Programa

Aula 1: Apresentação do curso e contextualização

A palavra como demarcação de território - um exercício de memória e construção de futuros em retorno ao ventre, de Jr. Bellé.
A aula apresentará o livro de poesia narrativa de Jr. Bellé, retorno ao ventre, no qual o autor busca reconstruir a memória familiar e coletiva a partir da escuta de sua tia Petrolina, que lhe revela a ascendência indígena apagada da história da família, reflexo também do apagamento indígena no estado do Paraná, onde se situa o livro. Por meio da obra, discutiremos a importância da palavra nos contextos indígenas e em que medida essa ferramenta se articula na luta por reconhecimento de direitos e demarcação de territórios.

Aula 2: Memórias de ontem e hoje na poética de Edimilson de Almeida Pereira

Neste encontro, serão discutidas questões relativas à religiosidade popular, saberes tradicionais e memórias familiares das populações negras brasileiras; bem como a produção de memória do tempo presente, a partir de temas como política e exílio. Para tanto, leremos poemas selecionados dos livros qvasi e Melro, ambos do escritor Edmilson de Almeida Pereira. Como aporte teórico para a aula, serão mobilizados conceitos de Leda Maria Martins e também haverá o diálogo com outras obras de cunho ensaístico e etnográfico do próprio Edmilson de Almeida Pereira.

Aula 3: Águas que vão, águas que vêm: apagamento e construção da memória

Nesta aula, conheceremos um pouco da escritora são-tomense Olinda Beja e de sua vasta produção literária e nos aprofundaremos em seu belíssimo caderno de poemas Água Crioula, que nos faz refletir sobre como os silenciamentos moldam a memória e a história. Refletiremos como a autora resgata um tempo que lhe foi roubado, recuperando lembranças familiares e tudo que deixou de viver da história e cultura de seu país. A partir da leitura de alguns poemas como Ancestralidade, Requiem ao mar do esquecimento e Ode ao tempo, identificaremos as marcas do tempo e da memória, construídas pelo olhar daquela que vivenciou a diáspora e compreendeu este fenômeno por um olhar íntimo e profundo.

Aula 4: Morrer de nostalgia: crônicas de uma escritora “afropeia”

Nesta aula, investigaremos como a escritora portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida mobiliza a memória familiar, o arquivo íntimo e a experiência para pensar os deslocamentos como construção subjetiva, histórica e racializada. A partir da leitura comparada das crônicas “Morrer de nostalgia”, “Torre do tombo” e “A minha grande biblioteca são os meus antepassados” – todas publicadas na Revista 451 – discutiremos como a autora formula uma estética de perdas que opera em trânsitos entre Angola, Portugal e outros espaços da diáspora.

Aula 5: De linha e de rio: vozes de mulheres negras

A aula propõe uma reflexão sobre como a escrevivência é capaz de forjar narradoras que entrelaçam lirismo e pesquisa histórica para contar memórias familiares que se desdobram em lembranças de todos nós: as memórias de um país. O ponto de partida está bordado na apresentação do romance Apolinária, de Bianca Santana, de onde brotam os fios do rio São Francisco, que levam e trazem as histórias de mulheres negras que tecem vínculos entre passado e presente para semear futuros.


Referências:


ALMEIDA, Djaimilia Pereira de. Pintado com o pé. Lisboa: Relógio d’água, 2019.
ALMEIDA, Miguel Vale de. Um Mar da Cor da Terra: Raça, Cultura e Política da Identidade. Lisboa, Celta, 2000.
ALMEIDA, Migual Vale de. Ninguém imagina de verdade um português negro. Portuguese Literary & Cultural studies (PLCS), v.35-35, p.32-41, 2021.
ASSMANN, Jan. Communicative and cultural memory.  In: ERLL, Astrid; NÜNNING, Ansgar (Ed.). Cultural memory studies: an international and interdisciplinary handbook. Berlin; New York: De Gruyter, 2008. p. 109-118.
ANDERSON, Benedict. Comunidades imaginadas. Tradução Denise Bottman. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
BHABHA, Homi. O local da cultura. tradução de Myriam Avila, Eliane Livia reis, Glauce Gonçalves. Belo Horizonte, Editora UFMG, 1998. 
BEJA, Olinda. Água Crioula. Coimbra: Pé de Página Editores, 2007.
BEJA, Olinda. Contos de São Tomé e Príncipe: histórias da avó Flindó. Itapira, SP: Estrela Cultural, 2023.
BEJA, Olinda. Kilêlê: a dança sagrada do falcão. Quissamã: Revista África e Africanidades; Lisboa: Rosa de Porcelana, 2023.
BEJA, Olinda. 15 dias de regresso. Coimbra: Pé de Página Editores, 2007.
BRASIL. Lei 11.645/08, de 10 de março de 2008. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2017. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 03 nov. 2025.
BUTLER, Judith; SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Quem canta o Estado-nação?: língua, política e pertencimento. Tradução de Vanderlei J. Zacchi e Sandra Goulart Almeida. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2018.
DUARTE, Eduardo de Assis. Por um conceito de Literatura Afro-brasileira. Terceira Margem, Rio de Janeiro, n. 23, p. 113-138, jul-dez, 2010. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/tm/article/view/10953. Acesso em: 03 nov. 2025.
CHAVES, Rita. O passado presente na literatura africana. Via Atlântica, São Paulo, n. 7, p. 147-161, 2004. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001416450 Acesso em: 03 nov. 2025.
CUTI (Luiz Silva). Literatura Negro-Brasileira. São Paulo: Selo Negro, 2010.
DE LA CADENA, Marisol. Seres-terra: cosmopolítica em povos andinos. Tradução: Caroline Nogueira e Fernando Silva e Silva. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2024.
GILROY, Paul.  O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência. Tradução de Cid Knipel Moreira. 2ª edição. São Paulo, Editora 34, 2012.
GOMES, N. P. de M. & PEREIRA, E. A. Assim se benze em Minas Gerais. Juiz de Fora, Mazza/EDUFJF, 1989.
HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Tradução de Adelaine La Guardia Resente [et al.]. 2. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.
HALL, S. "O Ocidente e o Resto: Discurso e Poder". Projeto História : Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História, [S. l.], v. 56, 2016. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/30023. Acesso em: 4 nov. 2025.
HARTMAN,, Saidiya. Perder a mãe: uma jornada pela rota atlântica da escravidão. Rio de Janeiro: Bazar do tempo, 2021.
JR. BELLÉ. retorno ao ventre: Mỹnh fi nugror to vẽsikã kãtĩ. Tradução para o kaingang: André Luís Caetano. São Paulo: Elefante, 2024. 
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. 
LE GOFF, Jacques. História e memória. Tradução de Bernardo Leitão et al. 7. ed. rev. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2016. 
MARTINS, Leda Maria. Afrografias da memória: o Reinado do Rosário no Jatobá. 2. ed. rev. atual. São Paulo: Perspectiva; Belo Horizonte: Mazza Edições, 2021. 
MARTINS, Leda. Performances da oralitura: corpo, lugar da memória. Letras (Santa Maria), v. 25, p. 55-71, 2003. 
MATA, Inocência; FAZZINI, Luca; MAGALHÃES, Lucas Breda; SARTESCHI, Rosangela (orgs.). Escritas afrodescendentes em diálogos atlânticos. Teresina: Cancioneiro, 2025.
OLIVEIRA, Pedro Rocha de. Discurso filosófico da acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2024.
PEREIRA, Edimilson de Almeida. Qvasi segundo caderno. São Paulo: Editora 34, 2017.
PEREIRA, Edimilson de Almeida. Melro. São Paulo: Editora 34, 2022.
PEREIRA, Edimilson de Almeida. A saliva da fala: notas sobre a poética banto-católica no Brasil. São Paulo: Fósforo Editora, 2023.
PEREIRA, Edimilson de Almeida. Entre Orfe(x)u e Exunouveau: análise de uma estética de base afrodiaspórica na literatura brasileira. Fósforo Editora, 2022.
SHARPE. Christina. No vestígio: negridade e existência. São Paulo: Ubu Editora, 2023.
SANTANA, Bianca. Apolinária. São Paulo: Fósforo Editora, 2025.  
SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora/PISEAGRAMA, 2023.

