.; CORREA, W.C. Precipitação na América do Sul -Dados obtidos por estações meteorológicas automáticas e por sistemas orbitais. Revista Brasileira de Climatologia, v.25, p.54-79, 2019.
SOROOSH; H., KUOLIN; BRAITHWAITE, D.; ASHOURI, H; NOAA Climate Data Record (CDR) of Precipitation Estimation from Remotely Sensed Information using Artificial Neural Networks (PERSIANN-CDR), Version 1 Revision 1. National Centers for Environmental information, 2023. DOI: 10.7289/V51V5BWQ
UCI (Universidade da Califórnia, Irvine). Data Portal - PERSIANN-CRD. Disponível em: https://chrsdata.eng.uci.edu/. Acesso em 9 de janeiro de 2022.
WILLMOTT, C.; MATSUURA, K. Advantages of the mean absolute error (MAE) over the root mean square error (RMSE) in assessing average model performance. Climate Research, v.30, p.79-82, 2005. DOI: 10.3354/cr030079
XAVIER, A.C.F.; RUDKE, A.P.; SERRÃO, E.A.O.; TERASSI, P.M.B.; PONTES, P.R.M. Evaluation of satellite-derived products for the daily average and extreme rainfall in the Mearim river drainage basin (Maranhão, Brazil). Remote Sensing, v.13, n.21, p.4393, 2021. DOI: 10.3390/rs13214393
ZHANG, X.; FENG, Y.; CHAN, R. Introduction to RClimDex v1.9. Climate Research Division, Canadá. 2018. 26p.

Programa

DIA 1 – OS HUMORES EM MAQUIAVEL

Descrição das atividades:
Boas-vindas e apresentação do curso. Breve contextualização sobre vida e obra de Maquiavel. Exposição sobre a teoria dos humores em Maquiavel.

Sugestão de leitura:
MAQUIAVEL, Discursos sobre a Primeira Década de Tito, livro I, caps. 1 ao 6.
______, O Príncipe, cap. 9.

Leitura complementar:
ADVERSE, Helton. Maquiavel, a república e o desejo de liberdade. Trans/Form/Ação, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 33-52, 2007.
GAILLE-NIKODIMOV, Marie. Conflit civil et liberté: La politique machiaveliénne entre historie et medicine. Paris: Honoré Champion, 2004, cap. 1. [providenciaremos a tradução do capítulo]
LEFORT, Claude. "Sur la différence de classes". In: Le travail de l’œuvre Machiavel, Paris: Galliman, 1972. [tradução do capítulo em espanhol indicada abaixo]
______. Sobre la diferencia de clases. In: Maquiavelo: lecturas de lo político. Madrid: Editorial Trotta, 2010.

DIA 2 – OS CONFLITOS EM O PRÍNCIPE

Descrição das atividades: Veremos como os humores são descritos e representados em algumas passagens de O Príncipe.

Leitura sugerida:
MAQUIAVEL, O Príncipe, cap. 9.

Leitura complementar:
CARDOSO, Sérgio. Em direção ao núcleo da “obra Maquiavel”: sobre a divisão civil e suas interpretações. Discurso, 45(2), 207-248.
GAILLE-NIKODIMOV, Marie. Maquiavel. Portugal: Ed. 70, 2008 [trechos].

DIA 3 – OS TIPOS DE CONFLITOS NOS DISCURSOS

Descrição das atividades: Faremos uma exposição baseada em excertos dos Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio sobre: 1. os tipos de conflitos civis: partindo dos tumultos gerados pela desunião, passando pela luta de seitas e facções, confluindo para a guerra civil; 2. A relação entre os tipos de conflitos, a liberdade e o processo de corrupção da cidade.

Leitura sugerida:
MAQUIAVEL, Discursos sobre a Primeira Década de Tito, livro I, caps. 4, 7, 17 e 37.
MAQUIAVEL, História de Florença, livro III, 1.

Leitura complementar:
BOCK, Gisela. “Civil discord in Machiavelli’s Istorie Fiorentine”. In: BOCK, Gisela; SKINNER, Quentin; VIROLI, Maurizio. Machiavelli and republicanism. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.

DIA 4 – TUMULTOS NA HISTÓRIA DE FLORENÇA

Descrição das atividades:
Veremos alguns episódios da História de Florença que assinalam o modo e os efeitos dos tumultos que lá tiveram lugar. Também analisaremos as causas destes efeitos, indicadas nesta mesma obra e nos Discursos.