Programa

Encontro 1 (12/02/2019):
 
Mobilidade de políticas e a disseminação das smart cities
 
PECK, J.; THEODORE, N. Mobilizing policy: Models, methods, and mutations. Geoforum,
v. 41, n. 2, p. 169-174, 2010.
SENNETT, R. No one likes a city that's too smart. The Guardian, Manchester, 04 dezembro
2012.
SHELTON, T.; ZOOK, M.; WIIG, A. The ‘actually existing smart city’. Cambridge Journal
of Regions, Economy and Society, 2014.
TEMENOS, Cristina; BAKER, Tom; COOK, Ian R. Inside mobile urbanism: Cities and
policy mobilities. In: Handbook of Urban Geography. Edward Elgar Publishing, 2019
WIIG, A. IBM's smart city as techno-utopian policy mobility. City, v. 19, n. 2-3, p. 258-273,
2015.
 
Encontro 2 (13/02/2019):
 
Nuvens, câmeras, big data: a cidade vigilante
 
HU, Tung-Hui. A Prehistory of the Cloud. MIT Press, 2015.
ELLIOTT, Anthony. Automated mobilities: From weaponized drones to killer
bots. Journal of Sociology, v. 55, n. 1, p. 20-36, 2019
SHELLER, Mimi. Mobility justice: The politics of movement in an age of extremes.
Verso Books, 2018. (Capitulo 4)
VANOLO, A. Smartmentality: The smart city as disciplinary strategy. Urban Studies, p. 1-
16, 2013.
 
Encontro 3 (14/02/2019):
 
Repensando a cidade inteligente
 
EVANS, J.; KARVONEN, A.; LUQUE-AYALA, A.; MARTIN, C.; MCCORMICK, K.;
RAVEN, R.; PALGAN, Y. V. Smart and Sustainable Cities? Pipedreams, Practicalities
and Possibilities. Local Environment, 24(7), 557-564, 2019.
GREENFIELD, A. Against the Smart City (The City is Here for You to Use). New York: Do
Projects, 2013.
SHELTON, Taylor; LODATO, Thomas. Actually existing smart citizens: Expertise and
(non) participation in the making of the smart city. City, v. 23, n. 1, p. 35-52, 2019.

Programa

1. Origem do Islã e formação
a) A Arábia pré-islâmica e a conjuntura do surgimento do Islã
b) A revelação do Alcorão e a instituição do califado
c) Conquista islâmica do Magrebe e da Península Ibérica
d) Formação das Entidades políticas islâmicas peninsulares e africanas
e) Fragmentação de Al-Andalus
f) Constituição das dinastias berberes expansionistas

2. A Reconquista cristã: mito, ideologia e a historiografia árabe
a) A problemática do termo Reconquista
b) As Cruzadas e a Reconquista
c) A conquistas cristãs sob perspectivas árabes
d) A resposta muçulmana dos Almorávidas ao Emirado de Granada
e) A conquista de Ceuta entre Reconquista, Cruzada e Navegações
f) Os múltiplos legados do fatídico ano de 1492

3. A expansão marítima ibérica e seu ‘reencontro’ com o ‘mouro’
a) O Islã na África subsaariana na visão dos portugueses
b) A demanda por Preste João e o ideal de cruzada manuelino
c) As redes muçulmanas no Oceano Índico frente a hegemonia portuguesa
d) O Estado da Índia e os grandes impérios muçulmanos coevos
e) A União Ibérica e o fim do monopólio português das rotas orientais
f) O “declínio” português da batalha de Alcácer Quibir à queda de Ormuz

MÉTODOS UTILIZADOS:
Aulas expositivas; leitura e análise de fontes; reflexão historiográfica; seminários temáticos; utilização de trechos de vídeos, podcasts e filmes.

ATIVIDADES DISCENTES:
Leitura de bibliografia e exercícios de leitura de fontes.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:

Manuais
DODDS, Jerrilynn Denise (Ed.). al-Andalus: the art of Islamic Spain. Metropolitan Museum of Art, 1992.
GARCÍA DE CORTÁZAR, Fernando e GONZÁLEZ VESGA, J. Manuel, Breve Historia de España. 3a ed. Madrid: Alianza Editorial, 2000 (há edição em português).
KAMEN, Henry. Breve Historia de España. Maquetación actual: Amanuense, 2009
FARAH, Paulo Daniel. O Islã - Folha Explica. São Paulo: Publifolha, 2001.
FERRÍN, Emilio González. História General de Al Ándalus. Europa entre Oriente y Occidente. 3ª ed. Córdoba: Almuzara, 2009.
ADAMEC, Ludwig W. Historical dictionary of Islam. Rowman & Littlefield, 2016.
MARQUES, A. H. de Oliveira, História de Portugal, 8a ed. Lisboa: Palas Editora, 1980, 3 vols.
RAMOS, Rui (org); MATTOSO, José; MONTEIRO, Nuno Gonçalo. História de Portugal. Esfera dos Livros, 2009
NICOLLE, David. El Cid and the reconquista 1050-1492. Oxford: Osprey Publishing, 1988.
NICOLLE, David; MCBRIDE, Angus. The Fall of Granada 1481-1492: The Twilight of Moorish Spain. Oxford: Osprey, 1998.
SERRÃO, Joel (dir.), Dicionário de História de Portugal. Porto: Livraria Figueirinhas, 1992.
EL FASI, M.; HRBEK, I.; NIANE, D. T.; OGOT, B. A. História Geral da África –Vols. III–V. UNESCO, 2010.

Livros e artigos
AL-AZMEH, Aziz. Barbarians in Arab eyes. Past & Present, n. 134, p. 3-18, 1992.
__________. Times of History: Universal Topics in Islamic Historiography. Central European University Press, 2007.
AL-SALMAN, Mohamed Hameed. Arabian Gulf in the Era of Portuguese Dominance: A Study in Historical Sources. In: Liwa: Journal of the National Center for Documentation & Research. Volume 4, Number 7, June 2012 P.13-36
ALBARRÁN IRUELA, Javier. La cruz en la media luna. los cristianos en Al-Andalus: realidades y percepciones (siglos viii-xiii) estado de la cuestión y perspectivas de investigación. Madrid: Sociedad Española de Estudios Medievales, 20
AUBIN, Jean. Le latin et l’astrolabe: recherché sur le Portugal de la Renaissance, son expansion en Asie et les relations internationales, vol. II. Lisboa/Paris: CNCDP/FCG, 2000.
BENNISON, Amira K. Almoravid and Almohad Empires. Edinburgh University Press, 2016.
__________. The great caliphs: the golden age of the 'Abbasid Empire. Yale University Press, 2014.
BLACKMORE, Josiah. "Imagined the Moor in Medieval Portugal" In: Diacritics vol 36 n.3/4 2006 
BOXER, Charles R. O Império Marítimo Português: 1415-1825. Lisboa: Edições 70, 2015.
BRAGA, Isabel M. R. Drumond. Entre a Cristandade e o Islão (séculos XV-XVII): Cativos e Renegados nas franjas de duas sociedades em confronto. Ceuta: Instituto de Estúdios Celtíes, 1998.
CHALMETA GENDRÓN, Pedro. “Historiografía medieval hispana: Arabica,” In: Al-Andalus 37, no. 2 (1972), 353 -404.
CHEVEDDEN, Paul E. The Islamic view and the Christian view of the Crusades: A new synthesis. History, v. 93, n. 310, p. 181-200, 2008.
CHRISTYS, Ann Rosemary. Christians in al-Andalus 711-1000. London and New York: Routledge, 2013.
CLARKE, Nicola. The Muslim conquest of Iberia: medieval Arabic narratives. London and New York: Routledge, 2012
COELHO, António Borges. Portugal na Espanha Árabe. Lisboa: Editorial Caminho, 2008.
CRONE, Patricia. The religion of the Qur’ānic pagans: God and the lesser deities. Arabica, v. 57, n. 2, p. 151-200, 2010.
DABASHI, Hamid. Authority in Islam. Transaction Publishers, 1993.
DE WITTE, Charles-Martial. «Un projet portugais de reconquête de la Terre-Sainte (1505‑1507)». In: Actas do Congresso Internacional de História dos Descobrimentos. Lisboa: Comissão Executiva das Comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique, 1961, vol. 5/1, pp. 419-449
DINIS, A. J; DIAS, O. F. M. Antecedentes da expansão ultramarina portuguesa: os diplomas pontifícios dos séculos XII a XV. In: Revista Portuguesa de História, tomo X. Coimbra: Faculdadede Letras da Universidade de Coimbra, Instituto de Estudos Históricos Dr. António de Vasconcelos, 1962
DOMINGUES, José Garcia. Portugal e o Al-Andalus. Lisboa: Hugin, 1997.
DONNER, Fred M. Muhammad and the Believers: at the Origins of Islam. Harvard University Press, 2012.
_______. The formation of the Islamic state. Journal of the American Oriental Society, p. 283-296, 1986.
DURI, A.A. ed and trans. Conrad, L.I. The Rise of Historical Writings Among the Arabs. Princeton: Princeton University Press. 1983
ERDMANN, Carl. A idea de cruzada em Portugal. Coimbra: Instituto Alemão da Universidade, 1940.
EPALZA, Miguel. Los moriscos antes y después de la expulsión. Madrid: Editorial Mapfre, 1992.
FARINHA, António Dias. “Os Árabes Nos Antigos Relatos Portugueses Do Índico”. In: Finisterra, XL, 79, 2005. P. 151-160
________. Os portugueses no Golfo Pérsico, 1507-1538: contribuição documental e crítica para a sua história. In: Mare Liberum, 3, 1991
FIERRO, Maribel; TOLAN, John. (eds) The legal status of Dhimmis in the Islamic west. Religion and Law in Medieval Christian and Muslim Societies (RELMIN 1). Turnhout: Brepols, 2013.
FUCHS, Barbara. Exotic Nation: Maurophilia and the Construction of Early Modern Spain.Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2011.
HOURANI, Albert. Uma história dos povos árabes. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2006.
GAZTAMBIDE, José Goñi. Historia de la bula de cruzada en España. Vitória: Publicaciones del Seminario de Vitoria, 1958
GODINHO, Vitorino Magalhães. Dúvidas e problemas acerca de algumas teses da história da expansão. IN: GODINHO, Vitorino Magalhães. Ensaios II. Sobre História de Portugal. 1ª ed., Lisboa, Liv. Sá da Costa Ed., 1968 p.67-96
JAYYUSI, Salma Khadra; MARÍN, Manuela (Ed.). The Legacy of Muslim Spain. Leiden: Brill, 1992.
JIMÉNEZ PEDRAJAS, Rafael. Historia de los mozárabes en al-Ándalus. Córdoba: Almuzara, 2013.
LOPES, David. Extractos da História da Conquista do lémen pelos Otomanos. Lisboa: Imprensa Nacional, 1892.
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MARCOCCI, Giuseppe. A consciência de um império: Portugal e o seu mundo (sécs. XV-XVII). Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2012
MATOS, Luís de. Imagens do Oriente no século XVI: reprodução do Códice português da Biblioteca Casanatense. Lisboa Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1985
MENOCAL, María Rosa. O Ornamento Do Mundo. Rio de Janeiro: Editora Record, 2004.
MONROE, James T. Islam and the Arabs in Spanish Scholarship. Sixteenth Century to the Present. Leiden: E. J. Brill, 1970.
MOTA, Thiago Henrique. Alteridade islâmica no Império português: notas sobre um fenômeno da Época Moderna. In: 7 Mares, v.01, 2013, p.04-20
REI, António. Os Rostos do Poder na Lisboa das Taifas (1009-1093) – novas leituras. In: Actas do II colóquio nova Lisboa medieval, 2007.
SAVRAN, Scott. Arabs and Iranians in the Islamic Conquest Narrative: Memory and Identity Construction in Islamic Historiography, 750–1050. London and New York: Routledge, 2017
SERJEANT, R. The Portuguese off the South Arabian Coast: Hadrami Chronicles. Oxford: Claredon Press, 1963.
SOUTHERN, R. Western Views of Islam in the Middle Ages. Cambridge: Harvard University Press. 1962
SOYER, François. A Perseguição aos Judeus e Muçulmanos de Portugal: D. Manuel I e o Fim da Tolerância Religiosa (1496-1497). Edições 70, 2013.
SUBRAHMANYAM, Sanjay. Impérios em Concorrência. Histórias conectadas nos séculos XVI e XVII. Lisboa: ICS, 2012.
_________. Intertwined Histories: Crónica and Tārīkh in the Sixteenth- Century Indian Ocean World. In: History and Theory, Theme Issue 49 (December 2010), p.118-145
_________. On World Historians in the Sixteenth Century. In: Representations; Summer 2005; 91; p.26-47
PINTO, Paulo Jorge Sousa; SUBRAHMANYAM, Sanjay. O Império Asiático Português 1500-1700: uma história política e económica. Lisboa, Difel: 1995.
RESENDE, Vasco. Discours idéologique ou projet politique? La croisade en Terre sainte, la destruction de l'islam et l'expansion portugaise en Orient sous le règne de Manuel Ier. In: DOMINGUES, Francisco Contente, HORTA José da Silva & VICENTE, Paulo David (orgs.). D’Aquém, d’Além e d’Ultramar: Homenagem a António Dias Farinha. 2 vols. Lisboa: Centro de História da Universidade de Lisboa, 2015. P.633-666.
TELES E CUNHA. João Manuel de Almeida. Economia de um império: economia política do Estado da Índia em torno do Mar Arábico e Golfo Pérsico: elementos conjunturais: 1595-1635, FCSH--UNL: Policopiada (diss. Mestrado), 1995
THOMAZ, Luís F. R. De Ceuta a Timor. Lisboa: Difel. 1994.
VALDEÓN BARUQUE, Julio. La Reconquista. El concepto de España: unidad y diversidade. Madrid: Espasa, 2006.