Leituras sugeridas:
MAQUIAVEL, História de Florença. São Paulo: Martins Fontes, 2007 [trechos].

Leitura complementar:
ARANOVICH, Patrícia Fontoura. História e Política em Maquiavel. São Paulo: Discurso Editorial, 2007 [trechos].
CARDOSO, Sérgio. Maquiavel: lições das Histórias Florentinas. Discurso, 48(1), 2018, 121-154.


BIBLIOGRAFIA

ADVERSE, Helton. Maquiavel, a república e o desejo de liberdade. Trans/Form/Ação, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 33-52, 2007.
ADVERSE, Helton. Maquiavel, o conflito e o desejo de não ser dominado. In: PINTO, F.M., e BENEVENUTO, F. Filosofia, política e cosmologia: ensaios sobre o Renascimento. São Bernardo do Campo, SP: Editora UFABC, 2017, pp. 133-159.
ARANOVICH, Patrícia Fontoura. História e Política em Maquiavel. São Paulo: Discurso Editorial, 2007.
BOCK, Gisela. “Civil discord in Machiavelli’s Istorie Fiorentine”. In: BOCK, Gisela; SKINNER, Quentin; VIROLI, Maurizio. Machiavelli and republicanism. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
CARDOSO, Sérgio. Em direção ao núcleo da “obra Maquiavel”: sobre a divisão civil e suas interpretações. Discurso, 45(2), 207-248.
CARDOSO, Sérgio. Maquiavel: lições das Histórias Florentinas. Discurso, 48(1), 2018, 121-154.
GAILLE-NIKODIMOV, Marie. Conflit civil et liberté: La politique machiaveliénne entre historie et medicine. Paris: Honoré Champion, 2004.
GAILLE-NIKODIMOV, Marie. Maquiavel. Portugal: Ed. 70, 2008.
LEFORT, Claude. Le travail de l’œuvre Machiavel, Paris: Galliman, 1972.
LEFORT, Claude. Maquiavelo: lecturas de lo político. Madrid: Editorial Trotta, 2010.
MAQUIAVEL. Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio. Trad.: Martins Fontes. Revisão técnica: Patrícia Fontoura Aranovich. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
MAQUIAVEL. História de Florença. Trad. MF. Revisão técnica: Patrícia Fontoura Aranovich. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
MAQUIAVEL. O príncipe. Trad.: Maria Júlia Goldwasser. Revisão de trad.: Zelia de Almeida Cardoso. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
MARTINS, José Antônio. “Introdução”. In: MAQUIAVEL, O Príncipe. Trad. José Martins. São Paulo: Hedra, 2020, p. 7-191.

Programa

Aula 01: O que é multimodalidade? Uma perspectiva sistêmico-funcional
Aula 02: Alguns pressupostos teóricos da Semiótica Social
Aula 03: Exemplos de análise: interações multimodais em plataformas digitais
Aula 04: Exemplos de análise: interações multimodais em videogames
Aula 05: Análises e aplicações das categorias de análise semiótica

Bibliografia:


BATEMAN, J. A. Multimodality and Genre: A Foundation for the Systematic Analysis of Multimodal
Documents. New York: Palgrave, 2008.
BATEMAN, J. A.; WILDFEUER, J.; HIIPPALA, T. Multimodality – Foundations, Research and
Analysis: A Problem-Oriented Introduction. Berlim: Walter de Gruyter, 2017.
COPE, B.; KALANTZIS, M. “Multiliteracies”: New literacies, new learning. Pedagogies: An international
journal, v. 4, n. 3, p. 164-195, 2009.
FARHAT, T. C. Multimodalidade e contexto: problemas, assunções e hipóteses. Entrepalavras, v. 12, n.
3, p. 38-61, 2022.
FARHAT, T. C.; GONÇALVES-SEGUNDO, P. R. Identidades em comunhão: estratégias multimodais de
individuação em um grupo de Facebook. Texto Digital, v. 17, n. 2, p. 35-71, 2021.
FARHAT, T. C.; GONÇALVES-SEGUNDO, P. R. Análise multimodal: noções e procedimentos
fundamentais. Trabalhos em Linguística Aplicada, v. 61, p. 435-454, 2022.
GONÇALVES-SEGUNDO, P. R. Metáforas multimodais e argumentação prática: discutindo efeitos
retóricos e modos de articulação entre modalidades. Revista de Estudos da Linguagem, v. 28, n. 2, p.
801-844, 2020.
HALLIDAY, M. A. K.; MATTHIESSEN, C. M. I. M. Introduction to Functional Grammar. 4. ed. New
York/London: Routledge, 2014.
ISOLA-LANZONI, G. Coesão verbo-imagética: um estudo sistêmico-funcional sobre multimodalidade
em mídias digitais. 2020. Dissertação (Mestrado em Filologia e Língua Portuguesa) – Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2020.
ISOLA-LANZONI, G. Coesão verbo-imagética: uma proposta de descrição e interpretação de interações
multimodais. Entrepalavras, v. 12, n. 3, p. 62-91, 2022.
JEWITT, C. (ed.). The Routledge Handbook of Multimodal Analysis. London/New York: Routledge,
2009.
JEWITT, C.; BEZEMER, J.; O'HALLORAN, Kay. Introducing Multimodality. Nova Iorque: Routledge,
2016.
KRESS, G. Multimodality: A social semiotic approach to contemporary communication. Nova
Iorque: Routledge, 2010.
KRESS, G.; VAN LEEUWEN, T. Reading Images: The Grammar of Visual Design. 3a ed. New York:
Routledge, 2021.
LOGI, L.; ZAPPAVIGNA, M. A social semiotic perspective on emoji: How emoji and language interact to
make meaning in digital messages. New Media & Society, 2021.
MATTHIESSEN, C. M. I. M. Multisemiosis and context-based register typology: Registerial variation in
the complementarity of semiotic systems. In: VENTOLA, E.; GUIJARRO, A. J. M. (ed.). The World Told
and the World Shown: Multisemiotic Issues. Palgrave Macmillan, London, 2009. p. 11-38.
MATTHIESSEN, C. M. I. M; TERUYA, K. Systemic Functional Linguistics: A Complete Guide.
London: Routledge, 2023.
MATTHIESSEN, C. M. I. M; TERUYA, K.; LAM, M. Key Terms in Systemic Functional Linguistics.
London/New York: Continuum, 2010.
MATUMOTO, A. de O. Sobrevoando a Amazônia: a construção verbo-imagética do Brasil em três jogos
shmup. Entrepalavras, v. 12, n. 3, p. 92-122, 2022.
MATUMOTO, A. de O.; GONÇALVES-SEGUNDO, P. R. Towards a social-semiotic approach to visual
analysis of two-dimensional games: a toolkit. Texto Livre, v. 15, p. e39398, 2022.
VAN LEEUWEN, T. Introducing Social Semiotics. London/New York: Routledge, 2005.

 

Programa

Aula 1 - A conquista da forma: os anos 40.
Aula 2 - Os poemas do Capibaribe (O cão sem plumas, O Rio, Morte e vida Severina).
Aula 3 - A geometria da composição (Serial e A educação pela pedra)
Aula 4 - Museu de tudo e depois: poesia, crítica e memória.

Bibliografia:
BARBOSA, João Alexandre. A imitação da forma: uma leitura de João Cabral de Melo Neto. São Paulo: Duas Cidades, 1975.
CAMPOS, Haroldo de. “O geômetra engajado”. In: Metalinguagem e outras metas. São Paulo: Perspectiva, 2006.
CARONE, Modesto. A poética do silêncio. São Paulo: Perspectiva, 1979.
GONÇALVES, Aguinaldo. Transição e permanência. Miró/João Cabral: da tela ao texto. São Paulo: Iluminuras, 1989.
LE CORBUSIER. Por uma arquitetura. Tradução de Ubirajara Rebouças. São Paulo: 1977.
MARQUES, Ivan. João Cabral de Melo Neto: uma biografia. São Paulo: Todavia, 2021.
NAVES, Rodrigo. A forma difícil. Ensaios sobre arte brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
NUNES, Benedito. João Cabral de Melo Neto. Petrópolis: Vozes, 1971.
OLIVEIRA, Waltencir Alves de. O gosto dos extremos: tensão e dualidade na poesia de João Cabral de Melo Neto. São Paulo: Edusp/Fapesp, 2012.
PEIXOTO, Marta. Poesia com coisas. São Paulo: Perspectiva, 1983.
SECCHIN, Antônio Carlos. João Cabral: uma fala só lâmina. São Paulo: Cosac Naify, 2014.
VILLAÇA, Alcides. “Expansão e limite da poesia de João Cabral”. In: BOSI, Alfredo (org.) Leitura de poesia. São Paulo: Ática, 1996.