Programa

Aula I (Segunda-feira, 01 de agosto)
1. O tempo interpretado: O que é astrologia?
1.1 Os elementos de interpretação astrológica.
1.2 Dos primórdios ao complexo sistema de interpretação
1.3 Calendário, culto e cosmos: a influência do Egito.

Aula II (Terça-feira, 02 de agosto)
2. A astrologia na Antiguidade
2.1. A astrologia grega até Hiparco
2.2. Os filósofos e a astrologia

Aula III (Segunda-feira, 08 de agosto)
3. Ascensão da astrologia à condição de técnica de interpretação do tempo na Roma antiga.
3.1. As escolas filosóficas, a política e a astrologia
3.2. O testemunho didático de Manílio e outras obras astrológicas da antiguidade.

Aula IV (Terça-feira, 09 de agosto)
4. A astrologia como alvo dos primeiros tribunais cristãos.
4.1. O culto de Mitras
4.2. Maniqueísmo: uma nova modalidade da astrologia no fim da antiguidade.


Referências Bibliográficas

AGOSTINHO. Confissões. Tradução e prefácio de Lorenzo Mammì. 2a ed., São Paulo: Penguin Classics & Companhia das Letras, 2018.

BARTON, T. Ancient astrology. London, Routledge, 1994.

_____________. Power and knowledge: Astrology, physiognomics and medicine under the Roman Empire. Ann Arbor, University of Michigan Press, 1994.

BATTISTINI, M. Astrología, magia e alquimia. Trad. Esp. J. H. Beutnagel. Barcelona, Electa, 2005.

BAYET, J. Croyances et rites dans la Rome antique. Paris: Payot, 1971.

BECK, R. Planetary Gods and Planetary Orders in the Mysteries of Mithras. Leiden, 1988.

CICERÓN. Sobre la adivinación. Biblioteca Clásica Gredos. Introducciones, traducción y notas de Angel Escobar. Madrid: Editorial Gredos, 1999.

ELIADE, Mircea. O mito do eterno retorno. Trad. Mauela Torres. Lisboa: Edições 70, 1985

FREDE, D. “Determinismo estóico”, In Os estóicos. Inwood, B. (org.) São Paulo: Odysseus Editora, 2006.

GRASSHOFF, G. The history of Ptolemy's star catalogue. Nova York: Springer-Verlag, 1990.

GRIMAL, P. A civilização romana. Lisboa: Edições 70, 1984.

MANILIO, M. Astrología. Trad. Esp. F. Calero e M. J. Echarte. Madrid, Editorial Gredos, 1996.

MANILIUS, M. Astronomica. Trad. Ingl. G. P. Goold. Cambridge/London, Harvard University Press, 1977.

NORTH, J. The Fontana History of Astronomy and Cosmology. Londres, 1994.

NOVAK, M. G. Adivinhação, superstição e religião no último século da República (Cícero e Lucrécio), Classica, v. 4, n. 4, (1991), 145-161.

ORLIN, E. M. Temples, religion and politics in the Roman Republic. Boston: Brill Academic Publishers, 2002.

PLATÃO. Timeu. Tradução de Maria José Figueiredo; Introdução de José Trindade dos Santos. Lisboa: Instituto Piaget, 2003.

______ . Timeu – Crítias – O Segundo Alcibíades – Hípias Menor. Tradução direta do grego de Carlos Alberto Nunes, coordenação de Benedito Nunes. 3 e.; Belém: UFPA, 2001.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia. Vol. 1. São Paulo: Paulus, 1990.

SCHEID, J. An Introduction to Roman religion. Indiana University Press, 2003.

SUETÔNIO. A vida dos doze Césares. São Paulo: Ediouro, 2002.

TESTER, J. Historia de la astrologia occidental. México df/Madri, Siblo Veintiuno, 1990.

VERNANT, J.-P. Mito e religião na Grécia antiga. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

Programa

Aula 1: Democracia
Dahl, Robert A. On democracy. Yale university press, 2020

Aula 2: Governo representativo: princípios aristocráticos e expectativas igualitárias
Manin, Bernard. The principles of representative government. Cambridge University Press, 1997.

Aula 3: Por que insistir em eleições?
Przeworski, Adam. Why bother with elections?. John Wiley & Sons, 2018

Aula 4: Integridade eleitoral: elementos normativos
Norris, Pippa. Why electoral integrity matters. Cambridge University Press, 2014
Murillo, Victoria, Steven Levitsky, and Daniel Brinks. La Ley y la trampa en América Latina: por qué optar por el debilitamiento institucional puede ser una estrategia política. Siglo XXI Editores, 2021

Programa

01/08/2023 – 3ª. Feira – AULA 1 – AYMÊ OKASAKI
Apresentação do grupo de pesquisa Fayola Odara. Introdução à temática de têxteis
africanos. Apresentação de tecidos artesanais: adire, asó oke, bogolan, kente, adinkra.

02/08/2023 – 4ª. Feira – AULA 2 – AYMÊ OKASAKI
Apresentação aos têxteis industrializados utilizados no continente africano e seus
impactos globais: rendas africanas e wax print.

03/08/2023 – 5ª. Feira – AULA 3 – JOSÉ ROBERTO
O surgimento do candomblé de ketu e a performance de gênero nos modos de vestir
das divindades do panteão nágò iyorùbá.

04/08/2023 – 6ª. Feira – AULA 4 – JOSÉ ROBERTO
O guarda-roupas de candomblé: hierarquia, vivência e experiência vivida apresentada
nos modos de vestir religioso.

07/08/2023 – 2ª. Feira – AULA 5 – MARIA EDUARDA
Breve trajetória da criação das escolas de samba e a formação da ala das baianas. A
composição do traje de baiana e alguns apontamentos históricos.

08/08/2023 – 3ª. Feira – AULA 6 – MARIA EDUARDA
Os trajes usados pelas componentes da ala das baianas: dos eventos “de janeiro a
janeiro” ao traje de folguedo: modelagens, produções, materiais e os critérios de
julgamento das fantasias nos desfiles oficiais do Carnaval. Encerramento do curso.

Referências Bibliográficas

ALEXANDRE, Claudia. Orixás no terreiro sagrado do samba: Exu e Ogum no Candomblé da Vai-Vai. Rio de
Janeiro: Fundamentos de Axé, 2021.
BORGES, Maria Eduarda Andreazzi. Da artesania à apoteose: o traje e a movimentação das componentes da
ala das baianas de carnaval. Revista Aspas, [S.L.], v. 10, n. 2, p. 69-85, 20 dez. 2021. Universidade de São
Paulo, Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (AGUIA). http://dx.doi.org/10.11606/issn.2238-
3999.v10i2p69-85. Disponível em :https://www.revistas.usp.br/aspas/article/view/184235. Acesso em: 17 abr.
2023.
BORGES, Maria Eduarda Andreazzi. O traje da baiana de Carnaval: ponto de encontro de ancestralidades e
renovações.. 2022. 356 f. Dissertação (Mestrado) ‒ Escola de Comunicações e Artes (ECA),Artes Cênicas,
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2022. Disponível em:
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27156/tde-19042023-142655…. Acesso em: 17 abr. 2023.
CASTRO, Y. P. de. Língua e nação de candomblé. Revista África, [S. l.], n. 4, p. 57-76, 1981. DOI:
10.11606/issn.2526-303X.v0i4p57-76. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/africa/article/view/90848.
Acesso em: 5 abr. 2023.
CASTILLO, Lisa Earl. O terreiro do Gantois: redes sociais e etnografia histórica no século XIX. Revista de
História (São Paulo), 2017. Disponivel em:
https://www.scielo.br/j/rh/a/qjPgpLhSMRk5NNJmjrPQTwh/?format=html Acesso em: 18 abr 2023.
CARYBÉ. Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia. Aquarelas de Carybé. Textos de
Carybé, Jorge Amado, Pierre Verger e Waldeloir Rego, edição de Emanoel Araujo – Salvador, Editora Raízes
Artes Gráficas, Fundação Cultural da Bahia, Instituto Nacional do Livro e UFBA - Universidade Federal da
Bahia,1980.
CARNEIRO, Edison. Os candomblés da Bahia, Edições de Ouro, Rio de Janeiro, 1967.
CASTILHO, Lisa Earl. Entre a oralidade e a escrita: etnografia nos candomblés da Bahia, EDUFBA, 2008.
CASTILLO, Lisa Earl; PARÉS, Luis Nicolau. Marcelina da Silva e seu mundo: novos dados para uma
historiografia do candomblé ketu. Afro-Ásia, n. 36, 2007.
CUNHA, Lygia da Fonseca Fernandes da. Riscos illuminados de figurinhos de brancos e negros dos uzos do Rio
de Janeiro e Serro do Frio / aquarelas por Carlos Julião1740-1811, Rio de Janeiro : Biblioteca Nacional, 1960.
Disponível em: https://bd.camara.leg.br/bd/handle/bdcamara/22620 Acesso em: 24 abr 2023.
ESCOREL, Silvia. Vestir poder e poder vestir: o tecido social e a trama cultural nas imagens do traje negro
(Rio de Janeiro, Século XVIII). 2000. Dissertação (Mestrado) ‒ Programa de Pós-Graduação em História Social
‒ Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (CFCH), Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2000.
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FACTUM, Ana Beatriz Simon. Joalheria escrava baiana: a construção histórica do design de joias brasileiro.
2009. 309 f. Tese (Doutorado) ‒ Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), Universidade de São Paulo, São
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br.php. Acesso em: 17 abr. 2023.
GODOY, Solange de Sampaio. Círculo das contas: joias de crioulas baianas. Salvador: Fundação Museu
Carlos Costa Pinto, 2006.
IPAC, Bahia. Governo do Estado. Secretaria da Cultura. Pano da Costa. Salvador: IPAC; Fundação Pedro
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de Janeiro, v. 1, n. 29, p. 50-57, jun. 2015. Disponível em:
https://revistas.ufrj.br/index.php/ae/article/view/10226/7717. Acesso em: 17 abr. 2023.
LODY, Raul. Moda e História: as indumentárias das mulheres de fé/ Raul Lody; fotografias de Pierre Fatumbi
Verger. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2015.
LODY, Raul; SABINO, Jorge. Danças de matriz africana: antropologia do movimento, Pallas Editora, 2021.
LOPES, Nei. Enciclopédia brasileira da diáspora africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.
MELO, Aislan Vieira. Reafricanização e dessincretização do candomblé: Movimentos de um mesmo processo.
Revista Anthropológicas, v. 19, n. 2, 2008.
PARÉS, Luis Nicolau. Libertos africanos, comércio atlântico e candomblé: a história de uma carta que não
chegou ao destino. Revista de História (São Paulo), 2019.
PEREIRA, Hanayrá Negreiros de Oliveira. O Axé nas roupas: indumentária e memórias negras no candomblé
angola do redandá. 2017. 1 v. Dissertação (Mestrado) - Curso de Ciência da Religião, Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo, São Paulo, 2017. Disponível em:
https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/20817/2/Hanayr%c3%a1%20Negreiro…
f. Acesso em: 17 abr. 2023.
SANTOS, José Roberto Lima. Indumentárias dos orixás: arte, mito e moda no rito afro-brasileiro,
Dissertação de Mestrado, UNESP - “ Universidade Júlio de Mesquita Filho”, IA - Instituto de Artes, 2021.
SILVA, Eduardo Marques da. Crioulos (pretos ou branqueados) na iconografia nacional dos séculos XVIII/XIX,
Revista Educação Pública, p.1/8 – 8/8, 2023.
SOUZA, Patrícia Ricardo de. AXÓS E ILEQUÊS: rito, mito e a estética do candomblé. 2007. 1 v. Tese
(Doutorado) - Curso de Sociologia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (Fflch), Universidade de
São Paulo, São Paulo, 2007. Disponível em: https://www.livrosgratis.com.br/ler-livro-online-14252/axos-e-
ileques--rito-mito-e-a-estetica-do-candomble. Acesso em: 17 abr. 2023.
VIANA, Fausto. Para documentar a história da moda: de James Laver às blogueiras fashion. São Paulo: ECA
USP, 2017. Disponível em: https://www.livrosabertos.sibi.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/165. Acesso
em: 17 abr. 2023.
VIANA, Fausto. Para vestir a cena contemporânea: traje interior feminino no Brasil do século XIX. São Paulo:
ECA/USP, 2019. DOI:10.11606/9788572052443. Disponível em:
http://www.livrosabertos.sibi.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/373. Acesso em: 17 abr. 2023.
VIANA, Fausto Roberto Poço; BORGES, Maria Eduarda Andreazzi. O traje de baiana do Carnaval: um cadinho
cultural. Revista Interfaces (UFRJ), v.30, p.82-99, 2020. Disponível em:
https://revistas.ufrj.br/index.php/interfaces/article/view/39674. Acesso em: 17 abr. 2023.
VIANA, Fausto; MOURA, Carolina Bassi de (org.). Dos bastidores eu vejo o mundo: cenografia, figurino,
maquiagem e mais vol. 5 - edição especial de folguedos. São Paulo: Eca/Usp, 2020. Disponível em:
https://www.livrosabertos.sibi.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/541. Acesso em: 17 abr. 2023.
VERGER, Pierre. Orixás: deuses iorubás na África e no novo mundo. Salvador: Fundação Pierre Verger, 2018.