Programa

Resumo: O curso pretende apresentar ao público o processo histórico de emergência e transformação dos sistemas artísticos no Brasil em Portugal ao longo do século XIX, enfocando inicial e brevemente a constituição do modelo acadêmico de formação de artistas, para em seguida analisar a consolidação e crise desse modelo. Por fim, a entrada de novas práticas e atores no universo artístico nas décadas finais do século será objeto na segunda parte do curso. Concomitante a esses temas, serão sempre discutidas as potencialidades e limites de um enfoque sociológico transnacional e comparativo sobre os fenômenos artísticos, considerando a circulação de modelos estéticos, artistas, colecionadores, entre outros.

AULA 1 – Como estudar a arte do longo século XIX? Transições e temporalidades da arte no Brasil e em Portugal


AULA 2 – Ideias sobre o moderno em um fim de século frenético. Por uma sociologia histórica da mundialização do campo artístico

Bibliografia:


BONNET, Alain. L’Enseignement des arts au XIXe Siècle. La réforme de l’École des Beaux-Arts de 1863 et la fin du modele académique. Rennes, França: Presses Universitaires de Rennes, 2006.
BOURDIEU, Pierre. “Les conditions sociales de la circulation internationale des idées”. In: Actes de la recherche en sciences sociales. Vol. 145, dez. 2002, pp. 3-8.
CARVALHO, Anna M. M. “Da Oficina à Academia. A transição do ensino artístico no Brasil”, in: FERREIRA-ALVES, N. M. (Org.). Artistas e Artífices e sua Mobilidade no Mundo de Expressão Portuguesa. Porto : Cepese, 2007, pp. 31-40.
COLI, Jorge. Como estudar a arte brasileira do século XIX? São Paulo: Senac, 2005.
DIAS, Elaine. “Arte e Academia entre política e natureza (1816 a 1857)”, in: BARCINSKI, F. (org.). Sobre a Arte Brasileira. Da pré-história aos anos 1960. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes: Edições SESC São Paulo, 2014. pp.136-173.
ESPAGNE, Michel. “La notion de transfert culturel”, Revue Sciences/Lettres [En ligne], n°1, 2013.
FRANÇA, José-Augusto. “Perspectiva artística do século XIX português”, in: Análise Social, vol. XVI, 1980-1, pp.9-27.
GINZBURG, Carlo e CASTELNUOVO, Enrico. “Domination symbolique et géographie artistique dans l’histoire de l’art italien”, in: Actes de la recherche em sciences sociales. Vol. 40, novembre 1981, pp. 51-72.
GOMBRICH, Ernst. “Revolução permanente. O século XIX”, em: A História da Arte. Rio de Janeiro : LTC, 2008.
LEANDRO, Sandra. “Teoria e crítica de arte em Portugal no final do século XIX”, in: Leandro, S. (Coord.) Seminários de Estudos de Arte: Estados da Forma I. Centro de História da Arte e Investigação Artística. Universidade de Évora, 2007. pp. 13-46
LISBOA, Maria H. As Academias e Escolas de Belas Artes e o Ensino Artístico (1836-1910). Lisboa : Edições Colibri, 2007.
LUCA, Tânia Regina de. A Ilustração (1884-1892): circulação de textos e imagens entre Paris, Lisboa e Rio de Janeiro. São Paulo : Editora Unesp, 2018.
MIGLIACCIO, Luciano. “A arte no Brasil entre o Segundo Reinado e a Belle Époque”. Sobre a Arte Brasileira: da Pré-História aos anos 1960. São Paulo : Editora WMF Martins Fontes / Edições SESC São Paulo, 2014.
PEVSNER, N. Academias de Arte: passado e presente. São Paulo: Cia. das Letras, 2005.
PITTA, Fernanda M. “Um povo pacato e bucólico”: costume, história e imaginário na pintu-ra de Almeida Junior. Tese de Doutorado, São Paulo, ECA-USP, 2013.
SALDANHA, Nuno. José Vital Branco Malhoa - O pintor, o mestre e a obra. Tese de Doutoramento em História da Arte, Universidade Católica Portuguesa, Lisboa: FCH/UCP, 2007.
SAPIRO, Gisèle. “Le champ est-il national ? La théorie de la différenciation sociale au prisme de l’histoire globale” in: Actes de la recherche en sciences sociales, (N°200), p. 70-85, 2013.
SILVA, Maria do C. C. “A arte francesa na crítica de José Duarte Ramalho Ortigão e de Mariano Pina”. Anais do III Colóquio de Teoria, Crítica e História da Arte. Instituto de Artes, Universidade de Brasília, 2019, pp. 19-27.
SIMIONI, Ana Paula C.; STUMPF, Lúcia K. “O Moderno antes do Modernismo: paradoxos da pintura brasileira no nascimento da República”, in: Teresa. Revista de Literatura Brasileira [14]. São Paulo, 2014, pp.111-129.
SQUEFF, Letícia. Uma Galeria para o Império. A coleção Escola Brasileira e as Origens do Museu Nacional de Belas Artes. São Paulo: Edusp, 2012.
__________. “Revendo a Missão Francesa: a Missão Artística de 1816, de Afonso D’Escragnolle Taunay”, In: Atas I Encontro de História da Arte – IFCH / Unicamp, Vol. II, 2005, pp. 563-570.
SILVA, Maria do C. C. “A arte francesa na crítica de José Duarte Ramalho Ortigão e de Mariano Pina”. Anais do III Colóquio de Teoria, Crítica e História da Arte. Instituto de Artes, Universidade de Brasília, 2019, pp. 19-27.
SILVA, Rosangela de Jesus. “Angelo Agostini, Felix Ferreira e Gonzaga Duque Estrada: contribuições da crítica de arte brasileira no século XIX”, in: Revista de História da Arte e Arqueologia , v. 10, 2008, pp. 43-71.
THIESSE, Anne-Marie. “Les fictions créatrices: les identités nationales”. Romantisme. Vol. 30, No. 10, 2000, pp. 51-62.
__________. “Rôles de la presse dans la formation des identités nationales”. In: THÉRENTY, M.-E.; VAILLANT, A. (Org.). Presse, nation et mondialisation. Paris, Nouveau Monde éditions, 2010, p.127-138.
THUILLIER, Jacques. Peut-on parler d’une peinture “pompier”? Presses Universitaires de France – PUF, 1984.
WARNKE, Martin. “Conclusão”, in: O Artista da Corte. Os antecedentes dos artistas modernos. São Paulo : EDUSP, 2001.