Programa

Aula 1:

Integração e Dominação
A especificidade do conceito de dominação na obra de Pierre Bourdieu repousa na existência de uma igualdade formal entre dominantes e dominados, caracterizada em termos de processos de integração. Essa primeira aula é uma discussão das condições sócio-históricas sob as quais os processos de integração lógica e moral dependem, os quais, por sua vez, funcionam enquanto condições de possibilidade para os modos de dominação nas sociedades contemporâneas.
Bibliografia básica:
BOURDIEU, Pierre. “Curso de 14 de março de 1990”. In: Sobre o Estado. São Paulo: Companhia das Letras, 2014 (p.294-309).
BOURDIEU, Pierre.; BOLTANSKI, Luc. “Introducción.” In: La producción de la ideología dominante. Buenos Aires: Nueva Visión, 2009 [1979]. (p.9-16).

Bibliografia complementar:
BOURDIEU, P.; PASSERON, J-C. A Reprodução: Elementos para uma teoria do sistema de ensino. Petrópolis: Editora Vozes, 2014 [1970].
BOURDIEU, P. Las estructuras sociales de la economía. Buenos Aires: Manntaial, 2010.
BOURDIEU, P.; BOLTANSKI, L. La producción de la ideología dominante. Buenos Aires: Nueva Visión, 2009 [1979].
BOLTANSKI, L. “The Structure of Critical Theory” In: ___.On Critique: a sociology of emancipation. Cambridge: Polity Press, 2011.

Aula 2:

Materialismo do simbólico
Apresentação da proposta de um “estruturalismo genético” feita por Pierre Bourdieu para o estudo do Estado. Essa proposta é inseparável do processo de concentração e monopolização de capitais realizado pelo Estado entendidos a partir da sua concepção de “materialismo do simbólico”.
Bibliografia básica:
BOURDIEU, Pierre. Espíritos de estado: gênese e estrutura do campo burocrático. In: ____. Razões práticas. Sobre a teoria da ação. Campinas, SP: Papirus, 1996, p. 91-135.
BOURDIEU, Pierre. “Curso de 15 de fevereiro de 1990”. In:____ (Org.). Sobre o Estado. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.



Bibliografia complementar:
o curso de 1990-1991 no Collège de France, traduzido na obra “Sobre o Estado” discute de maneira mais aprofundada e com mais digressões metodológicas o artigo “Espíritos de Estado”
BOURDIEU, Pierre. “Os fundamentos históricos da Razão” In. ____. Meditações pascaliana. São Paulo: Bertrand Brasil, 2001
MICELI, Sérgio “Materialismo do simbólico” In:____ (Org.) Sobre o Estado. São Paulo: Companhia das Letras, 2012

Aula 3:

Lugar neutro e campo
Apresentação da relação entre lugares comuns e espaços de produção discursiva, tomando como eixo fundante a discussão apresentada por Pierre Bourdieu e Luc Boltanski, em artigo intitulado La production de l'idéologie dominante, de 1976.
Bibliografia básica:
BOURDIEU, Pierre. Curso de 7 de fevereiro de 1991. In: Sobre o Estado. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
BOURDIEU, Pierre. O novo capital. In: Razões Práticas: sobre a teoria da ação. Campinas: Papirus, 1996.
Bibliografia complementar:
BOURDIEU, Pierre; BOLTANSKI, Luc. La production de l’idéologie dominante,, Paris: Demopolis/Raisons d’agir, 2008 [1976] (existe tradução para a língua espanhola).
BOURDIEU, Pierre.; BOLTANSKI, Luc. “Introducción.” In: La producción de la ideología dominante. Buenos Aires: Nueva Visión, 2009 [1979]. (p.9-16).

Aula 4:

Estado, legisladores e educação
A partir da agenda bourdieusiana de pesquisa, será desenvolvida a articulação entre legisladores e discursos sobre educação no âmbito das comissões estatais.
Bibliografia básica:
BOURDIEU, Pierre. Curso de 25 de janeiro de 1990. In: Sobre o Estado. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
BOURDIEU, Pierre; CHAMPAGNE, Patrick. Os excluídos no interior. BORDIEU, P. A miséria do mundo. Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 2011.
RESENDE, Tânia Freitas. “Sistema de ensino” (verbete). Vocabulário Bourdieu. Belo Horizonte, MG: Autêntica, p. 109-112, 2017.
Bibliografia complementar:
BERNSTEIN, B. “On pedagogic discourse”. In: RICHARDSON, John G., Handbook of theory and research for the sociology of education. Connecticut: Greenwood Press, 1986.
BOURDIEU, Pierre; SAINT-MARTIN, Monique de. As categorias do juízo professoral. Escritos de educação. Petrópolis, RJ: Vozes, p. 185-216, 1998.

Aula 5:

A sociedade civil e as novas formas de gestão do público
Discussão sobre o surgimento de termos como “terceiro setor” e “sociedade civil” e como estes foram legitimados para a gestão dos aparelhos culturais do Estado de São Paulo.
Bibliografia básica:
COSTIN, Cláudia. Organizações Sociais como modelo para Gestão de Museus,Orquestras e outras iniciativas culturais. Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, Salvador, Instituto de Direito Público da Bahia, n. 2, junho/julho/agosto, 2005. Disponível em: Acesso em 25 nov. de 2017.
MICHETTI, M. “A definição privada do bem público: a atuação de institutos empresariais na esfera da cultura.” Caderno CRH, Salvador, v.29, n.78, p. 513-534, 2016.
Bibliografia complementar:
ARRETCHE, M. Mitos da descentralização: mais democracia e eficiência nas políticas públicas? Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 11, n. 31, 1996.
BARROS, A. Entrevista: - Bresser Pereira e a Reforma Gerencial do Estado . Administração Pública e Gestão Social, v. 9, n. 3, p. 237-242, 2017.
BRESSER-PEREIRA, L. C. Reforma gerencial e legitimação do estado social.Rev. Adm. Pública [online]. 2017, vol.51, n.1, pp.147-156.
BITTENCOURT, Lúcio Nagib. As Organizações Sociais e as ações governamentais em cultura: ação e política pública no caso do Estado de São Paulo. Tese, São Paulo, 2014. 254 f.
LANDIM, L. O “setor” sem fins lucrativos no Brasil. História, tendências e debates recentes. In: LANDIM, L. Para além do mercado e do Estado? Filantropia e cidadania no Brasil. Rio de Janeiro: Cadernos do ISER, 1993.

Aula 6:

Quem governa? As relações no Estado e formas de Estado
Retoma-se o debate em torno da tecnocracia e do Estado desenvolvimentista que marcaram os anos 1990, depreendendo as relações de força/sentido à época. Em seguida, contrapõe-se com os processos políticos mais contemporâneos, tendo em vista a detectar relações de continuidade e descontinuidade de um período para outro.

Bibliografia Básica:
BOMENY, H. “Novos talentos, vícios antigos: os renovadores e a política.” Estudos Históricos. Rio de Janeiro, v.6, n.11, p. 24-39. 1993.
LOUREIRO, M. R. “Os economistas no Brasil pós-64: formação acadêmica e participação no governo”. In:___. Os economistas no governo. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1997. (p.61-117).

Bibliografia Complementar:
HEREDIA, M. Cuando los economistas alcanzaron el poder (o como se gestó la confianza en los expertos). Buenos Aires: Siglo Veintiuno Editores, 2015.
MITCHELL, Timothy. The work of economics: how a discipline makes its world. European Journal of Sociology, v. 46, n. 2, p. 297–320, 2005.
NORMAND, R. The changing epistemic governance of European Education. Scotland: Springer Press, 2016.
SILVA, P. En nombre de la razón: tecnocratas y política en chile. Santiago: Ediciones Universidad Diego Portales, 2010.

Programa

O curso terá quatro encontros de 2h horas cada, com dois blocos de exposição seguidos por um tempo para discussão. A comunicação com os alunos se dará principalmente através de uma sala do Google Classroom, onde serão também disponibilizados os links para as aulas, além de uma pasta com leituras sugeridas e complementares.
Uma sugestão!
Caso você nunca tenha lido o Fedro, eu sugiro que o leia, inteiro, antes de começarmos. Não se preocupe se não entender tudo; tampouco é necessário que a leitura seja detalhada.

Aula 1 (16/08/21, 17h)
- Introdução
Como ler um diálogo de Platão? Por que Platão escreveu diálogos? Qual é o tema do Fedro?
Leitura sugerida: O Fedro de Platão

Aula 2 (20/08/21, 17h)
- Erôs
Sócrates contra a educação ateniense; a psicologia do Fedro; introdução à reminiscência e às Formas; o amor.
Leitura sugerida: A primeira metade do Fedro, 227a-257b

Aula 3 (23/08/21, 17h)
- A retórica e a dialética
O que a filosofia deve aprender com a retórica?; o método das coleções e divisões; a construção do discurso filosófico e a reminiscência
Leitura sugerida: Fedro, 259e-274b

Aula 4 (27/08/21, 17h)
- A escrita e a escrita na alma
A crítica à escrita; por que Platão escreveu?; o objetivo de Sócrates no Fedro: a escrita na alma.
Leitura sugerida: Fedro, 274b-279c

Traduções confiáveis do Fedro em português

Platão, Fedro. Tradução, apresentação e notas de Maria Cecília Gomes dos Reis. São Paulo: Penguin, 2016. (vou usar esta!)
Platão, Fedro. Tradução de José Ribeiro Ferreira. Lisboa: edições 70, 2009.
Platão, Fedro. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: ed.ufpa, 2011.
Platão, Fedro. Tradução de José Cavalcante de Souza. Rio de Janeiro: editora 34, 2016.
Bibliografia especializada
Burger, Ronna (1980). Plato's Phaedrus: a defense of a philosophic art of writing. The University of Alabama Press
Ferrari, G.R.F. (1990) Listening to the Cicadas: a study of Plato`s Phaedrus. Cambridge: Cambridge University Press.
Griswold, C. (1996) Self-Knowledge in Plato's Phaedrus. Pennsylvania: Penn State University Press.
Hackforth, R. (2001) Platos`s Phaedrus. Cambridge: Cambridge University Press.
Nicholson, G. (1999) Plato’s Phaedrus: The Philosophy of Love. Purdue University Press.
Werner, Daniel S. (2012) Myth and Philosophy in Plato`s Phaedrus. Cambridge: Cambridge University Press.