Programa

Aula 1 (26/04): Imagens do Sertão (Vidas secas – Os fuzis – Deus e o diabo na terra do sol)
Esta aula trata da tríade canônica que permitiu a consolidação do Cinema Novo no campo cinematográfico brasileiro. Os três filmes em questão – Vidas secas (Nelson Pereira dos Santos, 1963), Os fuzis (Ruy Guerra, 1963) e Deus e o diabo na terra do sol (Glauber Rocha, 1964) – foram realizados no período imediatamente anterior ao golpe civil-militar de 1964, contexto de ampla politização que não deixou de marcar essa produção. Assim, ao lado da vinculação com determinados protocolos de abordagem da realidade brasileira (a ênfase no sertão, por exemplo), trata-se de analisar o significado dessa produção na trajetória de seus diretores, bem como articular determinadas escolhas estéticas (a fotografia, a dramaturgia, a banda sonora) aos dilemas políticos que se colocavam no momento. Por fim, essa produção será analisada à luz dos problemas que se colocaram a respeito de sua articulação com o público brasileiro e com o circuito internacional de festivais.

Aula 2 (27/04): Imagens da derrota (O desafio – Terra em transe – O bravo guerreiro – A opinião pública)
O otimismo do governo João Goulart rapidamente se esvaiu com o golpe de 1964 e realizadores do Cinema Novo passaram à revisão autocrítica do projeto nacional-popular derrotado. Esta aula comentará a segunda tríade do movimento: O desafio (Paulo César Saraceni, 1964), Terra em transe (Glauber Rocha, 1967) e O bravo guerreiro (Gustavo Dahl, 1968). Tais filmes tematizaram dilemas internos de seus realizadores, refletindo amargamente sobre o papel do intelectual engajado nos erros que levaram ao golpe. A aula comentará também o documentário A opinião pública (Arnaldo Jabor, 1966), que reflete sobre a experiência da derrota por meio de um mergulho na alienação brasileira (tanto da classe média quanto das classes populares). Por fim, a aula abordará o contexto de transformações culturais no qual esses filmes se inserem. Um momento em que o otimismo deu lugar à melancolia e os parâmetros de engajamento artístico foram repensados por novos movimentos de vanguarda em áreas como a canção e o teatro (Tropicalismo, Teatro Oficina etc.).