Programa

Uma personagem é um ser feito de palavras que se submete ao regime literário em que está inserido. Uma personagem, mais do que espelho de seres reais, pode ser entendida também como um lugar em que os possíveis da experiência humana se manifestam. As personagens foram teorizadas como heróis e figurantes (Enrico Testa), como redondas e planas (E.M. Forster), como funções matemáticas (Ítalo Calvino), valorizadas enquanto tipos (Georg Lukács), ou entendidas psicologicamente (Henry James).
O presente curso parte desses pressupostos teóricos mais conhecidos para investigar a categoria da personagem na fronteira de uma reflexão também sobre o autor e o leitor (ou espectador). Portanto, entendidas sob regimes literários, sobretudo, metalinguísticos, a análise das obras propostas revela questões conceituais inultrapassáveis para se pensar a literatura contemporânea.



Aula 1 - Introdução à teoria dos personagens: vários teóricos modernos e contemporâneos serão discutidos,
destacando a singularidade e o antagonismo de suas posições – um estruturalista, por exemplo, rejeitará a leitura
realista social ou psicológica; uma teoria focada no romance será diferente daquela focada no drama. A ideia é
fornecer a base inicial teórica para um diálogo mais abrangente com as obras que serão analisadas durante o
curso.


Aula 2 - Personagem enquanto personagem; espectador enquanto personagem: há obras que não pensam a
personagem como espelho de figuras reais ou tipos sociais, mas o pensam simplesmente enquanto personagens,
submetidos, não a uma fábula, mas a um regime formal (ou genérico) específico. As obras propostas aqui são
reflexões sobre o gênero dramático, sua crise formal, levada a cabo por uma estrutura que confronta personagem e
autor e personagem e plateia.
 Análise da peça Seis personagens à procura de um autor, de Pirandello.
 Análise da peça Esperando Godot, de Samuel Beckett.


Aula 3 - Fenomenologia da imaginação: as duas obras que serão analisadas em aula retratam como um autor
pensa um personagem, como ele o investiga ou o imagina. Nathaniel Hawthorne, pode-se dizer, convida o leitor e a
leitora a seguirem com ele as etapas de sua imaginação investigativa, para compreender moralmente a
personagem; Virginia Woolf, por sua vez, introduz o leitor no campo de seu pensamento, investigando, não apenas
a personagem, mas o regime perceptivo, imaginativo e estético a que está submetida.
 Análise do conto “Wakefield”, de Nathaniel Hawthorne.
 Estudo do conto “Uma mulher no espelho - uma reflexão”, de Virginia Woolf.


Aula 4 - Conflitos entre autor, personagem e leitor: o romance de caráter autorreflexivo que será analisado
encena na narrativa os embates entre uma escritora-personagem e sua criatura, o que propicia discussões sobre a
figura do herói, a crise autoral e as expectativas do leitor dramatizado no romance.
 Análise do romance Homem lento, de J.M. Coetzee.


Aula 5 - O autor enquanto personagem: análise do romance Tempo Final (2022), de Maylis Besserie, livro
baseado na vida de Samuel Beckett. Esta aula discutirá principalmente as características do personagem Beckett e
o jogo entre biografia e ficção estabelecido por esta obra. Além disso, também pretendemos discutir a apropriação
da linguagem e da temática beckettianas operadas pela escritora, bem como os efeitos da recepção da obra.
 Análise do romance Tempo Final, Maylis Besserie.


Referências bibliográficas
Bibliografia literária:
BECKETT, Samuel. Esperando Godot. Tradução de Fábio de Souza Andrade. São Paulo: Cosac Naify, 2005.

BESSERIE, Maylis. Tempo Final. Trad. Lívia Bueloni Gonçalves. São Paulo: Editora Nós, 2022.
COETZEE, J.M. Homem lento. Tradução de José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
HAWTHORNE, Nathaniel. “Wakefield”. Tradução de Cristina Serra. In: Contos fantásticos no labirinto de Borges.
São Paulo: Casa da Palavra, 2005.
PIRANDELLO, Luigi. Seis personagens à procura de um autor. Tradução de Brutus Pedreira. São Paulo: Abril
Cultural, 1978.
WOOLF, Virginia. “Uma Mulher no Espelho – Uma Reflexão”. In.: Contos de Assombro. São Paulo: Carambaia,
2019.
Bibliografia teórica:
CANDIDO, Antonio, ROSENFELD, Anatol, PRADO, Décio de Almeida Prado & GOMES, Paulo Emílio Salles. A
Personagem de Ficção. São Paulo: Editora Perspectiva, 1976.
CRUZ, Talita Mochiute. A ficção australiana de J. M. Coetzee: o romance autorreflexivo contemporâneo. 2015.
Dissertação (Mestrado em Teoria Literária e Literatura Comparada) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. doi:10.11606/D.8.2015.tde-10092015-160114. Acesso em:
20 jun. 2021.
FORSTER, E.M. Aspectos do Romance. Tradução de Sergio Alcides. São Paulo: Globo, 2005.
GOLDMAN, Jane. The Cambridge Introduction to Virginia Woolf. Cambridge University Press Cambridge: New
York, Melbourne, Madrid, Cape Town, Singapore, São Paulo, 2006.
GONÇALVES, Lívia Bueloni. Em busca de Companhia: O universo da prosa final de Samuel Beckett. São Paulo:
Humanitas/Fapesp, 2018.
TESTA, Enrico. Heróis e figurantes: o personagem no romance. Tradução de Patricia Peterle. São
Paulo/Florianópolis: Rafael Copetti editor, 2019.
SZONDI, Peter. Teoria do drama moderno (1880-1950). Tradução de Raquel Imanishi Rodrigues. São Paulo: Cosac
Naify, 2011.
TODOROV, T. "Homens narrativa". As estruturas narrativas. São Paulo: Perspectiva, 2003.
VASCONCELLOS, Cláudia Maria de. Samuel Beckett e seus duplos - espelhos, abismos e outras vertigens
literárias. São Paulo: Iluminuras, 2017.
________________. Teatro Inferno: Samuel Beckett. São Paulo: Terracota, 2012.
WOOD, James. “Personagem”. Como funciona a ficção. Tradução de Denise Bottman. São Paulo: Cosac Naify,
2011, p. 93-124.

Programa

Aula 1: Debates historiográficos atuais em torno da História Indígena.

Referências bibliográficas:
KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu. Palavras de um xamã Yanomami. Tradução de Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
SANTOS, Eduardo Natalino dos. “História dos vencidos, história da mestiçagem e história indígena”. In: PERLATTO, Fernando. As américas em perspectiva: das conquistas às independências/Org.: Hevelly Ferreira Acruche, Bruno Silva. Juiz de Fora, MG: Editora UFJF/ClioEdel, 2023.

Aula 2: O ensino de história e as narrativas indígenas.

Referências bibliográficas:
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Editora: Companhia das Letras, 2019.
MUNDURUKU, Daniel. Coisas de índio. São Paulo: Callis, 2000.