Aula 3 (28/04): Um cinema paulista moderno? (Noite vazia – São Paulo SA. – O caso dos irmãos Naves)
Esta aula propõe um contraponto em relação ao peso excessivo conferido ao Cinema Novo na constituição do cinema brasileiro moderno. Para tanto, trata-se de analisar obras de dois diretores paulistas ativos nos anos 1960. Em primeiro lugar, trata-se de comentar o filme Noite vazia (Walter Hugo Khouri, 1964), com o objetivo de destacar a particularidade da trajetória de Khouri no cenário brasileiro. Considerando seus protocolos formais e temáticos (um cinema urbano, que prioriza o trabalho em estúdio), é interessante notar o desenvolvimento de uma obra que estabelece um contraponto com o Cinema Novo no momento mesmo em que este sinalizava a prioridade das imagens relativas ao mundo rural brasileiro. Num segundo momento, trata-se de analisar os filmes São Paulo SA. (Luiz Sérgio Person, 1965) e O caso dos irmãos Naves (Luiz Sérgio Person, 1967) com o objetivo de notar a inserção muito específica de Person em relação a problemas como a vinculação com o público, os protocolos formais incorporados nos filmes, a figuração da burguesia e do operariado e, por fim, o diálogo com os problemas políticos da atualidade.

Aula 4 (29/04): Imagens do lixo e da desordem (A margem – O Bandido da Luz Vermelha)
No pós-golpe, o cinema brasileiro moderno assistiu ao surgimento de outra vertente estético-ideológica, o chamado Cinema Marginal, ao mesmo tempo herdeiro e dissidente do Cinema Novo. Esta aula abordará os primórdios desse fenômeno a partir de dois filmes: A margem (Ozualdo Candeias, 1967) e O bandido da luz vermelha (Rogério Sganzerla, 1968). O filme de Candeias é um marco relevante nesse contexto, seja devido à forma de produção empregada, seja devido ao tratamento dado às imagens do espaço urbano. Já o Bandido mescla a radicalização de procedimentos do cinema moderno e a tradição das chanchadas e apresenta a trajetória de um anti-herói – criminoso, porém cativante – em uma metrópole corrupta e apocalíptica. A aula abordará ainda os intensos debates travados entre cinemanovistas e marginais na virada para a década de 1970, expressões de novas polarizações no campo cultural brasileiro em torno da experimentação artística, da relação com a indústria cultural e com o Estado e da emergência da contracultura no Brasil.

Aula 5 (30/04): Imagens de tragédia e carnaval (O padre e a moça – Macunaíma)
Esta aula analisará dois longas-metragens realizados por Joaquim Pedro de Andrade após o golpe civil-militar de 1964: O padre e a moça (1966) e Macunaíma (1969). Ambos dialogam com a tradição modernista brasileira ao adaptarem, respectivamente, um poema de Carlos Drummond de Andrade (do livro Lição de coisas, de 1962) e o romance canônico de Mário de Andrade de 1929. E ambos encenam, cada qual à sua maneira, tragédias, através das quais é possível vislumbrar uma revisão de projetos defendidos no pré-golpe. No intimista e silencioso O padre e a moça, o interior rural do Brasil não é mais espaço mítico da utopia, mas símbolo de arcaísmo e conservadorismo homicida. Já Macunaíma traz a rapsódia modernista para o cotidiano dos anos 1960 em uma atmosfera que dialoga com as comédias carnavalescas, contrastando com o desfecho trágico de seu protagonista. A aula buscará entender o projeto do realizador, de um filme ao outro, face às novas demandas culturais e políticas que marcavam o Brasil naquele momento.

Bibliografia


ARAÚJO, Luciana Corrêa de. Joaquim Pedro de Andrade: primeiros tempos. São Paulo: Alameda, 2013.
BERNARDET, Jean-Claude. Brasil em tempo de cinema: ensaio sobre o cinema brasileiro de 1958 a 1966. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
________. Cineastas e imagens do povo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
________. Cinema brasileiro: propostas para uma história. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
________; GALVÃO, Maria Rita. Cinema: repercussões em caixa de eco ideológica (as ideias de “nacional” e “popular” no pensamento cinematográfico brasileiro). São Paulo: Brasiliense/Embrafilme, 1983.
CAMPO, Mônica Brincalepe. “O desafio: filme reflexão no pós-1964”. In: CAPELATO, Maria Helena et al. Cinema e História: dimensões históricas do audiovisual. São Paulo: Alameda, 2007.
COELHO, Frederico. Eu, brasileiro, confesso minha culpa e meu pecado: cultura marginal no Brasil das décadas de 1960 e 1970. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010
NAPOLITANO, Marcos. Coração civil: a vida cultural brasileira sob o regime militar (1964-1985). São Paulo: Intermeios/PPGHS-USP, 2017.
NEHRING, Marta Moraes. São Paulo no Cinema: a representação da cidade nos anos 1960. Tese (Doutorado em Ciência da Comunicação). ECA-USP, São Paulo, 2007.
RAMOS, Fernão. “Cinema Novo/Cinema Marginal, entre curtição e exasperação”. In: ________; SCHVARZMAN, Sheila (org.). Nova história do cinema brasileiro. São Paulo: Edições SESC, 2018. V. 2. p. 117-201.
________. Cinema Marginal (1968-1973): a representação em seu limite. São Paulo: Brasiliense/Embrafilme, 1987.
RAMOS, José Mário Ortiz. Cinema, Estado e lutas culturais: anos 50, 60, 70. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 1983.
RIDENTI, Marcelo. Em busca do povo brasileiro: artistas da revolução, do CPC à era da TV. São Paulo: Editora Unesp, 2014.
________. Brasilidade revolucionária: um século de cultura e política. São Paulo: Editora UNESP, 2010.
ROCHA, Glauber. Revisão crítica do cinema brasileiro. São Paulo: Cosac Naify, 2003.
________. Revolução do Cinema Novo. São Paulo: Cosac Naify, 2004.
SALLES GOMES, Paulo Emílio. Uma situação colonial? São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
SCHWARZ, Roberto. O pai de família e outros estudos. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
SGANZERLA, Rogério. Por um cinema sem limite. Rio de Janeiro: Azougue, 2001.
SIMIS, Anita. Estado e cinema no Brasil. São Paulo: Editora Unesp, 2015.
UCHÔA, Fábio. Ozualdo Candeias e o cinema de sua época (1967-83): perambulação, silêncio e erotismo. São Paulo: Alameda, 2019.
XAVIER, Ismail. Alegorias do subdesenvolvimento: Cinema Novo, Tropicalismo, Cinema Marginal. São Paulo: Cosac Naify, 2012.
________. O cinema brasileiro moderno. São Paulo: Paz & Terra, 2006.
________. Sertão-mar: Glauber Rocha e a estética da fome. São Paulo: Editora 34/Duas Cidades, 2019.

Programa

Aula 1. Gregório de Matos, Boca do Inferno: a leitura canônica
Leitura de poemas escolhidos

Aula 2. Do nacionalismo à leitura retórico-poética
Leitura de poemas escolhidos

Aula 3. As principais edições de Gregório de Matos
A questão dos gêneros

Referência bibliográfica:
CHAUVIN, J. P. Juízo e perspectiva: a construção do imaginário de Gregório de Matos e Guerra pela crítica literária no Brasil. Todas as Musas. Ano 05, n. 02. Jan.-jun. 2014.
HANSEN, J. A. Retórica da agudeza. Letras Clássicas, n. 4. P. 317-342, 2000.
HANSEN, J. A. Barroco, neobarroco e outras ruínas. Destiempos.com. Ano 3, n. 14. México, Distrito Federal, mar-abr 2008.
HANSEN, J. A. Pedra e cal; freiráticos na sátira luso-brasileira. Revista da USP, n. 57, 2003. P. 68-85 (Brasil Colônia – Dossiê)
MATOS, G. de. Poesias escolhidas. Sel. e org. José Miguel Wisnik. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
MATOS. G. de. Obra poética. Ed. James Amado. 4a ed. Rio de Janeiro: Record, 1999.
MATOS, G. de. Poemas atribuídos. Códice Asencio Cunha. 5 volumes. Ed. e estudo João Adolfo Hansen e Marcello Moreira. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.